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quarta-feira, 13 de março de 2013

Império Mongol

Expansão do Império Mongol.
O Império Mongol foi uma entidade política que existiu durante os séculos XIII e XIV e foi o maior império em área contígua da história. A partir de estepes da Ásia Central, que se estendiam da Europa Central até o Mar do Japão, ao norte até a Sibéria, ao leste e ao sul até o subcontinente indiano, a Indochina e o planalto iraniano e, por fim, ao oeste até o Levante e da Arábia.

O império unificou tribos mongóis e turcas da Mongólia sob a liderança de Genghis Khan, que foi proclamado o governante de todos os mongóis em 1206. O império cresceu rapidamente sob seu governo e sob seus descendentes, que enviaram invasões em todas as direções. O grande império transcontinental ligava o Oriente com o Ocidente em uma Pax Mongolica imposta, que permitia o comércio e a troca de tecnologias, produtos e ideologias por toda a Eurásia.

O império começou a decair devido a guerras sobre a sucessão de poder, visto que os netos de Genghis Khan divergiram sobre se a linha real devia seguir a partir de seu filho e herdeiro inicial Ögedei, ou para um de seus outros filhos, como Tolui, Chagatai ou Jochi. Os seguidores de Tolui prevaleceram após um expurgo sangrento das facções de Ögedeid e Chagataid, mas disputas continuaram mesmo entre os descendentes de Tolui. Após a morte de Mongke Khan, conselhos kurultai rivais elegeram simultaneamente diferentes sucessores, os irmãos Ariq Böke e Kublai Khan, que, em seguida, não só lutaram entre si na Guerra Civil Toluida, mas também travaram disputas com os descendentes dos outros filhos de Khan. Kublai chegou com sucesso ao poder, mas a guerra civil se seguiu quando Kublai procurou, sem sucesso, retomar o controle das famílias Chagatayid e Ögedeid.

A Batalha de Ain Jalut, em 1260, marcou o ponto das conquistas mongóis e foi a primeira vez que um avanço mongol foi derrotado em combate direto no campo de batalha. Embora os mongóis tenham feito muito mais invasões no Levante, ocupando-o brevemente e invadindo até Gaza, depois de uma vitória decisiva na Batalha de Wadi al-Khazandar em 1299, eles se retiraram da região devido a vários fatores geopolíticos. Na época da morte de Kublai, em 1294, o Império Mongol tinha se fragmentado em quatro canatos (ou impérios) separados, cada um perseguindo seus próprios interesses e objetivos distintos: o Canato da Horda Dourada, no noroeste; o Canato de Chagatai no oeste; o Ilcanato, no sudoeste; e da dinastia Yuan, sediada na moderna Pequim. Em 1304, os três canatos ocidentais aceitaram rapidamente a suserania nominal da dinastia Yuan, mas, quando em 1368 ela foi derrubada pela dinastia Ming, dos hans, o Império Mongol finalmente foi dissolvido.

Origem e expansão

Com a ajuda de seus arqueiros
montados, os mongóis conquistaram
a maior parte da Eurásia.
Na imagem, a reconstrução
de guerreiro mongol
Após unificar as tribos mongóis, o próximo alvo de Gengis Khan foi a China, na época dividida em vários reinos, dentre eles o império Jin ao nordeste, os Xixia ao norte e os Sungao sul. Em 1215 Pequim foi conquistada, após um longo cerco. A região ficou ao cargo do general Muqali.

Em seguida, foi a vez do império da Corásmia, cujos domínios incluíam os atuais Uzbequistão, Quirguistão, Turcomenistão, Tajiquistão e Afeganistão, contra o qual empreendeu uma sangrenta guerra entre 1219 a 1221. Cidades como Samarcanda e Bucara foram arrasadas.

Em perseguição ao xá Maomé da Corásmia, um exército liderado por Jebe Noyon e Subedei invadiu o norte da Pérsia, atravessou o Cáucaso, derrotando vários exércitos locais, e alcançou a região sul da Ucrânia, onde em maio de 1223 derrotou um exército de 80 mil homens composto por soldados de diversos principados russos na batalha do rio Kalka. Em agosto de 1227, em meio a guerra contra o império Xixia, Gengis Khan faleceu.

Depois da Morte de Gengis Khan

Com a morte de Khan, o império foi dividido entre seus filhos. A Sibéria Ocidental e o Cazaquistão ficaram com Jochi, porém como este também morreu alguns meses depois, seus domínios foram divididos entre Batu e Orda Khan; O Turquestão ficou com Djaghatai, no que viria a ser depois o Canato de Djaghatai; a Mongólia ficou com o caçula Tolui e o norte da China com Ogodai.

Em 1229, seu filho Ogodai o sucedeu, continuando com as guerras de expansão. Na China terminou de destruir os Xixia, conquistou a cidade de Kaifeng em 1234, assim terminando a conquista da região norte e iniciando guerra contra os Song do sul, além de conquistar por completo a Coreia. No Oriente Médio, destruiu os últimos remanescentes de Khwarezm e conquistou a Pérsia. Porém seu maior feito sem dúvida foi a campanha contra a Europa, comandada por Batu Khan e Subedei. Após derrotarem os búlgaros do rio Volga, os vários principados russos foram devastados e conquistados, reduzindo-os à vassalagem.

Em dezembro de 1240 Kiev foi conquistada e no ano seguinte em um ataque triplo foram invadidos Polônia, Hungria e Romênia. Os exércitos poloneses e alemães foram vencidos na batalha de Legnitz e os húngaros na batalha de Mohi. Ao final de 1241, Subedei estava discutindo planos de invadir o norte da Itália, Áustria e os estados germânicos, porém devido a morte de Ogodai tal campanha foi abortada, já que tiveram de voltar à Mongólia para eleger o próximo khan. No caminho de volta, devastaram Croácia, Sérvia e Bulgária, que se tornaram vassalos dos mongóis.

Fragmentação e declínio

Nos anos 1250, sob o governo de Mongke, filho de Tolui, as conquistas foram retomadas. Em 1256, os assassinos na Pérsia foram destruídas e em 1258 Bagdá foi conquistada, pondo fim ao agonizante Califado Abássida. Em seguida foi a vez da Síria. Ao mesmo tempo na Europa um novo ataque contra a Polônia ocorreu, liderado pelo general Nogai. Eis que em 1259, Mongka morre e Hulagu Khan teve de voltar para a eleição do novo khan, e suas forças de guarnição que manteve foram derrotadas e expulsas pelos Mamelucos, liderados por Baibars, que infligiu-lhes em 1260 uma derrota na batalha de Ain Jalut, na Palestina.

Após a morte de Mongka, iniciou-se um processo de divisão em canatos independentes dos territórios do império. Para suceder Mongke, Berke, khan da Horda Dourada, apoiou Arik Boke, enquanto que Hulagu apoiou Kublai, que após derrotar seu irmão assumiu o trono em Karakorum. Tais disputas tiveram como resultado o surgimento de rixas que levaram à fragmentação do império.

Kublai Khan, ao assumir o poder, iniciou novas guerras de conquista, porém todas elas voltadas contra os países vizinhos da China. Sua política toda voltada à China contribuiu para a fragmentação do império, à medida que não dava atenção às suas regiões mais remotas. Dentre as guerras empreendidas por Kublai, estão a conquista dos Song, que terminou em 1279, assim conquistando toda a China e fundando uma nova dinastia, a Yuan. Fora da China, promoveu dois ataques contra o Japão em 1274 e 1281, que foram frustrados por conta de tempestades marítimas (que foram chamadas pelos japoneses de kamizake ou vento divino) que destruiu a frota mongol, além de ataques contra os atuais Vietnã, Camboja, Mianmar e Java, também sem muito sucesso.

Expansão à Índia

Nos anos de 1520, Baber invadiu a Índia e na batalha de Panipat fez-se senhor do Punjab. Em breve estabelecia um novo Império Mongol na Índia, conhecido pelo nome de Império Mogol, da versão persa da palavra "mongol", para o distinguir das anteriores conquistas desse povo. Baber morreu em 1530, apenas quatro anos depois de Panipat, mas o seu império durou até meados dos anos de 1700, quando os britânicos passaram a ter o poder supremo na Índia.

No seu período áureo, o Império Mogol cobriu quase toda a moderna Índia, Paquistão e Bangladesh. Hoje, grande parte da população da Sibéria e uma pequena parte do extremo leste europeu tem traços mongóis ou pertence a raça mongolóide, à qual pertence também quase metade da população do mundo (chineses, coreanos, japoneses, etc.)

Diz-se que os Mongóis passavam o dia inteiro montados nos seus cavalos, tanto que deixavam um pedaço de carne debaixo das suas selas; assim com o calor e o suor a carne ficava semicozida. Os seus guerreiros, montados em cavalos, carregavam lanças leves, e os mongóis geralmente viviam em tendas.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Gengis Khan

Gengis Khan, (1162 — 18 de agosto de 1227) foi um conquistador e imperador mongol, nascido com o nome de Temudjin nas proximidades do rio Onon, perto do lago Baikal.

Gengis Khan nasceu cercado de lendas xamânicas sobre a vinda de um lobo cinzento que devoraria toda a Terra. Ainda jovem matou o lobo e ficou muito famoso em sua tribo. Enfrentou a rejeição de sua família por seu próprio clã, mas voltaria para conquistar sua liderança, vencer seus rivais de clãs distintos e unificar os povos mongóis sob seu comando. 

Estrategista brilhante, com hábeis arqueiros montados à sua disposição, venceu a grande muralha da China, conquistou aquele país e estendeu o seu império em direção ao oeste e ao sul. Gengis morreria antes de ver seu império alcançar sua extensão máxima, mas todos os líderes mongóis posteriores associariam sua própria glória às conquistas de Gengis Khan, "que foi um dos comandantes militares mais bem sucedidos da história da humanidade". Segundo levantamento feito pela revista Mundo Estranho, ele foi o imperador que mais territórios conquistou na história, dominando quase 20 milhões de km² (o equivalente a 2,3 vezes do território brasileiro).

Juventude 

Temujin nasceu de maneira insignificante, em um lugar remoto da Mongólia, por volta de 1162, em uma das diversas tribos rivais da estepe. Quando tinha 9 anos, a tribo rival dos tártaros assassinou seu pai, e então a família precisou fugir para o exílio. Temujin teve de lutar pela supremacia dentro da própria família; matou seu meio irmão mais velho por ele ter ostensivamente roubado um animal que ele próprio abatera numa caçada. 

Temujin casou-se com a idade de 16 anos, mas uma tribo rival sequestrou sua esposa. Embora ele rapidamente a tivesse trazido de volta, ela apareceu grávida, de modo que a paternidade daquele filho, seu primogênito, sempre foi posta em dúvida. Por fim, Temujin se ligou a um líder de tribo que era muito conhecido por, ocasionalmente, ferver a carne de prisioneiros vivos em um caldeirão.

Pessoalmente carismático, Temujin reunia seguidores entre outros indivíduos desvalidos, o que significava que seus acólitos deviam tudo que tinham a ele, e não a um acidente de nascimento. Ele valorizava tanto a lealdade que, mesmo quando a deslealdade entre seus inimigos lhe era vantajosa, o culpado era punido. Numa determinada cidade, os soldados da guarnição se esgueiraram e abriram os portões para que seu exército entrasse. Gêngis Khan mandou-os executar sua traição.

Ascensão

A maior parte da carreira de Temujin foi passada consolidando as tribos das pastagens da Mongólia numa única nação guerreira. Ele incorporou e conquistou tribos para seu exército, espalhando-as por sua organização. Os mongóis vieram a constituir mais um exército do que uma etnia, uma fusão de diferentes clãs que abandonaram seus pequenos feudos e uniram-se e se subordinaram a Temujin. Depois de muitos anos de matança, uma reunião de tribos recentemente unidas, em 1206, proclamou Temujin seu Gêngis Khan, senhor do Universo. 

Com um exército tão poderoso, Gengis Khan resolveu partir para o sul e invadir as terras do reino de Hsi Hsia, também chamado de Xixia, vassalos do império chinês, que, nessa época, se dividia em duas dinastias: o império Jin, ao norte e o império Song, ao sul. Pela primeira vez, os mongóis tiveram de enfrentar cidades muradas. Sem ainda conhecerem ou dominarem as máquinas de cerco, a capital não pôde ser conquistada. Porém, diante da recusa do império Jin em mandar um exército ao auxílio ao reino Xixia, este se submeteu ao poderio militar dos mongóis e lhes pagou um grande tributo que incluiu a filha de seu governante, dada como segunda esposa a Gengis Khan.

Táticas de guerra  

Gengis criou táticas de guerra revolucionárias para as batalhas nas estepes. Seu exército era disciplinado, temido e impiedoso. A arma tradicional dos mongóis era o arco e flecha composto, que tinha um alcance de 500 metros, com isso tornou obrigatório o treinamento dessa arma. Os cavaleiros eram treinados para atirar a flecha com o cavalo em movimento. Um detalhe era que, para maior precisão, a flecha era disparada no momento em que o cavalo estivesse em pleno galope. Esses cavaleiros, os chamados mangudais, eram uma arma poderosa contra infantaria inimiga, já que juntavam dois princípios: arco e flecha e cavalaria, ou seja, um mangudai poderia ser rápido e preciso para atingir os inimigos mesmo estando longe. O arco curvo mongol era até mais potente que os famosos arcos longos utilizados pelos ingleses com grande êxito em batalhas contra os franceses durante a guerra dos cem anos.

Conquistas

Em 1207-1208, os mongóis foram forçados a expandir seu território de pastagem devido a algum problema climático nas estepes e conquistaram o reino tangute de Hsi Hsia. Em seguida, atravessaram a muralha contornando-a e chegaram à China, cujo reino estava dividido entre as dinastias Jin, ao norte e Song, ao sul. As vastas plantações de arroz e a riqueza da cidade atraíram mais a atenção de Genghis do que a possibilidade de se tornar senhor da China. Na conquista do reino Jin, Genghis Khan recrutou um jovem chinês chamado Yeh-lu Ch'u-ts'-ai como seu conselheiro pessoal. A sua influência tornou Genghis mais tolerante e menos agressivo em batalha, estimulando-o a evitar esforços exagerados na guerra e conservar as terras cultivadas ao invés de transformá-las em pastagens.

Gengis marchou até Pequim, o mais avançado centro urbano daquela época e, quando viu que a cidade era cercada de muralhas de doze metros de altura, descobriu que suas táticas de guerra em campo aberto, nas estepes, não o ajudariam naquele momento. Desse modo, não teve pressa e acampou seu exército, cercando a cidade e impediu que os suprimentos entrassem em Pequim. Esses suprimentos foram usados para suprir seu exército. Com a ajuda de engenheiros chineses dissidentes, construiu catapultas e outros artefatos bélicos e finalmente invadiu e dominou Pequim. Gengis, após o ataque inicial aos Jin, retirou-se para a Mongólia, enquanto seus generais se encarregavam de estabelecer seu domínio na China Jin. 

Em 1218, um acidente diplomático provocou a ira de Genghis sobre o reino turco de Kharizm, no norte da Pérsia: um mensageiro trouxe-lhe a cabeça de um de seus generais enviado em missão diplomática à Pérsia. O Cã cavalgou à frente de mais de duzentos mil homens e cerca de dez mil máquinas de assédio adquiridas dos chineses. Houve poucas batalhas campais e os mongóis empreenderam guerras de cerco às cidades fortificadas da Pérsia, que capturaram uma a uma. Algumas, como Bucara e Samarcanda se tornariam, no futuro, espelhos longínquos da presença mongol no sudoeste da Ásia. A velha cidade de Nichapur foi arrasada e nem mesmo os animais ali sobreviveram ao ataque mongol. O exército de Genghis matou mais de um milhão de persas.

As perdas humanas em Khwarizm contavam-se aos milhares. Genghis e seus generais impunham punições brutais aos inimigos. A proximidade da Pérsia com a Europa gerou a fama de selvageria dos mongóis que assombraria o continente pelas décadas seguintes.

Em 1227, enquanto os generais de Gengis conquistavam territórios no sul da Rússia e na Ucrânia, o Grande Cã foi forçado a retornar para as estepes para conter uma revolta de Hsi Hsia, que havia recusado a convocação para a campanha contra Khwarizm. Após vencer os tangutes, Gengis Khan morreu acometido por uma febre alta e dores na cabeça.

Tumba Secreta

Gêngis Khan foi sepultado numa tumba secreta, em algum lugar bem no interior de sua Mongólia natal. Todas as testemunhas que por acaso viram a procissão funerária foram aprisionadas e mortas, para evitar que indicassem o local do sepultamento. Depois o corpo foi queimado com sua fortuna acumulada, os escravos que o carregaram sofreram uma emboscada e foram assassinados para esconder a localização para sempre. Sua sepultura nunca foi achada, mas localizá-la se transformou num dos maiores objetivos dos arqueólogos, capaz de tornar famoso quem o fizer.

Legado de Gengis Khan

Antes da morte de Gengis Khan, este estabeleceu seu filho, Ogedei, como seu sucessor. Ogedei encarregou-se de expandir o território mongol ao máximo, da Síria à Indochina, da Pérsia à Sibéria, da Hungria à China. Posteriormente, o grande império seria dividido em 4 partes, entre filhos e netos de Genghis, porém nenhum destes novos reinos, ou canatos, teria uma existência longa.

No início do século XIV, Timur, o Coxo, alegando ser descendente de Gengis Khan, se tornaria o Cã de um breve império mongol que abarcaria toda a Mesopotâmia, a Pérsia, o Afeganistão, o Paquistão e o norte da Índia. Ainda nesse século, os tártaros ressurgiriam, inspirados pelas conquistas de Genghis, para tomar o território do dissolvido Canato da Horda Dourada, na Rússia. Vários outros levantes mongóis de menor importância tomariam lugar nos séculos seguintes, mas o meio de vida nômade e a incapacidade de estabelecer uma indústria armamentista logo tornaria os hábeis cavaleiros montados obsoletos frente às novas artilharias dos países que ali faziam fronteiras.

Na Mongólia atual, Gengis Khan é considerado o herói máximo e o pai daquela nação, cujo culto à imagem jamais se deixou apagar, mesmo durante o regime comunista. O aeroporto da capital do país foi renomeado para Aeroporto Internacional Gengis-Khan, em homenagem ao imperador.

Orgulho da Mongólia

Escondida no fim do mundo, a Mongólia é uma região selvagem, hostil e poeirenta, que é sinônimo de remota. É onde encontramos ossos de dinossauros e nômades rudes, e nenhuma das grandes redes de fast-food. A Mongólia moderna é um pequeno país do formato de uma bola de futebol americano, que foi jogada para lá e para cá por países maiores durante centenas de anos, mas os mongóis se consolam com o conhecimento de que, em certa época produziram o mais bandido de todos da história da humanidade, Gêngis Khan. 

Na realidade, é claro que os mongóis não podem se vangloriar da indiscriminada mortandade por ele praticada. De fato, eles negam isso enfaticamente, realçando sua coragem, audácia, esplendor, esperteza, ocasionais atos de caridade, juntamente com a façanha, reconhecidamente útil, de ter unido o Oriente e o Ocidente em uma única entidade política. Eles mostram todas a úteis invenções, tais como a massa de farinha de trigo e, talvez, a pólvora, que circulam para cima e para baixo do vasto império sem precedentes. orgulhosos, eles usam a imagem de Gêngis Khan para decorar suas cédulas de dinheiro, garrafas de vodca e de cerveja, lojas, hotéis, letreiros nas ruas e barras de chocolate.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tamerlão

Tamerlão, o Coxo (8 de abril de 1336 – 18 de fevereiro de 1405), foi o último dos grandes conquistadores nômades da Ásia Central de origem turco-mongol.

Nascido nos domínios do Canato Chagatai, de uma família de pastores, agregou em torno de si diversas tribos, graças à sua competência como guerreiro, à sua astúcia como político e ao seu carisma como entusiasta da religião e das artes. Com a ajuda de um vasto exército, construiu um poderoso e agressivo império, conhecido como Império Timúrida, que não resistiria à sua morte.

Ascensão

Tamerlão (Timur) começou sua carreira como um bandido pouco importante. Quando jovem, foi ferido por flechas na mão direita e no joelho, enquanto participava de gloriosas batalhas, ou roubando carneiros, a versão de seus inimigos, deixando-o manco e com um braço semi paralisado pelo resto da vida. Sua família havia se agregado ao recém formado Canato Chagatai, um dos quatro reinos mongóis originários da fragmentação do grande império de Genghis Khan. A unidade política desse reino era praticamente inexistente, e os clãs viviam de maneira quase independente, como pastores nômades ou semi-nômades. Tamerlão nasceu e cresceu nesse contexto, onde a liderança não era herdada, mas conquistada e mantida pela força e pela coragem. É possível que o respeito que conquistou esteja ligado à sua personalidade carismática e ao seu gênio militar. Arabshah, um historiador de Damasco, observa que a lealdade conquistada por Timur seria devida ao seu sucesso como ladrão de ovelhas, e que seus seguidores seriam ladrões, depois transformados em guerreiros hábeis e disciplinados.

No decorrer da década de 1360 Timur estabeleceu alianças entre líderes tribais, tornando-se virtualmente o líder de todo o Canato Chagatai. Para confirmar sua autoridade, Timur forjou uma relação distante de parentesco com Genghis Khan, e assumiu para si o título de Khan.

Personalidade

Tamerlão foi descrito por diversos cronistas do século XIV, e cada relato apresentava o imperador sob um enfoque diferente: ora nobre e educado, ora violento e explosivo, ora um bárbaro aculturado, ora um amante das artes. Mas todos os relatos concordam que Timur possuía personalidade complexa que fascinava e tornava perplexos mesmo os seus desafetos.

Era adepto de uma versão do Islão que incorporava os velhos cultos animistas mongóis e tomou para si a missão de expandir e fortalecer a fé islâmica no mundo, assumindo também o papel de um líder religioso para seu povo. Além disso, sabia que os chagatai precisavam ser mantidos ocupados, para evitar descontentamentos entre seus exércitos, e empreendeu contínuas campanhas militares contra seus vizinhos durante seu reinado. Assim, seu poder se consolidou, também, por saber como lidar com seus inquietos compatriotas, além de expandir seu império para além das estepes da Ásia Central

Apesar da natureza rude do modo de vida mongol, o imperador chagatai era um entusiasta de história, arte, arquitetura, poesia e filosofia, e não raro fazia questão de poupar artistas, historiadores e engenheiros estrangeiros durante suas conquistas - exterminando todo o resto da população. Timur também apreciava a visita de embaixadores e mercadores estrangeiros, com os quais aprendia sobre a história e a cultura de povos tão distantes quanto os espanhóis e italianos. Durante seu reinado, a cidade de Samarcanda, para onde esses prisioneiros eram deportados, tornou-se a pérola das estepes asiáticas, com grandes obras de arquitetura e urbanismo.

A característica pela qual Tamerlão tornou-se mais conhecido - e temido - em todo o ocidente foi sua crueldade, a brutalidade com que tratava os povos conquistados. Apesar de ser um líder militar refinado (estabelecia novas estratégias jogando xadrez), não abria mão da violência para abater a moral dos inimigos e impor respeito sobre os povos conquistados. Atos como o assassínio de um grupo de crianças pequenas - ocorrido no ataque a Isfahan, quando dizimou quase toda a população local, empilhando seus crânios em montes do lado de fora da cidade - e o emparedamento de duas mil pessoas em uma torre de Isfizar para sufocar uma rebelião, tiveram enorme repercussão negativa na reputação de Tamerlão na Europa e em reinos adjacentes, mas inflava o orgulho dos chagatai.

Conquistas

Tamerlão unificou os chagatai em torno de si usando astúcia política, mas fez uso de seus arqueiros montados em pequenos cavalos mongóis para vencer exércitos e conquistar cidades na Ásia. Inicialmente, Timur era senhor da Transoxiana e parte do Turquestão, e começou a expandir seus domínios para o Coração, o Afeganistão e Multão, no Paquistão. Conquistou a velha cidade de Deli, a Pérsia, o Iraque, a Armênia e o sul da Rússia, então sob domínio do Canato da Horda Dourada. 

Quando uma guarnição cristã de Sivas, na Armênia, perguntou quais seriam os termos para uma rendição, Tamerlão jurou que não derramaria uma gota de sangue. Depois que o inimigo se rendeu, ele cumpriu o prometido e, em vez disso, enterrou-os vivos.

Seu exército ainda saquearia o reino da Geórgia várias vezes. Na conquista de Deli, Timur teve que enfrentar pela primeira vez um exército montado sobre elefantes. Sem saber como enfrentar essa força desconhecida para os mongóis, ordenou que apanhassem os camelos que os escoltavam e carregaram-nos com fardos de palha. Atearam fogo aos fardos e enviaram os camelos em disparada para as linhas inimigas, causando pânico aos elefantes, forçando sua retirada.

Estratégias

Para seus admiradores, Tamerlão era um tipo de guerreiro astucioso. Como um jovem bandido do interior selvagem da Ásia Central, ele fazia seus soldados erguerem fogueiras desnecessárias em um círculo em torno do inimigo para convencê-lo de que estavam inferiorizados em efetivo. Fazia com que seus cavaleiros arrastassem ramos de árvores para levantar uma nuvem de poeira maior.  

Campanhas: sudoeste (1381-84)

Gerações após Gêngis Khan ter destruído Herat, em 1221, a cidade renascera, tornando-se uma parada rica e culta da Estrada da Seda. Durante os primeiros dias como mercenário itinerante, Tamerlão trabalhou para a dinastia que governava aquela cidade, e então tentou negociar uma aliança marital. O governante na época concordou a princípio, mas ficou argumentando sobre os detalhes. Então os espiões de Tamerlão descobriram que Herat estava reforçando suas defesas, um evidente ato provocativo. Tamerlão atravessou velozmente 480 quilômetros de um deserto e montanhas inóspitas, para pôr cerco à cidade. Sabendo o destino que esperava uma defesa malsucedida, Herat desistiu de lutar e conseguiu misericórdia.

Com seu exército mobilizado e tendo viajado tanto para o oeste, Tamerlão continuou sua ofensiva. Na partilha por quatro, a parte persa do império de Gêngis Khan ficara sendo o domínio dos Il-Khans, maso khanato desmoronou mais ou menos na mesma época do ocaso da dinastia Chagatai. Explorando o vácuo do poder, Tamerlão invadiu a Pérsia com o que viria a ser sua característica crueldade.

Na Cidade de Isfizar, ele trancou 2 mil prisioneiros em uma torre, deixando-os morrer de fome. Zaranj, cidade próxima, suscitava más lembranças para Tamerlão, pois fora lá que ele recebera seus ferimentos debilitantes, de modo que, embora tenham se rendido sem qualquer luta, os habitantes foram massacrados e sua cidade, incendiada.

Sudoeste (1386-88)

Durante algum tempo, Tamerlão voltou para casa a fim de descansar, antes de invadir a Pérsia de novo. Depois de conquistar a cidade de Isfahan, no Irã central, ele instalou uma guarnição lá e estava pronto para conceder misericórdia, mas a população se sublevou e atou a guarnição. Tamerlão avançou sobre a cidade de novo e liquidou com seus habitantes, plantando em estacas as cabeças, como um aviso para outros, que podiam querer resistir a sua força. A cidade próxima de Shiraz entendeu a mensagem e rendeu-se imediatamente. Um historiador muçulmano explorando Isfahan logo depois contou 28 torres de 1.500 cabeças cada, antes de interromper o circuito que fazia em torno das ruínas. O provável total estava perto de 70 mil.

Embora pensemos no passado como uma época mais brutal do que a de hoje, vale a pena notar que, entretanto, muitos dos soldados de Tamerlão ficavam horrorizados com a ordem de massacrar civis e outros muçulmanos. Tamerlão exigia de cada unidade certo número de cabeças, ou então que sofressem as consequências. Os oficiais eram designados para conferir a contagem. Os soldados de ânimo mais fraco compravam sua quota dos companheiros com menos escrúpulos. A princípio, o preço de uma cabeça era 20 dinares, mas conforme o massacre prosseguia e o suprimento subia para cumprir a demanda, o preço caiu para meio dinar. 

Noroeste (1390-91)

Uma dinastia mongol, que se intitulava a Horda Dourada, herdara o quarto europeu do império de Gêngis Khan, a oeste dos montes Urais, estendendo-se pelas estepes da Rússia e da Ucrânia. Tinha havido uma disputa dinástica na década de 1370, e durante algum tempo Tamerlão deixou que Toktamish, o pretendente marginal da liderança, dormisse em seu sofá, falando metaforicamente, até que pudesse arranjar um cargo para ele. Tamerlão ajudou-o a conquistar o trono da Horda Dourada, mas então os dois herdeiros de Gêngis Khan se desentenderam. Logo depois que Tamerlão se retirara da sua primeira incursão na Pérsia, Toktamish se esgueirou atrás dele e tomou Tabriz, uma cidade que Tamerlão reservara para conquistar mais tarde.

Era evidente que a Eurásia não era bastante grande para a ambição dos dois. Tamerlão partiu para o norte, entrando na imensidão desconhecida da Sibéria, e depois virou para a esquerda e, atravessando as vastas florestas da Rússia, surpreendeu o inimigo. Em junho de 1391, o exército de Tamerlão - 100 mil homens e mulheres - caiu avassaladoramente sobre a Horda Dourada, na Batalha de Kunduzcha. Depois de feroz luta, Toktamish fugiu, com as tropas de Tamerlão perseguiu-o de perto. Embora Toktamish conseguisse fugir, suas principais cidades, Sarai e Astrakhan, foram conquistadas e saqueadas.

Sudoeste (1393)

Pérsia, novamente.

Noroeste (1395)

Toktamish, novamente.

Sudeste (1398-99)

No verão de 1398, Tamerlão partiu para punir seu companheiro muçulmano, o sultão de Déli, por tolerar todas as culturas e permitir a livre circulação dos hindus, o que Tamerlão considerava uma afronta ao Islã. Em dezembro, ele já cruzara todas as montanhas, desertos e rios  que separavam a Índia do restante do mundo, e conduziu seu exército para o sul, pela planície do Punjab. Enquanto atravessava o país, ele foi acumulando milhares de prisioneiros hindus, que levaria de volta como escravos.

O exército de Tamerlão sobrepujou as forças do sultão à vista das muralhas de Déli, derrotando os elefantes de guerra com a tática dos camelos flamejantes, descrita anteriormente. Durante a batalha, Tamerlão ouviu seus prisioneiros ovacionarem os ataques indianos, de modo que mandou matá-los, 100 mil deles, de acordo com as crônicas. Originalmente ele planejava poupar a cidade, mas, quando seus soldados saqueavam e praticavam estupros ao atravessar a cidade, surgiram altercações e lutas com os habitantes. A coisa evoluiu para uma verdadeira rebelião contra os invasores, que Tamerlão sufocou com sua típica crueldade. Cerca de 50 mil pessoas foram massacradas, e suas cabeças fincadas em estacas fora dos quatro cantos da cidade. Depois ele confiscou todo o tesouro que a grande capital acumulara ao longo dos anos, juntamente com dezenas de milhares de novos escravos.

Oeste (1400-1404)

Em outubro de 1400, Tamerlão avançou para o oeste. tendo reduzido a Pérsia de um grande império a um mero atalho, ele atravessou o país e atacou além dele. No caminho, conquistou todas as grandes cidades, e enterrou viva a guarnição de Sivas. Destruiu Alepo e empilhou 20 mil cabeças. Depois saqueou e incendiou Damasco e eliminou sua população, em março de 1401.

Uma pequena força enviada para se apoderar de Bagdá não tivera êxito, de modo que Tamerlão voltou com todo o seu exército e sitiou a cidade por seis semanas. Num dia insuportavelmente quente, quando os defensores se refugiaram na sombra, Tamerlão atacou. Depois que a cidade foi conquistada, ele ordenou que cada um de seus guerreiros lhe trouxesse uma cabeça cortada; algumas fontes dizem duas. Apenas os clérigos e os estudiosos foram poupados do massacre. Quando ficou patente que havia menos habitantes em Bagdá do que a cota estabelecida por Tamerlão, foram trazidas cabeças do próprio acampamento mongol: seguidores, prostitutas e escravos pessoais, porque ninguém ousava desafiar um comando de Tamerlão. Os mongóis demoliram todas as construções seculares e cercaram as ruínas com 120 torres, erigidas com 90 mil cabeças ao todo, enquanto Tamerlão fazia uma peregrinação a um santuário próximo, para rezar.

A invasão para oeste colocou Tamerlão em conflito com os turcos otomanos, que estavam ocupados, eliminando os últimos vestígios do Império Bizantino. O sultão turco, Bayezid, o Trovão, esmagara uma fieira de inimigos, tanto na Europa quanto na Ásia, e tudo que precisava para coroar sua carreira e ser aclamado como o maior guerreiro da história do Islã era conquistar Constantinopla, sede do império, saída para o mar Negro, e o portão para a Europa, e que resistira por séculos aos invasores muçulmanos.

Então, em 1402, as hordas de Tamerlão surgiram avassaladoramente do leste, e Bayezid precisou abandonar seu sítio de Constantinopla para barrar o avanço dos mongóis. Bayezid partiu com um grande exército calejado nas batalhas e enfrentou Tamerlão em Ancara. Foi uma luta dura, e diversas unidades turcas, constituídas de constritos descontentes, passaram para o lado inimigo, trazendo o caos à posição otomana. Bayezid foi derrotado e capturado, juntamente com seu séquito. Tamerlão tinha, sem querer, salvado a Europa dos turcos por meio séculos mais.

Contam-se muitas histórias da humilhação sofrida pelo ex-sultão nas mãos do comandante mongol. Dizem que Bayezid foi mantido numa gaiola, em público, que sua esposa foi forçada, nua, a servir refeições a membros da corte, que Tamerlão o usava como banquinho para descansar os pés. Provavelmente essas histórias não são verdadeiras, porque não apareceram nos registros históricos senão muito mais tarde. Os primeiros historiadores disponíveis alegaram que Bayezid foi bem tratado.

Chegando ao litoral mais a oeste da Anatólia, na península da Turquia, Tamerlão montou cerco à Ordem dos Cavaleiros de Rodes, na cidade cristã de Esmirna, que aguentou o sítio por umas poucas semanas, e depois suportou o costumeiro massacre e pilhagem. Mais tarde, quando a frota cristã chegou para ajudar os cavaleiros a romper o cerco, Tamerlão escarneceu deles e mostrou que haviam chegado tarde demais catapultando as cabeças dos ex-defensores para cima dos navios.

Amir Tamerlão

Tamerlão tinha grande respeito pelos estudiosos e atraiu muitos deles para sua corte. Encomendou magníficas edições do Corão aos melhores calígrafos. Era também um mestre no xadrez, e a versão mais complicada do jogo ainda leva seu nome. No xadrez de Tamerlão, o tabuleiro tem duas vezes mais casas do que o xadrez regular e mais peças, tais como elefantes, que pulam duas casas, em diagonal, e girafas, que se movem uma em diagonal e três em linha reta. 

Fim de Jogo

Já então com 71 anos, Tamerlão esmagara os dois impérios mais poderosos da Ásia: Déli e os otomanos. Realizara conquistas em todas as direções, com exceção do leste, penetrando na China. Recentemente a dinastia Ming, liderada por Zhu Yuanzhang, expulsara os mongóis de seu país, e Tamerlão decidiu que isso não podia continuar. Com um novo exército, ele partiu para restaurar o império de Gêngis Khan, mas a velhice o alquebrou e ele morreu em 1405, antes de seu exército cruzar a fronteira. 

O significado das conquistas de Tamerlão, embora tenham sido enormes, sangrentas e pitorescas, é pequeno e cheio de ironias. Ele era um muçulmano devoto, que destruiu quase exclusivamente inimigos muçulmanos, e foram os derrotados nas suas guerras que deixaram legados verdadeiros, enquanto Samarcanda se tornou uma cidde estagnada, deserta, sob o governo de khans cujo nomes foram esquecidos. 

Exumação

O corpo de Tarmelão foi exumado de seu túmulo em 1941 pelo antropólogo soviético Mikhail Gerasimov. De seus ossos, ficou claro que Tamerlão era um homem alto e de peito largo com ossos fortes no rosto. Gerasimov também descobriu que as características faciais de Tamerlão conformavam-se a parciais características da raça amarela, que ele acreditava, em parte, apoiar a noção de Tamerlão de que ele era descendente de Genghis Khan. Gerasimov foi capaz de reconstruir a imagem de Tamerlão a partir de seu crânio. Sua altura era de 1,73 metros, alto para sua época. Também confirmou a claudicação, devido a uma lesão no quadril de Tamerlão.

O túmulo de Tamerlão é protegido por uma laje de jade, na qual estão esculpidas as palavras em árabe: "Quando eu ascender dos mortos, o mundo vai tremer". Diz-se que quando Gerasimov exumou o corpo, uma inscrição adicional dentro do caixão foi encontrada, lendo-se "Quem abrir o meu túmulo soltará um invasor mais terrível do que eu". Em qualquer caso, dois dias depois de Gerasimov começar a exumação, a Alemanha nazista lançou a Operação Barbarossa, a invasão da União Soviética. Tamerlão foi re-enterrado com ritual islâmico completo em novembro de 1942, pouco antes da vitória soviética na Batalha de Stalingrado.

O legado de Tamerlão

O império de Tamerlão sucumbiu logo após seu criador. Dividido entre os filhos de Timur, as velhas rivalidades tribais voltaram a surgir entre os mongóis. Aliado ao ressurgimento dos povos conquistados e dos turcos a leste, a divisão política fez com que os chagatai fossem inteiramente absorvidos ainda no início do Século XV. A influência das conquistas de Tamerlão viu-se no adiamento da queda de Constantinopla, e na introdução da cultura mongol na Índia (cujo último imperador mongol só seria deposto no final do Século XIX).

A herança mais duradoura de Tamerlão não foi política, mas no campo das artes. O povo mongol era rude e pouco preocupado com a atividade artística, mas os mestres artífices deportados nas conquistas de Timur produziram um prolífico acervo de obras em metal, madeira, laca, pedras preciosas, pinturas. Samarcanda, Bucara e outras cidades se tornaram obras de arte da arquitetura, com suas grandes e belas mesquitas, torres e palácios (embora o próprio Tamerlão vivesse em uma tenda, ou na sela de um cavalo) decoradas com ricos ladrilhos, mosaicos e pinturas, retratando não só motivos abstratos típicos da arte islâmica, mas também cenas da natureza, do cotidiano e da própria vida de Timur, o Coxo. Historiadores e poetas prosperaram sob o patrocínio de Tamerlão, e perpetuaram sua arte ao longo dos anos seguintes à sua morte.

A nova nação da Ásia central, o Uzbequistão, está reabilitando Tamerlão como um herói nacional. Uma magnífica estátua equestre domina a principal praça da capital do país, Tashkent, substituindo o busto de Karl Marx, que estivera no local durante a era soviética, o qual já substituíra a estátua anterior de Stálin, que substituíra a estátua original do czarista Konstantin Kaufman, conquistador russo da Ásia central. Aparentemente, aquela praça nunca honrou uma pessoa viável.