Mostrando postagens com marcador Guerras Idade Contemporânea. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guerras Idade Contemporânea. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de agosto de 2013

Guerras do Ópio

As Guerras do Ópio, ou Guerra Anglo-Chinesa foram conflitos armados ocorridos entre a Grã-Bretanha e a China nos anos de 1839-1842 e 1856-1860.

Antecedentes

Com o fim das guerras napoleônicas, as atividades comerciais europeias voltaram-se para o Extremo Oriente, traduzindo-se numa pressão constante sobre a China, que mantinha fortes restrições sobre o comércio estrangeiro. Cantão era o único porto aberto ao comércio estrangeiro. Veio a representar o choque entre a China e o Ocidente durante as chamadas Guerras do Ópio. 

Em meados do século XIX a Grã-Bretanha era a potência mais desenvolvida do mundo, efetuando a transição para a segunda fase da Revolução Industrial. Para tanto, demandava cada vez mais matérias-primas a baixos preços e mercados consumidores maiores para os seus produtos industrializados.

A Índia e a China, países mais populosos da Ásia, despertavam grande atenção por parte da burguesia britânica. Só que, ao passo que o mercado indiano se encontrava aberto ao comércio estrangeiro, a China produtora de seda, porcelana e chá (os britânicos compraram 12.700 toneladas em 1720 e 360 mil toneladas em 1830), itens que alcançavam bons preços no mercado europeu, ao passo que a China não mostrava interesse nos produtos europeus, o que acarretava défices ao comércio britânico.

Apenas um produto, em particular, parecia despertar o interesse dos chineses: o ópio, uma substância entorpecente, altamente viciante, extraída da papoula que causa dependência química em seus usuários, introduzido ilegalmente na China por comerciantes ingleses e norte-americanos. Produzido na Índia, e também em partes do Império Otomano no início do século XIX, os comerciantes britânicos traficavam-no ilegalmente para a China e muitas vezes forçavam os cidadãos a consumir as drogas, provocando dependência química, auferindo grandes lucros e aumentando o volume do comércio em geral.

O governo de Pequim resolveu proibir o tráfico de ópio. Isso levou Londres a declarar guerra à China. Pois pretendia conservar este lucrativo comércio (nota: a balança comercial das trocas entre os dois países era deficitária a favor da Grã-Bretanha).

China Proíbe a Importação de Ópio

Ópio
Entre 1811 e 1821, o volume anual de importação de ópio na China girava em torno de 4.500 pacotes de 15 quilos cada um. Esta quantidade quadruplicou até 1835 e, quatro anos mais tarde, chegou a ponto de o país importar 450 toneladas, ou seja, um grama para cada um dos 450 milhões de habitantes da China na época, 1 grama de ópio era o suficiente para provocar dependência química em seus usuários.

A droga chegou a representar a metade das exportações britânicas para a China. O primeiro decreto proibindo o consumo de ópio datou de 1800, mas nunca chegou a ser respeitado.

Em 1839, a droga ameaçava seriamente não só a estabilidade social e financeira do país, como também a saúde dos soldados. A corrupção grassava na sociedade chinesa. Para chamar a atenção do imperador, um ministro descreveu a situação da seguinte maneira: Majestade, o preço da prata está caindo por causa do pagamento da droga. Em breve, vosso império estará falido. Quanto tempo ainda vamos tolerar este jogo com o diabo? Logo não teremos mais moeda para pagar armas e munição. Pior ainda, não haverá soldados capazes de manejar uma arma porque estarão todos viciados.

Em 18 de março de 1839, o imperador lançou um novo decreto, com um forte apelo à população. Através de um panfleto, advertiu do consumo de ópio. As firmas estrangeiras foram cercadas pelos militares chineses, que em poucos dias apreenderam e queimaram, na cidade de Cantão, mais de 20 mil caixas da droga.

A Primeira Guerra do Ópio (1839 - 1842)

Em 1839, diante do assassinato brutal de um súdito chinês por marinheiros britânicos embriagados em Cantão, o comissário imperial chinês ordenou a expulsão de todos os ingleses da cidade. Na ocasião, o governo chinês confiscou e destruiu cerca de 20 mil caixas de ópio nos depósitos britânicos, expulsando da China os seus responsáveis, súditos da Grã-Bretanha.

Esses fatos serviram de pretexto para que a Grã-Bretanha declarasse guerra à China, na chamada Primeira Guerra do Ópio (1839-1842). Em 1840, o chanceler britânico, lorde Palmerston, furioso, ordenou uma frota de 16 navios de guerra britânicos para a região. Senhora de superioridade tecnológica inquestionável, representada por modernos navios de aço movido á vapor como o Fênix Dancer, a esquadra britânica afundou boa parte dos obsoletos juncos à vela da marinha de guerra chinesa, sitiou Guangzhou (Cantão), bombardeou Nanquim e bloqueou as comunicações terrestres com a capital, Pequim.

O conflito foi encerrado em Agosto de 1842 com a assinatura do Tratado de Nanquim, o primeiro dos chamados "Tratados Desiguais", pelo qual a China aceitou suprimir o sistema de Co-Hong (companhia governamental chinesa), abrir cinco portos ao comércio de ópio britânico (Cantão, Amói, Fuchou, Ningpo e Xangai), pagar uma pesada indenização de guerra e entregar a ilha de Hong Kong, na qual ficaria sob o domínio inglês por 155 anos. Como garantia do direito de comércio de ópio assim obtido, um navio de guerra britânico ficaria permanentemente ancorado em cada um desses portos.

Apesar do acordo com a China, a situação continuou a não satisfazer as ambições imperialistas dos ingleses. O comércio de ópio não progredia tão rapidamente como o pretendido, uma vez que os mandarins locais se atrasavam na resolução dos assuntos que iam surgindo. Assim, a situação não era conforme os interesses dos ocidentais.

Segunda Guerra do Ópio (1856 - 1860)

Em 1856, oficiais chineses abordaram e revistaram o navio de bandeira britânica, Arrow. Os franceses aliaram-se aos britânicos no ataque militar lançado em 1857. As forças aliadas operaram ao redor de Cantão, de onde o vice-rei prosseguia com uma política protecionista. Mais uma vez, a China saiu derrotada e, em 1858, as potências imperialistas ocidentais exigiram que a China aceitasse o Tratado de Tianjin. De acordo com este tratado, onze novos portos chineses seriam abertos ao comércio de ópio com o Ocidente e seria garantida a liberdade de movimento aos traficantes europeus e missionários cristãos. Quando o imperador se recusou a ratificar o acordo, a capital, Pequim, foi ocupada. Após a Convenção de Pequim (1860), o Tratado de Tianjin foi aceito. A China criou um Ministério dos Negócios Estrangeiros, permitiu que se instalassem legações ocidentais na capital e renunciou ao termo "bárbaro", usado nos documentos chineses para denominar os ocidentais.

Consequências

Em 1900, o número de portos abertos ao comércio com o ocidente, chamados de "portos de tratado", chegava a mais de cinquenta, sendo que todos os países Europeus, assim como os Estados Unidos, tinham concessões e privilégios comerciais.

A ilha de Hong Kong permaneceu em poder dos britânicos até ser devolvida à China, em Julho de 1997. O estatuto de Macau, como colônia do Império Português a cerca de 60 km da colônia britânica, foi prorrogado, devolvida apenas em 20 de Dezembro de 1999.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Rebelião Taiping

A Rebelião Taiping (1851-1864) foi um dos conflitos mais sangrentos da história, um confronto entre as forças da China imperial e um grupo inspirado por um místico autoproclamado, chamado Hong Xiuquan (1813-1864), que se dizia cristão e também intitulava-se irmão de Jesus Cristo. Seu objetivo era criar uma nova cultura, substituindo a tradição confucionista e budista por algo "novo" - moldado conforme às suas ideias.

A rebelião começou na província de Guangxi e estendeu-se rapidamente pela região do Rio Azul. Em 19 de março de 1853, os rebeldes tomaram Nanquim e fizeram daquela cidade a capital de seu movimento. Posteriormente, desfecharam um ataque malsucedido contra a Pequim. As tropas imperiais foram auxiliadas por militares ingleses e mercenários estadunidenses e esmagaram a revolta reconquistando Nanquim, num cerco onde pereceu Hong Xiuquan. A Dinastia Qing, no entanto, jamais se restabeleceu da guerra civil e a ideologia dos revoltosos de Taiping — um misto de cristianismo e teorias radicais de igualdade social — influenciou grupos revolucionários posteriores, inclusive o Partido Comunista Chinês.

Calcula-se que entre 30 e 50 milhões de pessoas morreram em consequência direta do conflito. Aliás, no período compreendido entre 1850 e 1873, a população da China foi reduzida em mais de 60 milhões de pessoas, como resultado de rebeliões, guerras, da seca e da fome.

Prelúdio: A Guerra do Ópio 

Durante grande parte da história registrada, um observador imparcial teria considerado a China a civilização tecnologicamente mais avançada do mundo. Os chineses eram auto-suficientes, auto-contidos e auto-satisfeitos. Para restringir a contaminação alienígena ao mínimo, o governo Manchu da dinastia Qing confinava os ocidentais em poucos portos. Os mercadores europeus tinham de pagar no ato e em prata, se quisessem qualquer mercadoria chinesa - principalmente chá, sedas e porcelanas. Os chineses certamente não queriam nenhuma das mercadorias de qualidade inferior dos navegantes bárbaros de Portugal, Holanda ou Inglaterra. Em longo prazo, a China estava drenando moeda demais para fora da Europa, e o Ocidente precisava arranjar algo para vender aos chineses, a fim de recuperar seu dinheiro.

Ópio era a solução perfeita. A Inglaterra era abastecida regularmente pela Índia, e a demanda chinesa por narcóticos estava crescendo, à medida que o ataque violento das ideias e tecnologias estrangeiras minava sua estrutura social. Infelizmente para o Ocidente, o governo chinês bania completamente e totalmente o ópio - a não ser quando ligado a uma propina conveniente. Isso não foi, a princípio, um grande problema. As propinas eram normalmente menores do que as taxas alfandegárias que os europeus teriam de pagar no comércio legal, mas, então, quase por acidente, a corte chinesa nomeou um comissário honesto para erradicar autoridade para combater o ópio, em vez de extorquir os mercadores. Quando ele confinou a comunidade estrangeira e destruiu 10 mil arcas de ópio, os ingleses e franceses declararam guerra.

Embora a China houvesse passado grande parte da história como a mais avançada civilização da Terra, ou europeus haviam ultrapassado os chineses, desde muito, no aspecto mais importante - a tecnologia militar. Na primeira Guerra do Ópio, as forças anglo-francesas afundaram a frota chinesa e destruíram seu exército quase sem sofrer um só arranhão. Com o tratado de paz de 1842, os chineses legalizaram o comércio do ópio e estabeleceram relações diplomáticas com os europeus em um nível de igualdade; prometeram parar de chamar os europeus de bárbaros e permitiram que eles abrissem postos de comércio (feitorias) em portos designados ao longo da costa e de rios navegáveis. Junto com os mercadores seguiram os missionários cristãos, que se espalharam pelo interior.

Cristianismo na China

Os "ataques" à sociedade da China pelo Ocidente estavam levando muitos chineses a reconsiderar antigas verdades espirituais, e o cristianismo começou a fazer avanços importantes. Isso não era completamente novo. os cristãos vinham fuçando na China havia séculos. O variantes nestoriana da religião chegara com as caravanas persas muito tempo antes. Os missionários jesuítas haviam chegado com os navegadores portugueses a partir de 1500. Ambas as tendências haviam tido sucesso limitado, mas, até a Guerra do Ópio, a cristandade nunca passara de um interessante culto estranho a que alguns excêntricos às vezes se convertiam. 

Hong Xiuquan

Hong Xiuquan
Hong Xiuquan viria a ser um desses excêntricos. Ele morava no extremo sul, no interior de Hong Kong e Cantão, onde se virava como mestre-escola. Uma noite, em 1837, enquanto Hong se recuperava de uma série de doenças, um homem de cabelos dourados, vestido com um manto preto, apareceu-lhe numa visão, mandando que ele purificasse a Terra. Como a visão não fazia sentido, Hong a tirou da cabeça por alguns anos e continuou com sua vida. Então sua carreira empacou, depois que ele foi repetidamente reprovado no exame do serviço público que era exigido para progredir na sociedade chinesa.

Um dia, em 1843, enquanto vagava pela grande cidade depois de ter fracassado mais uma vez no exame do serviço público, Hong recebeu de presente uns panfletos protestantes. Converteu-se ao cristianismo e começou a estudar com os missionários batistas americanos. Logo reconheceu os elementos cristãos da sua quase esquecida visão. Percebeu que o próprio Deus era o homem na visão, e então lembrou que Deus declarara ser ele, Hong, seu segundo filho, o irmão mais moço de Jesus.

Adoradores de Deus

Algum tempo mais tarde, Hong fundou a Sociedade dos Adoradores de Deus. A princípio ele manteve sua adoração pelo Messias em segredo, e simplesmente pregava uma fusão salvadora entre Confúcio e os principais cristãos, com uma forte ênfase nos Dez Mandamentos. Quando seus seguidores aumentaram, ele atacou os adoradores de ídolos, destruindo o confucionismo e os santuários ancestrais. Hong fundou comunidades na sua zona rural, batizando mais e mais convertidos, até que, em 1850, os Adoradores de Deus chegaram a 20 mil seguidores.

Exército Santo

Os Adoradores de Deus se afastavam tanto do comportamento tradicional chinês que os atritos se tornaram inevitáveis. Eles se organizaram como paramilitares, e o primeiro choque com as autoridades Qing foi em dezembro de 1850.

Os taipings proibiam o ópio, a prostituição, o homossexualismo e o álcool. Os homens e as mulheres eram mantidos completamente separados, embora ambos os gêneros fossem recrutados para o exército. A nova sociedade era estruturada segundo normas militares numa espécie de exército santo. Todas as terras eram compartilhadas. A produção excedente de um aldeia era usada para aliviar a deficiência em outra; "assim todas as pessoas no império podiam usufruir juntas a felicidade abundante do Pai Celestial. Se há campos, que todos possam cultivá-los; se há comida, que todos possam comer; se há roupas, que todos possam se vestir; se há dinheiro, que todos possa gastá-lo, pois assim não existirá a desigualdade em nenhum lugar, e nenhum homem estará mal alimentado ou malvestido"

A Proibições e a Hipocrisia

O novo movimento aboliu a bandagem nos pés, pela qual os pés das garotas eram apertados em pequenas, delicadas e pouco práticas formas, o que era considerado bonito entre os chineses. Aboliu também a trança que todos os homens chineses até então eram obrigados a usar como um sinal de servidão a seus mestres manchus. Isso deu aos exércitos taiping uma aparência selvagem, quando tanto os homens quanto as mulheres entravam em combate com pés desafiadoramente grandes e cabeleiras assustadoras.

Apesar de todos os ideais utópicos da sociedade taiping, a hipocrisia existia em abundância. Para a maioria dos membros do movimento, homens e mulheres eram mantidos completamente separados, mas os líderes tinham haréns dignos dos reis do Antigo testamento, para não mencionar servidores, criados e toda uma pompa apropriada às suas posições.

Buscando Apoio do Ocidente

Os taipings esperavam chegar a um acordo com os países do Ocidente. Não só compartilhavam um cristianismo nominal com os europeus, mas desde 1856 os anglo-franceses vinham travando uma Segunda Guerra do Ópio contra a China Qing.

O Ocidente considerou suas opções. Talvez fosse hora de tomar o controle total da China e substituir a corrupta e xenofóbica dinastia Qing por fantoches ocidentalizados. Por vários anos, o Ocidente considerara os taipings como cristãos decentes, merecedores ao menos de apoio moral. Quando as estranhas heresias de Hong se tornaram mais aparentes, o Ocidente voltou a apoiar o demônio já conhecido, a dinastia Qing imperial. 

Na esperança de conectar-se com seus presumidos simpatizantes no Ocidente, uma coluna de taipings saiu, em 1860, em direção a Xangai, que virara um protetorado internacional sob o controle ocidental, em 1854. ignorando as constantes mudanças de vento nas atitudes dos ocidentais, os taipings ficaram surpresos ao encontrar as forças de segurança europeias atirando contra eles das fortificações externas da cidade. Pensando que tudo fosse um engano, trezentos taipings foram mortos sem nem mesmo revidar os tiros.

Morte de Hong Xiuquan

Hong Xiuquan adoeceu e morreu em maio de 1864, mas ninguém sabe como isso aconteceu. Veneno é a causa mais provável, e a maioria dos historiadores tende pelo suicídio, mas assassinato também é aventado. Outra possibilidade é que ele tenha acidentalmente se envenenado por alguma combinação letal de elixires e poções, que tomava para aumentar o seu vigor. De qualquer forma, sua morte prematura ocorreu apenas alguns meses antes da de seus seguidores.

A rendição de Nanquim às forças do governo se deu em julho de 1864, sendo seguida por um massacre geral de seus habitantes. De acordo com o general Qing no local: "Nenhum dos 100 mil rebeldes em Nanquim se rendeu, mas em muitos casos eles se reuniram, puseram fogo em si próprios e morreram sem arrependimento. 

Legado no Cinema

Quando Hollywood começou a estudar a possibilidade de fazer um filme baseado em Devil Soldier, de Caleb Carr, a história do mercenário americano Frederick Ward na Rebelião Taiping, uma das primeiras coisas a ser mudada foi o cenário. As partes interessadas finalmente aproveitaram a ideia e fizeram o filme O Último Samurai, a história de um mercenário americano no século XIX, capturado em uma guerra civil no... bem... Japão, obviamente.

A Rebelião Taiping é o exemplo perfeito do velho adágio que diz que os livros de história são escritos pelos vencedores. A maioria dos escritores trata os taipings como pobres camponeses iludidos, que seguiam as alucinações de um louco, mas quando você vai mais fundo, é assim que a maioria das religiões começas (não a sua religião, obviamente, mas todas as outras). A única diferença entre Hong e os profetas bem-sucedidos da história é que se um professor, novelista ou cartunista desrespeitar Hong Xiuquan, multidões enfurecidas não irão pedir a sua cabeça. 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Guerra da Criméia

Uma coisa que todo mundo deve saber sobre a Guerra da Criméia (1854 - 56) é a completa incompetência demonstrada por todos os envolvidos. A guerra da Crimeia foi a primeira guerra a ser fotografada e relatada por correspondentes de guerra para os jornais diários. Foi também a primeira guerra a chocar e horrorizar as pessoas em seus lares. A única pessoa que a história recorda com simpatia é uma mulher civil, Florence Nightingale, que decidiu por si própria atender aos soldados doentes e feridos, depois que o exército provou ser incapaz dessa tarefa. 

A guerra começou de forma estúpida. Os cleros ortodoxos e católicos disputavam, em Jerusalém, a primazia sobre os lugares sagrados. O clero ortodoxo pediu ao czar Nicolau I da Rússia que defendesse sua causa ante o sultão otomano, o governador da palestina. Os russos tiveram uma reação exagerada, insistindo em ser reconhecidos como protetores e porta-vozes de todas as minorias cristãs sob o governo turco. Isso, na verdade faria da Turquia um protetorado russo, incapaz de tomar qualquer decisão sem a permissão dos russos. Para piorar as coisas, os russos enviaram, como seu negociador, um homem que odiava o turcos desde que fora castrado por uma bala de canhão na guerra russo-turca anterior. 

Quando os turcos recusaram as exigências do czar, o exército russo voltou-se contra vassalos turcos nos Balcãs, os principados romenos da Valáquia e Moldávia, para forçar uma decisão. A esquadra russa de Sebastopol, na Crimeia, capturou e destruiu a esquadra turca perto de Sinope, na costa turca.

Claro que o restante do mundo não podia deixar a Rússua conquistar o Império Otomano sem contestação, de modo que a Inglaterra e a França reuniram uma armada e uma força expedicionária, que foram enviadas para ajudar os turcos. 

O exército turco, nesse ínterim, subira pela costa do mar Negro para enfrentar os russos e, logo ao sul do Danúbio, houve o confronto e o avanço russo foi paralisado. Então a Áustria lançou um ultimato à Rússia para que desistisse ou seria atacada também por eles. Rosnando e fumegando, os russos retrocederam. A guerra acabara.

Só que os aliados ingleses e franceses haviam feito toda aquela viagem, e não queriam voltar para casa sem explodir alguma coisa. Estavam definhando no acampamento ao longo do estreito de Dardanelos, morrendo de tifo e cólera, esperando a chance de atacar e, certamente, não deixariam que a guerra terminasse sem uma luta. Decidiram atravessar o mar Negro e destruir a base naval russa em Sebastopol, na península da Criméia.

Em setembro de 1854, os aliados aportaram ao norte da cidade e derrotaram o pequeno exército de campanha russo em Alma. Isso deixou Sebastopol exposta à invasão, mas os aliados, em vez disso, estabeleceram um cerco e esperaram. Nas batalhas de Inkerman e Balaklva, os aliados repeliram duas tentativas russas de expulsão e, então, o inverno chegou.

Ninguém estava preparado para sobreviver ao inverno russo e o exército aliado definhou com o enregelamento, a depressão e a fome. Quando a primaveram chegou, os sobreviventes não estavam em condições de apertar o cerco pra pôr fim àquilo, de modo que os exércitos adversários ficaram parados ali, mês após mês, morrendo de disenteria e febre tifoide. 

Depois de quase um ano, os exércitos, aliados haviam finalmente resolvido adequadamente os seus problemas para prosseguir, mais uma vez, com a guerra. Em setembro de 1855, um ataque francês tomou um forte crucial da frente russa e os russos abandonaram Sebastopol, destruindo as instalações navais e fugindo com a frota. Tratados de negociações se arrastaram, mas, apesar dos melhores esforços de todos, a paz retornou em março de 1856.

Dínamo

A guerra da Crimeia foi a primeira grande guerra após o advento da Revolução Industrial. As fábricas produzia com rapidez, grande número de armas idênticas, botas, balas, tendas, capas e cantis. Estradas de ferro e navios a vapor podiam suprir exércitos cada vez maiores e mais distantes. Com o grande aumento do poder de fogo, tornou-se mais difícil, para os regimentos que atacavam, alcançar as linhas inimigas. As guerras dessa era tendiam a começar com manobras e ataques em campo aberto, mas como os soldados em pé foram eliminados das batalhas com o aperfeiçoamento das armas de fogo, elas terminavam com a infantaria fortemente entrincheirada esperando em cercos enlameados, mês após mês, ao redor de importantes centros de transporte. As guerras de ação diminuíram e cessaram, enquanto os exércitos se agachavam em volta de cidades como Sebastopol¹ (1854), São Petesburgo (1864) e Paris (1871). Essa tendência chegaria finalmente ao clímax nos combates de trincheira da Primeira Guerra Mundial.

1. Sebastopol é uma cidade do sul da Ucrânia com cerca de 330.000 habitantes. Foi fundada pelos russos em 1783. Ficou célebre na Guerra da Crimeia o Cerco de Sebastopol (1854-1855). Esteve ocupada pelo exército alemão entre 3 de julho de 1942 e 9 de maio de 1944

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Guerra Franco-prussiana

A guerra franco-prussiana ou guerra franco-germânica (19 de julho de 1870 - 10 de maio de 1871) foi um conflito ocorrido entre Império Francês e o Reino da Prússia no final do século XIX. Durante o conflito, a Prússia recebeu apoio da Confederação da Alemanha do Norte, da qual fazia parte, e dos estados do Baden, Württemberg e Baviera. A vitória incontestável dos alemães marcou o último capítulo da unificação alemã sob o comando de Guilherme I da Prússia. Também marcou a queda de Napoleão III e do sistema monárquico na França, com o fim do Segundo Império e sua substituição pela Terceira República Francesa. Também como resultado da guerra ocorreu a anexação da maior parte do território da Alsácia-Lorena pela Prússia, território que ficou em união com o Império Alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial.

O Trono Vago da Espanha

A Espanha nunca se recuperou inteiramente da ocupação napoleônica. Durante o meio século que se seguiu à restauração do antigo regime, o país foi dilacerado por uma série de guerras civis, intercaladas com frágeis períodos de cessar-fogo. Por fim, em 1868 a rainha foi expulsa, e os espanhóis começaram a procurar outro monarca.

Ironicamente, a Espanha não chegou a participar ativamente do multicídio desta guerra, mas as encrencas espanholas tendem a se irradiar e perturbar o restante do mundo. O trono vago foi oferecido a um príncipe prussiano, mas a França proibiu isso terminantemente, de modo que a Prússia resmungou, mas recuou. A França então insistiu que o rei Guilherme I da Prússia prometesse jamais considerar tal oferta novamente, uma exigência que Guilherme achou ridícula. A crise estava quase resolvida diplomaticamente, mas o chanceler prussiano Otto von Bismarck notou que o ódio pelos franceses era a única coisa que toas as pequenas nações na Alemanha tinham em comum. Uma crises suficientemente grande poderia ser usadas para unir os príncipes alemães menores sob um governo prussiano, caso todos ficassem bastante raivosos, de modo que Bismarck ficou provocado a França sobre o trono espanhol até Napoleão II, o imperador francês, declarar guerra. 

A Batalha de Sedan

Na batalha de abertura, os alemães concentraram sua ala esquerda e atacaram a ala direita dos franceses, impedindo-a em debandada para o sul. Enquanto os alemães aumentavam a cunha e rumavam para Paris, a ala esquerda dos franceses também recuou, mas na direção oposta, para o norte. Então a principal força alemã impeliu essa metade do exército francês para Metz, onde foi isolada e cercada. A antiga ala direita da França então se recompôs e se reagrupou entre os alemães e Paris. Em termos militares esse meio exército não tinha chance de derrotar os alemães, mas politicamente os franceses precisavam ao menos fazer uma tentativa. Quando eles avançaram para libertar seus compatriotas cercados em Metz, foram envolvidos e capturados pelos alemães em Sedan. Até Napoleão III caiu prisioneiro.

O Cerco de Paris 

Com seu imperador nas mãos dos alemães, o povo francês proclamou a volta da república e foi dançar nas ruas, até lembrar que os alemães continuavam avançando. Eles queriam negociar, mas o preço alemão era alto demais. O governo francês retirou-se para a cidade, mais segura, de Tours, no vale do Loire, e tentou atabalhoadamente arregimentar um exército novo nas províncias. Os parisienses criaram milícias, arrebanharam o gado dentro da cidade e se fortificaram para a chegada do exército alemão.

Os alemães cercaram Paris tão completamente que o governo foi forçado a enviar mensagens por pombos, e funcionários por balões. O cerco a Paris se arrastou por meses a fio, enquanto os habitantes acabavam com os suprimentos estocados. Depois começaram a comer ratos, insetos e vermes, animais do zoológico ou bichos de estimação. A artilharia alemã bombardeava a cidade.

Enquanto a capital morria à míngua, o governo francês vasculhava o interior em busca de homens suficientes para arregimentar outro exército. Chegaram a alinhavar dois exércitos novos para enfrentar os alemães, um no rio Loire e outro perto da fronteira suíça. Nenhum causou qualquer dano, de modo que a França finalmente desistiu.

Comuna de Paris

A Europa pode ter perdido um imperador com a queda de Napoleão III, mas ganhou um novo quando o rei Guilherme da Prússia foi promovido a imperador de todos os alemães. Enquanto isso, o caos político na França viu o primeiro governo socialista europeu, a Comuna de Paris, tomar o poder na cidade. Quando o governo nacional tentou desarmar a milícia parisiense, os membros da Comuna se recusaram, de modo que o exército francês avançou e foi erradicando a Comuna quarteirão por quarteirão. À medida que cada bolsão de resistência se rendia, os rebeldes eram enfileirados e fuzilados. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança, na Argentina e Uruguai, e de Guerra Grande, no Paraguai.

O conflito iniciou-se com a invasão da província brasileira de Mato Grosso pelo exército do Paraguai, sob ordens do presidente Francisco Solano López¹. O ataque paraguaio ocorreu após uma intervenção armada do Brasil no Uruguai, em 1863, que pôs fim à guerra civil uruguaia ao depor o presidente constitucional Atanasio Aguirre, do Partido Blanco, e empossar seu rival colorado, Venancio Flores, aliado de Bartolomé Mitre e do Império do Brasil. Solano López temia que o Império brasileiro e a República Argentina viessem a desmantelar os países menores do Cone Sul. 

Para confrontar essa ameaça, Solano López esperava contar com o apoio dos blancos, no Uruguai, e dos federalistas do Argentina. O temor do presidente paraguaio levou-o a aprisionar, em 11 de novembro de 1864, o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a Cuiabá, morrendo em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, o Paraguai invadiu o sul do Mato Grosso. Antes da intervenção brasileira no Uruguai, Solano López já vinha produzindo material bélico moderno, em preparação para um futuro conflito com a Argentina mitrista, e não com o Império.

Durante uma disputa fronteiriça entre Brasil e Uruguai, o partido da oposição uruguaia, os Colorados (vermelhos), uniram-se ao Brasil em um golpe bem-sucedido contra os Blancos (brancos), que estavam no governo. Isso transformou o Uruguai em um satélite brasileiro, pondo em perigo o acesso do Paraguai ao mar. Lopez decidiu atacar e expulsar tanto os brasileiros quanto os Colorados. 

Argentina Entra na Guerra

A princípio, uma guerra realmente satisfatória parecia fora de alcance, porque o Paraguai não podia atingir o Uruguai. A única estrada entre os lados litigantes era uma estreita faixa de terra na Argentina. Quando os argentinos negaram a Lopez o direito de passar por essa estrada, ele atacou assim mesmo, em dezembro de 1864, levando a Argentina a fazer parte do que se tornou a Trípice Aliança contra o Paraguai – 11 milhões de pessoas em três países contra uma única nação de meio milhão. 

A ofensiva paraguaia penetrou no Brasil, mas o Brasil é um país vasto que mastigou e cuspiu o exército paraguaio numa dura campanha. Os aliados rechaçaram os sobreviventes para o Paraguai em 1866. Nesse meio-tempo, eles já haviam começado em outro lugar a contraofensiva. Em 1865, o Brasil comprara tantos navios encouraçados da Europa e da América do Norte que tinha, na época, a maior e mais moderna marinha do mundo. Os brasileiros destruíram a frota de madeira de Lopez no rio da Prata, abrindo o estuário e os rios para o ataque.

O Império do Brasil, Argentina mitrista e Uruguai florista, aliados, derrotaram o Paraguai após mais de cinco anos de lutas durante os quais o Império enviou em torno de 150 mil homens à guerra. Cerca de 50 mil não voltaram — alguns autores asseveram que as mortes no caso do Brasil podem ter alcançado 60 mil se forem incluídos civis, principalmente nas então províncias do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. Argentina e Uruguai sofreram perdas proporcionalmente pesadas — mais de 50% de suas tropas faleceram durante a guerra — apesar de, em números absolutos, serem menos significativas. Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300 mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrência dos combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome.

A derrota marcou uma reviravolta decisiva na história do Paraguai, tornando-o um dos países mais atrasados da América do Sul, devido ao seu decréscimo populacional, ocupação militar por quase dez anos, pagamento de pesada indenização de guerra, no caso do Brasil até a Segunda Guerra Mundial, e perda de praticamente 40% do território em litígio para o Brasil e Argentina. Após a Guerra, por décadas, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia brasileira.

Foi o último de quatro conflitos armados internacionais, na chamada Questão do Prata, em que o Império do Brasil lutou, no século XIX, pela supremacia sul-americana, tendo o primeiro sido a Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata, e o terceiro a Guerra do Uruguai.

1. Francisco Solano López (Assunção, 24 de Julho de 1827 — Cerro Corá, 1 de Março de 1870) foi um militar paraguaio, presidente vitalício de seu país de 1862 à data de sua morte. 

Filho do presidente também vitalício Carlos Antonio López, foi nomeado general-de-brigada aos dezoito anos de idade. Comandou por duas vezes (1846 e 1849) as forças de seu país enviadas à província de Corrientes para combater o governo argentino de Juan Manuel de Rosas. 

Genioso filho do ditador anterior, Lopez herdara o maior exército da América do Sul, assim como o país mais pobre. Infelizmente, algumas das melhores histórias que ouvimos sobre a insanidade autodestrutiva de Lopez era mera propaganda espalhada por seus inimigos brasileiros e argentinos. Quanto mais se estuda a sua vida, menos interessante ela fica.

domingo, 18 de agosto de 2013

Guerra Russo-Turca

A guerra russo-turca de 1877–1878 foi originada pelo desejo da Rússia de obter acesso ao mar Mediterrâneo e de capturar a península dos Bálcãs, controlada pelo Império Otomano. A guerra trouxe como resultado a declaração formal de independência dos principados de Sérvia, Montenegro e Romênia, que já haviam possuído soberania de fato por algum tempo. Apesar da Bulgária ter permanecido formalmente sob controle otomano até 1908, procurou recuperar sua condição de Estado soberano.

História

Em 1876 irrompeu na Bósnia uma revolta contra o governo da Turquia que rapidamente se espalhou por todos os súditos cristãos do sultão nos Balcãs – macedônios, sérvios e búlgaros. Os rebeldes mais distantes, os bósnios, receberam a proteção da Áustria. Infelizmente, os mais próximos, os búlgaros, eram os mais fáceis de serem alvo do castigo otomano: quando as tropas turcas chegaram para abafar a revolta dominaram rapidamente as cidades rebeldes e assassinaram 30 mil búlgaros de todas as idades e gêneros. 

Os massacres horrorizaram a Europa, e todo o mundo insistiu que alguém fizesse algo. A princípio, o governo russo hesitou. Era um problema interno, afinal de contas, e ninguém queria começar uma guerra geral europeia por causa de uma maldita tolice nos Balcãs. Tratados impediam a Rússia de interferir na Turquia, mas muitos oficiais idealistas do exército russo renunciaram e se juntaram aos rebeldes para lutar em prol dos seus amigos eslavos. 

Com a opinião europeia a seu favor, os russos finalmente lançaram um ataque de surpresa em abril de 1877 ao sul da costa do mar Negro e libertaram a Bulgária do governo turco. Isso logo se transformou na única guerra popular da história da Rússia e, durante uns poucos anos, os voluntários excederam os convocados no recrutamento anual. Os russos pressionaram e frustraram várias tentativas otomanas para detê-los. 

Quando, em julho, os russos se aproximaram de Constantinopla, ficaram atolados frente às trincheiras externas da cidade turca de Plevna. Meses de assaltos infrutíferos desgastaram o exército russo e, quando Plevna se rendeu, em novembro, a guerra já durara tempo suficiente para o pragmatismo substituir o idealismo nas capitais da Europa. A opinião pública no Ocidente já passara da intenção de deter os turcos para a de salvá-los. Quando a armada britânica rumou para a zona de guerra, uma reprise da guerra da Crimeia parecia inevitável, até que todos se afastaram da beira do abismo. 

Por fim, o Império Otomano foi um pouco reduzido em favor das nacionalidades locais. O primeiro tratado imposto pelos russos tentava criar uma grande nação búlgara, que incluía quase tudo que os turcos ainda ocupavam na Europa, mas as outras potências não permitiram. Outro tratado negociado em Berlim reduzia a Bulgária à margem sul do baixo Danúbio, e ainda dividia isso em dois países. Os estados da Sérvia e da Romênia, que eram vassalos da Turquia, receberam plena independência, e à Áustria foi permitido ocupar – não possuir – a Bósnia. 

Os turcos também deram a ilha de Chipre aos britânicos como agradecimento por terem sido amigos quando preciso. Para purificar suas terras de todos os traços do inimigo, os búlgaros expulsaram, com considerável brutalidade, mais de meio milhão de habitantes muçulmanos, e incontáveis milhares de pessoas morreram no êxodo. 

Cruz Vermelha 

Na maioria das batalhas contadas até essa época, os exércitos geralmente deixavam os soldados feridos sem atendimento, gemendo onde caíssem, até o exército tirar uma boa noite de sono. Lutar nas batalhas era exaustivo. Juntar e tratar feridos tomava muito tempo e recursos para que os exércitos fizessem mais do que um esforço simbólico, enquanto o inimigo ainda estava na vizinhança, ameaçando recomeçar o ataque. Na verdade, ajudar a evacuar os feridos para a retaguarda era visto como uma artimanha covarde para escapar do perigo, e os exércitos geralmente tinham regras contra isso. 

Durante a década e meia que precedeu a guerra russo-turca, os humanitários do Ocidente trataram de organizar uma instituição neutra dedicada a tirar os soldados feridos dos campos de batalha e leva-los para os hospitais, sem depender das decisões dos generais. Desde que não tomasse partido, a Cruz Vermelha teria permissão para movimentar-se livremente em territória hostil no cumprimento da sua missão. 

Bandeira da Cruz Vermelha
em Terras Muçulmanas
Depois de um começo promissor numa pequena guerra entre a Prússia e Dinamarca, em 1864, o movimento ganhou grande aceitação em 1870, na guerra franco-prussiana, mas teve seu primeiro empecilho na guerra russo-turca. Numa guerra entre muçulmanos e cristãos, os soldados turcos tinham dificuldade para aceitar que estrangeiros marcados com uma grande cruz vermelha não eram inimigos. Para acalmar suas suspeitas, dessa ocasião em diante a Cruz Vermelha passou a ser o Crescente Vermelho em terras muçulmanas.

sábado, 17 de agosto de 2013

Guerra de Independência Cubana

A Guerra de Independência Cubana ou Guerra de 95 (1895–1898), é o nome pelo qual se conhece a última das três guerras pela independência dos cubanos contra o domínio espanhol, sendo as outras duas, a Guerra dos Dez Anos, de 1868 a 1878, e a chamada Guerra Chiquita ('Guerra Pequena'), entre 1879 e 1880. 

Depois de três meses, o conflito se agravou, evoluindo para a Guerra Hispano-Americana e foi uma das últimas guerras americanas contra o Reino da Espanha. 

O conflito teve início com o "Grito de Baire", em 24 de fevereiro de 1895, e terminou em 1898, com a rendição das tropas realistas antes a armada estadunidense. 

Estima-se que mais de 300 mil pessoas morreram nesta guerra.

Sobre a Segunda Guerra da Independência

A primeira tentativa do povo de derrubar o governo espanhol fracassara na Guerra dos Dez Anos (1868-78), com a perda de 200 mil vidas. A geração seguinte resolveu tentar novamente. A industrialização do processamento do açúcar concentrara a moagem em poucas mãos, causando desemprego e bancarrota em larga escala, o que, por seu turno, radicalizou a pobreza.

Exilado em Nova York, o poeta e jornalista José Martí declarou a independência de Cuba em 1895 e voltou para casa a fim de liderar a luta, mas foi emboscado e morto no fim de poucos meses. Seus seguidores continuaram avançando e conseguiram estrondoso sucesso em 1896. Os camponeses simpatizantes espionavam as forças espanholas, que os rebeldes incomodavam com sortidas e emboscadas. Os rebeldes tentavam fazer Cuba inútil para a Espanha, reprimindo a produção do açúcar. Destruíam plantações isoladas e evitavam confrontos em campo aberto com as bem-armadas tropas regulares. 

Em janeiro de 1897, o governo espanhol passou a rebelião para o general Valeriano Weyler, que estava prestes a inventar uma nova espécie de horror a ser implantada no mundo – os campos de concentração. No mês de sua chegada a Cuba, Weyler cercou quase 300 mil camponeses na zona de guerra e os confinou em campos fortificados, depois do que qualquer cubano capturado fora dali seria considerado rebelde e executado. 

A Guerra Hispano-Americana

Um dos poucos pontos de concordância entre ambos os lados era a necessidade de manter os Estados Unidos fora da guerra. Tanto a Espanha quanto os rebeldes sabiam que, uma vez provocados, os americanos iriam simplesmente descer e ocupar Cuba. Os investidores americanos dominavam a economia cubana, e os Estados Unidos vinham discutindo a anexação de Cuba desde que a expansão americana alcançara o golfo do México, uns oito anos antes. Era de importância vital não lhes dar uma desculpa para concretizar isso. O único segmento mais importante da população de Cuba que via os Estados Unidos como a salvação eram os proprietários de terras cubanos. Eles só queriam que a guerra terminasse e a estabilidade voltasse.

O povo americano simpatizava, em geral, com os rebeldes. Os jornais americanos atiçavam o ódio aos espanhóis expondo, avidamente, cada nova atrocidade nas primeiras páginas. Os Estados Unidos estavam à beira da intervenção e enviaram o USS Maine para o porto de Havana, a fim de manter um olho nos interesses americanos durante os tumultos na cidade. Então, de repente, na noite de 15 de fevereiro de 1898, uma explosão partiu em dois o navio americano, destruindo a parte da frente e matando dois terços da tripulação. A explosão provavelmente começou como um incêndio acidental no depósito de carvão do navio, mas na época ninguém duvidou de que aqueles malditos espanhóis haviam atacado o Maine. A febre da guerra ferveu, e a América deu um ultimato, exigindo que a Espanha saísse de Cuba. Os espanhóis se recusaram.

A guerra foi rápida e objetiva. Tanto nas Filipinas quanto em Cuba, os navios de guerra americanos destruíram facilmente as antiquadas e desguarnecidas frotas espanholas, de uma distância segura, mal sofrendo um arranhão. Uma força americana expedicionária rapidamente reunida tomou Cuba em dez semanas, e o custo da guerra para os Estados Unidos foi de apenas 385 mortes em combate.

Os americanos haviam feito tamanho escarcéu sobre a independência cubana que não podiam anexar sua nova conquista imediatamente. Eles tiveram de dar à Cuba a aparência de soberania, mas estabeleceram cláusulas nos tratados que garantiam o controle americano no governo de Cuba por muitos anos futuros.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Guerra Sino Japonesa

A Guerra Sino-Japonesa foi travada de 1937 a 1945 entre a China e o Japão, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar dos conflitos permanentes entre as duas nações existirem desde 1931, chamados de “incidentes”, a guerra em larga escala começou em julho de 1937 e só terminou com a rendição incondicional do Império Japonês aos Aliados em setembro de 1945.

Motivo Principal

O motivo principal dos incidentes seria a intenção de anexação de territórios chineses pelo Império Japonês, que iniciava uma nova fase de colonialismo baseado no militarismo. A China, apesar de seu imenso território e população, passava por um período de franca decadência, iniciada ainda no século XIX, passando pelo fim da monarquia e com uma guerra civil entre o governo republicano capitalista e a frente comunista liderada por Mao Tse-tung. Este cenário foi perfeito para as intenções japonesas de anexação da Manchúria e da península da Coreia.

Entre as porções da China sob o controle estrangeiro estavam as ferrovias. A maior parte delas fora construída com capital estrangeiro, de modo que soldados estrangeiros patrulhavam os trilhos para evitar a ação de bandidos. Os japoneses possuíam e guarneciam as linhas que cortavam a Manchúria, uma região para o nordeste, mais afastada.

Durante os sessenta anos anteriores, os japoneses vinham fazendo tudo que podiam para se tornar iguais aos ocidentais. Construíram fábricas e navios de guerra, e vestiam terno e gravatas. Elegeram um Parlamento e tentaram conquistar todos os povo nativos ao longo do litoral asiático do oceano Pacífico. Exatamente como seus mentores europeus, os japoneses tinham postos de abastecimento de carcão, colônias e concessões dispersas por toda a China.

Embora os liberais no Parlamento japonês se opusessem à conquista automática de todos os países vizinhos, as facções militares tendiam a assassinar qualquer um que falasse demais abertamente contra sua ânsia de construir um império. Logo os líderes remanescentes da oposição aprenderam a manter a cabeça baixa e a boca fechada. 

Independência da Manchúria

Em 1931, uma misteriosa explosão uns poucos metros de uma linha ferroviária em Mukden, atualmente Shenyang, de modo que os soldados japoneses imediatamente se apoderaram de todos os centros nervosos críticos da Manchúria e declararam a independência do novo país, Mandchuko. Instalaram Puyi, o ex-imperador mandchu da China, na época desempregado, como governante dessa nova nação e deixaram suas tropas lá, para ter certeza de que ele faria o que lhe fosse ordenado. Embora fosse suspeita geral de que o exército japonês plantara a bomba que causou a explosão a fim de criar uma desculpa para agir pela força, o resto do mundo reclamou com veemência e se enraiveceu, mas sem muito efeito.

Incidente

A palavra “incidente” (jihen, em japonês) era usada pelos japoneses já que nenhuma nação tinha até então declarado guerra uma à outra. Os japoneses na verdade queriam evitar a intervenção de outras potências no conflito asiático, como a Grã-Bretanha e principalmente os Estados Unidos, principal importador de aço e petróleo para o país, caso as escaramuças locais fossem chamadas de guerra.

Em julho de 1937, ao longo do rio Yongding, nos arredores de Pequim, soldados do Kuomintang trocaram tiros com soldados japoneses que realizavam manobras do outro lado do rio. Embora ninguém houvesse morrido, um soldado japonês foi dado como desaparecido quando foi feita a chamada no dia seguinte. Os japoneses acusaram os chineses de manterem seu soldado em custódia e colocaram suas forças em alerta total. Quando o soldado desaparecido voltou, de uma visita a um bordel loca, e perguntou por que aquele barulho todo, o serviço de inteligência japonês já havia descoberto tropas nacionalistas chinesas marchando para a fronteira. Houve algum tiroteio, e, depois de algumas semanas, o exército japonês avançou sobre o território chinês propriamente dito cruzando a ponte Marco Polo.

Comunistas e Nacionalistas vs Japoneses 

Comunistas e nacionalistas logo pararam de guerrear uns com os outros a fim de focalizar sua ação sobre os invasores. Mês após mês, os japoneses foram empurrando as forças de Chiang Kai-shek para o sul. Em agosto de 1937, a linha de batalha chegara a Xangai, depois de uma campanha dura, na qual as tropas nacionalistas perderam 250 mil homens, mortos ou feridos, enquanto os japoneses tiveram 40 mil baixas. Até mesmo com uma grande população de onde tirar seus conscritos, uma proporção de seis para um era mais do que o exército nacionalista podia suportar. Quando os japoneses aumentaram a pressão, as tropas do Kuomintang foram expulsas atabalhoadamente de sua capital, Nanquim.

A chacina geral de civis e prisioneiros depois que os japoneses tomaram Nanquim, em dezembro de 1937, talvez seja o mais sangrento massacre individual bem documentado da história. Quase todos os chineses tomados como prisioneiros de guerra dentro e nos arredores da cidade foram chacinados, alguns fuzilados por metralhadoras ao lado do rio, para facilitar o descarte dos cadáveres, enquanto outros foram amarrados e baionetados para treinar os recrutas japoneses.

Durante os dois meses que se seguiram, os cidadãos de Nanquim defrontavam-se diariamente com a morte enquanto eram assaltados na rua, reunidos, fuzilados, espancados, esfaqueados, afogados e queimados sem misericórdia. Mulheres às dezenas de milhares foram estupradas por grupos, muitas vezes mortas em seguida, mutiladas e deixadas no local para aterrorizar os habitantes. Qualquer homem chinês de idade militar era tido como um prisioneiro em fuga e abatido. Testemunhas ocidentais relataram ter visto cadáveres jogados em cada quarteirão, juntamente com ocasionais pilhas de cabeças. A coisa ficou tão feia que até os nazistas pediram ao Japão para mostrar alguma misericórdia, e um homem de negócios alemão trabalhando na cidade, John Rabe, estabeleceu uma zona de segurança onde refugiados chineses podiam se esconder sob a proteção internacional.

Com os chineses derrotados, os japoneses dividiram o território conquistado em quatro Estados fantoches, para manter a ordem, e depois começaram a pensar em novas áreas de crescimento. Bem ao norte, a grande e vazia Sibéria, com sua madeira e minas de ouro, estava apenas pedindo para ser conquistada. Os japoneses já haviam tentado isso antes, durante a Guerra Civil Russa, e agora tentaram de novo. O exército japonês fez uma finta, atravessando a fronteira com a Manchúria para ver se Stánlin fazia realmente questão daquele território. Ao que parece, sim, Stánlin queria conservar a Sibéria. Um grande contra-ataque soviético em 1939 convenceu os japoneses de que deviam procurar em outro lugar as oportunidades de expansão. Os dois países assinaram um pacto de não agressão a fim de se concentrarem em suas próprias crises, em outro lugar.

Segunda Guerra Mundial

Quando atacaram as potências ocidentais, em dezembro em 1941, entrando na Segunda Guerra Mundial e arrastando com eles os americanos, os japoneses se apossaram das concessões estrangeiras em Hong Kong e Xangai. Depois os japoneses desviaram a atenção para a guerra no Pacífico contra o Ocidente, e a frente chinesa ficou imobilizada. A principal contribuição dos chineses para o esforço global da guerra foi manter engajados dois quintos do efetivo disponível do Japão, e fornecer campos de pouco para os bombardeiros americanos de longo alcance.

Como um parceiro completo da grande aliança contra o Eixo, a coalizão dos países fascistas, Chang Kai-shek recebeu dinheiro, armas e um lugar permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas; entretanto, conforme a guerra prosseguia, a missão americana na China foi ficando revoltada com a corrupção e incompetência do governo nacionalista. Embora a desilusão tivesse pouco impacto no auxílio americano durante Segunda Guerra Mundial, ela deu um banho de água fria no entusiasmo para apoiar os nacionalistas mais tempo do que o necessário.

Com a queda da Alemanha em maio de 1945, os soviéticos declararam guerra ao Japão, e transportaram suas unidades para o leste. Cerca de 1 milhão de veteranos, que haviam acabado de derrotar Hitler, se concentraram ao longo da fronteira da Manchúria, defrontando uma guarnição que fora desfalcada de suas melhores tropas, enviadas para a guerra no Pacífico. No dia 9 de agosto, depois de um curto, mas devastador bombardeio, o Exército Vermelho avançou contra os japoneses e conquistou a Manchúria em uma semana, fazendo 600 mil prisioneiros. Esse avanço coincidiu com os ataques atômicos simultâneos feitos pelos americanos contra o território japonês, o que levou o imperador Hirohito a perceber que qualquer resistência seria inútil. Contra as objeções dos militares, ele comandou a nação na rendição aos americanos.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Massacre de Nanquim

O Massacre de Nanquim (Nanjing, em chinês), também conhecido como o Estupro de Nanquim, foi um crime de guerra genocida cometido pelo exército imperial japonês em Nanquim, então capital da República da China, após a cidade ter sucumbido ao ataque japonês no dia 13 de dezembro de 1937. Não há consenso sobre a duração do massacre, embora a violência tenha perdurado por seis semanas, até o início de fevereiro de 1938.

Durante a ocupação de Nanquim o exército japonês cometeu numerosas atrocidades, como estupros, saques, incêndios criminosos e a execução tanto de prisioneiros de guerra quanto de civis. Embora as execuções tenham começado sob o pretexto de se eliminarem soldados chineses disfarçados de civis, afirma-se que muitos inocentes foram identificados intencionalmente como combatentes inimigos e executados depois que o massacre ganhou força. Inúmeras mulheres e crianças também foram mortas, à medida que os estupros e assassinatos se espalharam.

Estimativa de Mortos

De acordo com o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, "estimativas feitas em uma data posterior indicam que o número total de civis e prisioneiros de guerra assassinados em Nanquim e em suas proximidades durante as primeiras seis semanas de ocupação japonesa foi de mais de 200.000".

Sabe-se que as estimativas não são exageradas pelo fato de que diversas sociedades que prestavam serviços como enterros e outras organizações contaram mais de 155.000 corpos. A maioria deles, relatou-se, estavam com as mãos amarradas atrás de suas costas. Esses números não levam em conta os corpos que foram destruídos em incêndios, jogados no Rio Yang-Tsé, ou eliminados de outra maneira pelos japoneses.

A dimensão real das atrocidades ainda é debatida entre a China e o Japão, com números que vão desde as alegações japonesas de diversos milhares até a alegação chinesa de uma contagem de mortos não-combatentes de 300.000.

Muitos pesquisadores japoneses consideram números aproximados entre 100.000 e 200.000.

Outras nações costumam considerar entre 150.000 e 300.000 o número das vítimas. Esse número foi divulgado pela primeira vez em janeiro de 1938 por Harold Timperly, um jornalista na China durante a invasão japonesa, baseado em relatórios de testemunhas contemporâneas. Outras fontes, incluindo o livro O Estupro de Nanquim, de Iris Chang, sugerem o número de 300.000 como a real cifra de mortos. Além disso, em 12 de dezembro de 2007, documentos recém-liberados pelo governo americano revelaram uma contagem adicional de cerca de 500.000 na área ao redor de Nanquim, antes que de sua ocupação.

Duração do Massacre

As informações sobre a duração do massacre de Nanquim não são exatas, mas, de acordo com relatos de sobreviventes, documentários e manuais de escolas públicas chinesas, acredita-se que tenha ido de dezembro de 1937 a fevereiro de 1938.

O Massacre de Nanquim, Mulheres de Conforto e outros crimes de guerra são parcialmente negados pelo governo japonês e não são mencionados nas escolas japonesas por determinação do governo devido às contradições na versão oficial e evidências, consideradas por alguns pesquisadores japoneses como forjadas. Os motivos para a negação dos crimes de guerra nunca foram questionados por autoridades internacionais, provocando instabilidade em relações diplomáticas entre os países da Ásia. O Revisionismo do Massacre de Nanquim é o ponto de vista parcialmente defendido pelo governo japonês.  

O governo americano negociou a liberdade de muitos criminosos de guerra, em troca de informações e documentos. Alguns políticos e militares japoneses foram executados por crimes de guerra ante o Tribunal de Tóquio e outros tribunais Aliados na Ásia. Entretanto, todos os membros da família imperial envolvidos na guerra, como o Imperador Showa foram absolvidos de acusações criminais pelo General dos Estados Unidos Douglas MacArthur.

O Início

Em 7 de julho de 1937, o exército imperial japonês inicia a execução de estratégias para conquistar Nanquim. Ao início de agosto de 1937, a marinha imperial japonesa está posicionada na costa e inicia sucessivos disparos de canhões à costa chinesa, dando início ao desembarque do exército imperial japonês comandado pelo Chefe da Casa marechal Kotohito Kan'in. O desembarque do exército imperial japonês é constante até o final de agosto de 1937, estruturando nove unidades de infantaria e duas unidades de artilharia na costa chinesa, que marcham em direção a cidade de Xangai sobre forte bombardeio aéreo. Em um único fronte, conquistam as proximidades de Xangai ao final de outubro de 1937, dando início a batalha final para conquistar Xangai, que termina após quatro meses de combate. Xangai é conquistada ao final de novembro de 1937. Então, o exército imperial japonês inicia e estrutura dois frontes, um ao norte e outro ao sul de Nanquim. Dividindo-se em duas companhias, o exército imperial japonês está a 300 km de Nanquim.

A Defesa de Nanquim

O exército chinês e civis batem em retirada em direção a capital Nanquim após violenta derrota em Xangai. E adotam a tática de destruição de recursos e estruturas que possam ajudar o exército imperial japonês a se reestruturar para ganhar força e marchar em direção a Nanquim. O exército chinês estrutura um novo fronte que se divide em três companhias, a primeira ao norte, a segunda ao sul e a terceira ao leste de Nanquim, belicamente inferiores ao exército imperial japonês. Contando somente com apoio terrestre precariamente estruturado, iniciam os combates a 300 quilómetros de Nanquim. 

A terceira companhia ao leste de Nanquim inicia o combate ao exército imperial japonês atacando a companhia do norte, a companhia comandada pelo general Matsui com seis unidades de infantaria e uma unidade de artilharia. A companhia chinesa ao leste é vencida pela companhia do norte do exército imperial japonês que marcha em direção a sua posição ao norte de Nanquim. Belicamente superior à companhia do sul, abre dois frontes ao norte de Nanquim contra a primeira companhia do exército chinês ao norte. 

A segunda companhia ao sul inicia os combates contra a companhia do exército imperial japonês ao sul comandada pelo general Yanagawa Heisuke, ambas as companhias chinesas são derrotadas e obrigadas a recuar para a cidade de Nanquim, em tentativa de abrir nova resistência ao fronte de duas companhias japonesas que se dividem em três. A terceira companhia comandada pelo general Nakajima Kesago juntamente com as outras duas atacam em 5 de dezembro de 1937 aos arredores das muralhas da cidade de Nanquim ao leste, dando início a uma batalha que dura até a tomada da cidade em 13 de dezembro de 1937.

O General Tang Shengzhi

O general Tang Shengzhi, responsável pelas tropas chinesas, recebe a dura missão de defender Nanquim, suas tropas sofreram duras baixas contra o exército imperial japonês na cidade de Xangai destruída pelo exército imperial japonês e seus habitantes foram capturados e mortos brutalmente. 

O exército chinês, sob o comando do general Tang Shengzhi, se ilha na cidade de Nanquim. O general Chen Cheng e o líder político e militar Chiang Kai-shek, juntamente planejam a retirada de tropas de elite, alegando que as tropas serão liquidadas desnecessariamente. 

O general Tang Shengzhi declara publicamente que irá manter o fronte contra as tropas do exército imperial japonês e irá morrer na cidade de Nanquim juntamente com seu exército e civis. Recruta então 100.000 novos soldados na cidade, muitos deles não possuem experiência ou treinamento militar. O general Tang Shengzhi fica ilhado na cidade sem apoio terrestre ou aéreo, suas tropas estão sem comunicação e seus recursos bélicos sofrem constantes perdas, provocando inúmeras desistências ao serviço militar e pânico entre os civis. 

O líder político e militar Chiang Kai-shek e o general Chen Cheng se retiram da cidade de Nanquim juntamente com as tropas de elite, sob fortes e constantes bombardeios da força aérea imperial japonesa. 

A cidade de Nanquim sofre constantes bombardeios aéreos e está cercada por 9 unidades de infantaria e 2 unidades de artilharia do exército imperial japonês, o príncipe tenente general Asaka Yasuhiko ordena o assalto final a cidade de Nanquim. Todas as unidades de infantaria do exército imperial japonês atacam simultaneamente a cidade de Nanquim liquidando o exército chinês e civis sob a ordem do príncipe tenente general Asaka Yasuhiko, que teria ordenado matar todos os prisioneiros de guerra imediatamente. Homens, mulheres e crianças foram barbaramente mortos em 13 de dezembro de 1937 durante e após o assalto do exército imperial japonês.

O Massacre

Em 13 de dezembro de 1937, o príncipe tenente general Asaka Yasuhiko ordenou o exército imperial japonês a tomar de assalto a cidade de Nanquim com nove unidades de infantaria, executando todos os prisioneiros de guerra. 

O exército imperial japonês toma de assalto a cidade de Nanquim com uma fúria homicida, as ruas estão repletas de civis em sua maioria, juntamente com soldados chineses em resistência desorganizada e em retirada. Civis e soldados chineses são fuzilados nas ruas por soldados japoneses que buscam neutralizar a resistência de civis e militares. O exército imperial japonês obtém o controle total da cidade de Nanquim em poucas horas do início do assalto e inicia a organização de prisioneiros de guerra, militares e civis de forma furiosa, homicida e organizada. Militares e civis são separados, o exército imperial japonês organiza o controle da cidade de Nanquim de forma brutal e homicida. 

Os militares que sobreviveram ao assalto do exército imperial japonês são identificados entre os civis e separados, todos os soldados chineses capturados foram torturados, depois fuzilados, enforcados ou decapitados, sofrendo uma morte brutal, uma carnificina humana. Os civis sofrem com a fúria homicida do assalto a cidade de Nanquim pelo exército imperial japonês, homens, mulheres, crianças e idosos são mortos brutalmente nas ruas de Nanquim antes da organização civil da cidade. Após o início da organização civil, os civis são separados por sexo e idade. Homens, mulheres e crianças são procuradas pelo exército imperial japonês nas ruas, nas casas, nos templos, muitos fugiram da organização civil. Mulheres e crianças se refugiaram em templos na cidade de Nanquim inutilmente, as ordens superiores são aplicadas nas ruas, nas casas, em templos pelos soldados japoneses. Milhares de civis são fuzilados logo após a organização civil, um número desconhecido (sabe-se que eram centenas) de pessoas entre mulheres, homens e adolescentes são levados para uma pedreira onde havia uma imensa cratera. Os soldados japoneses obrigaram os civis chineses a se aglomerarem na cratera, minutos depois cercam a cratera portando metralhadoras e fuzis e abrem fogo contra os civis. Muitos sobrevivem e agonizam na cratera, superiores ordenam os soldados a procurarem por sobreviventes na cratera e executá-los, após a execução de centenas de pessoas o exército imperial japonês continua a executar civis. 

Os soldados japoneses sob o comando do general Iwane Matsui realizaram a partir de dezembro de 1937 um efeito-demonstração que converteu-se numa das maiores atrocidades da história contemporânea - o "estupro de Nanquin" (Nanjing Datsusha). A guerra conduzida pelo império do sol nascente assumiu formas repugnantes. 

Com a tomada de Nanquim, o massacre tornou-se uma disciplina esportiva e forma de divertimento: os soldados japoneses disputavam a rapidez e eficiência na decapitação dos prisioneiros. A desumanização do inimigo alcançou uma dimensão bastante rara quando ao invés de utilizar animais, as vivissecções passaram a ser praticadas nos civis e militares chineses. Os prisioneiros eram também usados como alvo vivo dos soldados japoneses nos exercícios de assalto com baionetas. 

A desumanização também atinge as mulheres e adolescentes, os soldados japoneses buscam por mulheres e adolescentes, nas casas nas ruas, nos templos para praticar estupros coletivos e individuais com mulheres e adolescentes chinesas. Adolescentes e mulheres são arrastadas pelas ruas e colocadas em caminhões. Os soldados japoneses enfrentavam a resistência de suas mães com brutalidade, socos, tapas, pontapés até tomar as adolescentes pelos braços, pernas e arrastá-las até os caminhões para serem escravas sexuais dos soldados e oficiais do exército imperial japonês na cidade de Nanquim e em outras localidades. 

O massacre dura até fevereiro de 1938, inúmeras atrocidades foram cometidas pelo exército imperial japonês na cidade de Nanquim. O governo japonês nega muitos fatos e relatos em documentos oficiais chineses. Muitas das informações sobre o massacre de Nanquim, que são de livre acesso ao público, são fornecidas por ONGs e instituições não governamentais, que disponibilizam materiais fotográficos e documentos oficiais do governo da China com o conhecimento de autoridades chinesas. 

De 150 a 300 mil pessoas foram executadas nas mais atrozes condições (mulheres estupradas, homens torturados, crianças enterradas vivas). A cidade foi saqueada e incendiada. O massacre de Nanquim seria o único crime de guerra a ser tratado em separado pelo Tribunal de Tóquio. O general Iwane Matsui foi condenado à morte por não ter impedido a carnificina cometida pelas tropas que comandava.

O Estupro de Nanquim

Mulheres de conforto ou mulheres de conforto militar é um eufemismo para mulheres que praticavam (ou eram forçadas a praticar) sexo em bordéis militares em países ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Existem diferentes teorias sobre o lugar de origem das mulheres revigorantes. De acordo com o professor Hirofumi Hayashi da Universidade Kanto Gakuin, a maioria das mulheres eram da Coreia e China. Outras vinham das Filipinas, Taiwan, Tailândia, Vietnã, Singapura, Índias Orientais Holandesas, e outros países e regiões ocupados pelo Japão. 

De acordo com o Professor Yoshiaki Yoshimi da Universidade Chuo, existiam cerca de 2.000 centros aonde algo em torno de 200.000 mulheres coreanas, filipinas, taiwanesas, birmanesas, indonésias, holandesas, australianas e algumas japonesas eram forçadas a manter relações sexuais com os militares do Exército Imperial. 

A descoberta de documentos dos arquivos militares permitiu estabelecer a responsabilidade do exército na organização do "tráfico" de 200 mil mulheres asiáticas, em sua maioria coreanas, destinadas aos bordéis militares do exército imperial entre o final da década de 30 e a derrota, em 1945, obrigando o governo a reconhecer os fatos em 1992. A partir de então, as vítimas exigem indenizações do Estado japonês, que se recusa a considerá-las, argumentando que a questão das indenizações de guerra já foi resolvida. Entretanto, foi criada uma fundação para ajudar as vítimas.

Negação do Massacre

O Revisionismo do Massacre de Nanquim é uma teoria revisionista defendida parcialmente por alguns historiadores e pelo governo japonês. 

De acordo com estas teorias, as fotografias das atrocidades foram consideradas pelos pesquisadores destes estudos como montagens, encenadas, ou substituídos por falsas (civis mortos durante as guerras civis travadas entre os comunistas chineses e nacionalistas chineses na China), cuja as fotografias podem ser traçadas em livros de propaganda de guerra e nenhuma delas, segundo eles, provaria massacre de civis praticados por militares japoneses em Nanquim. 

O livro What War Means, considerado prova absoluta do massacre, teria sido compilado e publicado pela Divisão de Contra-Inteligência do Ministério da Informação da China e por isso não pode ser aceito como imparcial, segundo este ponto de vista.