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quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Guerra das Rosas

A Guerra das Rosas ou Guerra das Duas Rosas foi uma série de lutas dinásticas pelo trono da Inglaterra, ocorridas ao longo de trinta anos (entre 1455 e 1485) de forma intermitente, durante os reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III. Em campos opostos encontravam-se as casas de York e de Lancaster, ambas originárias da dinastia Plantageneta e descendentes de Eduardo III, rei da Inglaterra entre 1327 e 1377.

A Guerra das Rosas foi resultado dos problemas sociais e financeiros decorrentes da Guerra dos Cem Anos, combinados com o reinado considerado fraco de Henrique VI, que perdeu muitas das terras francesas conquistadas por seu pai e foi severamente questionado pela nobreza. Seu final ocorreu quando um candidato Lancastre relativamente remoto, Henrique Tudor, derrotou o último rei de York, Ricardo III, e assumiu o trono, casando-se com Isabel de Iorque, filha de Eduardo IV, para unir as duas casas. O nome do conflito deve-se aos símbolos das duas facções - a rosa branca da casa de York e a vermelha da de Lancastre, embora a última tenha sido adotada apenas mais tarde. Essa denominação passou a ser usada anos depois da guerra, por historiadores.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Guerra da Sucessão Portuguesa

A Guerra da Sucessão Portuguesa foi travada de 1580 a 1583 durante a disputa do trono português entre Felipe II e António de Portugal, Prior do Crato, na sequência da Crise de sucessão de 1580. Foi vencida por Felipe II, iniciando a União Ibérica sob a dinastia Filipina em Portugal.

Interlúdio - Crise da Sucessão

Cardeal rei
D. Henrique
A morte do jovem rei de Portugal D. Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir levou a uma crise de sucessão já que o primeiro não teria deixado descendência pela sua tenra idade. Pela proximidade de parentesco, coube a governação ao cardeal D. Henrique, aclamado Rei de Portugal a 28 de Agosto de 1578. 

A notícia da derrota de Alcácer-Quibir foi levada ao cardeal, então no Mosteiro de Alcobaça, pelo provincial da Companhia de Jesus e o Dr. Jorge Serrão. O cardeal, encarregado da regência do reino por proximidade de parentesco, convocou as Cortes de Lisboa de 1579 para estudar a situação decorrente da sua avançada idade e vínculo religioso. Não sendo casado e não tendo herdeiros, a sua regência seria meramente provisória.

Pretensão à Coroa

Pelas leis da época, sucederia ao Rei o seu parente mais próximo, na tentativa de preservar o Sangue Real na administração do Reino; em caso de parentes de igual proximidade, a preferência seria dada aos de sexo masculino. A verificar-se a concorrência de vários homens em igual grau de parentesco, seria preferido o mais velho. 

Assim, os candidatos ao Trono de Portugal eram (pela ordem da linha da sucessão): 

1. O Cardeal-Rei D. Henrique I 
2. Rainúncio I Farnésio, Duque de Parma  
3. Catarina, Duquesa de Bragança  
4. Filipe II de Espanha 
5. Emanuel Felisberto de Saboia
6. João I, Duque de Bragança  

Havia ainda: 
D. António, o Prior do Crato, afastado por ser tido como ilegítimo, se não o fosse estaria mesmo antes do cardeal D. Henrique na linha de sucessão

Morte do Cardeal

O Rei-Cardeal morreu em 1580, durante as Cortes de Almeirim, deixando uma Junta de cinco governadores. E destes cinco, apenas um, D. João Telo, era contrário a Filipe II de Espanha. O cardeal já havia manifestado, entretanto, a sua intenção de nomear Filipe II como sucessor ao trono, mediante um acordo que traria benefícios ao reino. 

Pensa-se que muitas das figuras favoráveis  D. Filipe tenham sido subornadas de alguma forma pelo rei castelhano, que sabia dos temores dos mais ricos em perder a posição privilegiada na corte. O reino manifestava assim uma avareza que renunciava à independência a favor de bens materiais e títulos de poder.

Guerra da Sucessão Portuguesa

D. António, Prior do Crato
Durante a preparação defensiva do castelo de Santarém contra uma eventual ofensiva castelhana, o povo aclamou D. António como Rei de Portugal. Este, surpreendido, precavia-se contra a revolta da nobreza e do clero, pedindo para limitarem a aclamação a apenas Regedor e defensor do Reino. A situação era melindrosa, já que D. António se antecipava à decisão dos governadores nomeados pelo cardeal D. Henrique que tinham por missão designar, de entre os vários netos de D. Manuel I, o herdeiro legítimo da coroa. 

A 24 de Julho seria coroado e governaria no continente durante cerca de vinte dias, até ter sido derrotado na Batalha de Alcântara pelos exércitos espanhóis comandados pelo Duque de Alba em 25 de agosto. A batalha terminou com uma vitória decisiva dos Habsburgos, tanto em terra como no mar. Dois dias depois, o duque de Alba capturou Lisboa.

No início de 1581, D. António fugiu para a França em busca de apoio e, como exércitos de Filipe ainda não tinham ocupado os Açores, aí se estabeleceu com um número de aventureiros franceses sob comando de Filippo Strozzi, um exilado florentino que deixou o cargo de coronel do exército ao serviço da França. As razões desta demissão prendem-se com a necessidade de evitar o envolvimento oficial da França na contenda luso-castelhana, já que Catarina de Medicis pretendia seguir uma política de duplicidade que ao mesmo tempo que mantinha a paz entre a França e Castela, tentava minar o poderio castelhano.

Assim, foi como privado, oficialmente como mercenário, embora com a bênção da rainha-mãe de França, que Fillipo Strozzi partiu em Junho de 1582 à frente de uma força luso-francesa, embora com participação minoritária portuguesa, em socorro do partido antonino acantonado na Terceira. As forças portuguesas eram comandadas por D. Francisco de Portugal, o 3.º conde de Vimioso.

A 25 de Julho de 1581, na ilha Terceira as forças leais a D. António venceram a Batalha da Salga. Mas um ano depois foi completamente derrotado no mar por uma armada Luso-Espanhola comandada por D. Álvaro de Bazán, na Batalha Naval de Vila Franca no dia 26 de julho de 1582. A 27 de Julho de 1583 no Desembarque da Baía das Mós a força luso-castelhana pôs termo à resistência da Terceira ao domínio de Filipe II de Castela.

Filipe II, de Espanha
I de Portugal
António dedicou toda a sua vida a tentar recuperar o trono. Tentou ainda o desembarque numa expedição de Inglesa, a Contra armada inglesa sob o comando de Sir Francis Drakee Sir John Norreys, às costas de Espanha e Portugal, mas a expedição falhou e a tentativa António para governar Portugal a partir de Ilha Terceira, nos Açores (onde chegou a cunhar moeda) chegou ao fim em 1583. Começava, assim, a dinastia filipina, com Filipe II de Espanha, I de Portugal.  

D. António morreu em 1595, cessando assim qualquer hipótese de prolongar a dinastia de Avis. Só 60 anos depois a independência seria restaurada por D. João, duque de Bragança, aclamado D. João IV, Rei de Portugal.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Guerra dos 80 Anos

A Guerra dos 80 anos ou Revolta Holandesa de 1568 a 1648, foi a guerra de secessão na qual o território englobando aquilo que é hoje os Países Baixos se tornou um país independente frente à Espanha. Durante esta guerra, a República Holandesa tornou-se uma potência mundial por um curto período histórico, com grande poder naval, e beneficiou de um crescimento econômico, científico e cultural sem precedentes.

Os Países Baixos pertenciam ao império espanhol, mas o Conselho de Regência de Filipe II rompeu com os nobres locais, que foram excluídos do governo. Altos impostos, desemprego e temores da perseguição católica contra os calvinistas criaram uma perigosa oposição, esmagada pelo duque de Alba em 1567 com um reino de terror e pesada tributação. 

Seguiu-se uma revolta liberal iniciada por Guilherme, o Taciturno, que evitou batalhas campais com as forças espanholas, explorando estrategicamente seu conhecimento da região, salvando cidades sitiadas como Leiden (1573-1574) e abrindo diques que inundaram a zona rural. O saque de Antuérpia (1576) levou a uma união temporária de todos os Países Baixos na pacificação de Gante. Os excessos calvinistas logo levaram as províncias do sul a formarem a União de Atrecht (1579) e a fazer as pazes com a Espanha. As províncias do norte formaram a União de Utrecht e a guerra tornou-se uma luta religiosa pela independência. 

Guilherme defendeu-se com ajuda estrangeira, até ser assassinado em 1584, quando a liderança passou para Maurício de Nassau e o político Van Oldenbarneveldt. As Províncias Unidas salvaram-se pelo compromisso de guerra da Espanha com a França, Inglaterra e Turquia. Um armistício (1609) foi seguido pelo reconhecimento da plena independência dos Países Baixos no Tratado de Westfália  em 1648.

Antecedentes da Guerra

Nem todas as províncias neerlandesas decidiram separar-se da Espanha ao mesmo tempo. Algumas, sobretudo aquelas no que é hoje a Bélgica, nunca o fizeram. 

Carlos V, Sacro Império Romano-Germânico, nasceu em Gante em 1500 e foi educado nos Países Baixos. Ele abdicou em 1556 a favor do seu filho Filipe II de Espanha, que estava sobretudo interessado no lado espanhol do Império. O Calvinismo tinha-se tornado influente nos Países Baixos. Em 1566, muitos calvinistas atacaram igrejas para destruir estátuas e imagens de santos católicos, que eles consideravam heréticas. 

Filipe II envia em reacção o Duque de Alba, que tinha a alcunha do Duque de Ferro, com o seu exército para os Países Baixos. 

A Guerra

Gilherme, o Taciturno
Em 1568 Guilherme I de Orange (Guilherme, o Taciturno), governador das províncias da Holanda, Zelândia e Utrecht, tentou afastar o altamente impopular Duque de Alba de Bruxelas. Ele não viu nisto um acto de traição para com Filipe II, e esta perspectiva é reflectida naquilo que é hoje o Hino Nacional dos Países Baixos (o Wilhelmus), no qual as últimas linhas da primeira estrofe dizem: de koning van Spanje heb ik altijd geëerd (Sempre honrei o Rei de Espanha). 

Guilherme recebeu pouco apoio e teve de fugir. Os seus co-conspiradores, o Conde de Egmont e o Conde de Horne, permaneceram e Alba mandou decapitá-los. Alba também introduziu um imposto não aprovado.

Uniões de Atrecht e Utrecht

A 6 de Janeiro de 1579, estimulados pelo novo governador espanhol Alexander Farnese, Duque de Parma, os estados do sul (situados hoje na sua maioria na Bélgica), assinaram a União de Atrecht expressando a sua lealdade ao Rei espanhol. Nos 10 dez anos seguintes ele restabeleceria a religião católica na maior parte desta área. 

A 23 de Janeiro de 1579, em resposta, Guilherme uniu os estados protestantes dos Países Baixos, Zeeland, Utrecht, Guéldria e a província de Groninga na União de Utrecht. Esta União levaria mais tarde (1581) à independência de Espanha, formando as República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos (também conhecidas como os Estados Gerais ou por vezes como a República Holandesa) 

Assistência do exterior

Em 1581, os espanhóis enviaram um exército para tentar recapturar as Províncias Unidas, com algum sucesso inicial, e a 10 de Julho de 1584, Guilherme foi assassinado. Com a guerra aberta a decorrer, as Províncias Unidas pediram ajuda à França e Inglaterra, tendo mesmo oferecido a monarquia dos Países Baixos em contrapartida, o que ambas as nações declinaram. 

A Inglaterra já apoiava os holandeses não-oficialmente havia já anos, e decidiu agora intervir directamente. Em 1585, de acordo com o Tratado de Nonsuch, Elizabeth I enviou Robert Dudley, conde de Leicester, para prestar assistência, com aproximadamente cinco a seis mil cavalos. 

Maurício de Orange
O filho de Guilherme, Maurício de Nassau, em breve contornou o conde e tomou conta dos exércitos em 1587, pelo que Leicester regressou à Inglaterra. A presença dos ingleses, que estavam para ficar até 1604, foi uma das razões que levariam ao envio da Armada Invencível contra a Inglaterra em 1588. 

Sob o comando de Maurício, grande parte da área dos estados do sul revoltaram-se contra Espanha ou foram capturados pelas Províncias Unidas. A Espanha não conseguiu fazer frente aos custos financeiros do exército resultantes da perda da Armada e em 1595, com a declaração de Guerra contra a Espanha por Henrique IV de França, tornou-se financeiramente falida, o que não acontecia pela primeira vez. 

As Tréguas

Sob pressão financeira e militar, em 1598, Filipe cedeu os Estados do Sul dos Países Baixos ao arquiduque da Áustria Alberto e sua mulher Isabel, na sequência do Tratado de Vervins com a França. Com isto, estava restaurado aproximadamente o território do Império da Borgonha. 

Em 1604, após James I de Inglaterra se tornar rei de Inglaterra, ele concluiu a paz com a Espanha no Tratado de Londres de 1604. 

1609 viu o início do cessar-fogo, chamado posteriormente de Trégua dos 12 anos, entre as Províncias Unidas e os Estados do Sul, mediado pela França e pela Inglaterra em Haia. 

Retoma da Guerra 

No seguimento da morte de Maurício, e na falta de uma paz permanente, o seu meio-irmão Frederick Henry retomou o conflito contra o sul. 

Os espanhóis enviaram em 1639 uma armada com vinte mil militares para a Flandres, que foi derrotada pelo Almirante Maarten Tromp. 

Paz

Em 1648, a Guerra terminou com o Tratado de Münster, que fez parte da Paz de Vestfália, que também terminou a Guerra dos 30 anos. 

Outros Desdobramentos

A Guerra dos Oitenta Anos teve grande impacto sobre a evolução da Arte da Guerra. Maurício de Nassau logrou reunir um grupo seleto de estudiosos preocupados em criar um exército capaz de vencer os famosos e compactos terços espanhóis. Destes estudos surgiu uma infantaria organizada em unidades menores, de formação tática menos profunda e com maior capacidade de fogo. 

O grande teste deste novo sistema tático veio com a Batalha de Nieuwpoort, travada em 1600. O resultado deste trabalho serviu de inspiração para o rei sueco Gustavo Adolfo.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Guerra Luso Holandesa

A Guerra Luso-Holandesa ou Guerra Luso-Neerlandesa foi um conflito armado entre forças Holandesas da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) e da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (WIC), com o Império e colônias portugueses. Fazendo parte da Guerra da Restauração, entrou para a História como o primeiro grande conflito à escala planetária.

Travada de 1595 a 1663, caracterizou-se principalmente pelas invasões das companhias majestáticas holandesas aos territórios do império português nas Américas, África, Índia e extremo oriente. Os confrontos foram iniciados durante a dinastia Filipina, a pretexto da Guerra dos Oitenta Anos, travada então, na Europa, entre a Espanha e os Países Baixos. Portugal foi envolvido no conflito por estar sob a coroa Espanhola dos Habsburgos, durante a chamada União Ibérica, mas os confrontos ainda perduraram, mesmo vinte anos após o 1º de dezembro de 1640 da Restauração da Independência.

O conflito estaria pouco relacionado com a guerra na Europa, servindo principalmente o propósito de estabelecer um império ultramarino holandês, assim como o domínio do comércio das especiarias, aproveitando a vulnerabilidade dos Portugueses. Forças Inglesas, rivais de Espanha e livres da aliança que os ligava aos portugueses durante a União Ibérica, também auxiliaram os holandeses em certos momentos, até à restauração, altura em que a aliança voltou a vigorar.

A guerra resultou na perda do domínio português no oriente e na fundação do império colonial holandês nos territórios conquistados. As ambições holandesas noutros teatros de competição econômica, como o Brasil e Angola, foram em grande parte invertidas pelos esforços Portugueses. Os interesses Ingleses beneficiaram também do conflito prolongado entre os seus dois principais rivais no oriente.

Antecedentes

Em 1581, um ano após a União Ibérica, os territórios que formavam a União de Utrecht, também sob domínio dos Habsburgos, revoltaram-se e depuseram Filipe II de Espanha declarando a República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos. Após a derrota da Invencível Armada¹ espanhola em 1588 deu-se uma enorme expansão do comércio marítimo, com os holandeses a transpor a revolta para os domínios marítimos espanhóis. O império português, sem autonomia e formado sobretudo de assentamentos costeiros, vulneráveis a ser tomados um a um, tornou-se um alvo fácil.

O surgimento da potência marítima holandesa foi rápido e extraordinário: durante anos, marinheiros holandeses haviam participado em viagens portuguesas ao oriente. Jan Huygen van Linschoten, que vivera em Lisboa, teria recolhido relatos, informação e mapas, ao integrar a comitiva de frei Vicente da Fonseca, em 1583, que fora nomeado arcebispo de Goa. Em 1598, regressaria aos Países Baixos, onde publicou as suas observações sobre o oriente e a navegação. Cornelis de Houtman, que também passara por Lisboa, seguiria as suas indicações na primeira viagem exploratória holandesa, assinando um tratado com o sultão que dominava o estreito de Sunda, entre Java e Sumatra. 

Os Países Baixos são geralmente considerados como o agressor, pois o seu ataque às possessões Portuguesas foi unilateral, e a iniciativa da guerra coube sempre ao lado holandês. Por outro lado, poderia ser invocado que, estando Portugal sob domínio Espanhol durante o curso da maior parte do conflito (depois de herdada a coroa de Portugal por Filipe II de Espanha) e dado que a Espanha combatia os holandeses na Flandres, tentando sufocar a guerra da independência dos Países Baixos, parece legítimo que os holandeses levassem a guerra a todos os cantos do Império Espanhol. Esse argumento é, entretanto, contrariado pelo facto de a Guerra Luso-Holandesa ter prosseguido depois da Restauração Portuguesa (1640). Como será visto mais à frente, a verdadeira motivação da guerra foi a tentativa holandesa de tomar o controle do comércio de especiarias da Índia, o que não é consistente com nenhuma justificação técnica de defesa militar. 

Casus Belli

As Sete Províncias Unidas² encontravam-se, na altura, em luta contra os Habsburgo pela sua independência, e a razão pela qual os holandeses procuraram apoderar-se do comércio das especiarias foi a sua sobrevivência económica: até à união das coroas Portuguesa e Espanhola, os mercadores Portugueses usavam os Países Baixos como plataforma para introdução das especiarias no norte da Europa, através de uma feitoria em Antuérpia, cidade forçada a render-se aos espanhóis em 1585. Depois de anexar Portugal, a Espanha declarou um embargo a todas as transações comerciais com as Províncias Unidas, territórios secessionistas desde a União de Utrecht

Isto significava que, a partir de então, todo o comércio seria feito através dos Países Baixos do Sul, os quais, de acordo com a União de Arras (ou União de Utrecht) eram fiéis ao monarca Espanhol e professavam o Catolicismo Romano, contrastando com o norte holandês, protestante. Isto significava ainda que os holandeses acabavam de perder o seu mais lucrativo parceiro comercial e a sua mais importante fonte de financiamento da guerra contra Espanha. Adicionalmente eles perderiam o seu monopólio de distribuição na França, no Sacro Império Romano-Germânico e norte da Europa. A sua indústria de pescas do mar do Norte e as atividades comerciais cerealíferas no Báltico não seriam simplesmente suficientes para manter a República. 

A West-Indische Compagnie (WIC) seria fundada, em 1621, para assegurar o monopólio do comércio com as colônias ocidentais. Sua criação foi uma iniciativa de calvinistas flamengos e brabanteses que se haviam refugiado na República das Sete Províncias, para escapar à perseguição religiosa.

Nota 1A Invencível Armada, referida com certo tom irônico, pelos ingleses no século XVI, foi uma esquadra reunida pelo rei Filipe II de Espanha em 1588 para invadir a Inglaterra. A Batalha Naval de Gravelines foi o maior combate da não declarada Guerra Anglo-Espanhola e a tentativa de Filipe II de neutralizar a influência inglesa sobre a política dos Países Baixos Espanhóis e reafirmar hegemonia na guerra nos mares.


Nota 2A república das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos, foi um Estado europeu, antecessor dos atuais Países Baixos, também conhecido como Holanda, que existiu entre 1579 e 1795, agrupando as sete províncias do norte dos Países Baixos (Frísia, Groningen, Güeldres, Holanda, Overijssel, Utrecht e Zelândia). A república foi fundada pela união de Utrecht (1579) e sobreviveu até a sua transformação em república Batava na sequência da ocupação francesa de 1795.

domingo, 12 de maio de 2013

A Grande Guerra do Norte

A Grande Guerra do Norte foi uma guerra travada entre uma coligação composta pelo Império Russo, Reino da Dinamarca e Noruega e Saxônia-Polónia (a partir de 1715 também Prússia e Hanover) de um lado, e o Império Sueco no outro lado, entre 1700 e 1721. Começou com um ataque coordenado pela coligação em 1700 contra a Suécia, e terminou em 1721 com a conclusão do Tratado de Nystad, e o Tratado de Estocolmo. Um dos resultados desta guerra foi o fim do Império Sueco.

História Segundo Matthew White

Quando um adolescente imaturo tornou-se o novo rei da Suécia, os embaixadores da Dinamarca e da Saxônia foram a Pedro, o Grande, com um plano para quebrar, de uma vez por todas, a hegemonia da Suécia no Báltico. 
Eles achavam que seria muito fácil derrotar aquela criança, se todas as nações setentrionais da Europa se envolvessem. Estavam enganados. Aos 16 anos, o rei Carlos XII da Suécia provou que a arte de guerra lhe era inerente e conseguiu esticar o conflito por 21 anos.

Depois de apresentar uma desculpa conveniente e emitir todas as declarações apropriadas de guerra, cada aliado atacou a parte mais próxima do território sueco. O rei Carlos da Suécia foi diretamente contra o exército russo que invadira a Estônia. Em Narva, em novembro, Carlos atacou 40 mil russos com 8 mil suecos durante uma repentina nevasca que ocultou a sua aproximação e o efetivo menor. Os russos se dispersaram e fugiram em pânico, deixando 8 mil mortos no campo. Nesse meio tempo, 15 mil suecos ocuparam a capital da Dinamarca e tiraram os dinamarqueses da guerra.

Pedro começou imediatamente a recompor o abalado exército russo segundo normas ocidentais, para não ser derrotado tão facilmente. Com característica tenacidade, também voltou ao território sueco no Báltico e começou a construir  nova capital, São Petesburgo.

Como o rei Augusto da Saxônia era também rei da Polônia, os suecos em seguida invadiram a Polônia. Depois de derrotar algumas tropas que cruzaram o seu caminho, Carlos pôs seu próprio fantoche no trono de Varsóvia. Em agosto de 1706, ele voltou-se contra a própria Saxônia e ocupou a capital, Dresden. Depois forçou Augusto a renunciar ao trono da Polônia como condição para a paz.

Em 1708, Carlos deslocou seu exército de 40 mil homens da Polônia em direção ao coração da Rússia, mas as grandes distâncias provaram ser desorientadoras. Inicialmente, planejara se juntar aos 16 mil suecos sob as ordens do general Lowenhaupt, que estavam saindo da região báltica com suprimentos indispensáveis; em vez disso, porém, mudou abruptamente de rumo, seguindo em direção ao sul para se unir aos cossacos rebelados nos campos de trigo da Ucrânia. Isso deixou as forças de Lowenhaupt empacadas no meio do nada, sendo liquidadas por Pedro em Lesnaya, em setembro de 1708.

Apanhado pelo severo inverno russo, o exército sueco de Carlos ficou reduzido a 18 mil homens. Em junho de 1709, Pedro e 80 mil soldados foram ao seu encalço, quando os suecos atacavam o forte de Poltava, na Ucrânia central. Carlos se voltou e enfrentou o novo exército, quase o derrotando, mas Pedro tinha reservas descansadas, ao contrário dele. Aceitando a derrota, Carlos abandonou seu exército abatido e escapou para a Turquia.

Carlos Torna-se Refém dos Turcos

Como todas as rotas diretas de volta para a Suécia estavam bloqueadas pelos seus inimigos, Carlos só voltou para casa depois de cinco anos. Como os turcos queriam que a guerra se arrastasse tanto quanto possível, prenderam Carlos e recusaram o pedido de extradição da Rússia. Quando os russos enviaram uma força militar para trazer Carlos de volta, os turcos prenderam o embaixador russo e declararam guerra, mas sua contraofensiva à Rússia se mostrou inócua. Eles acabaram por desistir, e finalmente soltaram Carlos, que se dirigiu para casa cruzando os pequenos e amigáveis Estados alemães.

Nesse meio tempo, os inimigos de Carlos haviam destroçado seu império sem leme. Pedro começou uma guerra contra a Finlândia, que nessa época era parte integral da Suécia. Para impedir que Carlos usasse os recursos finlandeses, os russos devastaram os campos. Os finlandeses lembram disso como a Grande Vingança, quando os russos saquearam as colheitas e as criações das fazendas e queimaram o que não podiam carregar.

E quando Carlos chegou em casa, nada restava do império sueco, exceto a própria Suécia. Ele formou um novo exército e atacou a Noruega (na época, um território dinamarquês), mas foi morto em batalha no ano de 1719. Com Carlos fora do caminho, a paz se tornou possível. O novo rei sueco estava disposto a governar uma potência de segunda classe. Nos dois anos seguintes, diplomatas acertaram tratados de paz nos quais todos os territórios aliados se expandiram e a Suécia diminuiu.

sábado, 11 de maio de 2013

Sucessão Espanhola

A Guerra da Sucessão Espanhola disputou-se entre 1702 e 1714, pelo direito de sucessão da coroa espanhola, depois da morte do último monarca da Casa de Habsburgo, Carlos II de Espanha, sem deixar herdeiros da rainha Maria Luísa d'Orleães, a qual pertencia à família real francesa. 

Prelúdio

Às vezes a sorte de uma nação acaba. A Espanha atravessara um bom período, mas a procriação consanguínea dos Habsburgo durante séculos terminara produzindo um rei que parecia incapaz de agir como adulto: o rei Carlos II da Espanha. Único sobrevivente de um casamento ente um tio e uma sobrinha, Carlos era deficiente sob muitos aspectos. Ele só conseguiu falar aos 4 anos, e não foi capaz de andar antes dos 8; a única atividade adulta que desempenhava com entusiasmo era a caça. Devido a um queixo maciço e deformado, mal conseguia falar coerentemente ou mastigar e, por causa de uma ejaculação precoce incontrolável, não produziu filhos. Tinha o apelido de "Carlos, o Amaldiçoado", porque era óbvio que algo terrível lhe acontecera.

O arqui-inimigo de Carlos era também seu cunhado. O rei Luís XIV da frança se casara com a meia-irmã de Carlos, a filha mais velha do anterior rei da Espanha. Como "Rei Sol", Luís estabeleceu padrões de magnificência da Europa com o seu novo palácio em Versalhes. Em 1700, já lutara em quatro guerras contra o restante da Europa, tentando conquistar os territórios espanhóis em Flandes e Borgonha, ao longo da fronteira leste da França. Para impedir que a França aumentasse ainda mais o seu poder, Áustria, Grã-Bretanha e Holanda haviam estabelecido uma permanente Grande Aliança contra ele.

Carlos, o Amaldiçoado, sempre parecera condenado a uma vida curta. A maioria das pessoas achava que ele morreria ainda criança, mas Carlos viveu mais tempo do que se pensava ser possível. Mesmo assim, com a iminente extinção dos Habsburgo espanhóis, o restante da Europa debatia em diferentes conferências sobre quem deveria receber a herança. Várias reivindicações e tramas de partilha foram aventadas. Ficou decidido, finalmente, restaurar os Habsburgo na Espanha usando outro Carlos, o irmão do imperador José da Áustria, enquanto a França seria apaziguada com uma oferta de terras dos Habsburgo espalhadas pelo continente.

Carlos, o Amaldiçoado, ficou contrariado ao ver que as outras grandes potências falavam dele como se já estivesse morto, retalhando o Império Espanhol sem nem mesmo consultá-lo. Por despeito, no seu leito de morte, em 1700, ele alterou seu testamento para evitar a divisão do vasto e magnífico império. Legou tudo ao pretendente francês, o neto de sua meia-irmã, que também era neto do rei Luís XIV da França. Como isso uniria as duas principais potências da Europa, deixando todas as outras em um distante segundo lugar, o resto do mundo decidiu impedir essa união.

A Sucessão Espanhola

Luís XIV invadiu rapidamente o território espanhol para fazer valer seus direitos e a Grande Aliança se pôs em movimento para impedi-lo. As forças austríacas, sob o comando do príncipe Eugênio de Saboia (um comandante veterano da grande guerra turca), invadiram a Itália para tomar os territórios espanhóis de Milão e Nápoles. O general inglês John Churchill, duque de Moarlborough, combateu os franceses para detê-los nos Países Baixos. Marlborough fora perdoado recentemente pelo rei inglês, depois de ter passado algumas semanas na Torre de Londres, sob a acusação (provavelmente falsa) de conspirar contra o trono.

A guerra chegou ao clímax em 1704, quando Marlborough marchou em direção ao Danúbio e se juntou ao exército de Eugênio para enfrentar o exército francês que assolava a Alemanha. Embora o efetivo de ambos os exércitos fosse praticamente igual, com uns cinquenta e tantos mil homens, o exército franco-bávaro ocupava uma sólida posição com a sua ala direita ancorada no Danúbio. 

Com uma furtiva marcha noturna, os anglo-austríacos se aproximaram sem serem detectados e, assim, quando veio a manhã, os franceses foram pegos de surpresa. Depois que a cavalaria francesa foi derrotada, a infantaria foi isolada e cercada. Os mosquetes ingleses e o bombardeio destruíram então esses bolsões. Quando tudo terminou, os franceses e os bávaros haviam perdido, entre mortos, feridos e prisioneiro, 80% de seu exército, enquanto que a Grande Aliança perdera apenas 20%. Foi a primeira grande derrota da França em cinquenta anos. 

A batalha de Blenheim pôs fim aos combates no Danúbio e à ameaça direta contra a Áustria; no entanto, a maré da guerra voltou-se acidentalmente a favor da França em 1711, quando o imperador José I da Áustria morreu sem um filho que houvesse sobrevivido à infância. Seu irmão, inesperadamente, tornou-se o novo imperador, Carlos VI da Áustria, além de sua posição anterior como pretendente austríaco ao trono espanhol. A Inglaterra e a Holanda entraram em pânico. Uma completa união entre Espanha e Áustria seria quase tão ruim quanto uma união entre a Espanha e a França; todos fizeram, então, um acordo com a França.

O tratado final assinado em Utrecht dividia a herança. Todos os territórios espanhóis na Europa, incluindo a própria Espanha, foram para os Habsburgo austríacos. A Espanha e as colônias além-mar foram para um ramo dos Bourbon franceses, para permanecerem separadas do trono francês.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

A Guerra de Sucessão da Áustria

A Guerra de Sucessão da Áustria (1740-1748) foi um conflito europeu causado pela Pragmática Sanção, segundo a qual o imperador Carlos VI legou o Sacro Império Romano à filha, Maria Teresa da Áustria. Do ponto de vista militar, destacaram-se as campanhas de Frederico II, o Grande e Maurício de Saxe. O fim definitivo da guerra foi selado pelo Tratado de Aquisgrão.

A guerra, desencadeada após a morte do imperador Carlos VI (1740), foi motivada pela ambição da Prússia, da Baviera e da Espanha. Frederico II apoderou-se da Silésia (1740-1741), ao mesmo tempo em que os franco-bávaros ocupavam a Boémia e a Alta Áustria. A Áustria, que garantira a aliança inglesa, cedeu a Silésia à Prússia (1742), concedendo, em seguida, a paz à Baviera, depois de a derrotar (1745). A França invadiu Flandres, garantindo o domínio dos Países Baixos pela vitória de Fontenoy, embora não tivesse conseguido conservar qualquer de suas conquistas no tratado de paz de Aquisgrão, que pôs fim ao conflito.

Frederico II e a Conquista da Silésia

O imperador Habsburgo da Áustria, Carlos VI, não teve filhos e, infelizmente, cada um dos seus territórios possuía suas próprias leis sobre herança para tratar disso. Em alguns, não havia problema em passar o domínio para, digamos uma filha ou um cunhado. Outros proibiam que os direitos fossem transmitidos para mulheres; preferiam passar a herança para tios ou primos. O imperador, no entanto, queria que tudo fosse para a sua filha mais velha, Maria Theresa, e empenhou-se em converter todas as potências europeias a assinarem um cordo (a Sansão Pragmática), dizendo que concordariam e não criariam confusão. Parecia não haver problema.

No entanto, o jovem rei da Prússia, Frederico II (que logo seria Frederico, o Grande), procurava uma desculpa para sair fazendo conquistas gloriosas por toda a Europa. Depois que o imperador Carlos morreu, Frederico desencadeou um acordo medieval entre príncipes mortos, que dava a província austríaca da Silésia para a Prússia antes de entregá-la a qualquer mulher.

Ninguém na Europa considerou convincente o argumento, e a invasão da Silésia (hoje na Polônia Ocidental) foi repudiada como uma aventura tola, fadada a cair frente à maior potência da Europa central. No primeiro conflito, em Mollwitz, os austríacos facilmente expulsaram a cavalaria prussiana, com Frederico no meio, e então se voltaram contra a isolada infantaria prussiana; no entanto, a disciplina e o treinamento dos prussianos surpreenderam a todos, e a sua infantaria se manteve firme liquidando a cavalaria atacante. Depois um contra-ataque prussiano esmagou também a infantaria austríaca. Maria Theresa foi obrigada a aceitar a perda da Silésia. 

A Europa Entra em Guerra 

Com a Áustria derrotada, a França percebeu que tinha a oportunidade perfeita para espezinhar o inimigo abatido e, então, declarou guerra. A Bavária e a Saxônia - que ansiavam quebrar a hegemonia austríaca na Alemanha - aderiram também. Entrementes, a Grã-Bretanha já estava em guerra com a França no auto-mar e além-mar; como o império britânico era, por dinastia, ligado ao Estado alemão de Hanover, auxiliou os austríacos.

A guerra ferveu por todos os habituais campos de batalha e caminhos da Europa central, mas cada um dos aliados tinha objetivos diferentes, de modo que não conseguiam coordenar bem suas estratégias. No fim, os austríacos conseguiram deter os abutres e restringir suas perdas apenas à Silésia.