segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Teodósio

Moeda de Teodósio.
Teodósio I, dito o Grande (nascido Flávio Teodósio, 11 de janeiro de 347 - Milão, 17 de janeiro de 395), foi um imperador romano. Filho do conde Teodósio, foi o último líder de um Império Romano unido - após a divisão entre os seus herdeiros, o império nunca mais seria governado por apenas um homem. Seu reinado é conhecido principalmente pelo Édito de Tessalônica que institui o cristianismo como religião oficial do império. 

O imperador Graciano nomeou Teodósio co-imperador do Império Romano do Oriente em 378, após a morte do imperador Valente, morto pelos godos na Batalha de Adrianópolis (378). Teodósio, após algumas campanhas inconclusivas, acabou por fazer um tratado pelo qual os godos preservavam sua independência política no interior do Império Romano em troca da obrigação de fornecerem tropas ao exército imperial. Este tratado seria uma das causas do enfraquecimento militar romano que levaria ao saque de Roma pelos mesmos godos em 410.

Após a morte do filho de Graciano, Valentiniano II em 392, a quem ele tinha apoiado contra várias usurpações, Teodósio acabou por tomar o Ocidente do império e governou como imperador único, após derrotar o usurpador Flávio Eugénio em 6 de setembro de 394, na batalha do rio Frígido.

Acontecimentos Religiosos

Seu reinado é mais notável por acontecimentos religiosos do que por acontecimentos políticos. Cristão fervoroso, ele colocou o paganismo fora da lei e transferiu o título de sumo pontífice (alto sacerdote) do imperador para o bispo de Roma, Pôs um termo aos rituais pagãos, como as Olimpíadas, e permitiu que multidões cristãs destruíssem os antigos santuários, tais como o Serapeu, que fazia parte do complexo da Biblioteca de Alexandria. 

Teodósio foi educado numa família cristã. Ele foi batizado em 380 d.C., durante uma doença severa, como era comum nos tempos dos primeiros cristãos. Em fevereiro desse mesmo ano, ele e Graciano fizeram publicar um édito deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos bispos de Roma e do patriarca de Alexandria. 

Historicamente, durante o período de Teodósio alguns eventos humilhantes evidenciaram a ascensão cada vez maior da Igreja Católica. Após vencer a guerra contra Máximo e ordenar o Massacre de Tessalônica, Teodósio pretendia, como era costume se sentar ao presbítero da igreja de Milão, mas foi proibido pelo bispo Ambrósio de entrar sem que antes fizesse uma confissão pública.

Ambrósio excluiu o imperador da comunhão e durante oito meses a tensão se manteve, até que Teodósio, durante o Natal, vestido com um saco de penitência, foi perdoado. Teodósio afirmaria mais tarde: "sem dúvida, Ambrósio me fez compreender pela primeira vez o que deve ser um bispo". Desde então o poder eclesiástico de julgar os poderes públicos, não só em questões dogmáticas mas também por seus erros públicos, prevaleceu até a Idade Moderna.

Em 388, a população cristã incendiou a sinagoga de Calínico, pequena cidade na Mesopotâmia. As autoridades civis informaram Teodósio, que instruiu o bispo a reconstruir a sinagoga com os próprios recursos e a punir os incendiários. Ambrósio, bispo de Milão, ouvindo disso, fez representação a Teodósio ao longo das linhas de que queimar sinagogas era agradar a Deus, e de que o príncipe cristão não teria direito de intervir. A história é complexa e, para a abreviar, basta dizer que Teodósio estava sendo forçado a submeter-se a Ambrósio e revogar as suas instruções para a restituição da sinagoga.

Esse episódio é significante, porque exemplifica a mudança do império pluralista para o Estado cristão. Teodósio começou a sua resposta à queima da sinagoga em Calínico se comportando como um imperador pagão o teria feito, ansioso de manter lei e ordem, respeitando os direitos aceitos dos judeus. Ambrósio desafiou o auto-entendimento da sua qualidade de imperador, encarregando-o a comportar-se como imperador cristão, que não deveria mostrar boa vontade aos judeus, ou até eqüidade simples. Isso era, segundo Ambrósio, inconsistente com a Cristandade. O dever do imperador cristão, segundo Ambrósio, era garantir o triunfo da verdade (na sua visão, o cristianismo) sobre o erro (na sua visão, o judaísmo). 

Teodósio capitulou, e a Igreja tinha a última palavra. A separação entre o cristianismo e o judaísmo, efetivada teologicamente em 325 no Primeiro Concílio de Niceia, era agora lei sob os imperadores romanos, que tomaram os seus conselhos da Igreja. O incidente de Calínico é o símbolo da conquista do antissemitismo eclesial. A Igreja podia agora manejar, e manejou, para influenciar a legislação imperial num modo danoso para os judeus.

Mas foi justamente em virtude do crescimento do poder do catolicismo que ocorreu a sobrevida ao Império Romano do Oriente, já que o do Ocidente passaria a ser dirigido a partir do ano de 476 por povos então chamados de bárbaros.

Santo Agostinho

Santo Agostinho, o teólogo que só perde para São Paulo em importância na criação do cristianismo como o conhecemos hoje em dia, ficou sendo um nome proeminente nessa época. Agostinho passara sua juventude gozando os prazeres da carne; quando cresceu, tornou-se religioso em 386 d.C., e superou a todos com essa nova paixão. Discorreu sobre o problema do livre arbítrio, desenvolveu o conceito de pecado original, de bebês não batizados condenados ao fogo eterno, considerou ilegal o sexo e transformou o cristianismo de um movimento popular em um curso de filosofia de pós-graduação. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Flávio Honório

Flávio Honório foi um imperador romano do ocidente já nos anos finais do império, além de ter sido uma peça chave no declínio de Roma. Seu reinado foi marcado pelo saque de Roma em 410, entre outros eventos trágicos.

Governo

Nomeado Augusto aos onze anos de idade, com a morte de seu pai Teodósio, seu irmão Arcádio assumiu o trono imperial do oriente e Honório assumiu o trono imperial do ocidente sob a tutela do mestre dos soldados (magister militum) Estilicão, um general de origem metade vândala e metade romana, casado com Serena, a sobrinha favorita de Teodósio I (pai de Honório). Estilicão governou de fato, devido à fraca personalidade do imperador, que fez casar com duas de suas filhas em sequência: Maria e Termância.

Durante o reinado de Flávio Honório foi baixado o édito que acabou com as lutas gladiatoriais (404), e a Gália foi ocupada pelos Vândalos, Suevos e Alamanos (406). Estilicão caiu em desgraça por demonstrar-se incapaz de conter as invasões bárbaras, e ainda por suspeitar-se de que conspirava com os Visigodos para colocar seu filho Euquério como herdeiro do imperador, e acabou executado (408).

Durante seu reinado ocorreu ainda o saque de Roma pelos visigodos, sob o comando de Alarico I (24 de agosto de 410), durante o qual o imperador refugiou-se em Ravena, um dos eventos mais desastrosos da história de Roma, e que repercutiu da Britânia até a Judeia. A fraqueza e timidez do imperador se combinaram às circunstâncias históricas dos ataques de vândalos e visigodos, para tornar seu governo um dos piores dos anais romanos, suas intervenções nas correntes de eventos foram invariavelmente negativas, contribuindo para o enfraquecimento e o declínio final do Império Romano do Ocidente.

Morreu de Hidropisia aos 38 anos. 

Invasão dos Godos e Visigodos

Com Teodósio morto, os godos se consideraram livres de seu acordo, que era de ficarem estabelecidos pacificamente. Eles se aventuraram e começaram a saquear os Balcãs para cima e para baixo, contra uma resistência romana fraca, ineficaz. Já em 402 os visigodos haviam invadido a Itália. Com um exército inimigo do lado civilizado dos Alpes pela primeira vez em seiscentos anos, Honório retirou a corte de Milão, que se via perigosamente exposta numa ampla planície, para Raneva, no litoral, atrás de intransponíveis pântanos. Estílico derrotou os visigodos, que recuaram para reconsiderar suas opções.

Com grande parte do exército romano na Itália caçando os visigodos, a fronteira norte enfraqueceu suas defesas, de modo que, em 406, uma grande horda bárbara, a maioria formada de vândalos germânicos e suevos, juntamente com alanos iranianos, cruzou o rio Reno congelado, em Mainz, sem encontrar oposição. Avançaram pela Gália, queimando, matando e estuprando, até que atravessaram os Pirineus, entrando na Espanha. 

Fazer para a invasão não era a maior prioridade na corte. Honório estava mais preocupado com o fato de Estílico estar se tornando poderoso demais, de modo que mandou assassiná-lo em 408.

Constantino, da Britânia

Vendo o caos se apossar do continente, Constantino, o comandante do exército romano na Britânia, declarou a si próprio imperador do Império do Ocidente. Cruzou o canal da Mancha para a Gália a fim de consolidar sua reivindicação, deixando os bretões para se defenderem sozinhos, com uma independência que não queriam.
Com as tropas leais tão escassas, Honório não estava em posição para se defrontar com Constantino. Assim, foi forçado a aceitá-lo como coimperador, mas, antes que o imperador Constantino III pudesse tomar posse e gozar das benesses do poder, um de seus próprios generais se revoltou e elevou ao trono um terceiro imperador. Depois disso, as coisas ficaram mais complicadas. Outras guarnições tomaram partido, e logo todos os romanos do noroeste da Europa estavam combatendo entre si. Por fim, entretanto, todos os usurpadores romanos e suas famílias foram assassinados. Diversas cabeças foram colocadas triunfalmente em lanças por toda a região, a de Constantino entre elas.

Os Francos e os Borgúndios

Nesse ínterim, duas outras tribos haviam se infiltrado em províncias romanas, na esteira dos vândalos. Os francos, que anteriormente se estabeleceram como federados no delta do Reno, agora se espalhavam mais para o interior da região, a qual, mais tarde receberia seu nome (França). Os Borgúndios fizeram o mesmo, terminando na Borgúndia. Os funcionários romanos locais oram forçados a pagar tributo a essas tribos até que alguém pudesse ir em socorro e expulsar os intrusos. Isso levou mais tempo do que qualquer um imaginava. 

Lenda do rei Artur

Embora o continente ainda continuasse sob o controle (nominal) de Roma, o imperador Honório enviou uma carta aos bretões declarando oficialmente que eles estavam entregues à própria sorte. Não havia nada que o Império pudesse fazer por eles. Durante as décadas que se seguiram, tribo após tribo de bárbaros - pictos, escoceses, anglos, saxões e jutos, vindo de diversas direções, Irlanda, Escócia e Dinamarca - aproveitara-se da oportunidade e mergulharam a Bretanha em uma era de violência, sem registros históricos. Sem um defensor verdadeiro que pudesse ir em seu socorro, os inermes bretões tiveram de sonhar que isso acontecia, e então surgiu a lenda do rei Arthur.

Saque de Roma

Nesse ínterim, Alarico voltou com seus visigodos em 409, e extorquiu um enorme resgate da cidade de Roma. Quando ele apresentou suas exigências nos portões da cidade, os romanos ficaram chocados. O que sobraria? "Suas vidas", respondeu ele.

Isso manteve Alarico financiado por cerca de um ano, mas então ele retornou em 410, apoderou-se da cidade e a saqueou durante vários dias. Embora Roma não fosse mais a capital, e o saque fosse mais um roubo do que a destruição indiscriminada, a queda da cidade chocou o mundo civilizado. Era claro que o que estava acontecendo era mais do que apenas outras disputa dinástica.

A fraqueza e timidez do imperador se combinaram às circunstâncias históricas dos ataques de vândalos e visigodos, para tornar seu governo um dos piores dos anais romanos, suas intervenções nas correntes de eventos foram invariavelmente negativas, contribuindo para o enfraquecimento e o declínio final do Império Romano do Ocidente.

Morreu de Hidropisia aos 38 anos.

O Império Romano é como os dinossauros. Ambos são mais famosos por terem desaparecido do que por terem sobrevividos todos esses séculos; entretanto, a cidade de Roma permanecera sem ser saqueada por estrangeiros por oitocentos anos (390 a.C. - 410 d.C.).

sábado, 17 de novembro de 2012

Valentiniano III

Valentiniano, Justa Grata Honória (sua irmã)
e Gala Placídia em miniatura na coroa do rei Desidério,
 no Museu de Santa Júlia.
Valentiniano III foi um imperador romano do Ocidente que reinou entre 425 e 455), já na fase da decadência do império. Permaneceu na dependência de Teodósio II, imperador do Oriente. No seu reinado, perdeu a Bretanha e deixou os Vândalos instalaram-se no império, tal como os Hunos, pouco tendo feito de relevante, apesar de ter estado muitos anos no trono.

Ascensão ao trono 

Valentiniano deve o seu trono ao primo Teodósio II. Ascendeu ao trono imperial em 23 de outubro de 425, quando tinha apenas seis anos. Inicialmente, sua mãe, Gala Placídia, exerceu as funções de regente, mas a partir de 433 o poder passou para as mãos do comandante-em-chefe Flávio Aécio.

As invasões bárbaras 

O imperador do Oriente, Teodósio II, cedeu a margem sul do Danúbio ao controle huno, e pagou uma enorme soma para que esses bárbaros não chegassem mais perto, mas o imperador do Ocidente, Valentiniano, tinha muitas outras prioridades, e não tinha dinheiro bastante para proteger sua metade do império. Os hunos atravessaram o Danúbio e assolaram a Panônia romana (Hungria ocidental), fazendo rápidas pilhagens, de vez em quando, para manter a prática.

Enquanto isso, o imperador romano estava com a sua atenção desviada por um dos mais destrutivos episódios de rivalidade entre parentes na história. A irmã de Valenciano, Honória, viu-se envolvida romanticamente com o administrador de suas terras, coisa politicamente perigosa, de modo que eles conspiraram para derrubar o irmão dela antes que ele descobrisse o romance.

Infelizmente chegaram atrasados; o imperador já sabia. Ele mandou decapitar o amante da irmã e teria feito o mesmo com ela não fosse a intervenção de Placidia. A família imperial tentou, então forçar Honória a casar com um senador idoso e seguro, mas ela foi inflexível na sua recusa. Finalmente todo mundo concordou que Honória deveria ser despachada para Constantinopla, onde ficaria confinada.

Tendo perdido o primeiro embate, Honória escreveu secretamente para Átila, o rei dos hunos, propondo uma aliança conjugal, confiando a seu eunuco a entrega da carta ao chefe bárbaro, juntamente com seu anel, para garantir a autenticidade da proposta. Quando a nova conspiração foi descoberta, o imperador do Oriente Teodósio II, rapidamente devolveu o problema para Ravena, despachando Honória de volta para casa, com o conselho de que seu primo, Valenciano, deveria concordar com o casamento por motivos políticos. Placidia concordou, mas Valenciano ficou furioso. Foi necessário toda a influencia de Placidia para dissuadi-lo de mandar matar sua irmã por toda a confusão que ela causara; entretanto, tanto Placidia quanto Teodósio II morreram por essa época, o que deixou a decisão final para Valenciano, que não tinha nada a ver com aquela união. Honória, foi forçada a casar com um romano sem importância e foi exilada, desaparecendo da história depois disso.

Átila Contra o Império Romano

Infelizmente não foi fácil demover Átila da ideia. A ele fora prometida uma noiva imperial, e dane-se, era melhor que pagassem. Ele avançou contra o império para reivindicar Honória, além de um esperado dote de metade do império. Atacando pelo rio Reno, ele varreu o norte da Gália, deixando atrás de si uma reputação de destruição que perduraria por mil anos. 

Conforme os hunos penetravam cada vez mais no fundo do pais, outro saque de Roma parecia provável, mas Átila mudou de ideia depois de encontrar-se com algumas pessoas notáveis locais, tais como o papa Leão. Ninguém sabe por que Átila fez meia-volta e voltou para sua terra, mas possíveis explicações incluem tudo, desde a milagrosa aparição dos apóstolos Paulo e Pedro, passando por um surto de peste, a percepção por parte de Átila de que seus recursos estavam no limite até um simples pagamento. 

Assassinato e vingança 

Destes acontecimentos catastróficos aproveitaram-se os adversários de Flávio Aécio, que persuadiram Valentiniano III a desembaraçar-se dele. Aécio acabou pois assassinado por ordem do próprio imperador, em 454. Mas pouco depois, em 16 de março de 455, subitamente, dois soldados do corpo da guarda pretoriana às ordens de Aécio vingaram-se de Valentiniano III, assassinando-o.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Petrónio Máximo

Petrónio Máximo foi imperador do Ocidente que governou nos meses de março e abril de 455, ano da sua morte. Antigo magistrado, chegou a imperador, já no período da capitulação de Roma, através de intrigas e esquemas palacianos, de que acabou por ser vítima também.

Depois de ter abraçado muitas magistraturas importantes na Itália, Petrónio Máximo coroou a sua carreira com a proclamação de imperador, embora o seu reinado tenha durado apenas onze semanas. Nomeado duas vezes perfeito urbano (420-421 e ainda antes de 433), duas vezes também prefeito pretoriano da Itália (435 e 439-441) e duas vezes cônsul (a primeira vez a par de Teodósio II), Petrónio Máximo participou provavelmente no assassínio do imperador Valentiniano III em 455.

A sua pretensão ao trono como sucessor deste tinha como fundamento as várias magistraturas que detivera na sua carreira, bem como a sua riqueza e o seu casamento com Eudósia, viúva do imperador. Esta, que suspeitava de Petrónio Máximo como mandante da morte de seu marido, Valentiniano III, pediu a ajuda a Genserico, o vândalo, então rei de Cartago.

Perante a notícia da aproximação dos exércitos de Genserico, Petrónio Máximo tratou de fugir de Roma, mas logo foi feito prisioneiro e acabou linchado pelo povo de Roma.

O Segundo Saque de Roma

Genserico saqueia Roma.
Em 455, o rei vândalo Genserico navegou com sua poderosa frota da sua capital em Cartago, até o Tibre e finalmente saqueou Roma. O assassinato e e usurpação do trono do imperador anterior (Valentiniano III) por Petrónio Máximo no mesmo ano foi visto por Genserico como uma invalidação de seu tratado de paz de 442 com Valentiniano. 

Com a chegada dos vândalos, de acordo com Próspero, o Papa Leão I implorou a Genserico para não destruir a antiga cidade ou assassinar seus habitantes. Genserico concordou e as portas de Roma então foram abertas para ele e seus homens. Maximus, que fugiu em vez de lutar com vândalos foi morto por um romano fora da cidade. 

É aceito que Genserico saqueou grandes tesouros da cidade, incluindo o candelabro de ouro saqueado do Jerusalém, e também que tomou a viúva de Valentiniano, imperatriz Licínia Eudóxia, e suas filhas como reféns. Uma dessas filhas foi Eudócia, que mais tarde casou-se com Hunerico, filho de Genserico. A outra era Placídia, esposa de Olíbrio. 

Há, porém, algum debate sobre a severidade do saque vândalo. O saque de 455 é geralmente visto pelos historiadores como sendo mais destruidor que o saque de 410 pelos visigodos, porque os vândalos permaneceram em Roma por catorze dias, enquanto que os visigodos permaneceram apenas três. 

A causa de maior controvérsia, porém, é a alegação de que o saque foi relativamente "limpo"', e que não houve muitos assassinatos e violência, e os vândalos não queimaram edifícios na cidade. Esta interpretação parece vir da alegação de Próspero, de que o Papa Leão conseguiu persuadir Genserico a refrear a violência. 

Porém, Vítor de Vita registrou quantos carregamentos de cativos chegaram à Africa vindos de Roma, com o propósito de ser vendidos como escravos. Similarmente, o historiador bizantino Procópio relata que ao menos uma igreja foi destruída.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Rômulo Augusto

Flávio Rômulo Augusto foi, em 31 de outubro de 475, com idade entre 15 e 18 anos, empossado na função de imperador por seu pai, o general romano Flávio Orestes (que havia anteriormente servido a Átila, o Huno). Imposto por seu pai que depôs o imperador legítimo, Júlio Nepos, viu-se impotente frente a um império em crise. Devido à pouca idade e à inexperiência, é conhecido pelo depreciativo de "Rómulo Augústulo" ("pequeno Augusto).

Em todo o século V, Roma e a península Itálica viram-se várias vezes assolados por incursões de visigodos, hunos e vândalos. O império, embora vacilante, conseguia reagir e sobreviver.

A data de deposição de Rômulo Augústulo pelo bárbaro Odoacro (4 de setembro de 476), na cidade de Ravenna, é tradicionalmente conhecida como o fim do Império Romano do Ocidente, o fim da Idade Antiga e o começo da Idade Média. Segundo Jordanes, Rómulo Augusto terminou sua vida no exílio, na Campânia. Seu substituto, Odoacro, nunca chegou a ser considerado imperador do Ocidente, mas apenas rei da Itália, sob o comando do Imperador Romano do Oriente.

Coincidentemente, o último imperador de Roma tem o mesmo nome de seu suposto primeiro rei.

O último imperador: Rômulo Augusto ou Júlio Nepos?

Como Rômulo Augusto era um usurpador, Júlio Nepos legalmente manteve o título de imperador quando Odoacro tomou o poder. Alguns têm argumentado que Nepos, que reinou na Dalmácia até seu assassinato em 480, deveria ser reconhecido como último imperador romano do ocidente, observando que Odoacro cunhou moedas em nome de Nepos e não usou o título imperial para si. Mas poucos dos contemporâneos de Nepos na Itália (Dalmácia e Gália sempre foram leais a Nepos) desejavam apoiá-lo após ele ter fugido àquela província.

Deposição 

Rômulo Augusto abdica à coroa.
Odoacro, à frente de um exército de esciros, matou Orestes em Placência e seu irmão Paulo no arboredo de Classis, próximo de Ravena. Odoacro entrou em Ravena, depôs o imperador Rômulo Augusto, mas, com pena por ele ser jovem, poupou a sua vida, e, por causa de sua beleza, deu-lhe uma pensão de seis mil peças de ouro, enviando-o para a Campânia, para viver como um homem livre com seus parentes.

A queda de Roma ocorreu no oitavo ano do pontificado do Papa Simplício.

Depois do golpe de Odoacro, o senado romano enviou uma carta a Zenão I, dizendo que "a majestade de um só monarca é suficiente para prover e proteger, ao mesmo tempo, ambos o Leste e o Oeste". Com a demanda de Odoacro para tornar-se patrício, o imperador oriental respondeu que Odoacro havia sido nomeado patrício por Nepos e que isso ainda era válido. Quando Odoacro enviou a insígnia imperial a Constantinopla, Zenão aceitou-a, agradecido.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Carlos Magno

Estátua de Carlos Magno
em Frankfurt.
Carlos Magno do latim Carolus Magnus, ou Carlos I, dito "O Grande" na numenclatura que se inicia com Clóvis I, nascido em 742 em Jupille-sur-Meuse, Herstal e falecido a 28 de janeiro de 814 em Aquisgrano, foi o rei dos francos entre 768 e imperador do ocidente (Imperatur Romanorum) entre 800 até a sua morte em 814. Pertence à dinastia Carolíngia, à qual ele deu o seu nome. Por meio das suas conquistas no estrangeiro e de suas reformas internas, Carlos Magno ajudou a definir a Europa Ocidental e a Idade Média na Europa. Ele é chamado de Carlos I nas listas reais da Alemanha (como Karl), na França (como Charles) e do Sacro Império Romano-Germânico.

Ele era filho do rei Pepino, o Breve e de Berta de Laon, uma rainha franca. Carlos reinou primeiro em conjunto com seu irmão Carlomano, sendo a relação entre os dois o tema de um caloroso debate entre os cronistas contemporâneos e os historiadores.

Autógrafo de
Carlos Magno.
Foi rei dos Francos a partir de 768. Tornou-se, por conquista, rei dos lombardos em 774 e foi coroado Imperator Augustus em Roma pelo papa Leão III em 25 de dezembro de 800, restaurando um cargo em desuso desde a queda do Império Romano do Ocidente em 476.

Monarca guerreiro, expandiu o Reino Franco através de uma série de campanhas militares, em particular contra os saxões pagãos cuja submissão foi bastante difícil e muito violenta (772-804), mas também contra os lombardos em Itália e os muçulmanos de Espanha, até que este se tornou o Império Carolíngio, que incorporou a maior parte da Europa Ocidental e Central. Durante o seu reinado, ele conquistou o Reino da Itália.

Posteriormente, o exército de Carlos, em retirada, sofreu a sua pior derrota nas mãos dos bascos na Batalha de Roncesvalles (778) (eternizada Canção de Rolando, de teor fortemente fictício). Ele também realizou campanhas contra os povos a leste, principalmente os saxões e, após uma longa guerra, subjugou-os ao seu comando. Ao cristianizar à força os saxões e banindo, sob pena de morte, o paganismo germânico, ele os integrou ao seu reino e pavimentou o caminho que levaria à futura dinastia Otoniana.

Soberano reformador, preocupado com a ortodoxia religiosa e cultura, ele protegeu as artes e as letras.O seu reinado também está associado com a chamada "Renascença carolíngia", um renascimento das artes, religião e cultura por meio da Igreja Católica.

O seu trabalho político imediato, o império, não lhe sobrevive, no entanto, por muito tempo. Em conformidade com o costume sucessório germânico, Carlos Magno promove a partir de 806 a partilha do império entre os seus três filhos. Após numerosas peripécias, o império acabará finalmente partilhado em entre três dos seus netos (Tratado de Verdun).

A fragmentação feudal dos séculos seguintes, mais a formação na Europa de Estado-nações rivais condenaram à impotência aqueles que tentaram explicitamente restaurar o império universal de Carlos Magno, em particular os governantes do Santo Império Romano Germânico, de Otão I em 962 no século XVI, e até mesmo Napoleão I, perseguido pelo exemplo dos mais eminentes dos Carolíngios.

As monarquias francesa e alemã descendentes do império governado por Carlos Magno na forma do Sacro Império Romano-Germânico cobriam a maior parte da Europa. Em seu discurso de aceitação do Prêmio Carlos Magno, o papa João Paulo II se referiu a ele como Pater Europae ("Pai da Europa"): "...seu império uniu a maior parte da Europa Ocidental pela primeira vez desde os romanos e a Renascença carolíngia encorajou a formação de uma identidade europeia comum".
Evolução do território franco.
As conquistas de Carlos Magno estão em verde claro.
Os territórios além-fronteira representados em verde
são os vassalos do Império Carolíngio.
A figura de Carlos Magno foi objeto de discórdia na Europa, incluindo a questão política entre os séculos XII e XIX entre a nação germânica que considera o Santo Império Romano como o sucessor legitimo do imperador carolíngio e a nação francesa que é de facto um elemento central da continuidade dinástica dos Capetianos.

Os dois principais textos do século IX que retratam o Carlos Magno real, a "Vita Caroli Magni", de Eginhardo, e a "Gesta Karoli Magni", atribuída a um monge da Abadia de São Galo chamado Notker, igualam as lendas e mitos enumerados nos séculos seguintes: "Há o Carlos Magno da sociedade vassálica e feudal, o Carlos Magno da Cruzada e da Reconquista, o Carlos Magno inventor da Coroa de França ou da Coroa Imperial, o Carlos Magno mal canonizado mas tido como verdadeiro santo da igreja, o Carlos Magno da boa escola".

Morte

Carlos Magno morreu a 28 de janeiro de 814 em Aquisgrano, de uma doença aguda que parece ter sido uma pneumonia.

Tumba de Carlos Magno,
em Saint-Denis
Segundo Éginhardo, Carlos Magno não teria deixado nenhuma indicação relativa ao seu funeral, após as cerimônias fúnebres simples na Catedral de Aquisgrano (embalsamamento e sepultamento antes da cerimônia durante a qual uma "efígie viva" provavelmente colocada em seu caixão para o representar), ele foi enterrado numa cova no mesmo dia sob o pavimento da Capela Palatina. 

O monge Ademar de Chabannes, na sua Chronicon, crónica escrita entre 1024 e 1029, torna este funeral mais faustoso, criando o mito de um Otão III, que encontrou uma adega abobadada na qual o Imperador "com a barba que flui" está sentado num banco de ouro, revestido com as suas insígnias imperiais, cingindo a sua espada de ouro, com as mãos um Evangelho de ouro, e sobre a sua cabeça uma coroa com um pedaço da Cruz Verdadeira. Em 1166, Frederico Barbaruiva, depois de obter a canonização de Carlos Magno, faz abrir o túmulo para depositar os seus restos mortais num sarcófago de mármore onde diz "sarcófago de Proserpina", a 27 de julho de 1215 Frederico II começa um segundo translatio num sarcófago de ouro e em prata. Segundo a lenda, durante a exumação, foi encontrado pendurado no pescoço de Carlos Magno o talismã, que ele sempre usava.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Alfredo de Wessex

Alfredo da Inglaterra, dito Alfredo, o Grande (849 — 26 de outubro de 899) foi rei de Wessex desde 871 até sua morte.

Defendeu o seu reino contra os vikings, e na altura da sua morte era o governante dominante na Inglaterra. É o único rei inglês a quem foi concedido o epiteto "O Grande". Foi também o primeiro rei dos Saxões Ocidentais que se autoproclamou "Rei dos Anglo-Saxões. 

Os detalhes de sua vida são conhecidos graças ao bispo Asser e a um cronista galês do século X. A reputação de Alfredo é de um homem culto e misericordioso, que incentivou a educação e melhorou o sistema legal e a estrutura militar do seu reino.

Infância

Alfredo nasceu na localidade de Wanating, actualmente Wanatag, Oxfordshire, sendo o filho mais novo do Rei Etelvulfo de Wessex, rei de Wessex, e da sua primeira esposa, Osburga.

Em 855, com idade de 4 anos, diz-se que Alfredo foi enviado a Roma, onde de acordo com a Crónica Anglo-saxónica, ele foi confirmado pelo Papa Leão IV que, "o ungiu como rei". Escritores vitorianos interpretaram este episódio como uma coroação antecipada em preparação para a sua sucessão definitiva ao trono de Wessex. Contudo, esta sucessão não podia ser prevista na época, porque Alfredo tinha três irmãos mais velhos vivos.  

Quando o rei Etelvulfo (pai de Alfredo) morreu em 13 de janeiro de 858, Wessex foi dividido pelos três irmãos de Alfredo: Etelbaldo, Etelberto e Etelredo. 

O bispo Asser conta a história de que o jovem Alfredo passou um tempo na Irlanda á procura de cura. Alfredo foi acometido por problemas de saúde durante a sua vida, possivelmente doença de Crohn. As estátuas de Alfredo em Winchester e Wantage retratam-no como um grande guerreiro. Evidências sugerem que não seria forte fisicamente, e embora sem falta de coragem, foi mais conhecido pelo seu intelecto do que pelo seu carácter bélico. 

Reinado dos irmãos de Alfredo

Durante os curtos reinados de dois dos três irmãos mais velhos, Etelbaldo de Wessex e Etelberto de Wessex, Alfredo não é mencionado. Um exercito dinamarquês que a Crónica Anglo-Saxónica descreve como um Grande Exército Pagão que desembarcou no este da Anglia com o intuito de conquistar os quatro reinos que constituíam a Inglaterra Anglo-Saxónica em 865. Foi com o pano de fundo de um exército viking furioso que a vida pública de Alfredo se iniciou, com a adesão do seu terceiro irmão, Etelredo de Wessex, em 866.

Foi durante este período que o bispo Asser aplica a Alfredo o titulo único de "secundarius", o que pode indicar uma posição semelhante à de Celtic tanist, um sucessor reconhecido intimamente associado ao monarca reinante. É possível que este acordo tenha sido sancionado pelo pai de Alfredo, ou pelo Wita para se proteger contra o perigo de uma sucessão ser disputada caso Etelredo de Wessex caísse em batalha.

Combate contra a invasão Viking 

Em 868, Alfredo luta ao lado do irmão Etelredo numa tentativa frustrada para manter o Grande Exército Pagão, liderado por Ivar, o Sem Ossos, fora do Reino adjacente de Mercia. No final de 870, os dinamarqueses chegaram á sua terra natal. O ano que se seguiu tem sido chamado de " o ano das batalhas de Alfredo". Nove batalhas foram travadas com resultados diferentes, embora o local e a data de duas dessas batalhas não estejam registados.

Em Berkshire, uma escaramuça com sucesso, na Batalha de Englefield a 31 de Dezembro de 870, foi seguida por uma derrota severa no cerco e batalha de Reading, pelo irmão de Ivar, Halfdan Ragnarsson a 5 de Janeiro de 871. Quatro dias mais tarde, os Anglo-Saxões conquistaram uma brilhante vitória na Batalha de Ashdown em Berkshire Downs, possivelmente perto de Compton ou Aldworth. Alfredo está particularmente relacionado com o sucesso desta batalha.

Mais tarde neste mês, a 22 de Janeiro, os Ingleses foram derrotados na Batalha de Basing. São novamente derrotados a 22 de Março na Batalha de Merton. Etelredo morre pouco depois, a 23 de Abril.

O Rei na guerra: Lutas Iniciais, Derrota e Fuga

Em Abril de 871, o Rei Etelredo morre, e Alfredo sucede-o no trono de Wessex e na tarefa da sua defesa, apesar do facto de Etelredo ter deixado dois filhos menores, Etelelmo e Etelvoldo. Este facto está de acordo com o estabelecido entre Etelredo e Alfredo no inicio do ano numa assembleia em Swinbeorg. Os irmãos concordaram que qualquer deles que sobrevivesse ao outro herdaria os bens pessoais que o Rei Etelvulfo deixou em testamento para os seus filhos.

Os filhos do falecido receberiam apenas as propriedades e riquezas que seu pai tenha estabelecido e qualquer terra adicional que o seu tio tivesse adquirido. A premissa não declarada era a de que o irmão sobrevivente seria rei. Dada a invasão dinamarquesa em curso e a juventude de seus sobrinhos, a sucessão de Alfredo foi provavelmente incontestada.

Enquanto ele estava ocupado com as cerimonias fúnebres de seu irmão, os dinamarqueses derrotaram o exército inglês na sua ausência num lugar desconhecido, e uma vez mais na sua presença, em Wilton, no mês de maio. A derrota em Wilton esmagou qualquer esperança remota de Alfredo expulsar os invasores do seu reino. Ele foi obrigado a fazer a paz, de acordo com fontes que não revelam os termos de paz.

De facto, o exército Viking retirou-se de Reading no outono de 871 para ocupar quarteis de inverno na Londres Merciana. Embora não mencionado por Asser ou pela Crónica Anglo-Saxónica, Alfredo provavelmente também pagou para os Vikings saírem, tanto como os Mercianos iriam pagar no ano seguinte. Achados que datam da ocupação Viking de Londres em 871 foram escavados em Croydon, Gravesend e Waterloo Bridge. Estes achados sugerem o custo envolvido para se fazer a paz com os Vikings. Nos cinco anos seguintes, os dinamarqueses ocuparam outras partes da Inglaterra.

Em 876, sob um novo líder, Guthrum, os dinamarqueses conseguiram passar pelo exército Inglês e atacaram e ocuparam Wareham em Dorset. Alfredo bloqueou-os mas foi ineficaz em reconquistar Wareham por assalto. Desta forma, negociou uma paz que envolveu uma troca de reféns e juramentos, que os dinamarqueses juraram sob um " anel sagrado" associado com a adoração de Thor. Os dinamarqueses, contudo, quebraram este juramento e, após matarem todos os reféns, fugiram na calada da noite para Exeter em Devon.

Alfredo bloqueou os navios Vikings em Devon, que com uma frota espalhada por uma tempestade, foram forçados a submeter-se e se retiram para Mércia. Em Janeiro de 878, os dinamarqueses fizeram um ataque repentino a Chippenham, uma praça real que Alfredo mantinha desde o Natal, "e a maioria das pessoas foram assassinadas, excepto o rei Alfredo, o qual com uma pequena tropa reunida por ele consegue fugir pelo bosque e pântano, e depois da Páscoa ele construiu uma fortaleza em Athelney graças a Uhtred, e dessa fortaleza começa a lutar contra o inimigo". A partir deste forte de Athelney, uma ilha nos pântanos de Somerset, Alfredo foi capaz de montar um movimento de resistência efectivo, reunindo milicias locais de Somersert, Wiltshire e Hampshire.

Uma lenda popular, originária de cronicas do século XII, conta como quando ele primeiro fugiu para Somerset Levels, Alfredo foi abrigado por uma camponesa, que sem saber da sua identidade, deixou-o vigiar alguns bolos que tinha deixado a cozinhar no forno. Preocupado com os problemas do seu reino, Alfredo acidentalmente deixou os bolos queimar.

870 foi de baixa maré na história dos reinos Anglo-Saxões. Com todos os outros reinos caídos perante os Vikings, Wessex sozinho continuou a resistir.

Contra-ataque e vitória

Na sétima semana após a Páscoa (4-10 de Maio de 878), por volta do Pentecostes, Alfredo cavalga até à Pedra de Egberto a este de Selwood, onde foi recebido por " todo o povo de Somerset e de Wiltshire e da parte de Hampshire que está deste lado do mar (isto é, a oeste de Southampton Water), e alegram-se ao vê-lo". O aparecimento de Alfredo a partir da sua fortaleza pantanosa foi parte de uma ofensiva planeada cuidadosamente que implicou o aumento de fyrds de três condados. Isto significa não só que o rei tinha mantido a lealdade dos membros da aristocracia (que foram encarregados da cobrança e do comando das suas forças), mas também que estes tinham mantido as suas posições de autoridade nessas localidades suficientemente bem para responder á sua convocação para a guerra. As acções de Alfredo também sugerem um sistema de olheiros e mensageiros.

O Cavalo Branco de Westbury: Muitos acreditam
que a escultura inicial foi feita para comemorar
a vitória de Alfredo sobre Danes na batalha de Ethandune,
em 878.  No entanto os historiadores
ainda tem dúvidas sobre se a batalha foi realizada
próximo ao local.
Alfredo obteve uma vitória decisiva na seguinte batalha de Edington, que possivelmente foi travada em Westbury, Wiltshire. Ele perseguiu os dinamarqueses até ao seu reduto em Chippenham e submete-os. Um dos termos de rendição foi que Guthrum se converte-se ao cristianismo. Três semanas depois o rei dinamarquês, e 29 de seus principais chefes receberam o batismo na corte de Alfredo em Aller, perto de Athelney, com Alfredo a receber Guthrum como seu filho espiritual.

A "desvinculação do crisma" ocorreu com grande cerimónia oito dias mais tarde na propriedade real em Wedmore em Somerset, após o que Guthrum cumpriu a sua promessa de deixar Wessex. Não há nenhuma evidência contemporânea de que Alfredo e Guthum tenham acordado um tratado formal neste tempo; o chamado Tratado de Wedmore é uma invenção dos historiadores modernos. O tratado entre Alfredo e Guthrum, preservado em inglês antigo no Corpus Christi College, Cambridge (manuscrito 383), e numa compilação em latim conhecida como Quadripartitus, foi negociado mais tarde, talvez em 879 ou 880, quando o rei Ceolvulfo II de Mercia foi deposto.

Este tratado dividiu o reino de Mercia. Nestes termos a fronteira entre o reino de Alfredo e Guthrum estendeu-se do rio Tamisa ao rio Lea; seguindo o Lea até à sua nascente (perto de Luton); a partir daqui estende-se numa estreita linha até Bedford; e a partir de Bedford seguindo o rio Ouse até Watling Street.

Por outras palavras, Alfredo consegue o reino de Ceolvulfo, composto pela Mercia ocidental; e Guthrum incorporou a parte oriental de Mercia no reino alargado da Anglia Este (doravante conhecido por Danelaw). Pelos termos do tratado, além disto, Alfredo tinha o controle sobre a cidade de Londres merciana - pelo menos na altura. A disposição de Essex, realizada por reis saxões do Ocidente desde os dias de Egberto, não é clara a partir do tratado, no entanto, dada a superioridade política e militar de Alfredo, teria sido surpreendente se ele tivesse concedido qualquer território em disputa para o seu novo afilhado.  

Os anos tranquilos; a Restauração de Londres (880s)

Com a assinatura do Tratado de Alfredo e Guthrum, um evento ocorreu por volta de 880, quando o povo de Guthrum começou a estabelecer-se na Anglia. Este, Guthrum foi neutralizado como ameaça. Em conjunto com este acordo um exército dinamarquês deixou o ilha e partiu para Ghent.

Alfredo ainda foi obrigado a lidar com uma série de ameaças dinamarquesas. Um ano mais tarde, em 881, Alfredo travou uma pequena batalha naval contra quatro navios dinamarqueses "em alto-mar". Dois dos navios foram destruídos e os outros renderam-se às forças de Alfredo. Pequenas escaramuças similares com invasores independentes Viking teriam ocorrido durante décadas.

No ano de 883, embora haja algum debate sobre o ano, o rei Alfredo, por causa de seu apoio e da sua doação de esmolas a Roma, recebeu uma série de presentes do Papa Marinus. Entre estes presentes encontrava-se um pedaço da verdadeira cruz, um verdadeiro tesouro para o rei saxão devoto. De acordo com a Asser, por causa da amizade do Papa Marinus com o rei Alfredo, o papa concedeu uma isenção a anglo-saxões que residissem dentro de Roma de imposto ou tributo.

A morte de Guthrum marcou uma mudança na esfera política de Alfredo. A morte de Guthrum criou um vazio de poder que incitou outros senhores da guerra, sedentos de poder, e ansiosos pelo seu lugar nos anos seguintes. Os anos tranquilos da vida de Alfredo estavam a chegar ao fim, e a guerra estava no horizonte.

Novos ataques vikings repelidos (890s) 

Depois de mais um período de calma, no outono de 892 ou 893, os dinamarqueses atacaram novamente. Encontraram a sua posição na Europa continental precária, cruzaram a Inglaterra em 330 navios em duas divisões. Entrincheirados, o corpo maior em Appledore, Kent, e o menor, sob Hastein, em Milton, também em Kent. Os invasores trouxeram as suas esposas e filhos com eles, indicando uma tentativa significativa de conquista e colonização. Alfredo, em 893 ou 894, assumiu uma posição de onde podia observar ambas as forças.

Enquanto ele estava em negociações com Hastein, os dinamarqueses em Appledore quebraram e atingiram o noroeste. Eles foram surpreendidos pelo filho mais velho de Alfredo, Eduardo, e foram derrotados num combate geral no Farnham em Surrey. Eles refugiaram-se numa ilha em Thorney, em Hertfordshire Rio Colne, onde foram bloqueados e foram finalmente forçados a submeter-se. A força caiu em Essex e, depois de sofrer outra derrota em Benfleet, uniram-se à força de Hastein em Shoebury.

Alfredo estava a caminho para aliviar o seu filho em Thorney quando ouviu que os Nortúmbrios e os dinamarqueses este anglianos sitiavam Exeter e uma fortaleza sem nome na costa norte de Devon. Alfredo imediatamente correu para oeste e levantou o cerco de Exeter. O destino do outro lugar não é conhecido. Enquanto isto ocorria, a força estabelecida sob Hastein marchou até ao Vale do Tamisa, possivelmente com a ideia de ajudar os seus amigos, no oeste. Mas eles foram recebidos por uma grande força dos três grandes ealdormen de Mércia, Wiltshire e Somerset, e forçando a frente para o noroeste, finalmente os alcançaram e bloquearam em Buttington. Alguns identificam isto como Buttington Tump na foz do rio Wye, outros como Buttington perto de Welshpool. Uma tentativa de romper as linhas inglesas foi derrotada. Os que escaparam recuaram para Shoebury. De seguida, após a recolha de reforços, eles fizeram uma invasão repentina em toda a Inglaterra e ocuparam as muralhas romanas arruinadas de Chester. Os Ingleses não tentaram um bloqueio de inverno, mas contentaram-se em destruir todas os abastecimentos no distrito. No início de 894 (ou 895), a necessidade de alimentos obrigou os dinamarqueses a retirarem-se mais uma vez para Essex. No final deste ano e no início de 895 (ou 896), os dinamarqueses enviaram os seus navios pelo rio Tamisa e pelo Rio Lea e fortificaram-se 20 milhas (32 km) a norte de Londres. Um ataque direto contra as linhas dinamarquesas falhou, mas, no final do ano, Alfredo viu uma forma de obstruir o rio, de modo a impedir a saída dos navios dinamarqueses. Os dinamarqueses perceberam que estavam encurralados. Eles atacaram o norte - oeste e o inverno no Cwatbridge perto Bridgnorth. No ano seguinte, 896 (ou 897), eles desistiram da luta. Alguns retiraram-se para a Nortumbria, e outros para a Anglia. Aqueles que não tinham ligações na Inglaterra retiraram-se de volta para o continente.

Aparência e caráter

Asser conta que Alfredo não aprendeu a ler até aos 12 anos de idade ou mais tarde, o que é descrito como "vergonhosa negligência 'de seus pais e tutores. É verdade, porém, que Alfredo era um excelente ouvinte e tinha uma memória incrível, e que retinha a poesia e os salmos muito bem.  

Embora ele fosse o mais novo dos seus irmãos, foi provavelmente o de maior espírito aberto. Apesar de se ter tornando um dos maiores guerreiros e forjadores da paz no reino, ele foi um dos primeiros defensores da educação. O seu desejo de aprendizagem poderá ter surgido do seu amor precoce pela poesia inglesa e pela incapacidade de ler ou memorizar fisicamente até mais tarde na vida. 

Família 

Em 868, Alfredo casou-se com Elesvita, filha de um nobre merciano, Etelredo Mucil, senhor de Gaini. Gaini foi provavelmente um grupo tribal dos Mercios. A mãe de Elesvita, Edbura, era um membro da família real da Mércia.  

Eles tiveram cinco ou seis filhos juntos, incluindo Eduardo, o Velho, que sucedeu ao seu pai como rei, Etelfleda, que se tornaria rainha da Mércia por seu próprio direito, e Elfetrude que se casou com Balduino II, Conde de Flandres.  

Morte, sepultamento e destino dos restos mortais 

Alfredo morreu em 26 de Outubro de 899. A causa é desconhecida, embora ele tenha sofrido ao longo da sua vida com uma doença dolorosa e desagradável. Pensa-se que ele tinha a doença de Crohn ou uma doença hemorroidal. O seu neto, o Rei Ederedo parece ter sofrido de uma doença similar.

Alfredo foi originalmente enterrado temporariamente na Old Minster, em Winchester, então, quatro anos depois da sua morte, foi transferido para o New Minster (talvez construído especialmente para receber o seu corpo). Quando o Novo Minster se mudou para Hyde, um pouco a norte da cidade, em 1110, os monges foram transferidos para Hyde Abbey, juntamente com o corpo de Alfredo e os de sua esposa e filhos, presumivelmente localizados antes do altar-mor. Logo após a dissolução da abadia em 1539, durante o reinado de Henrique VIII, a igreja foi demolida, deixando os túmulos intactos. Os túmulos reais e muitos outros foram provavelmente redescobertos por acaso em 1788, quando uma prisão estava a ser construída por condenados no local. Os presos cavaram a toda a largura da área do altar, a fim de eliminar os escombros. Os caixões foram despojados do chumbo, e os ossos foram dispersos e perdidos. A prisão foi demolida entre 1846 e 1850. Outras escavações em 1866 e 1897 não foram conclusivas.