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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Alexandre, o Grande

Alexandre III da Macedônia, dito o Grande ou Magno ( 20 de julho de 356 a.C. — Babilônia, 10 de junho de 323 a.C. ) foi um príncipe e rei da Macedônia, e um dos três filhos do rei Filipe II e de Olímpia do Épiro – uma fiel mística e ardente do deus grego Dionísio.

Alexandre foi o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em sua juventude, teve como preceptor o filósofo Aristóteles. Tornou-se o rei aos vinte anos, na sequência do assassinato do seu pai.

Vida

A sua carreira é sobejamente conhecida: conquistou um império que ia dos Bálcãs à Índia, incluindo também o Egito e a Báctria (aproximadamente o atual Afeganistão). Este império era o maior e mais rico que já tinha existido. Existem várias razões para esses grandes êxitos militares, um deles é que Alexandre era um general de extraordinária habilidade e sagacidade, talvez o melhor de todos os tempos, pois ele nunca perdeu nenhuma batalha e a expansão territorial que ele proporcionou é uma das maiores da história, a maior expansão territorial em um período bem curto de tempo. Além disso era um homem de muita coragem pessoal e de reconhecida sorte.

Ele herdou um reino que fora organizado com punho de ferro pelo pai, que tivera de lutar contra uma nobreza turbulenta que frequentemente reclamava por mais privilégios, as ligas lideradas por Atenas, e Tebas (a batalha de Queroneia representa o fim da democracia ateniense e por arrastamento das outras cidades gregas e de uma certa concepção de liberdade), revolucionando a arte da guerra.

A sua personalidade é considerada de formas diferentes segundo a percepção de quem o examina: por um lado, homem de visão, extremamente inteligente, tentando criar uma síntese entre o oriente e ocidente (encorajou o casamento entre oficiais seus e mulheres persas, além de utilizar persas ao seu serviço), respeitador dos derrotados (acolheu bem a família de Dario III e permitiu às cidades dominadas a manutenção de governantes, religião, língua e costumes) e admirador das ciências e das artes (fundou, entre algumas dezenas de cidades homónimas, Alexandria, que viria a se tornar o maior centro cultural, científico e econômico da Antiguidade por mais de trezentos anos, até ser substituída por Roma); por outro lado, profundamente instável e sanguinário (as destruições das cidades de Tebas e Persepólis, os assassinatos de Clito e de Parménio, dois de seus melhores generais, a sua ligação com um eunuco), limitando-se a usar o pessoal de valor que tinha à sua volta em proveito próprio.

De qualquer modo, fez o que pôde para expandir o helenismo: criou cidades com o seu nome com os seus veteranos feridos por todo o território e deu nome para cidade homenageando seu inseparável e famoso cavalo Bucéfalo. Abafou uma rebelião de cidades gregas sob o domínio macedônio e preparou-se para conquistar a Pérsia.

Em 334 a.C. empreendeu sua primeira campanha contra os persas na Batalha de Grânico que deu-lhe o controle da Ásia Menor (atual Turquia). No ano seguinte, derrotou o rei Dario III na Batalha de Isso. Mais um ano depois, conquistou o Egito e Tiro, em 331 a.C. Completou a conquista da Pérsia na Batalha de Gaugamela, onde derrotou definitivamente Dario III, o que lhe conferiu o estatuto de Imperador Persa.

A tendência de fusão da cultura dos macedônios com a grega provocou nestes temor quanto a um excessivo afastamento dos ideais helênicos por parte de seu monarca. Todavia, nada impediu Alexandre de continuar seu projeto imperialista em direção ao oriente. Durante cerca de dois anos Alexandre manteve-se ocupado em várias campanhas de curta duração para a consolidação do seu império. Mas, em 327 a.C., conduzindo as suas tropas por cima das montanhas Hindu Kush para o vale do rio Indo, para conquistar a Índia, país mítico para os gregos, foi forçado a regressar à Babilônia devido ao cansaço das suas tropas, e instalaria aí a capital do seu império. Deixou atrás de si novas colônias, como Niceia e Bucéfala, esta erigida em memória de seu cavalo, às margens do rio Hidaspes.

Ele tinha a intenção de fazer ainda mais conquistas. Sabe-se que planejava invadir a Arábia e, provavelmente, as regiões ao norte do Império Persa. Poderia também ter planejado outra invasão da Índia ou a conquista de Roma, Cartago e do Mediterrâneo ocidental.

Infelizmente nenhuma das fontes contemporâneas sobreviveu (Calístenes e Ptolomeu), nem sequer das gerações posteriores: apenas possuímos textos do século I que usaram fontes que copiaram os textos originais, de modo que muitos dos pormenores da sua vida são bastante discutíveis.

Alexandre morreu depois de doze anos de constante campanha militar, sem completar os trinta e três anos, possivelmente como resultado de malária, envenenamento, febre tifóide, encefalite virótica ou em consequência de alcoolismo. 

O legado de Alexandre 

Com a sua morte, os seus generais repartiram o seu império e a sua família acabou por ser exterminada. Os Epígonos iriam gastar gerações seguidas em conflitos. Apenas Seleuco esteve prestes a reunificar o império (faltando o Egito) por um curto espaço de tempo. Os seus sucessores fizeram o que puderam para manter o helenismo vivo: gregos e macedônios foram encorajados a emigrar para as novas cidades. Alexandria no Egito teve um destino brilhante devido aos cuidados dos ptolomaicos (o Egito, apesar da sua monumentalidade, nunca possuíra grandes metrópoles): tornou-se um porto internacional, um centro financeiro e um foco de cultura graças à biblioteca; mas outras cidades como Antioquia, Selêucia do Tigre e Éfeso também brilharam. Reinos no oriente, como os greco-bactrianos (Afeganistão) e greco-indianos, expandiram o helenismo geograficamente mais do que Alexandre o fizera. Quando os partas (um povo indo-europeu aparentado com os citas) ocuparam a Pérsia, esses reinos subsistiram até ao século I a.C., com as ligações cortadas ao ocidente.

Alexandre tem persistido na história e mitos tanto da cultura grega como das não-gregas. Depois de sua morte (e inclusive durante sua vida) suas conquistas inspiraram uma tradição literária na que aparece como um herói legendário, na tradição de Aquiles. Também é mencionado no livro zoroástrico de Arda Viraf como "Alexandre, o Maldito", em persa Guzastag, pela conquista do Império Persa e a destruição de sua capital, Persépolis.

Roma recuperou o legado helenístico, e a miragem do império de Alexandre: Crasso e Marco António tentaram conquistar a Pérsia com péssimos resultados. Trajano morreu a meio de uma expedição, Septímio Severo teve o bom senso de desistir a meio e só Heráclito, no período bizantino, teve uma campanha vitoriosa: debalde, pois os árabes acabaram com a Pérsia Sassânida, enfraquecida pelas longas guerras com o Império Bizantino.

O ocidente medieval viu nele o perfeito cavaleiro, incluindo no grupo dos nove bravos e estabeleceu lendas e o "Romance de Alexandre". Luís XIV apreciava vestir-se como Alexandre (à maneira do século XVII obviamente) e esse epíteto seria sempre apreciado por monarcas absolutos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Qin Shi Huang Di

Qin Shi Huang Di (Novembro/Dezembro 260 a.C. - 10 de Setembro, 210 a.C.), foi rei do Estado chinês de Qin de 247 a.C. a 221 a.C., e posteriormente tornou-se o primeiro imperador de uma China unificada, de 221 a.C. a 210 a.C., reinando sob a alcunha de Primeiro Imperador.

Tendo unificado a China, ele e seu primeiro-ministro, Li Si, iniciaram uma série de reformas significativas com o intuito de fortificar e estabilizar a unidade política chinesa, ordenando projetos de construção gigantescos, como a própria Muralha da China - ainda não em suas dimensões máximas. Apesar de Qin Shi Huang ser considerado ainda hoje como um dos fundadores da China unificada, que assim permaneceria, com certas interrupções e diferenças territoriais, por mais de dois milênios, o imperador também é lembrado como um tirano autocrático.

Quando Qin Shi Huang Di Ainda era Zheng 

Em 247 a. C., com a idade de 13 anos, o príncipe Zheng foi alçado ao trono de Qin, quanto morreu o rei, seu pai. A maioria dos membros da corte esperava manipular facilmente o jovem, de modo que as conspirações brotavam por toda parte em torno dele. Sua mãe, a rainha viúva Zhao Ji, renomada por ser uma grande beldade e excelente dançarina, recebeu o controle do governo até que Zheng chegasse à maioridade. Ela compartilhava a regência com o primeiro ministro Lu Buwei, que, diziam os boatos, era o verdadeiro pai de Zheng. 

Para livrar-se de suas ligações com a rainha viúva, o primeiro-ministro “encontrou um homem chamado Lao Ai, que tinha o pênis inusitadamente grande, e empregou-o como serviçal em sua casa. Depois, quando se apresentou a ocasião, ele fez tocar uma música sugestiva e, instruindo Lao Ai para meter o pênis no centro de uma roda feita de uma madeira chamada paulownia, e o fez caminhar com aquilo, assegurando-se de que o feito chegaria aos ouvidos da rainha viúva, de modo a suscitar seu interesse. 

A rainha viúva logo se apaixonou por Lao, o que expôs o feliz casal a grandes riscos, de modo que eles imaginaram um plano para manter o romance secreto. 

Lao conseguiu ser acusado de um crime cuja punição era a castração, mas ele e a rainha subornaram o castrador para deixar intacta a poderosa genitália de Lao e, em vez disso, raspar sua barba. Agora que todos pensavam que ele era um eunuco, Lao podia aberta e legalmente agregar-se à corte da rainha. 

No fim, eles geraram dois filhos, mantidos cuidadosamente escondidos do filho dela, o rei. Sabendo do perigo que corriam, eles planejaram um golpe contra Zheng e tomaram pessoalmente o comando das tropas aquarteladas ali perto, usando documentos forjados. Infelizmente Zheng estava muito à frente deles. Quando os soldados de Lao chegaram à câmara real, o rei Zheng tinha seus homens prontos para uma emboscada. Lao escapou por pouco da tocaia e fugiu. Com a cabeça posta a prêmio por 1 milhão de moedas de cobre, porém, ele foi logo capturado e condenado à morte. A rainha viúva foi forçada a assistir, enquanto seu amante era despedaçado por carros de guerra. Seus dois filhos secretos foram amarrados, metidos em sacos e espancados até a morte. 

Havia mais a acontecer. Muitas histórias da juventude do rei Zheng o mostram sobrevivendo por pouco a complôs assassinos, ou então descobrindo espertamente essas conspirações. Um matador, o cortesão Jing Ke, foi pego quando uma adaga caiu de um mapa que ele desenrolava. Um alaudista cego, Gao Jianli, tentou golpear Zheng com o instrumento cheio de chumbo quando ele se aproximou o bastante, mas errou.

O Primeiro Imperador

Ao se tornar senhor de toda a China, Zheng inventou um título novo em folha, pelo qual é conhecido na história: Primeiro (shi) Augusto (Huang) Imperador (Di) da China (Quin)

460 Estudiosos Enterrados Vivos 

Sempre que Shi Huang Di tentava fazer mudanças, os acadêmicos reagiam e insistiam que não havia precedente; a lei proibia. Bom, a solução óbvia era remover todos esses incômodos precedentes e partir do zero. Ele ordenou que lhe trouxessem cada livro da China, e incinerou todos, com exceção de uns poucos manuais técnicos. Quando os estudiosos puseram a boca no mundo, ele enterrou 460 deles vivos, para não precisar mais ouvir suas reclamações. Muitos anos mais tarde, com Shi Huang Di havia muito desaparecido, os estudiosos se reuniram e tentaram reescrever tudo que pudessem lembrar da literatura perdida. 

Criando Muros 

O primeiro imperador necessitava proteger a fronteira norte contra as incursões de cavaleiros nômades, conhecidos como xiongnus (que já foram considerados precursores dos hunos, mas atualmente não são). Ele uniu as diversas muralhas locais que bloqueavam desfiladeiros em uma única grande muralha, dividindo o mundo conhecido em Nós e Eles. Para construir essa muralha, enviou um general para a fronteira com 300 mil soldados e 1 milhão de trabalhadores recrutados à força, a maioria dos quais teria morrido durante a construção. Um fluxo permanente de trabalhadores viajava para o norte a fim de substituir os mortos. Diz a lenda que cada pedra da muralha custou uma vida humana. 

O objetivo da grande muralha não era evitar que os xiongnus cruzassem a fronteira. Era muito fácil para eles apoiar uma escada sobre qualquer trecho desguarnecido da construção. Mas os pretensos invasores não podiam fazer seus cavalos ultrapassarem a barreira, de modo que tinham de avançar a pé, sem a vantagem militar que os tornava tão formidáveis. 

Embora Si Huang Di tenha sido o primeiro a construir uma grande muralha na China, não foi ele que construiu a Grande Muralha da China. A muralha já fora expandida, destruída, negligenciada e reconstruída tantas vezes nos 2 mil anos anteriores que a atual muralha, que se estende pelo norte da China, é mais nova, tendo meros quinhentos anos ou aproximadamente isso, e frequentemente segue um caminho diferente da muralha original. 

A Busca Pelo Segredo da Vida Eterna 

Quando deu a si mesmo o título de primeiro imperador, Shi Huang Di pretendia que todos os imperadores subsequentes continuassem a usar essa nomenclatura. Seu filho se tornaria Er Shi Huang Di (segundo imperador), seguido pelo terceiro, quarto e assim por diante. Entretanto, no fundo, Shi Huang Di realmente queria se tornar o imperador único, e fez grandes esforços procurando a imortalidade. 

O alquimista da corte disse ao imperador que o mercúrio era a chave para a vida eterna, e forneceu-lhe poções que a garantiriam para ele. Shi Huang Di também mandou o feiticeiro taoista XuFu viajar para o leste à procura do segredo da imortalidade. Acreditava-se que Oito Imortais, santos taoistas que haviam aprendido os segredos do universo, viviam na montanha Penglai, além dos mares orientais. Xu Fu recebeu uma frota de sessenta navios com 5 mil tripulantes, acompanhados de 3 mil meninos e meninas virgens, porque acreditava-se que sua pureza ajudaria na busca. Vários anos depois de ter desaparecido no horizonte, Xu Fu retornou e relatou que um grande e amedrontador monstro do mar bloqueava a passagem, de modo que Shi Huang Di enviou uma embarcação cheia de arqueiros para matar o monstro. Então Xu Fu tentou novamente, mas nunca mais chegaram notícias dele. 

Os historiadores modernos, tentando entender essa história, sugerem que Xu Fu simplesmente descobriu o Japão e lá se estabeleceu. A arqueologia mostra que a cultura chinesa começou a aparecer no Japão por volta dessa época. 

O Fracasso na Busca Pela Vida Eterna 

Quando Shi Huang Di morreou, em 210 a. C., numa viagem pelas províncias e possivelmente envenenado pelo mercúrio de seu elixir mágico, Li Si manteve a notícia em segredo durante dois meses, até poder voltar a capital e tomar algumas providências. Entre elas estava tirar do comando um general perigosamente conservador, e forçar o filho mais velho de falecido imperador a cometer suicídio. Para evitar que o império se desintegrasse no caos, Li Si fingia que o governante estava vivo, chegando à carruagem do imperador todo dia e colocando a cabeça para dentro da janela, atrás da cortina, a fim de consulta-lo. Uma carroça cheia de peixe ficava por perto a fim de disfarçar o cheiro do cadáver. 

Exércitos de Soldados Terracota 

O primeiro imperador começara a construir seu túmulo muitos anos antes, empregando 700 mil trabalhadores no projeto e levando muitos deles à morte. O complexo que encerrava a tumba media 4.800 metros de largura, e dizia-se que era protegido por armadilhas compostas por balistas. Para proteger a localização secreta, os homens que instalaram as armadilhas foram também trancados na tumba. Em 1974 as escavações revelaram um exército subterrâneo de 8 mil soldados de terracota guardando o túmulo, e isso pode ser apenas uma pequena parte dos tesouros enterrados ali. Diz-se que a tumba contém uma réplica do mundo flutuando num mar de mercúrio, e uma análise do solo, feita em 2006, sugere que uma quantidade substancial de mercúrio continua enterrada na seção inda não escavada. 

Quanta Maldade Ele Fez? 

Como acontece com muitos personagens da Antiguidade, há apenas um punhado de fontes originais, todas filtradas através de séculos de cópias, recopias, censuras, ficcionalização, moralização e sensacionalização, de modo que há grande probabilidade de que tudo que conhecemos sobre Shi Huang Di seja errado, ou ao menos mais complicado do que somos levado a crer. Quem sai por aí enterrando estudiosos vivos não se dará bem nos escritos dos acadêmicos que vieram depois.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Aníbal

Aníbal, filho de Amílcar Barca; Cartago, 248 a.C. - Bitínia, 183 ou 182 a.C., conhecido comumente apenas como Aníbal foi um general e estadista cartaginês considerado por muitos como um dos maiores táticos militares da história. Seu pai, Amílcar Barca, foi o principal comandante cartaginês durante a Primeira Guerra Púnica, travada contra Roma; seus irmãos mais novos foram os célebres Magão e Asdrúbal, e seu cunhado foi Asdrúbal, o Belo.

Sua vida decorreu no período de conflitos em que a República Romana estabeleceu supremacia na bacia mediterrânea, em detrimento de outras potências como a própria Cartago, Macedônia, Siracusa e o Império Selêucida. 

Foi um dos generais mais ativos da Segunda Guerra Púnica, quando levou a cabo uma das façanhas militares mais audazes da Antiguidade: Aníbal e seu exército, onde se incluíam elefantes de guerra, partiram da Hispânia e atravessaram os Pirenéus e os Alpes com o objetivo de conquistar o norte da península Itálica. Ali derrotou os romanos em grandes batalhas campais como a do lago Trasimeno ou a de Canas, que ainda se estuda em academias militares na atualidade. 

Apesar de seu brilhante movimento, Aníbal não chegou a capturar Roma. Existem diversas opiniões entre os historiadores, que vão desde carências materiais de Aníbal em máquinas de combate a considerações políticas que defendem que a intenção de Aníbal não era tomar Roma, senão obrigá-la a render-se. Não obstante, Aníbal conseguiu manter um exército na Itália durante mais de uma década, recebendo escassos reforços. Por causa da invasão da África por parte de Cipião, o Senado púnico lhe chamou de volta a Cartago, onde foi finalmente derrotado por Públio Cornélio Cipião Africano na Batalha de Zama.

Vitórias de Aníbal

Durante os poucos anos que se seguiram, um série de exércitos romanos tentou barrar a marcha de Aníbal, mas todos foram derrotados. Mais do que simplesmente derrotados, as forças romanas foram aniquiladas. Em Trebia, no norte da Itália, Aníbal fingiu que se retirava, o que fez os romanos saírem de uma forte posição defensiva para serem emboscados num rio raso. No lago Trasimeno, três legiões romanas foram atraídas para a estrada à margem do espelho d'água e emboscadas no nevoeiro matinal. Àquela altura os romanos já estavam alertados para os truques do inimigo e recusaram-se a enfrentá-lo em batalha durante todo um ano.

Finalmente, os romanos reuniam seu maior exército até então, oito legiões romanas mais aliados e cavalaria, 80 mil homens no total, e enfrentaram Aníbal em campo aberto, à luz plena do dia, em Cannae, no sul da Itália. Com um exército que era metade do efetivo de Roma, Aníbal fincou pé para enfrentar o inimigo. Colocou dois pesados blocos de infantaria em pequenas elevações do campo e ligou-os com uma linha flexível de infantaria ligeira no centro. Quando os romanos atacaram, os flancos cartagineses aguentaram firme, enquanto o centro era empurrado para trás. Isso criou um túnel que atraiu os romanos para o centro. A vanguarda romana empurrava os cartagineses, enquanto a retaguarda empurrava a própria vanguarda, e logo os romanos viram-se aglomerados de tal maneira que não podiam usar suas armas com eficácia. Nesse ínterim, a cavalaria de Aníbal repeliu os cavaleiros romanos e fechou a retaguarda aberta do funil, prendendo todo o exército romano em um campo mortífero apinhado de gente. Os romanos foram sistematicamente trucidados durante o resto do dia, até não restar um soldado de pé.

Legado Militar 

O historiador militar Theodore Ayrault Dodge o chamou "pai da estratégia". Foi admirado inclusive por seus inimigos — Cornélio Nepos o batizou como «o maior dos generais» —, assim sendo, seu maior inimigo, Roma, adaptou certos elementos de suas táticas militares a seu próprio arsenal estratégico. Seu legado militar o conferiu uma sólida reputação no mundo moderno, e tem sido considerado como um grande estrategista por grandes militares como Napoleão ou Arthur Wellesley, o duque de Wellington. Sua vida tem sido objeto de muitos filmes e documentários. Bernard Werber lhe rende homenagem através do personagem do «Libertador», e de um artigo em L’Encyclopédie du savoir relatif et absolu mencionada em sua obra Le Souffle des dieux.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Arquimedes

Arquimedes de Siracusa (Siracusa, 287 a.C. – 212 a.C.) foi um matemático, físico, engenheiro, inventor, eastrônomo grego. Embora poucos detalhes de sua vida sejam conhecidos, são suficientes para que seja considerado um dos principais cientistas da Antiguidade Clássica.

Entre suas contribuições à Física, estão as fundações da hidrostática e da estática, tendo descoberto a lei do empuxo e a lei da alavanca, além de muitas outras. Ele inventou ainda vários tipos de máquinas para usos militar e civil, incluindo armas de cerco, e abomba de parafuso que leva seu nome. Experimentos modernos testaram alegações de que, para defender sua cidade, Arquimedes projetou máquinas capazes de levantar navios inimigos para fora da água e colocar navios em chamas usando um conjunto de espelhos.

Arquimedes é frequentemente considerado o maior matemático da antiguidade, e um dos maiores de todos os tempos (ao lado de Newton, Euler e Gauss). Ele usou o método da exaustão para calcular a área sob o arco de uma parábola utilizando a soma de uma série infinita, e também encontrou uma aproximação bastante acurada do número π.8 Também descobriu a espiral que leva seu nome, fórmulas para os volumes de sólidos de revolução e um engenhoso sistema para expressar números muito grandes.

Durante o Cerco a Siracusa, Arquimedes foi morto por um soldado romano, mesmo após os soldados terem recebido ordens para que não o ferissem, devido à admiração que os líderes romanos tinham por ele. Anos depois, Cícero descreveu sua visita ao túmulo de Arquimedes, que era encimado por uma esfera inscrita em um cilindro. Arquimedes tinha descoberto e provado que a esfera tem exatamente dois terços do volume e da área da superfície do cilindro a ela circunscrito (incluindo as bases do último), e considerou essa como a maior de suas realizações matemáticas.

Arquimedes teve uma importância decisiva no surgimento da ciência moderna, tendo influenciado, entre outros, Galileu Galilei,Christiaan Huygens e Isaac Newton.

O Siracusia e o parafuso de Arquimedes 

Parafuso de Arquimedes
modernos..
Grande parte do trabalho de Arquimedes em engenharia surgiu para satisfazer as necessidades de sua cidade natal, Siracusa. O escritor grego Ateneu de Náucratis descreveu como o Rei Hierão II encarregou Arquimedes de projetar um grande barco, o Siracusia, que poderia ser utilizado para viagens de luxo, transporte de suprimentos, e como um navio de guerra. É dito que o Siracusia foi o maior barco construído na Antiguidade Clássica.

De acordo com Ateneu, ele era capaz de carregar 600 pessoas e nele havia jardins decorativos, um gymnasion e um templo dedicado à deusa Afrodite, dentre outras instalações. Uma vez que um navio desse tamanho deixaria passar uma quantidade considerável de água através do casco, o parafuso de Arquimedes foi supostamente inventado para remover água da sentina. A máquina de Arquimedes consistia em um parafuso giratório dentro de um cilindro. Era girada a mão, e também podia ser usada para transportar água de um corpo de água baixo até canais de irrigação. O parafuso de Arquimedes é ainda usado hoje para bombear líquidos e sólidos granulados como carvão e cereais. O parafuso de Arquimedes tal como descrito por Vitrúvio nos tempos romanos pode ter sido uma melhoria em uma bomba de parafuso que foi usada para irrigar os Jardins Suspensos da Babilônia.

A garra de Arquimedes

A garra de Arquimedes é uma arma supostamente projetada por Arquimedes a fim de defender a cidade de Siracusa. Também conhecida como "sacudidora de navios", a garra consistia em um braço de guindaste a partir do qual pendia um grande gancho de metal. Quando a garra caia sobre um navio inimigo, o braço era usado para balançar e levantar o navio para fora da água. Experimentos modernos foram realizados para testar a viabilidade da garra, e em 2005 um documentário de televisão intitulado Super-armas do Mundo Antigo (Superweapons of the Ancient World) construiu uma versão da garra e concluiu que era um dispositivo viável.

Morte

Estátua de Bronze de Arquimedes
em Berlim.
Arquimedes morreu em circa. 212 a.C. durante a Segunda Guerra Púnica, quando forças romanas sob o comando do General Marco Cláudio Marcelo capturaram a cidade de Siracusa após um cerco de dois anos. Existem diversas versões sobre sua morte. De acordo com o relato dado por Plutarco, Arquimedes estava contemplando um diagrama matemático quando a cidade foi capturada. 

Um soldado romano ordenou que ele fosse conhecer General Marcelo, mas ele se recusou, dizendo que ele tinha que terminar de trabalhar no problema. O soldado ficou furioso com isso, e matou Arquimedes com sua espada. Plutarco também oferece um relato menos conhecido da morte de Arquimedes, que sugere que ele pode ter sido morto enquanto tentava se render a um soldado romano. De acordo com essa história, Arquimedes estava carregando instrumentos matemáticos, e foi morto porque o soldado pensou que fossem itens valiosos. O General Marcelo teria ficado irritado com a morte de Arquimedes, visto que o considerava uma posse científica valiosa, e tinha ordenado que ele não fosse ferido.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Espártaco

Espártaco, Museu do Louvre.
Espártaco nasceu na Trácia (atual Bulgária) e serviu no exército romano até desertar e virar bandido. Depois de ser capturado, foi vendido para a escola de gladiadores em Cápua. Ali foi submetido ao costumeiro treinamento brutal, até que junto com cerca de setenta colegas gladiadores, escapou para o interior do país.

Seu bando cresceu rapidamente, chegando a mil escravos fugidos, e derrotou a primeira legião romana enviada para puni-los. Depois eles acamparam na fortaleza natural formada pela cratera do Vesúvio, o vulcão adormecido. Quando uma nova legão romana encurralou Espártaco no seu refúgio, os rebeldes escaparam descendo por um penhasco íngreme com cordas feitas de cipós. Então Espártaco deslocou-se furtivamente e atacou os sitiantes, que imprudentemente haviam acampado num desfiladeiro estreito. Sem tempo ou espaço para distribuir suas tropas de modo adequado, foram terrivelmente massacrados por Espártaco e seu exército.

Já convencido da gravidade da rebelião, o Senado romano enviou quatro legiões para esmagar os rebeldes. Espártaco marchou para o norte, na esperança de fugir da Itália pelos Alpes, onde seus seguidores se dividiram e coltariam para casa separadamente; entretanto, seu exército preferia ficar e saquear a Itália, de modo que Espártaco voltou novamente pela península, e derrotando todos os contingentes romanos enviados contra ele. Com cada vitória Espártaco reunia mais armas para seus seguidores, que já somavam dezenas de milhares.

Por fim Espártaco chegou à ponta mais meridional da Itália, onde planejava cruzar o estreito para a Sicília, e libertar a ilha do domínio romano. Ele negociara com piratas o transporte de seu exército em troca da permissão para eles usarem os portos sicilianos, mas no último minuto os piratas renegam o acordo, e os gladiadores ficaram perdidos no continente. Nesse ínterim, o esforço de guerra caiu sob o comando de Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma, que financiou um novo exército. Crasso construiu na ponta da bota italiana uma enorme muralha, que seus 32 mil soldados ocuparam, para mantes os 100 mil rebeldes o sul e fazê-los morrer de fome no inverno.

Espártaco crucificou um prisioneiro romano escolhido aleatoriamente diante de seus homens, para lembrá-los do horrível destino que os esperava se perdessem, e então eles tentaram romper a muralha. Não conseguiram. Tentaram de novo, mas apenas um terço dos rebeldes escapou com seu chefe. O restante foi deixado ali, para ser vagarosamente trucidado pelos romanos quando eles quisessem.

Já com suas forças seriamente enfraquecidas, Espártaco foi sendo acossado por todo o sul da Itália, enquanto seu exército se reduzia gradualmente. Um segundo general romano, Pompeu, chegou para roubar a glória de seu inimigo político, Crasso. Indo para sua última batalha com pouca esperança de sucesso, Espártaco cortou a garganta de seu cavalo, declarando que se perdesse não necessitaria de uma montaria, e que se ganhasse escolheria o melhor cavalo de Roma.

O exército do gladiador travou a última batalha e foi varrido do terreno por Crasso, mas Pompeu levou todo o crédito por colocar-se no caminho da retirada dos rebeldes e massacrá-los quando fugiam. 

Seis mil prisioneiros foram pregados em cruzes ao longo da via Ápia, a estrada que ligava Roma ao sul da Itália, para que morressem vagarosamente, com os corpos apodrecendo, até só restarem ossos espalhados, como um aviso para outros escravos descontentes. Espártaco provavelmente não estava entre eles. Nunca mais se ouviu falar dele mas seu corpo provavelmente estava entre as dezenas de milhares empilhadas no campo de batalha.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Átila

Átila, o Huno (406 – 453), também conhecido como Praga de Deus ou Flagelo de Deus, foi o último e mais poderoso rei dos hunos. Governou o maior império europeu de seu tempo desde 434 até sua morte. Suas possessões se estendiam da Europa Central até o mar Negro, e desde o Danúbio até o Báltico. Durante seu reinado foi um dos maiores inimigos dos impérios romanos Oriental e Ocidental: invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla na segunda ocasião. Marchou através da França até chegar a Orleães, antes que o obrigassem a retroceder na batalha dos Campos Cataláunicos (Châlons-sur-Marne) e, em 452, conseguiu fazer o imperador Valentiniano III fugir de sua capital, Ravena.

Átila morreu em 453, bêbado, na cama, na noite de seu casamento, depois de um violento sangramento pelo nariz

Ainda que seu império tenha morrido com ele e não tenha deixado nenhuma herança notável, tornou-se uma figura lendária da história da Europa. Em grande parte da Europa Ocidental é lembrado como o paradigma da crueldade e da rapina. Alguns historiadores, por outro lado, retrataram-no como um rei grande e nobre, e três sagas escandinavas o incluem entre seus personagens principais.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Julio Cesar

Caio Julio César (13 de julho, 100 a.C. – 15 de março de 44 a.C.), foi um patrício, líder militar e político romano. Desempenhou um papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano. 

As suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico: um feito de consequências dramáticas na história da Europa. No fim da vida, lutou numa guerra civil com a facção conservadora do senado romano, cujo líder era Pompeu. Depois da derrota dos optimates, tornou-se ditador (no conceito romano do termo) vitalício e iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em Roma. 

A guerra não apenas cobrira César de glória e riquezas, mas também o deixara com um exército veterano de tamanho sem rival, inteiramente subordinado a seu favor pela distribuição dos saques efetuados na Gália. Embora ninguém em Roma pudesse evitar que ele se tornasse ditador, ainda decorreriam alguns anos de guerra civil antes que todos os que duvidavam fossem convencidos. Entretanto, exatamente quando se estabeleceu na cidade para gozar dos frutos de sua vitória, César foi assassinado. Seus imediatos no comando lutaram entre si durante mais alguns anos, mas por fim o último desses que restaram, seu sobrinho otaviano, herdou o manto do poder sob o título de Augusto, e Roma tornou-se um verdadeiro império. 

Assassinato

Nos idos de março (15 de março no Calendário romano) de 44 a.C., César foi comparecer a uma sessão do Senado. Marco Antônio, tendo ouvido falar sobre o complô de um libertador assustado chamado Servilius Casca, e temendo o pior, foi avisar César. Os conspiradores, contudo, anteciparam isso, e enviaram Trebônio para intercepta-lo enquanto ele se aproximava do Teatro de Pompeu, onde a sessão aconteceria, para para-lo. Ao ver a agitação no senado (no momento do assassinato), Antônio fugiu.

Um grupo de senadores
cercam Júlio César, em uma pintura feita por
Karl von Piloty.
De acordo com Plutarco, quando César chegou, o senador Tílio Cimber lhe apresentou uma petição para revogar o exílio imposto ao seu irmão. Os outros conspiradores se aproximaram sob o pretexto de oferecer apoio e cercaram César. Segundo Plutarco e Suetônio, César dispensou o pedido mas Cimber o agarrou pelo ombro e puxou ele pela túnica. César então berrou para Cimber: "Por que, isso é violência!" ("Ista quidem vis est!"). Ao mesmo tempo, Casca pegou sua adaga e partiu para o pescoço de César. Este, contudo, se virou rapidamente e pegou Casca pelo braço. De acordo com Plutarco, César teria dito, em latim, "Casca, seu vilão, o que você está fazendo?" Casca, assustado, gritou em grego "Ajuda, irmão!". Poucos momentos depois, todos do grupo, incluindo Bruto, atacaram o ditador. César tentou se afastar mas, cego pelo sangue que escorria da cabeça, tropeçou e caiu. Mesmo no chão, no pórtico, ele continuou a ser esfaqueado. De acordo com Eutrópio, cerca de 60 homens participaram do assassinato. César teria sido esfaqueado 23 vezes.

O historiador Suetônio afirmou que um médico que examinou o corpo teria dito que apenas um ferimento, o infligido no peito, teria sido letal. Não se sabe quais foram as últimas palavras de César e isso ainda é assunto de debate entre historiadores e acadêmicos até os dias atuais. Suetônio disse que pessoas da época afirmaram que as últimas palavras de César, proferidas em grego, foram "Até você, criança?". Contudo, até Suetônio tem dúvidas e ele crê que César disse nada.

Plutarco também afirma que César não pronunciou algo antes de morrer, mas puxou sua toga sobre a cabeça quando ele viu Bruto entre os conspiradores. A versão mais famosa sobre o que Júlio César teria dito antes da morte é a célebre frase em latim "Et tu, Brute?" ("E você, Bruto?", comumente referida como "Até tu, Bruto?"); esta fala na verdade vem da peça Julius Caesar, pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. Esta frase não tem qualquer base histórica e o uso do latim por Shakespeare aqui vai de encontro a maioria das versões, que afirmam que César teria pronunciado palavras em grego. Mas de fato, a frase Et tu, Brute? já era popular antes mesmo da peça.

De acordo com Plutarco, após o assassinato, Bruto deu um passo adiante como se ele fosse falar algo para os colegas senadores. Eles, contudo, fugiram as pressas do prédio. Brutos e seus companheiros próximos foram então pelas ruas gritando pela cidade: "Povo de Roma, nós somos novamente livres!" Contudo, com a história do que havia ocorrido se espalhando rapidamente, a maioria da população resolveu se trancar dentro de casa. O corpo de César permaneceu no chão do senado por mais três horas antes que fosse removido.

O cadáver de César foi posteriormente cremado. No local onde a pira funerária ocorreu, foi erguido o Templo de César alguns anos mais tarde (a leste da praça principal do Fórum romano). Apenas o altar do templo está preservado até os dias atuais. Uma estátua de cera foi mais tarde erguida no Fórum, exibindo as 23 feridas. Ao contrário do que os conspiradores acreditavam, a morte de César não ressuscitou a República Romana, com a nação se tornando um Império menos de duas décadas depois. Muitos dos conspiradores morreriam nos eventos posteriores, incluindo Bruto e Cássio. Assim, o legado político de César perduraria.

Eventos Após Sua Morte

A série de eventos que aconteceu após a morte de César pegou os seus assassinos de surpresa. A morte do ditador não reergueu a República. Pelo contrário, ela acabaria sedimentando o caminho para a transição para o Império. As classes média e baixa da sociedade romana, com o qual César era tremendamente popular, ficaram enfurecida pelo fato de que um pequeno grupo de aristocratas mataram o seu amado líder. Marco Antônio, que na verdade vinha se afastando de César, capitalizou na dor da plebe e ameaçou soltá-las em cima dos Optimates, talvez com o intuito de tentar tomar o poder total em Roma para si. Porém, para seu espanto, César havia nomeado um sucessor em testamento, seu sobrinho-neto Otaviano, dando a ele o posto de chefe da família (herdeiro do nome de César) e além disso lhe dava acesso a sua gigantesca fortuna.

Após sua morte, Antônio foi um dos que tentaram se aproveitar do legado político de César e tentou usa-lo, sem sucesso, para conseguir o poder máximo em Roma.

Durante o funeral de César, as coisas literalmente esquentaram. Na enorme pira funerária feita para ele, o povo compareceu em massa, jogando madeira no fogo, móveis e até roupas para alimentar as chamas. O fogo acabou ficando muito alto, danificando o fórum e causando danos. A multidão então atacou as casas de Bruto e Cássio, que são obrigados a fugir para a Macedônia. Os aristocratas acusaram Antônio de jogar o povo contra eles, levando a uma nova ruptura na liderança política romana, o que precipitaria em uma nova guerra civil. Contudo, os rumos deste conflito não terminaria bem para nenhum desses dois, com a figura do sobrinho-neto e herdeiro vindo a proeminência. Otaviano, que tinha apenas 18 anos quando César morreu, mostrou-se um político habilidoso, e enquanto Antônio se preparava para enfrentar Décimo Bruto na primeira fase da guerra civil, ele igualmente se preparava para sua ascensão na vida pública.

Bruto e Cássio, líderes da facção aristocrática anti-César, estavam reunindo um exército na Grécia para recuperar o poder em Roma. Para combate-los, Antônio precisa de sua própria tropa, além de dinheiro e de legitimidade, algo que ele pretendia conquistar no legado de César. Com inimigos em comum, Antônio e Otaviano, junto com o comandante Lépido, se aliam, confrontam os assassinos de César e seus simpatizantes no senado e se saem vitoriosos. 

Em 27 de novembro de 43 a.C., é formalizada a lex Titia que cria o Segundo Triunvirato ("Governo de Três"). Então eles oficialmente deificaram César como Divus Iulius, em 42 a.C., o que fez de César Otaviano o Divi filius ("Filho de um deus").

Já que a clemência de César para perdoar ex inimigos acabou custando sua vida, o Segundo Triunvirato traz de volta a proscrição, abandonada no governo de Sula. Isso levou a uma série de assassinatos políticos para assim poderem pagar por suas legiões e vencer a guerra contra Bruto e Cássio. Em seguida, Otaviano, Antônio e Lépido se tornam os governantes de Roma, sem qualquer rival.

domingo, 25 de novembro de 2012

Nero (Enteado de Cláudio)

Nero Cláudio César Augusto Germânico (15 de dezembro de 37 d.C), foi um imperador romano que governou de 13 de outubro de 54 até a sua morte, a 9 de junho de 68. Ascendeu ao trono após a morte do seu tio Cláudio, que o nomeara o seu sucessor.

Durante o seu governo, focou-se principalmente na diplomacia e no comércio, e tentou aumentar o capital cultural do império. Ordenou a construção de diversos teatros e promoveu os jogos e provas atléticas. Diplomática e militarmente, o seu reinado caracterizou-se pelo sucesso contra o Império Parta, a repressão da revolta dos britânicos (60–61) e uma melhora das relações com Grécia. Em 68 ocorreu um golpe de estado de vários governadores, após o qual, aparentemente, foi forçado a suicidar-se. 

O reinado de Nero é associado habitualmente à tirania e à extravagância. É recordado por uma série de execuções sistemáticas, incluindo a da sua própria mãe e o seu meio-irmão Britânico, e sobretudo pela crença generalizada de que, enquanto Roma ardia, ele estaria compondo com a sua lira, além de ser um implacável perseguidor dos cristãos.

Revolta na Judeia

Em 66 estourou uma revolta na Judeia derivada da crescente tensão religiosa entre gregos e judeus. Em 67, Nero enviou Vespasiano a sufocar a rebelião, coisa que fez satisfatoriamente em 70, dois anos depois da morte do próprio Nero. Durante o conflito, os romanos destruíram a cidade de Jerusalém e destroçaram o seu Templo.

O Grande Incêndio de Roma

Durante a noite de 31 de julho de 64, ocorreu em Roma um incêndio que devastou a cidade. O fogo começou a sudeste do Circo Máximo, onde se localizavam uns postos que vendiam produtos inflamáveis.

Segundo Tácito, o fogo estendeu-se depressa e durou cinco dias. Foram destruídos por completo quatro dos quatorze distritos da cidade e outros sete ficaram muito danificados. O único historiador que viveu durante essa época e que descreveu o incêndio foi Plínio o Velho, enquanto os demais historiadores da época Flávio Josefo, Dião Crisóstomo, Plutarco e Epiteto, não mencionem o acontecimento nas suas obras.

Não está claro qual foi a causa do incêndio, quer um acidente, quer premeditado. Suetônio e Dião Cássio defendem a teoria de que foi o próprio Nero que o causou com o objetivo de reconstruir a cidade ao seu gosto. Tácito menciona que os cristãos foram declarados culpáveis do delito, embora não se saiba se esta confissão teria sido induzida sob tortura. Contudo, os incêndios acidentais foram comuns na Roma Antiga. Sob os reinados de Vitélio (69) e de Tito Flávio Sabino Vespasiano (80), estouraram outros dois mais.

Segundo Suetônio e Dião Cássio, enquanto Roma ardia, Nero estava cantando o Iliupersis. Contudo, segundo Tácito, Nero estava em Anzio durante o incêndio e, ao ter notícias do mesmo, viajou depressa para Roma para se encarregar do desastre, utilizando o seu próprio tesouro para entregar ajuda material. Após a catástrofe, abriu as portas do seu palácio às pessoas que perderam o seu lar e abriu um fundo para pagar alimentos que seriam entregues entre os sobreviventes. A partir do incêndio, Nero desenvolveu um novo plano urbanístico dentro do qual projetou a construção de um novo palácio, conhecido como a Domus Aurea, em uns terrenos que o fogo despejara. Para conseguir os fundos necessários para a construção do suntuoso complexo, Nero aumentou os impostos das províncias imperiais.

Tácito relata que, depois do incêndio, a população buscou um bode expiatório e começaram a circular rumores de que Nero era o responsável. Para afastar as culpas, Nero acusou os cristãos e ordenou que alguns fossem jogados aos cães, enquanto outros fossem queimados vivos e crucificados.

Morte

No fim de 67 ou princípios de 68, Caio Júlio Víndice, governador da Gállia Lugdunensis, rebelou-se contra a política fiscal de Nero. O imperador enviou Lúcio Vergínio Rufo, governador da Germânia Superior, a sufocar a revolta e Víndex, com o objetivo de solicitar aliados, pediu apoio a Galba, governador da Hispânia Tarraconense. Vergínio Rufo, porém, derrotou Víndice e este suicidou-se, enquanto Galba, pela sua vez, acabou sendo declarado inimigo público.

Nero recuperara o controle militar do império, mas isto foi utilizado na sua contra pelos seus inimigos em Roma. Em junho de 68, o senado votou que Galba fosse proclamado como imperador e declarou Nero inimigo público. utilizando para isso a Guarda Pretoriana, que fora subornada, e ao seu prefeito Ninfídio Sabino, que ambicionava tornar-se imperador.

Segundo Suetônio, Nero fugiu de Roma através da Via Salária. Contudo, apesar de ter fugido, Nero preparou-se para se suicidar com ajuda do seu secretário Epafrodito, que o apunhalou quando um soldado romano se aproximava. Segundo Dião Cássio, as últimas palavras de Nero demonstraram o seu amor pelas artes. "Que artista falece comigo!" 

Com a sua morte desapareceu a dinastia júlio-claudiana e o império submergiu-se numa série de guerras civis conhecidas como o ano dos quatro imperadores.

Os Quatro Imperadores

Na história romana, o ano dos quatro imperadores refere-se ao período aproximado de um ano, entre 68 d.C. e 69 d.C. no qual quatro homens sucederam-se como imperadores romanos.

Em 68 d.C., após o suicídio do imperador Nero, seguiu-se um breve período de guerra civil (a primeira guerra civil romana desde a morte de Marco António em 31 a.C.). Entre junho de 68 d.C. e dezembro de 69 d.C., Roma testemunhou a ascensão e queda de Galba, Otão e Vitélio e a ascensão final de Vespasiano, fundador da dinastia flaviana.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Tito

Tito Flávio Vespasiano Augusto (Roma, 30 de dezembro de 39 — Aquae Cutiliae, Sabina, 13 de setembro de 81) foi imperador romano entre os anos de 79 e 81. Foi o filho mais velho e sucessor de Vespasiano.

Antes de ser proclamado imperador, alcançou renome como comandante militar ao servir sob as ordens do seu pai na Judeia, durante o conflito conhecido como a primeira guerra judaico-romana (67 — 70). Esta campanha sofreu uma breve pausa após a morte do imperador Nero (9 de junho de 68), quando Vespasiano foi proclamado imperador pelas suas tropas (21 de dezembro de 69). Neste ponto, Vespasiano iniciou a sua participação no conflito civil que assolou o império durante o ano da sua nomeação como imperador, conhecido como o ano dos quatro imperadores. Após essa nomeação, recaiu sobre Tito a responsabilidade de acabar com os judeus sediciosos, tarefa realizada satisfatoriamente após sitiar e destruir Jerusalém (70), cujo templo foi demolido no incêndio. A sua vitória foi recompensada com um triunfo e comemorada com a construção do Arco de Tito. Seu pai o associou, a partir de 71, ao poder tribunício.

O Arco de Tito,
situado na Via Sacra,
a sudeste do Fórum Romano,
em Roma.
Sob o reinado do seu pai, Tito coletou receios entre os cidadãos de Roma devido ao seu serviço como prefeito do corpo de guarda-costas do imperador, conhecido como a guarda pretoriana, bem como devido à sua intolerável relação com a rainha Berenice de Cilícia. Apesar destas faltas à moral romana, Tito governou com grande popularidade após a morte de Vespasiano a 23 de junho de 79 d.C. e é considerado como um bom imperador por Suetônio e outros historiadores contemporâneos.

O mais importante do seu reinado foi o seu programa de construção de edifícios públicos em Roma. A enorme popularidade de Tito também foi devida à sua grande generosidade com as vítimas dos desastres que sofreu o império durante o seu breve reinado: a erupção do Vesúvio em 79 d.C. e o incêndio de Roma de 80 d.C. Após dois anos no cargo, Tito faleceu sofrendo de febre, a 13 de setembro de 81 d.C. A grande popularidade de Tito fez com que o senado o deificasse.

Prometia ser um imperador à altura do seu pai, mas o seu breve reinado foi marcado por catástrofes. Em 24 de agosto de 79, o vulcão Vesúvio destruiu as cidades de Pompeia e Herculano e, em 80, Roma foi de novo consumida por um incêndio.

Estabeleceu um governo indulgente, respeitando os privilégios do senado e realizando grandes obras públicas. Uma das ações mais importantes como imperador foi inaugurar, em 80 d.C., a obra que seu pai, Vespasiano, iniciara, o anfiteatro Flávio, conhecido habitualmente como Coliseu), embora este ainda estivesse incompleto.

Tito foi sucedido pelo seu irmão menor, Domiciano.

Campanha da Judeia

Em 66 d.C., os judeus da província de Judeia rebelaram-se contra o Império Romano. Céstio Galo, o governador da província da Síria, foi derrotado na batalha de Beth-Horon e forçado a se retirar de Jerusalém. O rei pró-romano Herodes Agripa II e a sua irmã Berenice fugiram para a Galileia. Nero designou a Vespasiano para esmagar a rebelião, este marchou imediatamente à região com a V e X legiões. Vespasiano uniu-se a Tito e à XV legião em Acre. Com uma força de 60.000 soldados profissionais, os romanos dispuseram-se a varrer a rebelião através de Galileia e marchar sobre Jerusalém.

A guerra foi coberta pelo historiador judeu-romano Flávio Josefo na sua obra "A Guerra dos Judeus". Josefo serviu como comandante na defesa da cidade de Jotapata quando o exército romano invadiu a Galileia em 67 d.C. Após um duro sítio de 47 dias, a cidade caiu, deixando cerca de 40 000 prisioneiros, que foram assassinados, enquanto o restante dos resistentes se suicidaram. O próprio Josefo rendeu-se a Vespasiano, que o liberou ao observar a sua inteligência. Durante 68 d.C. toda a costa e o norte da Judeia caíram sob o controle romano. Esta expedição serviu para que Tito se distinguisse como um general competente.

Ano dos quatro imperadores

A última e importante fortaleza que resistia era a cidade judaica de Jerusalém. Contudo, a campanha sofreu uma pausa quando chegaram notícias de Roma da morte do imperador Nero e da nomeação de Galba pelo senado como sucessor. Vespasiano decidiu enviar Tito a apresentar os seus respeitos ao novo imperador. Contudo, quando Tito se aproximava à cidade, recebeu notícias da morte de Galba e da nomeação de Otão como sucessor, além da marcha para Roma desde a Germânia de Vitélio. Não querendo arriscar-se a ser capturado por nenhum dos dois bandos, Tito cancelou a viagem e voltou a unir-se ao seu pai na Judeia.

Enquanto isso, Otão fora derrotado na batalha de Bedriacum e suicidara-se tão nobremente que emocionara Roma. Quando chegaram notícias aos exércitos das províncias de Judeia e Egito, estes decidiram nomear Vespasiano como imperador a a 1 de julho de 69 d.C. Vespasiano aceitou, e mediante intensas negociações levadas por Tito, uniu-se ao governador da Síria, Caio Licínio Muciano, formando uma força muito importante no Oriente. Esta força mudou-se para Roma liderada por Muciano, enquanto Vespasiano marchou para Alexandria, ficando Tito ao comando para que acabasse com a rebelião. No fim de 69 d.C. as tropas de Vitélio foram derrotadas e o Senado declarou Vespasiano como imperador a 21 de dezembro, finalizando desse modo o Ano dos quatro imperadores.

Destruição de Jerusalém

Destruição do Templo de Jerusalém,
Francesco Hayez (1867).
Enquanto isso, os judeus encontravam-se num conflito civil entre eles, dividindo a resistência entre os sicários, liderados por Simão bar Kokhba e os fanáticos conduzidos por João de Giscala. Tito aproveitou então a oportunidade de começar o assalto sobre Jerusalém. Ao exército romano uniu-se a XII Legião, que fora derrotada sob o comando de Céstio Galo. Desde Alexandria, Vespasiano enviou Tibério Júlio Alexandre para que agisse como segundo de Tito. Tito rodeou a cidade no comando de três legiões (V, XII e XV) sobre o lado oeste e enviou a X legião sobre o Monte das Oliveiras, a leste. Tito cortou os alimentos e a água à cidade, depois permitiu a entrada de alguns judeus para celebrar a Páscoa negando depois a saída. O exército romano era acossado continuamente pelos judeus e numa ocasião estes quase capturaram Tito.

Após as tentativas de Josefo de negociar uma rendição, os romanos retomaram as hostilidades e rapidamente destroçaram as primeiras fases da muralha. Para intimidar a resistência, Tito crucificou os desertores judeus em torno das muralhas. Neste ponto, os judeus estavam a ponto de se renderem por causa da fome e os romanos aproveitaram a debilidade para irromper na cidade após quebrar a última fase da muralha. Os romanos penetraram na cidade, capturaram a Fortaleza Antônia e iniciaram um assalto frontal sobre o Templo. Segundo Josefo, Tito ordenara que o Templo não fosse destruído, porém, durante a batalha pela cidade, um soldado lançou uma tocha para o interior do Templo e este ardeu depressa. O cronista Sulpício Severo, no entanto, afirma que Tito ordenou a destruição do Templo. Fosse o que for, o Templo foi totalmente destruído e a cidade saqueada, após o qual os soldados proclamaram-no Imperador no campo de batalha. 

Ps.: O candelabro de ouro de um metro e meio de altura, com sete braços, que adornava o templo, foi levado para Roma e exibido triunfalmente numa parada para a população.

Imperador

Vespasiano faleceu em 23 de junho de 79 d.C. por causa de uma infecção e foi sucedido pelo seu filho Tito. Os romanos, por causa dos seus supostos vícios, temiam que Tito se tornasse outro Nero. Contra todos os prognósticos, Tito demonstrou ao povo que era um imperador eficaz e foi muito querido por todos os romanos. Um dos seus primeiros atos como imperador foi ordenar publicamente suspender os juízos baseados em traição. A lei de traição, ou a lei de maestas, a princípio foi usada para processar os que tinham prejudicado as pessoas e a majestade de Roma por qualquer ação revolucionária. Contudo, sob o reinado de César Augusto, esta lei também fora aplicada para condenar os escritos difamatórios. Sob o reinado de Tibério, Calígula e Nero utilizou-se para justificar as execuções, criando uma rede de informantes que fez tremer a administração romana durante décadas. Tito acabou com esta prática, declarando: É impossível que eu seja insultado ou ultrajado. Eu nada faço que mereça ser censurado, e não me importam as falsidades que sobre mim sejam escritas. "E, quanto aos imperadores que já estão mortos e enterrados, já se vingarão por si mesmos caso alguém lhes fazer algum mal, se em verdade são semideuses e possuem algum poder." 

Portanto, nenhum dos senadores foi assassinado durante o seu reinado; Tito manteve assim a sua promessa de que assumiria o cargo de Pontifex maximus com o objetivo de manter "as mãos limpas". Os informantes públicos foram castigados e desterrados da cidade. Como imperador, Tito ficou conhecido pela sua generosidade, e Suetônio declara que para compreender que ele não tirara nenhuma benefício de ninguém durante um dia inteiro ele comentou, "Amigos, perdi um dia".

Desafios

Consequências da erupção do Vesúvio:
Jardim dos Fugitivos, Pompeia.
Embora o seu reinado ficasse livre de conflitos militares ou políticos, Tito teve de afrontar um grande número de desastres. A 24 de agosto de 79 d.C., apenas dois meses depois da sua ascensão ao trono, o monte Vesúvio entrou em erupção, causando a quase completa destruição das cidades da baía de Nápoles. As cidades de Pompeia e Herculano foram sepultadas sob toneladas de pedra e lava causando a morte de um grande número de pessoas. Tito designou dois ex-cônsules para dirigir as tarefas de reconstrução e doou uma grande quantidade de dinheiro do tesouro imperial a fim de ajudar as vítimas do vulcão. O próprio Tito visitou Pompeia após a erupção e depois outra vez mais no ano seguinte.

Durante a segunda visita, um incêndio que durou três dias estourou em Roma. Embora o grau de destruição não fosse tão desastroso quanto o do grande incêndio do 64 d.C., Dião Cássio registrou uma longa lista de edifícios públicos danificados parcialmente ou consumidos totalmente pelo fogo. Entre eles, estavam o Panteão de Agripa, o Templo de Júpiter, o Diribitorium, o Teatro de Pompeu e a Saepta Júlia, entre outros. De novo, Tito pagou do seu bolso os danos ocasionados pelo fogo. Aparentemente houve uma praga durante o incêndio, embora se desconheça a natureza da doença e o número de falecidos.

Enquanto isso, a guerra continuara na Britânia, onde Cneu Júlio Agrícola se internou na Caledônia e dirigiu o estabelecimento de várias fortificações. Como consequência das suas ações, Tito foi aclamado Imperator pela décima-quinta vez.

O seu reinado também sofreu a rebelião de Terêncio Máximo, um de vários "Neros" falsos que continuaram aparecendo ao longo dos anos 70. Embora Nero seja conhecido nomeadamente como um tirano, chegaram escritos que informam que foi enormemente popular nas províncias orientais durante o seu reinado.

Segundo Dião Cássio, Terêncio Máximo seria parecido com Nero na voz e no aspecto e, como ele, tocava a lira. Terêncio estabeleceu-se na Ásia Menor, mas pronto foi forçado a escapar para além de Eufrates, tomando refúgio entre os Partas. Além disso, as fontes antigas declaram que Tito descobriu que o seu irmão Domiciano conspirava contra ele, mas recusou a opção de assassiná-lo ou desterrá-lo.

Obras Públicas

A construção de Anfiteatro Flávio, conhecido habitualmente como o Coliseu de Roma, começou na década de 70 sob o reinado de Vespasiano e finalizou sob o reinado de Tito nos anos 80. Além das espetaculares dimensões, que ofereciam um grande entretenimento para a população romana, o Coliseu representava também os sucessos militares dos Flávios durante as guerras judaico-romanas. Os jogos inaugurais duraram cem dias, e foram sumamente elaborados, incluindo combates de gladiadores, pelejas de animais selvagens, representações de batalhas navais (para as que foi inundado o teatro), corridas de cavalos e de carros. Durante os jogos, passaram entre o público umas bolas de madeira, inscritas com vários prêmios com os que os ganhadores eram obsequiados.

Junto ao anfiteatro, dentro do recinto da Domus Aurea de Nero, Tito ordenara a construção de novos banhos públicos públicos, que deviam levar o seu nome. A construção deste edifício terminou de pressa para que coincidisse com a finalização das obras do Anfiteatro Flávio.

A prática do culto imperial foi ressuscitada por Tito, embora aparentemente isto encontrou algumas dificuldades, pois Vespasiano não foi deificado senão seis meses depois da sua morte. Para honra e glória da dinastia dos Flávios, começaram as obras do Templo de Tito e Vespasiano que finalizaria durante o governo de Domiciano.

Morte

Ao finalizar os jogos, Tito dedicou oficialmente ao povo a construção do anfiteatro e os banhos, o que foi seu último ato como imperador. Tito partiu para os territórios dos sabinos mas caiu enfermo e faleceu por causa de febres, aparentemente no mesmo imóvel que o seu pai. Segundo parece, as últimas palavras que pronunciou Tito foram "somente cometi um erro". Tito governara o Império Romano durante dois anos, da morte do seu pai em 79 d.C. até a sua morte a 13 de setembro do 81 d.C. Tito foi sucedido por Domiciano cujo primeiro ato foi deificar o seu irmão.

Os historiadores especularam muito sobre a morte de Tito e do erro ao qual se refere nas suas últimas palavras, Filóstrato defende que foi envenenado por Domiciano e que a sua morte fora prognosticada por Apolônio de Tiana. Suetônio e Dião Cássio sustêm que faleceu de causas naturais, mas acusam Domiciano de abandonar o seu irmão enfermo e segundo Dião, o erro ao que Tito refere é o de não ter executado o seu irmão, mesmo sabendo de sua participação no complô contra ele.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Constantino

Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino, o Grande (em latim Flavius Valerius Constantinus; Naisso, 272 — 22 de maio de 337), foi um imperador romano, proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de julho de 306, que governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte.

Constantino derrotou os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Ele também lutou com sucesso contra os francos e alamanos, os visigodos e os sármatas durante boa parte de seu reinado, mesmo depois do reassentamento de Dácia (Romênia), que havia sido abandonada durante o século anterior. Constantino construiu uma nova residência imperial em lugar de Bizâncio, chamando-o de Nova Roma. No entanto, em honra de Constantino, as pessoas chamavam-na de Constantinopla, que viria a ser a capital do Império Romano do Oriente por mais de mil anos. Devido a isso, ele é considerado como um dos fundadores do Império Romano do Oriente.

Reformas Religosas, Militares e Administrativas

Cristograma de
Constantino.
Constantino legalizou e apoiou fortemente a cristandade por volta do tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão, mas também não tornou o paganismo ilegal ou fez do cristianismo a religião estatal única. Na sua posição de Pontifex maximus — cargo tradicionalmente ocupado por todos os imperadores romanos, e que tinha a ver com a regulação de toda e qualquer prática religiosa no império — estabeleceu as condições do seu exercício público e interferiu na organização da hierarquia quando convocado, seguindo uma prática, no que diz respeito aos cristãos, que já havia sido inaugurada por um imperador pagão, Aureliano, que fora chamado a arbitrar uma querela entre o bispado de Antioquia e o bispado de Roma, que excomungara Paulo de Samosata, bispo de Antioquia, por heresia. O Imperador reafirmara o que já era do direito circunscricional da Igreja Romana — ou seja, que as igrejas cristãs locais, no que diz respeito a sua organização administrativa — inclusive quanto a eleição dos bispos — deveriam reportar-se à igreja de Roma, a capital.

Apesar de a Igreja ter prosperado sob o auspício de Constantino, ela própria decaiu no primeiro de muitos cismas públicos. Constantino, após ter unificado o mundo romano, convocou o Primeiro Concílio de Niceia, em um grande centro urbano da parte oriental do império, em 325, um ano depois da queda de Licínio, a fim de unificar a Igreja cristã, pois com as divergências desta, o seu trono poderia estar ameaçado pela falta de unidade espiritual entre os romanos. Duas questões principais foram discutidas em Niceia (atual İznik): a questão da Heresia Ariana que dizia que Cristo não era divino, mas o mais perfeito das criaturas, e também a data da Páscoa, pois até então não havia um consenso sobre isto.

Constantino só foi batizado e cristianizado no final da vida. Ironicamente, Constantino poderá ter favorecido o lado perdedor da questão ariana, uma vez que ele foi batizado por um bispo ariano, Eusébio de Nicomédia (que não deve ser confundido com o biógrafo do imperador, Eusébio de Cesareia). A inclinação que Constantino e seu filho e sucessor na condição de augusto único, Constâncio II, demonstraram pelo arianismo, é bastante explicável, na medida em que ambos tentaram apresentar a figura do imperador como um análogo do Cristo ariano: uma emanação divina, reflexo terreno do Verbo. A tempestuosa relação de Constantino com a Igreja da época dá conta dos limites da sua atuação no estabelecimento da Ortodoxia: pouco antes de sua morte, em 335, ele mandou exilar, na capital imperial de Trier, o patriarca de Alexandria Atanásio, campeão da ortodoxia, por suas violentas atitudes antiarianas, e apesar do fato de que Atanásio continuou a ser perseguido pelos sucessores de Constantino, o abertamente ariano Constâncio II e o pagão Juliano, o Apóstata, foi a sua visão teológica que acabou por prevalecer.

Fundação de Constantinopla

Constantino: mosaico em
Hagia Sofia.
Para resolver definitivamente o problema logístico da distância entre a capital e as principais frentes militares da época, sem recorrer ao expediente de uma residência imperial "interina", Constantino reconstruiu a antiga cidade grega de Bizâncio, que dedicou em 11 de maio de 330 chamando-a de Nova Roma, dotando-a de um Senado e instituições cívicas (catorze regiões, um fórum, distribuições de trigo, um Prefeito do pretório) semelhantes aos da antiga Roma. Tratava-se, no entanto, de uma cidade puramente cristã, dominada pela Igreja dos Santos Apóstolos, junto a qual encontrava-se o mausoléu onde Constantino seria sepultado. Os templos pagãos de Bizâncio foram nela preservados, mas neles foram proibidos os sacrifícios e o culto das imagens dos deuses. Após a morte de Constantino, Bizâncio foi renomeada Constantinopla, tendo-se gradualmente tornado a capital permanente do império. A fundação de Constantinopla foi complementada pelo tratado (foedus) realizado entre Constantino e seus descendentes com os godos, que, a partir de 332, passaram a defender a fronteira do Danúbio e fornecer homens ao exército romano, em troca de abastecimentos. A mudança da capital imperial enfraqueceu a influência do papado de Roma e fortaleceu a influência do bispo de Constantinopla sobre o Oriente, um dos eventos notáveis que provocariam futuramente o Grande Cisma do Oriente.

A limes danubiana e oriental no tempo de Constantino,
com os territórios conquistados no curso das campanhas
germano-sarmáticas (de 306 a 337).
O mapa representa também o Império Romano pouco depois
da morte de Constantino (337), com os territórios "repartidos"
entre os seus três filhos (Constante I, Constantino II e Constâncio II).
Sucessão

Um ano depois do Primeiro Concílio de Niceia, em (326), portanto, durante uma viagem solene a Roma para a comemoração dos seus vinte anos de reinado, Constantino mandou matar seu próprio filho e sucessor designado Crispo, um general competente que provavelmente foi suspeito de intrigar para derrubar o pai. Pouco depois, sufocaria sua segunda mulher Fausta num banho sobreaquecido, provavelmente por suspeitar que ela tivesse intrigado contra seu enteado Crispo. Mandou também estrangular o cunhado Licínio, que havia se rendido a ele em troca da vida e chicotear até a morte o seu filho (e sobrinho do próprio Constantino). Foi sucedido por seus três filhos com Fausta: Constantino II, Constante I e Constâncio II, os quais dividiram entre si a administração do império até que, depois de uma série de lutas confusas, Constâncio II emergiu como augusto único.