segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Godos

Os godos eram um povo germânico originário, segundo Jordanes, das regiões meridionais da Escandinávia. Nenhuma outra fonte primária menciona esta longa migração, que poderia ter-se iniciado no Báltico ou no mar Negro e é possível que os godos tenham se desenvolvido como um povo distinto dos demais bárbaros nas fronteiras do Império Romano. Os godos, segundo Jordanes, distinguiam-se por usarem escudos redondos e espadas curtas e obedecerem fielmente a seus reis.

A única fonte da história inicial dos godos é a Getica de Jordanes (publicada em 551), um resumo de Libri XII De Rebus Gestis Gothorum, história escrita por Cassiodoro, em doze volumes, por volta de 530. A obra de Cassiodoro perdeu-se e Jordanes nem mesmo devia tê-la em mãos para consulta, portanto esta fonte primária deveria ser considerada com cuidado. Cassiodoro estava no lugar certo para escrever sobre os godos, por ser ele um dos principais ministros de Teodorico, o Grande, que certamente havia ouvido algumas das canções góticas que falavam de suas origens tradicionais.

Outras fontes principais para a sequência da história gótica incluem a "Historiae" de Amiano Marcelino, que menciona o envolvimento gótico na guerra civil entre os imperadores Procópio e Valente em 365 e relata a crise dos refugiados e a guerra gótica de 377-382 e o "de Bello Gothico" de Procópio de Cesareia, que descreve as Guerras Góticas de 535-554.

Origens

Os godos originalmente eram formados por dois povos: os tervingos (povo gótico do qual possivelmente se originaram os visigodos) e os grutungos (povo gótico do qual possivelmente se originaram os ostrogodos). Alguns povos como os vândalos e os gépidas tinham parentesco com os godos.

A região de origem dos godos era chamada de Götaland (actual Suécia). A partir do século I os godos instalaram-se na região do Vístula (actual Polónia) em torno da cultura Wielbark, substituindo a cultura Oksywie que se encontrava na região.

A substituição aconteceu quando um assentamento escandinavo foi estabelecido na zona de separação entre a cultura Oksywie e a provavelmente cultura Przeworsk vândala.

Todavia, durante o final da Idade do Bronze Nórdica e o começo da Idade do Ferro Pré-romana (1300 a.C. - 300 a.C.), esta região sofreu influências do sul da Escandinávia. De fato, a influência escandinava na Pomerânia e no actual norte da Polónia a partir de 1300 a.C. foi a partir daí tão considerável que esta região é às vezes incluída na cultura da Idade do Bronze Nórdica.

Acredita-se que os godos tenham cruzado o mar Báltico em algum momento entre o fim da Idade do Bronze Nórdica (300 a.C.) e o ano 100 de nossa era. De acordo com pesquisas antigas, na tradicional província sueca de Östergötland, evidências arqueológicas mostram que houve uma despovoação geral durante este período. No entanto, isto não é confirmado nas publicações recentes.

Os assentamentos na actual Polônia provavelmente correspondem à introdução de tradições funerárias escandinavas, tais como círculos de pedra e menires, que indicam que os primeiros godos preferiam sepultar seus mortos de acordo com as tradições escandinavas. O arqueólogo polaco Tomasz Skorupka afirma que a migração a partir da Escandinávia é uma questão confirmada:

Apesar das muitas hipóteses controversas quanto à localização da Scandia (por exemplo, na ilha de Gotland e nas províncias deVästergötland e Östergötland), o facto é que os godos chegaram ao que hoje é a Polónia vindos do norte cruzando o mar Báltico em barcos.

No entanto, a cultura gótica também parece ter tido continuidade a partir das antigas culturas da região, o que sugere que os imigrantes se mesclaram com as populações nativas, talvez fornecendo sua aristocracia em separado. O académico de Oxford, Heather, sugere que foi uma migração relativamente pequena a partir da Escandinávia. Este cenário tornaria a migração através do Báltico similar a muitos outros movimentos populacionais na história, tal como a invasão anglo-saxã, onde os imigrantes impuseram suas próprias cultura e língua sobre as locais. A cultura Willenberg/Wielbark deslocou-se para sudeste em direção à região do mar Negro a partir da metade do século II. Foi a parte mais antiga da cultura Wielbark, localizada a oeste do Vístula e que possuía tradições funerárias escandinavas, que iniciou o deslocamento. Na Ucrânia, eles impuseram-se como governantes da cultura Zarubintsy local, provavelmente eslava, formando a cultura Chernyakhov.

Os assentamentos Chernyakhov ficavam nos campos abertos nos vales dos rios. As casas incluem residências subterrâneas, residências de superfície e barracas. O maior assentamento conhecido (Budesty) possuía 35 hectares. A maioria dos assentamentos era aberto e não fortificado. Algumas fortalezas são também conhecidas.

Os cemitérios Chernyakhov incluem funerais de cremação e de inumação; entre os últimos, a cabeça está para o norte. Alguns túmulos foram deixados vazios. Objetos encontrados nas tumbas incluem cerâmica, pentes de osso e ferramentas de ferro, mas quase nunca qualquer arma.

A partir do século III os godos já estavam bem assentados e a partir dai começaram a fazer incursões para o sul em direção aos Bálcãs. A partir de 263 os godos começaram a penetrar nos Bálcãs e a atacar diversas regiões romanas, saqueando Bizâncio em 267. Dois anos depois, os godos sofreram uma esmagadora derrota na Batalha de Naissus (269) onde acabaram por serem repelidos de volta para o mar Negro.

Apesar da maioria dos guerreiros nômades demonstrassem serem sanguinários, os godos eram temerosos porque os cativos capturados nas batalhas eram sacrificados ao seu deus da guerra, Tyr, e as armas tomadas eram penduradas em árvores como oferendas. Seus reis e sacerdotes eram procedentes de uma aristocracia separada e seus reis míticos do passado eram honrados como deuses.

Reino godo no mar Negro 

O godo Athanerik é considerado o primeiro rei godo. Em torno do ano 300 unificou todas as tribos godas sob sua soberania e formou o primeiro reino godo em terras da atual Ucrânia e Rússia, terras até então pertencentes à cultura Chernyakhov. Não se sabe em que data seu sucessor assumiu, porém sabe-se que seu sucessor foi Achiulfo.

Durante o governo de Achiulfo, os godos ocuparam as terras que rodeiam o Volga e submetendo os sármatas, citas e gépidas. Em 350 Achiulfo foi sucedido por Hermenerico.

Hermenerico, também conhecido pelas variantes Hermanarico e Ermanrico, foi o ultimo rei dos godos unificados, às vésperas das invasões bárbaras do Império Romano. Embora os limites exatos de seu território ainda sejam obscuros, ele parece ter se estendido a partir do sul dos pântanos de Pripet, entre os rios Don e Dniester.

Sabe-se com alguma segurança apenas que os feitos militares de Hermenerico fizeram com que ele fosse temido pelos povos vizinhos, e que cometeu suicídio ao desesperar-se por não poder resistir com sucesso aos hunos, que invadiram seu território a partir de 370. Seu reino foi destruído e seu povo acabou dividindo-se em visigodos e ostrogodos. Os visigodos se mantiveram sob o rei Fritigerno e os ostrogodos com o rei Vitimiro.

Tanto os ostrogodos quanto os visigodos nitidamente se romanizaram durante o século IV pela influência do comércio com os bizantinos, e por sua participação em um pacto militar com o Império Bizantino para ajuda militar mútua. Eles se converteram ao arianismo durante esta época.

Significado simbólico 

A relação dos godos com a Suécia se tornou uma parte importante do nacionalismo sueco, e até o século XIX a opinião de que os suecos eram os descendentes diretos dos godos era comum. Hoje, acadêmicos suecos identificam isso como um movimento cultural chamado goticismo, o qual inclui um entusiasmo por assuntos em geral do norueguês antigo.

Na Espanha medieval e moderna, os visigodos são considerados como sendo a origem da nobreza espanhola. De alguém agindo com arrogância, seria dito que está "haciéndose los godos" ("fazendo a si mesmo descendente dos godos"). Por causa disto, no Chile, Argentina e Ilhas Canárias, godo era uma ofensa étnica usada contra espanhóis europeus, que no início do período colonial se sentiam superiores às pessoas nascidas nas colônias (criollos).

Esta reivindicação espanhola de origens góticas conduziu a um confronto com a delegação sueca no Concílio de Basileia em 1434. Antes que a assembleia de cardeais e delegações pudessem iniciar as discussões teológicas, eles tinham que decidir como se sentar durante os procedimentos. As delegações das nações mais importantes estavam sentadas mais próximo do papa, e havia também disputas para quem ficaria com as melhores cadeiras e quem teria seus assentos em esteiras. 

Neste conflito, o bispo deVäxjö, Nicolaus Ragvaldi invocou que os suecos eram descendentes dos grandes godos, e que o povo de Västergötland (Westrogothia em latim) eram os visigodos e que o povo de Östergötland (Ostrogothia em latim) eram os ostrogodos. A delegação espanhola então respondeu afirmando que apenas os godos "preguiçosos" e "sem iniciativas" haviam ficado na Suécia, enquanto que os godos "heroicos", por outro lado, tinham deixado a Suécia, invadido o Império Romano e se estabelecido na Espanha.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Cossacos

Os Cossacos são um povo nativo das estepes das regiões do sudeste da Europa (principalmente da Ucrânia e do sul da Rússia), que se estabeleceram mais tarde nas regiões do interior da Rússia asiática. Os Cossacos são muito famosos pela sua coragem, bravura, força e capacidades militares (especialmente na cavalaria), mas também pela capacidade de auto-suficiência. A sua importância e força militar era tão grande, que mais tarde, durante a sua integração na Rússia, foi criada uma unidade militar de Cossacos. Originalmente, este povo Ruteno era constituído por camponeses fugitivos, que escapavam ao controle dos senhores da guerra, dos feudos polaco e moscovita, rumando assim às estepes do sudeste europeu, onde se estabeleceram.

Os Cossacos ficaram imensamente conhecidos na Europa Ocidental nos meados do século XVII, em resultado da grande revolta de Bohdan Khmelnytsky e dos Zaporozhianos contra a República das Duas Nações no território que é hoje a Ucrânia, revolta essa que veio abalar as fundações da Europa de Leste, fazendo com que os Cossacos sejam mesmo considerados como os fundadores da Ucrânia.

A sua população cresceu muito durante o fim da Idade Média, devido à quantidade de camponeses que fugiram ao domínio dos senhores feudais e que se juntaram a este povo. Com o tempo, os Cossacos tornaram-se guardiões das terras que ocuparam e defensores das suas fronteiras, estabelecendo-se assim de vez numa região. Os Cossacos, foram em especial destaque, os guardiões da fronteira no Canato de Kazan. No século XIX, os Cossacos na Europa tornaram-se amplamente conhecidos pelas inúmeras guerras travadas com a Rússia, contribuindo assim para a imagem estereotipada da Rússia daqueles tempos. Os Cossacos integraram o Exército Russo em várias guerras durante os séculos XVIII e XIX. Durante a Guerra Civil Russa, o povo Cossaco não alinhou por nenhuma das facções. Os que desejaram, juntaram-se ao Exército Vermelho ou ao Exército Branco. O território de Don Cossaco, foi um dos mais resistentes aos Bolcheviques. Os regimentos militares Cossacos foram no entanto reorganizados antes da 2ª Guerra Mundial.

Atualmente, na Rússia moderna, os Cossacos são vistos quer como um grupo étnico, quer como uma parte das forças armadas da Rússia. Nos últimos censos realizados neste país, a “categoria” cossaca foi separada do resto da população, tendo sido contabilizados para cima de 150.000 cossacos ao serviço das forças armadas russas, enquanto que o grupo étnico é constituído por vários milhões de descendentes dos guerreiros Cossacos. A sua cultura foi proibida nos tempos da União Soviética, e houve mesmo uma tentativa falhada de erradicação desta cultura. Atualmente, esta etnia está a viver um período de forte revivalismo e reaparecimento da cultura cossaca, sendo que este movimento é mais forte no sul da Rússia.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Fenícios

Fenícia foi uma civilização da Antiguidade cujo epicentro se localizava no norte da antiga Canaã, ao longo das regiões litorâneas dos atuais Líbano, Síria e norte de Israel. A civilização fenícia foi uma cultura comercial marítima empreendedora que se espalhou por todo o mar Mediterrâneo durante o período que foi de 1.500 a.C. a 300 a.C. Os fenícios realizavam comércio através da galé, um veículo movido a velas e remos, e são creditados como os inventores dos birremes.

Birremes
Não se conhece com exatidão a que ponto os fenícios viam a si próprios como uma única etnia; sua civilização estava organizada em cidades-estado, de maneira semelhante à Grécia Antiga; cada uma destas constituía uma unidade política independente, que frequentemente se entravam em conflito e podiam dominar umas as outras - embora também colaborassem através de ligas e alianças. Embora as fronteiras antigas destas culturas antigas fossem incertas e inconstantes, a cidade de Tiro parece ter marcado seu ponto mais meridional. Sarepta (atual Sarafant), entre Sídon e Tiro, é a cidade mais extensivamente escavada pelos arqueólogos em território fenício.

Os fenícios foram a primeira sociedade a fazer uso extenso, a nível estatal, do alfabeto. O alfabeto fonético fenício é tido como o ancestral de todos os alfabetos modernos, embora não representasse as vogais (que foram adicionadas mais tarde pelos gregos). Os fenícios falavam o idioma fenício, que pertence ao grupo canaanita da família linguística semita. Através do comércio marítimo, os fenícios espalharam o uso do alfabeto até o Norte da África e Europa, onde foi adotado pelos antigos gregos, que o passaram aos etruscos, que por sua vez o repassaram aos romanos. Além de suas diversas inscrições, os fenícios deixaram diversos outros tipos de fontes escritas, porém poucas sobreviveram até os dias de hoje. A Preparação Evangélica, de Eusébio de Cesareia, faz citações extensas de Filo de Biblos e Sanconíaton.

História

Em termos de arqueologia, língua e religião, pouco separa os fenícios das outras culturas da região de Canaã. Como canaanitas, sua única diferença eram seus notáveis feitos marítimos. Nas tabuletas de Amarna do século XIV a.C., chamam-se de Kenaani ou Kinaani ("canaanitas"), embora estas cartas antecedam a invasão dos Povos do Mar em mais de um século. Bem mais tarde, no século VI a.C., Hecateu de Mileto escreve que a Fenícia era chamada anteriormente de χνα, um nome que Filo de Biblos adotou posteriormente em sua mitologia como seu epônimo para osfenícios: "Khna, que posteriormente foi chamado de Phoinix". Já no terceiro milênio a.C. expedições marítimas eram feitas pelos egípcios para trazer "cedros do Líbano".

Apogeu: 1200–800 a.C.

O historiador francês Fernand Braudel comentou em seu livro, A Perspectiva do Mundo, que a Fenícia foi um dos primeiros exemplos de uma "economia-mundial" cercada por impérios. O ponto alto da cultura fenícia e de seu poder marítimo costuma ser datado como o período que vai de 1 200 a 800 a.C.

Diversos dos importantes centros urbanos fenícios, no entanto, teriam sido fundados muito antes disso: Biblos, Tiro, Sídon, Simira, Arwade Beirute (Berytus) são citadas nas tabuletas de Amarna. A arqueologia identificou elementos culturais do zênite fenício já no terceiro milênio a.C.

Uma liga formada por cidades-estado portuárias independentes, juntamente com outras situadas em ilhas ou ao longo dos litorais do mar Mediterrâneo, era muito apropriada para o comércio entre a região do Levante, rica em recursos naturais, e o resto do mundo antigo. Durante o início da Idade do Ferro, por volta de 1 200 a.C., um evento até agora desconhecido ocorreu, associado historicamente com a chegada de um povo vindo do norte, conhecido pelo exônimo de Povos do Mar. Estes povos enfraqueceram e destruíram as civilizações egípcia e hitita, respectivamente; no vácuo de poder que se seguiu à sua chegada, diversas cidades fenícias adquiriram importância como potências marítimas.

As sociedades fenícias estavam fundamentadas em três bases de poder: o rei; o templo e seus sacerdotes; e o conselho de anciãos. Biblos foi a primeira cidade a se tornar um centro predominante, a partir de onde os fenícios saíram para dominar as rotas comerciais dos mares Mediterrâneo e Eritreu (Vermelho). Foi nesta cidade que a primeira inscrição no alfabeto fenício foi encontrada, no sarcófago de Ahiram (c. 1 200 a.C.). Posteriormente, Tiro tornou-se a cidade mais poderosa; um de seus reis, o sacerdote Itobaal I (887-856 a.C.) estendeu seu domínio sobre a Fenícia até a cidade de Beirute, e conquistou parte da ilha de Chipre. Cartago foi fundada pelos fenícios; de acordo com Veleio Patérculo, sua fundação ocorreu 65 anos antes da fundação de Roma, pela tíria Elissa, chamada de Dido. O conjunto de cidades-reino que formavam a Fenícia passou a ser conhecido por estrangeiros, e até mesmo pelos próprios fenícios, como Sidônia (Sidonia) ou Tíria (Tyria); os fenícios e cananeus eram chamados de sidônios ou tírios, à medida que uma cidade fenícia sucedeu a outra no poder.

Declínio: 539-65 a.C.

Ciro, o Grande, rei da Pérsia, conquistou a Fenícia em 539 a.C. Os persas dividiram a Fenícia em quatro reinos vassalos: Sídon, Tiro, Arwad, e Biblos. Estes reinos prosperaram, e forneceram frotas navais para os reis persas. A influência fenícia, no entanto, passou a diminuir depois da conquista; é provável que boa parte da população fenícia tenha migrado para Cartago e outras colônias depois do domínio persa. Em 350 e 345 a.C. uma rebelião em Sídon liderada por Tennes foi esmagada por Artaxerxes III; sua destruição foi descrita por Diodoro Sículo.

Alexandre, o Grande conquistou Tiro em 332 a.C. após o Cerco de Tiro. Alexandre foi excepcionalmente cruel com a cidade, executando 2000 de seus principais cidadãos, embora tenha mantido o rei no poder. Em seguida tomou posse das outras cidades de maneira pacífica; o soberano de Árados submeteu, e o rei de Sídon foi deposto. A ascensão da Grécia helenística gradualmente tomou o lugar dos resquícios do antigo domínio fenício sobre as rotas comerciais do leste do Mediterrâneo. A cultura fenícia acabou por desaparecer totalmente em sua pátria de origem, embora Cartago tenha continuado a florescer no Norte da África, controlando a mineração de ferro e metais preciosos na Ibéria, e utilizando seu poder naval considerável e seus exércitos de mercenários para proteger seus interesses comerciais, até a eventual destruição pelas tropas romanas em 146 a.C., no fim das Guerras Púnicas.

Depois de Alexandre, a pátria fenícia foi controlada por uma sucessão de soberanos helenísticos: Laomedonte (323 a.C.), Ptolemeu I(320 a.C.), Antígono II (315 a.C.), Demétrio (301 a.C.), e Seleuco (296 a.C.). Entre 286-197 a.C., a Fenícia (com a exceção de Árados) foi dominada pelos Ptolemeus do Egito, que instauraram os sumos-sacerdotes da deusa Astarte (Eshmunazar I, Tabnit, Eshmunazar II) como soberanos vassalos de Sídon.

Em 197 a.C. a Fenícia, juntamente com a Síria, voltou para a mão dos Selêucidas. A região ficou cada vez mais helenizada, embora Tiro tenha se tornado autônoma em 126 a.C., seguida por Sídon em 111 a.C. Toda a Síria, incluindo a Fenícia, foi capturada pelo reiTigranes, o Grande, da Armênia, de 82 a 69 a.C., quando o monarca foi derrotado pelo general romano Lúculo. Em 65 a.C. Pompeu, o Grande finalmente incorporou o território à província romana da Síria.

Comércio 

Moeda fenícia retratando um
navio de guerra e um hipocampo.
Os fenícios foram alguns dos maiores comerciantes de seu tempo, e deviam muito de sua prosperidade ao comércio. Inicialmente mantinham relações comerciais apenas com os gregos, vendendo madeira, escravos, vidro e a púrpura de Tiro em pó. Esta célebre tinta de forte cor púrpura era muito usada pela elite grega para colorir suas vestes; o termo fenício vem do grego antigo phoínios, que significa "púrpura". À medida que o comércio e o processo de colonização se espalhou sobre o Mediterrâneo, os fenícios e gregos parecem ter, de maneira inconsciente, dividido aquele mar em duas partes; os fenícios navegavam pela (e eventualmente dominaram) parte meridional do mar, enquanto os gregos mantinham suas atividades nas costas setentrionais. As duas culturas se confrontaram muito esporadicamente, como na Sicília, que eventualmente foi repartida em duas esferas de influência, a fenícia no sudoeste e a grega no nordeste da ilha.

Prato fenício com engobo vermelho, século VII a.C., 
escavado na ilha de Mogador, Essaouira, Marrocos.
1.200 a.C., os fenícios foram por séculos a principal potência naval e mercantil da região. O comércio fenício foi fundado com base na tinta conhecida como púrpura tíria, uma tinta de um púrpura profundo, derivado da concha do molusco gastrópode Murex, que anteriormente era encontrado com abundância nas águas costeiras do leste do Mediterrâneo, e que acabou sendo extinta. As escavações de James B. Pritchard em Sarepta, no Líbano atual, mostraram conchas esmagadas do molusco, e recipientes de cerâmica manchados com a tinta produzida no local. Os fenícios fundaram um segundo centro de produção da tinta em Mogador, no atual Marrocos. Produtos têxteis de cores brilhantes eram símbolos característicos de riqueza na sociedade fenícia, bem como o vidro, outro importante item de exportação. Os fenícios também trouxeram para a região do Mediterrâneo cães de origem africana e asiática, que acabaram por dar origem a diversas raças locais. O Egito, onde as vinhas não podiam ser cultivadas devido ao clima, comprava vinhodos fenícios do século VIII a.C.; este comércio está documentado de maneira destacada nos navios naufragados descobertos em 1997 no alto-mar, a 30 milhas a oeste de Ascalão. Fornos de cerâmica em Tiro e Sarepta produziam as grandes jarras de terracota usadas para o transporte do vinho; o Egito pagava com ouro vindo da Núbia.

De outros lugares obtinham diferentes materiais, dos quais talvez os mais importantes sejam a prata, obtida da península Ibérica, e o estanho, da Grã-Bretanha (este último era fundido com o cobre (do Chipre), criando uma liga metálica mais durável, o bronze. Estrabão afirma que existia um comércio altamente lucrativo entre a Fenícia e a Britânia.

Religião

Os fenícios eram politeístas, e cultuaram diferentes divindades, muitas oriundas de culturas vizinhas, ao longo de sua história. 

Os fenícios conservavam ritos bem arcaicos, como a prostituição divina e o sacrifício de crianças (em particular dos primogênitos) e de animais. A maioria dos rituais religiosos eram feitos ao ar livre.

Influência na região do Mediterrâneo

A cultura fenícia teve um grande impacto sobre as culturas da bacia do Mediterrâneo no início da Idade do Ferro, que por sua vez também os influenciaram enormemente. Na Fenícia, por exemplo, a divisão tripartida entre Baal, Mot e Yam parece ter sido influenciada pela divisão que havia na mitologia grega entre Zeus, Hades e Poseidon. Os templos fenícios dedicados a Melcarte nos diversos portos mediterrâneos passaram a ser conhecidos, durante o período clássico da história grega, como sagrados para Héracles. Histórias como o Rapto de Europa e a chegada de Cadmo também apresentam influências fenícias.

Na Bíblia 

O fenício Hirão, na Bíblia, foi associado com a construção do Templo de Salomão:

Hirão seria Hiram Abiff, arquiteto do Templo segundo a crença maçônica; ambos teriam sido muito famosos por sua tinta púrpura.

Posteriormente, profeta Elias execrou Jezebel, princesa de Tiro que se tornou consorte do rei Acabe e introduziu o culto de seus deuses, entre eles Baal.

Muito depois da cultura fenícia ter florescido, ou mesmo da existência da Fenícia como entidade política, os canaanitas helenizados naturais da região ainda eram conhecidos como "siro-fenícios", como no Evangelho de Marcos, 7:26: "E esta mulher era grega, sirofenícia de nação…"

O termo Bíblia, que vem do grego antigo "biblion", "livro", deu origem ao nome da cidade fenícia helenizada de Biblos, que até então era chamada de Gebal. Os gregos deram-lhe este nome porque era de lá que vinha o papiro egípcio que era importado pelas cidades da Grécia. A Biblos atual é conhecida em árabe como Jbeil, que vem de Gebal.

Hippoi

Os gregos tinham dois nomes para os navios fenícios: hippoi e galloi. Galloi significa "banheiras" e hippoi, "cavalos". Os nomes são facilmente compreensíveis através das ilustrações de navios fenícios nos palácios dos reis assírios dos séculos VIII-VII a.C., onde os navios têm forma de banheiras com cabeças de cavalos em suas extremidades. É possível que estes hippoi estariam relacionados às ligações fenícias com o deus grego Posídon.


Relações com os gregos: Comércio

No fim da Idade do Bronze (por volta de 1 200 a.C.), havia intenso comércio entre os canaanitas (ancestrais dos fenícios), egípcios, cipriotas e gregos. Nos restos de um naufrágio ocorrido no litoral da Turquia (Ulu Bulurun), cerâmica canaanita usada para o transporte de mercadoria foi encontrada juntamente com objetos de cerâmica do Chipre e da Grécia. Os fenícios eram célebres por suas habilidades ao trabalhar com o metal, e, ao fim do século VIII a.C., as cidades-estado gregas mandavam enviados ao Levante para obter mercadorias de metal.

O auge da atividade comercial fenícia se deu por volta dos séculos VIII-VII a.C. Nesta altura ocorre uma dispersão das importações (cerâmica, pedra e faiança) do Levante indicando um canal comercial fenício até a Grécia continental, através do Egeu central. Em Atenas existem poucas evidências deste comércio, com apenas algumas importações do Oriente, porém outras cidades litorâneas gregas contém uma quantidade abundante destas mercadorias originárias da região, evidenciando este comércio.

Al-Mina é um exemplo específico do comércio que era realizado entre os gregos e fenícios. Já se levantou a hipótese de que, por volta do século VIII a.C., comerciantes da Eubeia teriam estabelecido uma ligação comercial com a costa levantina, utilizando-se de Al-Mina, na Síria, como base para este empreendimento, embora ainda não se saiba até que ponto seriam reais estas alegações. Os fenícios até mesmo obtiveram seu nome dos gregos, devido às suas atividades comerciais; seu produto mais célebre era a tinta púrpura, conhecida em grego como phoenos.

Alfabeto

O alfabeto fonético fenício foi adotado e modificado pelos gregos, provavelmente por volta do século VIII a.C. (na mesma época das ilustrações dos hippoi fenícios). Isto provavelmente não ocorreu de uma vez, mas sim ao fim de um longo processo de intercâmbios comerciais. Possivelmente neste período também tenha ocorrido igualmente a adaptação de algumas idéias religiosas. Heródoto cita a cidade de Tebas, no centro da Grécia, como o local específico onde esta importação do alfabeto teria ocorrido. O lendário herói fenício Cadmo é quem leva o crédito por ter trazido o alfabeto à Grécia, porém é mais plausível que tenha sido levado por migrantes fenícios para a ilha de Creta, de onde se expandiu gradualmente para o norte.

Ligações com a mitologia grega: Cadmo

Tanto na mitologia fenícia quanto na grega Cadmo é um príncipe fenício, filho de Agenor, rei de Tiro. Heródoto atribui a Cadmo o mérito de levar o alfabeto fenício à Grécia, aproximadamente seiscentos anos antes da época em que o próprio Heródoto viveu, ou seja, por volta de 1 000 a.C

"Os fenícios que haviam acompanhado Cadmo e no número dos quais figuravam os gefireus, introduziram na Grécia, durante sua permanência nesse país, vários conhecimentos, entre eles os alfabetos que eram, na minha opinião, até então desconhecidos no país. A princípio, os gregos fizeram uso dos caracteres fenícios, mas, com o correr do tempo, as letras foram-se modificando com a língua e tomaram outra forma."

Deuses fenícios do mar

Devido ao grande números de divindades que seguem o modelo de "Senhor dos Mares" nas mitologias clássicas, é difícil atribuir um nome específico à divindade marinha da religião fenícia. Esta figura "Posídon-Netuno" é mencionada por autores e em diversas inscrições como muito importante para mercadores e marinheiros, porém o seu nome específico ainda está por ser descoberto. Existem, no entanto, nomes específicos usados para cada cidade-Estado, separadamente, a suas divindades marinhas locais. O deus dos mares de Ugarit, por exemplo, era Yamm. Yamm e Baal, o deus das tempestades da mitologia ugarítica, frequentemente associado a Zeus, se enfrentam numa batalha épica pelo domínio do universo. Como Yamm é o deus dos mares, ele representa o vasto caos. Baal, por outro lado, representa a ordem. Na mitologia ugarítica, Baal derrota Yamm; em algumas versões do mito, ele o mata com uma clava feita especialmente para ele, e, em outras, a deusa Astarte (Athtart) salva Yamm e lhe ordena que fique em seus próprios domínios, já que fora derrotado. Yamm é o irmão do deus da morte, Mot.

Alguns estudiosos identificaram Yamm com Posídon, embora ele também tenha sido identificado com Ponto.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Macabeus

Os macabeus (martelos) foram os integrantes de um exército rebelde judeu que assumiu o controle de partes da Terra de Israel, até então um Estado-cliente do Império Selêucida. Os macabeus fundaram a dinastia dos Hasmoneus, que governou de 164 a 63 a.C., reimpuseram a religião judaica, expandiram as fronteiras de Israel e reduziram no país a influência da cultura helenística.

Seu membro mais conhecido foi Judas Macabeu, assim apelidado devido à sua força e determinação.

Os macabeus durante anos lideraram o movimento que levou à independência da Judeia, e que reconsagrou o Templo de Jerusalém, que havia sido profanado pelos gregos. Após a independência, os hasmoneus deram origem à linhagem real que governou Israel até sua subjugação pelo domínio romano em 63 a.C..

Início da Revolta

Com a proibição em 167 a.C. da prática do judaísmo pelo decreto de Antíoco IV e com a introdução do culto do Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém, muitos judeus que decidem resistir a esta assimilação acabam sendo perseguidos e mortos. Conforme diz o 1 Macabeus 1:56-64:

"Quanto aos livros da Torá, os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Onde quer que se encontrasse, em casa de alguém, um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Torá, o decreto real o condenava à morte. Na sua prepotência assim procediam, contra Israel, com todos aqueles que fossem descobertos, mês por mês, nas cidades. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos, eles, cumprindo o decreto, as executavam com os mesmo filhinhos pendurados a seus pescoços, e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. Apesar de tudo, muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada, como de fato morreram. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel".

Entre os judeus que permanecem fiéis à Torá, está o sacerdote Matatias, chamado de Hasmoneu devido ao nome do patriarca de sua linhagem (Hasmon). Recusando-se a servir no templo profanado, Matatias se exila com sua família em sua propriedade em Modin. Matatias tem cinco filhos: João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas. Convocados para os sacrifícios sacrílegos, Matatias acaba matando o emissário real e um sacerdote que se propõe a oficiar os sacrifícios. Convoca então os judeus fiéis à Torá e foge com seus filhos para as montanhas, iniciando o movimento de resistência contra o domínio estrangeiro, destruindo altares, circuncidando meninos à força e recuperando a Torá das mãos dos gentios.

Judas Macabeu

Matatias morre em 166 a.C., e seu filho Judas assume a liderança da resistência. Judas desenvolve técnicas de guerrilha, que vence as contínuas tropas selêucidas enviadas. Apesar de alguns explicarem tal como "intervenção divina", Antíoco também tinha de se preocupar com outras revoltas em seu império. Em 164 a.C., Judas e seus homens conseguem tomar Jerusalém e rededicar o Templo, no que ficaria conhecida como a Festa de Chanucá. 

"No dia vinte e cinco do nono mês - chamado Casleu - do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (…) E Judas, com seus irmãos e toda a assembleia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de Casleu, com júbilo e alegria". (1 Macabeus 4:52-54,59) 

Com a morte de Antíoco IV em 164 a.C., a luta de resistência prossegue contra Antíoco V (164-162 a.C.), seu filho, e o regente Lísias e, a seguir, contra Demétrio I Sóter (161-150 a.C.).

Dinastia Hasmonéia

Com a morte de Judas, a liderança da família e da revolta contra o Império Selêucida passa para o seu irmão Jônatas. Jônatas faz vários acordos e alianças com vários países, como Esparta e inclusive com a potência da época, a República Romana, para que fosse reconhecido a situação de Israel como nação livre perante o império selêucida. Jônatas prossegue com a revolta, até que no ano de 153 a.C. ganha o cargo de sumo sacerdote de Israel por decreto de Alexandre Balas, rei selêucida. Jônatas se aliara a Alexandre, na tentativa deste de usurpar o trono de Demétrio I Sóter. Quando Alexandre consegue o trono, ele recompensa Jônatas, a qual permite governar quase que com total independência a Judeia. Entretanto, o rei sucessor de Alexandre, o rei Antíoco VI, torna-se hostil aos judeus, o que provoca nova guerra, dessa vez liderada por Simão, irmão de Jônatas e atual sumo sacerdote. 

Por fim, a real independência da Judeia vem no governo de João Hircano I, filho de simão, que se tornou sumo sacerdote e foi coroado rei da Judeia. João Hircano ainda enfrentou uma nova tentativa de invasão do Império Selêucida sob o comando do rei Antíoco VII. De acordo com a lenda, o rei João Hircano I, abriu o sepulcro do Rei Davi e de lá retirou três mil talentos, que entregou a Sidetes para que esse poupasse Jerusalém. Antíoco, então, atacou a Pártia, apoiado pelos judeus, e, por um curto tempo, recuperou a Mesopotâmia, Babilônia e a região dos Medos, antes de cair em uma emboscada e ser morto por Fraates II de Pártia. O reino Selêucida, então, se restringiu à Síria. Com isso a independência da Judeia como um reino independente sob a dinastia Hasmoneia é assegurada. 

Durante o reinado de João Hicarno I e de Alexandre Janeu, há uma expansão do reino judeu, que incorpora regiões importantes da Palestina, como Mádaba, Samega, Siquém, Adora, Marisa e a Idumeia. Nesse processo, há uma ajudaização forçada das populações conquistadas. Por essa época é que surgem os três grandes partidos políticos da Judeia: Fariseus, Saduceus e os Essênios. As crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos Fariseus contra os governantes Macabeus. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus. Durante os próximos reinados, de Alexandre Janeu (103-76 a.c) e de Aristóbulo I (104-103 a.c), os governantes Hasmoneus se apoiam nos Saduceus contra os Fariseus. Entretanto, durante o reinado da rainha Salomé Alexandra (76-66 a.c), há um aproximamento da monarca com o partido Fariseu, em detrimento dos Saduceus.

Declínio Hasmoneu e Subjugação Romana

A relativa independência dos judeus termina com a ascensão de Aristóbulo II ao trono. Seu irmão, João Hircano II, inicia uma guerra civil que termina com a intervenção do general romano Pompeu no ano de 63 a.C., sob o pretexto de pacificar a região. Pompeu coloca Hircano II como sumo sacerdote, entretanto lhe retira o título real e transforma a Judeia em um reino cliente subordinado a um procurador romano. No ano de 37 a.C., Marco António entrega o trono da Judeia a Herodes, o Grande, um príncipe idumeu filho do procurador romano, Antipater. Para se legitimar no trono, Herodes se casa com Mariana, a única filha e herdeira do sumo sacerdote Hasmoneu Antigono, filho de Hicarno II. Entretanto, com medo de conspirações por parte da elite judaica e dos seus filhos com Mariana, manda executar a esposa e acusa seus filhos, Alexandre e Aristóbulo IV de alta traição, que são julgados e executados em 7 a.C..

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Hunos

Os hunos foram uma antiga confederação da Ásia Central de nômades ou seminômades equestres, com a aristocracia de núcleo altaico. Algumas dessas tribos eurasiáticas moveram-se para a Europa no século IV provavelmente devido a mudanças climáticas. Eles eram excelentes criadores de cavalos e adeptos de combates a cavalo (com lanças e arco).

Movendo-se com suas famílias e grandes rebanhos de animais domesticados e cavalos, eles migraram em busca de novos pastos para se estabelecerem. Devido a sua proeza militar e disciplina, mostraram-se imbatíveis, tirando todos do seu caminho. Eles começaram uma corrente migratória anterior a deles pois outros povos mudaram-se para sair do caminho dos hunos. Esse efeito dominó de grandes populações contornou Constantinopla e o Império Romano do Oriente e chegou aos rios Danúbio e Reno e resultou na tomada do Império Romano do Ocidente em 476, pelos hérulos chefiados por Odoacro.

Encontrando terras a seu gosto, os hunos estabeleceram-se nas planícies húngaras, no leste europeu, tomando a cidade de Szeged, no rio Tisza, como seu quartel general. Eles precisavam de vastas áreas de pasto para obter forragem para os cavalos e outros animais. Dessas áreas de pastagens, os hunos controlavam, através de alianças ou conquistas, um império que se estenderia dos Montes Urais (na Rússia) ao rio Reno (na França) e do Báltico ao Danúbio.

Como não construíam casas, viviam em suas carroças e também em barracas que armavam nos caminhos que percorriam.

O Apogeu

O apogeu do império huno aconteceu durante o governo de seu principal líder, Átila, responsável por diversas conquistas em guerras e batalhas. Ele tornou-se líder dos hunos em 433 e empreendeu uma série de incursões ao sul da Rússia e Pérsia. Ele então dirigiu sua atenção aos Bálcãs, causando suficiente terror e destruição em duas principais incursões para serem subornados para sair. Em 450 ele se dirigiu ao Império Romano do Ocidente, cruzando o Reno ao norte de Mogúncia com, provavelmente, 100.000 guerreiros. Avançando numa frente de 100 milhas, ele saqueou várias vilas no que é hoje a França setentrional. O general romano Aécio levantou um exército romano-visigotico e avançou contrá Átila, que estava sitiando a cidade de Orléans. Na principal batalha de Chalôns, Átila foi derrotado, mas não destruído. Foi a última grande campanha militar do Império Romano do Ocidente.

Átila então invadiu a Itália, procurando novos saques. Enquanto ele passava, refugiados fugiam para ilhas na costa do mar Adriático, iniciando povoação que mais tarde daria origem à cidade de Veneza. As forças romanas estavam esgotadas e seu exército principal continuava na Gália. Os hunos também estavam fracos, esgotados por incessantes campanhas, doenças e fome na Itália. Numa reunião com o papa Leão I, Átila concordou em recuar.

O império desintegrou-se após a morte de Átila em 453, com nenhum líder forte para mantê-los unidos. Povos súbditos revoltaram-se e facções dentro do grupo dos próprios hunos lutaram entre si pelo poder. Os hunos eventualmente desapareceram da história após uma leva de novos invasores, como os Ávaros.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tartaros

Os tártaros são um grupo étnico turcomano estimado em 10 milhões de pessoas no fim do século XX. A Rússia é o lar da maior parte dos tártaros, com uma população de cerca de 5.500.000; Turquia, Uzbequistão, Cazaquistão, Ucrânia, Tadjiquistão, Quirguistão, Turcomenistão e Azerbaijão também têm populações de tártaros superiores a 30.000 pessoas.

Os tártaros habitavam originalmente o nordeste do deserto de Gobi, no século V, e, após dominarem, durante o século IX, os khitans, migraram para o sul. No século XIII foram conquistados pelo Império Mongol, liderado por Gengis Khan. Durante o reinado de seu neto, Batu Khan, deslocaram-se para o oeste, levando com eles muitos dos ramos que deram origem aos turcomanos uralo-altaicos em direção às planícies da Rússia.

Deserto de Gobi
Na Europa, foram assimilados por populações locais e seu nome gradualmente foi adotado pelos povos conquistados: kipchaques, kimaques e outros; o mesmo ocorreu com povos que falavam idiomas fino-úgricos e que foram dominados, bem como os últimos habitantes das antigas colônias gregas na Crimeia e povos caucasianos que habitavam o Cáucaso.

Os tártaros siberianos são sobreviventes da população turcomana que habitava a região Uralo-Altaica, misturados até certo ponto com os falantes das línguas urálicas e mongólicas. Mais tarde, cada um destes grupos adotou línguas turcomanas e muitos adotaram o Islã. Os três descendentes étnicos da migração para o oeste realizada originalmente do século XIII são os tártaros do Volga, os tártaros de Lipka e os tártaros da Crimeia.

Os tártaros abrangem um grande espectro de aparências físicas, que vai do mongolóide ao caucasóide ou uma mistura de ambos, e muitos aparentam ter origem asiática. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Mouros

Mouros são considerados os povos instalados na região da Península Ibérica durante a Idade Média. Os mais conhecidos eram os árabes e os berberes, mas existiam outros. Este termo foi empregado de forma especial no que se refere aos que se encontravam em áreas cristãs por motivo de cativeiro de guerra ou rendição de territórios. No início, os mouros eram aniquilados pelos povos que os conquistavam.

História

Na Antiguidade, os romanos denominavam "mauri" (mauros) às populações que habitavam a região noroeste da África, que por sua vez designavam de Mauritânia. Estas populações pertenciam a grupo étnico maior, o dos berberes, que posteriormente, à época da expansão islâmica, vieram a adotar esta religião, muitos dos quais adotando mesmo a língua árabe, além do idioma nativo. Estas populações juntaram-se aos árabes na conquista da península Ibérica durante o século VIII. A chamada "civilização moura" ou "civilização mourisca", que floresceu na Idade Média, era predominantemente árabe.

Com o avanço do processo da Reconquista, os mouros perderam grande parte de seu território na península no final do século XIII. Finalmente, em 1492, os Reis Católicos conquistaram o Reino de Granada e expulsaram os últimos mouros da península. A maioria dos refugiados estabeleceu-se no norte de África.

Desse modo, a palavra "mouro" pode referir-se a todos os habitantes do noroeste da África que são muçulmanos ou falam o árabe ou, ainda, aos muçulmanos de origem espanhola, judaica ou turca que vivem no norte da África. 

Arquitetura Moura 

Alhambra Palace, Granada
- Espanha
A Catedral de Córdoba, uma das maiores mesquitas do mundo.
O minaret de Sevilha com suas proporções monumentais.
O palácio de ALHAMBRA, em Granada.

A influência da arte moura na Espanha foi além das áreas onde viviam os mouros. Criaram um estilo artístico sem igual, ambos em Arquitetura e em iluminação que floresceu de meados do século IX a princípios do século XI. Nesta arte, os cristãos que habitam ainda ao norte da península ibérica se valeram de influências mouras e orientais para formar um estilo que consiste em elementos evidentes em igrejas pela área.

Após a Reconquista, os cristãos empregaram trabalhadores mouros conhecedores de técnicas de edificação e decoração, criando um estilo chamado Mudejar, que persistiu até mesmo após a retirada total dos mouros da península.