terça-feira, 6 de agosto de 2013

Massacre de Nanquim

O Massacre de Nanquim (Nanjing, em chinês), também conhecido como o Estupro de Nanquim, foi um crime de guerra genocida cometido pelo exército imperial japonês em Nanquim, então capital da República da China, após a cidade ter sucumbido ao ataque japonês no dia 13 de dezembro de 1937. Não há consenso sobre a duração do massacre, embora a violência tenha perdurado por seis semanas, até o início de fevereiro de 1938.

Durante a ocupação de Nanquim o exército japonês cometeu numerosas atrocidades, como estupros, saques, incêndios criminosos e a execução tanto de prisioneiros de guerra quanto de civis. Embora as execuções tenham começado sob o pretexto de se eliminarem soldados chineses disfarçados de civis, afirma-se que muitos inocentes foram identificados intencionalmente como combatentes inimigos e executados depois que o massacre ganhou força. Inúmeras mulheres e crianças também foram mortas, à medida que os estupros e assassinatos se espalharam.

Estimativa de Mortos

De acordo com o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, "estimativas feitas em uma data posterior indicam que o número total de civis e prisioneiros de guerra assassinados em Nanquim e em suas proximidades durante as primeiras seis semanas de ocupação japonesa foi de mais de 200.000".

Sabe-se que as estimativas não são exageradas pelo fato de que diversas sociedades que prestavam serviços como enterros e outras organizações contaram mais de 155.000 corpos. A maioria deles, relatou-se, estavam com as mãos amarradas atrás de suas costas. Esses números não levam em conta os corpos que foram destruídos em incêndios, jogados no Rio Yang-Tsé, ou eliminados de outra maneira pelos japoneses.

A dimensão real das atrocidades ainda é debatida entre a China e o Japão, com números que vão desde as alegações japonesas de diversos milhares até a alegação chinesa de uma contagem de mortos não-combatentes de 300.000.

Muitos pesquisadores japoneses consideram números aproximados entre 100.000 e 200.000.

Outras nações costumam considerar entre 150.000 e 300.000 o número das vítimas. Esse número foi divulgado pela primeira vez em janeiro de 1938 por Harold Timperly, um jornalista na China durante a invasão japonesa, baseado em relatórios de testemunhas contemporâneas. Outras fontes, incluindo o livro O Estupro de Nanquim, de Iris Chang, sugerem o número de 300.000 como a real cifra de mortos. Além disso, em 12 de dezembro de 2007, documentos recém-liberados pelo governo americano revelaram uma contagem adicional de cerca de 500.000 na área ao redor de Nanquim, antes que de sua ocupação.

Duração do Massacre

As informações sobre a duração do massacre de Nanquim não são exatas, mas, de acordo com relatos de sobreviventes, documentários e manuais de escolas públicas chinesas, acredita-se que tenha ido de dezembro de 1937 a fevereiro de 1938.

O Massacre de Nanquim, Mulheres de Conforto e outros crimes de guerra são parcialmente negados pelo governo japonês e não são mencionados nas escolas japonesas por determinação do governo devido às contradições na versão oficial e evidências, consideradas por alguns pesquisadores japoneses como forjadas. Os motivos para a negação dos crimes de guerra nunca foram questionados por autoridades internacionais, provocando instabilidade em relações diplomáticas entre os países da Ásia. O Revisionismo do Massacre de Nanquim é o ponto de vista parcialmente defendido pelo governo japonês.  

O governo americano negociou a liberdade de muitos criminosos de guerra, em troca de informações e documentos. Alguns políticos e militares japoneses foram executados por crimes de guerra ante o Tribunal de Tóquio e outros tribunais Aliados na Ásia. Entretanto, todos os membros da família imperial envolvidos na guerra, como o Imperador Showa foram absolvidos de acusações criminais pelo General dos Estados Unidos Douglas MacArthur.

O Início

Em 7 de julho de 1937, o exército imperial japonês inicia a execução de estratégias para conquistar Nanquim. Ao início de agosto de 1937, a marinha imperial japonesa está posicionada na costa e inicia sucessivos disparos de canhões à costa chinesa, dando início ao desembarque do exército imperial japonês comandado pelo Chefe da Casa marechal Kotohito Kan'in. O desembarque do exército imperial japonês é constante até o final de agosto de 1937, estruturando nove unidades de infantaria e duas unidades de artilharia na costa chinesa, que marcham em direção a cidade de Xangai sobre forte bombardeio aéreo. Em um único fronte, conquistam as proximidades de Xangai ao final de outubro de 1937, dando início a batalha final para conquistar Xangai, que termina após quatro meses de combate. Xangai é conquistada ao final de novembro de 1937. Então, o exército imperial japonês inicia e estrutura dois frontes, um ao norte e outro ao sul de Nanquim. Dividindo-se em duas companhias, o exército imperial japonês está a 300 km de Nanquim.

A Defesa de Nanquim

O exército chinês e civis batem em retirada em direção a capital Nanquim após violenta derrota em Xangai. E adotam a tática de destruição de recursos e estruturas que possam ajudar o exército imperial japonês a se reestruturar para ganhar força e marchar em direção a Nanquim. O exército chinês estrutura um novo fronte que se divide em três companhias, a primeira ao norte, a segunda ao sul e a terceira ao leste de Nanquim, belicamente inferiores ao exército imperial japonês. Contando somente com apoio terrestre precariamente estruturado, iniciam os combates a 300 quilómetros de Nanquim. 

A terceira companhia ao leste de Nanquim inicia o combate ao exército imperial japonês atacando a companhia do norte, a companhia comandada pelo general Matsui com seis unidades de infantaria e uma unidade de artilharia. A companhia chinesa ao leste é vencida pela companhia do norte do exército imperial japonês que marcha em direção a sua posição ao norte de Nanquim. Belicamente superior à companhia do sul, abre dois frontes ao norte de Nanquim contra a primeira companhia do exército chinês ao norte. 

A segunda companhia ao sul inicia os combates contra a companhia do exército imperial japonês ao sul comandada pelo general Yanagawa Heisuke, ambas as companhias chinesas são derrotadas e obrigadas a recuar para a cidade de Nanquim, em tentativa de abrir nova resistência ao fronte de duas companhias japonesas que se dividem em três. A terceira companhia comandada pelo general Nakajima Kesago juntamente com as outras duas atacam em 5 de dezembro de 1937 aos arredores das muralhas da cidade de Nanquim ao leste, dando início a uma batalha que dura até a tomada da cidade em 13 de dezembro de 1937.

O General Tang Shengzhi

O general Tang Shengzhi, responsável pelas tropas chinesas, recebe a dura missão de defender Nanquim, suas tropas sofreram duras baixas contra o exército imperial japonês na cidade de Xangai destruída pelo exército imperial japonês e seus habitantes foram capturados e mortos brutalmente. 

O exército chinês, sob o comando do general Tang Shengzhi, se ilha na cidade de Nanquim. O general Chen Cheng e o líder político e militar Chiang Kai-shek, juntamente planejam a retirada de tropas de elite, alegando que as tropas serão liquidadas desnecessariamente. 

O general Tang Shengzhi declara publicamente que irá manter o fronte contra as tropas do exército imperial japonês e irá morrer na cidade de Nanquim juntamente com seu exército e civis. Recruta então 100.000 novos soldados na cidade, muitos deles não possuem experiência ou treinamento militar. O general Tang Shengzhi fica ilhado na cidade sem apoio terrestre ou aéreo, suas tropas estão sem comunicação e seus recursos bélicos sofrem constantes perdas, provocando inúmeras desistências ao serviço militar e pânico entre os civis. 

O líder político e militar Chiang Kai-shek e o general Chen Cheng se retiram da cidade de Nanquim juntamente com as tropas de elite, sob fortes e constantes bombardeios da força aérea imperial japonesa. 

A cidade de Nanquim sofre constantes bombardeios aéreos e está cercada por 9 unidades de infantaria e 2 unidades de artilharia do exército imperial japonês, o príncipe tenente general Asaka Yasuhiko ordena o assalto final a cidade de Nanquim. Todas as unidades de infantaria do exército imperial japonês atacam simultaneamente a cidade de Nanquim liquidando o exército chinês e civis sob a ordem do príncipe tenente general Asaka Yasuhiko, que teria ordenado matar todos os prisioneiros de guerra imediatamente. Homens, mulheres e crianças foram barbaramente mortos em 13 de dezembro de 1937 durante e após o assalto do exército imperial japonês.

O Massacre

Em 13 de dezembro de 1937, o príncipe tenente general Asaka Yasuhiko ordenou o exército imperial japonês a tomar de assalto a cidade de Nanquim com nove unidades de infantaria, executando todos os prisioneiros de guerra. 

O exército imperial japonês toma de assalto a cidade de Nanquim com uma fúria homicida, as ruas estão repletas de civis em sua maioria, juntamente com soldados chineses em resistência desorganizada e em retirada. Civis e soldados chineses são fuzilados nas ruas por soldados japoneses que buscam neutralizar a resistência de civis e militares. O exército imperial japonês obtém o controle total da cidade de Nanquim em poucas horas do início do assalto e inicia a organização de prisioneiros de guerra, militares e civis de forma furiosa, homicida e organizada. Militares e civis são separados, o exército imperial japonês organiza o controle da cidade de Nanquim de forma brutal e homicida. 

Os militares que sobreviveram ao assalto do exército imperial japonês são identificados entre os civis e separados, todos os soldados chineses capturados foram torturados, depois fuzilados, enforcados ou decapitados, sofrendo uma morte brutal, uma carnificina humana. Os civis sofrem com a fúria homicida do assalto a cidade de Nanquim pelo exército imperial japonês, homens, mulheres, crianças e idosos são mortos brutalmente nas ruas de Nanquim antes da organização civil da cidade. Após o início da organização civil, os civis são separados por sexo e idade. Homens, mulheres e crianças são procuradas pelo exército imperial japonês nas ruas, nas casas, nos templos, muitos fugiram da organização civil. Mulheres e crianças se refugiaram em templos na cidade de Nanquim inutilmente, as ordens superiores são aplicadas nas ruas, nas casas, em templos pelos soldados japoneses. Milhares de civis são fuzilados logo após a organização civil, um número desconhecido (sabe-se que eram centenas) de pessoas entre mulheres, homens e adolescentes são levados para uma pedreira onde havia uma imensa cratera. Os soldados japoneses obrigaram os civis chineses a se aglomerarem na cratera, minutos depois cercam a cratera portando metralhadoras e fuzis e abrem fogo contra os civis. Muitos sobrevivem e agonizam na cratera, superiores ordenam os soldados a procurarem por sobreviventes na cratera e executá-los, após a execução de centenas de pessoas o exército imperial japonês continua a executar civis. 

Os soldados japoneses sob o comando do general Iwane Matsui realizaram a partir de dezembro de 1937 um efeito-demonstração que converteu-se numa das maiores atrocidades da história contemporânea - o "estupro de Nanquin" (Nanjing Datsusha). A guerra conduzida pelo império do sol nascente assumiu formas repugnantes. 

Com a tomada de Nanquim, o massacre tornou-se uma disciplina esportiva e forma de divertimento: os soldados japoneses disputavam a rapidez e eficiência na decapitação dos prisioneiros. A desumanização do inimigo alcançou uma dimensão bastante rara quando ao invés de utilizar animais, as vivissecções passaram a ser praticadas nos civis e militares chineses. Os prisioneiros eram também usados como alvo vivo dos soldados japoneses nos exercícios de assalto com baionetas. 

A desumanização também atinge as mulheres e adolescentes, os soldados japoneses buscam por mulheres e adolescentes, nas casas nas ruas, nos templos para praticar estupros coletivos e individuais com mulheres e adolescentes chinesas. Adolescentes e mulheres são arrastadas pelas ruas e colocadas em caminhões. Os soldados japoneses enfrentavam a resistência de suas mães com brutalidade, socos, tapas, pontapés até tomar as adolescentes pelos braços, pernas e arrastá-las até os caminhões para serem escravas sexuais dos soldados e oficiais do exército imperial japonês na cidade de Nanquim e em outras localidades. 

O massacre dura até fevereiro de 1938, inúmeras atrocidades foram cometidas pelo exército imperial japonês na cidade de Nanquim. O governo japonês nega muitos fatos e relatos em documentos oficiais chineses. Muitas das informações sobre o massacre de Nanquim, que são de livre acesso ao público, são fornecidas por ONGs e instituições não governamentais, que disponibilizam materiais fotográficos e documentos oficiais do governo da China com o conhecimento de autoridades chinesas. 

De 150 a 300 mil pessoas foram executadas nas mais atrozes condições (mulheres estupradas, homens torturados, crianças enterradas vivas). A cidade foi saqueada e incendiada. O massacre de Nanquim seria o único crime de guerra a ser tratado em separado pelo Tribunal de Tóquio. O general Iwane Matsui foi condenado à morte por não ter impedido a carnificina cometida pelas tropas que comandava.

O Estupro de Nanquim

Mulheres de conforto ou mulheres de conforto militar é um eufemismo para mulheres que praticavam (ou eram forçadas a praticar) sexo em bordéis militares em países ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Existem diferentes teorias sobre o lugar de origem das mulheres revigorantes. De acordo com o professor Hirofumi Hayashi da Universidade Kanto Gakuin, a maioria das mulheres eram da Coreia e China. Outras vinham das Filipinas, Taiwan, Tailândia, Vietnã, Singapura, Índias Orientais Holandesas, e outros países e regiões ocupados pelo Japão. 

De acordo com o Professor Yoshiaki Yoshimi da Universidade Chuo, existiam cerca de 2.000 centros aonde algo em torno de 200.000 mulheres coreanas, filipinas, taiwanesas, birmanesas, indonésias, holandesas, australianas e algumas japonesas eram forçadas a manter relações sexuais com os militares do Exército Imperial. 

A descoberta de documentos dos arquivos militares permitiu estabelecer a responsabilidade do exército na organização do "tráfico" de 200 mil mulheres asiáticas, em sua maioria coreanas, destinadas aos bordéis militares do exército imperial entre o final da década de 30 e a derrota, em 1945, obrigando o governo a reconhecer os fatos em 1992. A partir de então, as vítimas exigem indenizações do Estado japonês, que se recusa a considerá-las, argumentando que a questão das indenizações de guerra já foi resolvida. Entretanto, foi criada uma fundação para ajudar as vítimas.

Negação do Massacre

O Revisionismo do Massacre de Nanquim é uma teoria revisionista defendida parcialmente por alguns historiadores e pelo governo japonês. 

De acordo com estas teorias, as fotografias das atrocidades foram consideradas pelos pesquisadores destes estudos como montagens, encenadas, ou substituídos por falsas (civis mortos durante as guerras civis travadas entre os comunistas chineses e nacionalistas chineses na China), cuja as fotografias podem ser traçadas em livros de propaganda de guerra e nenhuma delas, segundo eles, provaria massacre de civis praticados por militares japoneses em Nanquim. 

O livro What War Means, considerado prova absoluta do massacre, teria sido compilado e publicado pela Divisão de Contra-Inteligência do Ministério da Informação da China e por isso não pode ser aceito como imparcial, segundo este ponto de vista.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

II Guerra Mundial

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolvendo a maioria das nações do mundo — incluindo todas as grandes potências — organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo. Foi a guerra mais abrangente da história, com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Em estado de "guerra total", os principais envolvidos dedicaram toda sua capacidade econômica, industrial e científica a serviço dos esforços de guerra, deixando de lado a distinção entre recursos civis e militares. 

Marcado por um número significante de ataques contra civis, incluindo o Holocausto e a única vez em que armas nucleares foram utilizadas em combate, foi o conflito mais letal da história da humanidade, resultando entre 50 a mais de 70 milhões de mortes.

Resumo de Como Tudo Começou e Terminou

Geralmente considera-se o ponto inicial da guerra como sendo a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1 de setembro de 1939 e subsequentes declarações de guerra contra a Alemanha pela França e pela maioria dos países do Império Britânico e da Commonwealth. Alguns países já estavam em guerra nesta época, como Etiópia e Reino de Itália na Segunda Guerra Ítalo-Etíope e China e Japão na Segunda Guerra Sino-Japonesa. Muitos dos que não se envolveram inicialmente acabaram aderindo ao conflito em resposta a eventos como a invasão da União Soviética pelos alemães e os ataques japoneses contra as forças dos Estados Unidos no Pacífico em Pearl Harbor e em colônias ultra-marítimas britânicas, que resultou em declarações de guerra contra o Japão pelos Estados Unidos, Países Baixos e o Commonwealth Britânico.

A guerra terminou com a vitória dos Aliados em 1945, alterando significativamente o alinhamento político e a estrutura social mundial. Enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) era estabelecida para estimular a cooperação global e evitar futuros conflitos, a União Soviética e os Estados Unidos emergiam como superpotências rivais, preparando o terreno para uma Guerra Fria que se estenderia pelos próximos quarenta e seis anos. Nesse ínterim, a aceitação do princípio de autodeterminação acelerou movimentos de descolonização na Ásia e na África, enquanto a Europa ocidental dava início a um movimento de recuperação econômica e integração política.

Inconformados Com o Final da Grande Guerra

Os alemães haviam chegado tão perto de ganhar a Primeira Guerra Mundial que não podiam acreditar que isso não acontecera. Por volta de 1917, eles haviam posto para fora da guerra a Rússia, a Sérvia e a Romênia, levado o exército francês a se amotinar, e chegado a uns poucos quilômetros de Paris. Até mesmo depois de terem sido forçados a recuar ante a ofensiva final Aliada, eles haviam se retirado em boa ordem, sem pânico ou rendição. 

Como nunca chegaram a compreender que haviam sido direta e completamente derrotados, muitos soldados alemães culpavam seu fracasso a "uma facada pelas costas", dada por elementos impatrióticos na própria Alemanha, isto é, judeus, aproveitadores da guerra ou comunistas, dependendo da inclinação dos queixosos. Afinal de contas, fora o governo civil que pedira a paz, não o exército. Depois que cresceu uma nova geração de jovens, prontos para preencher as fileiras, e com o desenvolvimento de novas tecnologias que podiam superar metralhadoras entrincheiradas, os militaristas alemães foram ficando ansiosos para uma revanche. Tudo o que precisavam era de uma desculpa e um governo que cooperasse. Entre os veteranos descontentes perambulando pela Alemanha e se queixando dos judeus que haviam apunhalado o país pelas costas, estava Adolf Hitler.

Interlúdio da Guerra e as Conquistas de Hitler

Depois de chegar ao poder na Alemanha, Hitler partiu para fundar o Terceiro Reich, a hegemonia alemã na Europa, enquanto assegurava à França e à Grã-Bretanha que essa não era absolutamente sua intensão. Ele começou a montar o exército alemão, a Wehrmarcht, de volta aos níveis de 1914, incorporando toda a tecnologia mais recente. O Eixo ROma-Berlim de 1936 estabeleceu uma parceria com a Itália. Em 1938, a Áustria foi anexada, e a Tchecoslováquia, neutralizada e dividida. Ainda traumatizadas pelo banho de sangue insensato da Grande Gerra, as potências ocidentais hesitavam em iniciar outro conflito com a Alemanha, mas finalmente se resolveram e declararam que não permitiriam qualquer outra invasão de países vizinhos. Isso não perturbou Hitler nem um pouco. Um tratado secreto com a União Soviética (Pacto de Não Agressão) assegurou-lhe a liberdade de agir no leste e, em setembro de 1939, ele lançou uma maciça invasão da Polônia, conquistando o país em questão de semanas. Os franceses e os britânicos declararam guerra.

Depois de Hitler Ter Invadido a Polônia

Em vez de atacar a França imediatamente, Hitler assegurou o seu flanco norte invadindo a Dinamarca e a Noruega. Depois, voltou sua atenção para o Oeste e varreu a Holanda, a Bélgica e a França em seis semanas, enquanto os derrotados remanescentes do exército britânico fugiam pelo porto de Dunquerque. Edward Oates, que estava servindo com os engenheiros reais britânicos, na França, relatou:

"Eu me lembro de alguns belgas, eles usavam capacetes de bronze e havia um bocado deles, e eles diziam: 'Nós queremos um oficial. Se pudermos ter um oficial, iremos lutar, mas não sabemos o que fazer...' Eu também fiquei um pouquinho surpreso, eu acho, porque o Exército francês desistiu tão depressa, mas eu nem tinha pensado nisso. Éramos apenas simples soldados e fazíamos o que nos mandavam fazer. Não tínhamos nenhuma estratégia, ou ideias sobre onde se travavam batalhas, ou nada assim, apenas estávamos lá".

Nesse ínterim, Stálin se aproveitava da atenção das potências voltadas para o oeste para expandir-se nos vizinhos menores da União Soviética, apoderando-se de parte da Polônia, Romênia e Finlândia, e devorando inteiramente a Lituânia, a Letônia e a Estônia. Mussolini também tentou expandir os domínios italianos, dessa vez partindo da Albânia, que fora anexada em 1937, e invadindo a Grécia, e partindo da Líbia para o Egito, mas encontrou inesperada resistência. Incapaz de deixar uma situação instável no seu flanco sul, Hitler foi rapidamente em socorro do aliado, avançando sobre uma Iugoslávia que se recusava a cooperar, já que estava com as mãos na massa.

O escorre nessa altura: em pouco mais de três anos, a Alemanha conquistara dez países, a Rússia anexara três e dividia um com a Alemanha, enquanto a Itália anexara um. O conjunto da Europa continental caíra nas mãos dos alemães, ou diretamente, ou por meio de aliados, como a Hungria, e neutros submisso, como a Espanha. Os únicos países ainda no jogo contra esses agressores eram os dispersos domínios da Comunidade Britânica. 

E os chineses. Os japoneses haviam começado a reduzir a China a seu jugo em 1937, e dentro de poucos anos eles haviam consolidado seu domínio sobre o litoral e o norte daquele país. Kai-shek mantinha seu governo nacionalista refugiado bem no interior, em Chongquing, recebendo suprimentos dos britânicos e

Inglaterra Não Se Rende

O problema central que os alemães agora enfrentavam era que a Inglaterra não aceitava que a guerra estava perdida. Em um discurso ao Reichstag, em 19 de julho de 1940, Hitler fez um apelo à razão, à Inglaterra, alegando que ele não via "motivo convincente" para que a guerra continuasse. Mas foi um "apelo" que os britânico estavam destinados a rejeitar. 

Durante uma série de reuniões do Gabinete de Guerra, realizada várias semanas antes, no ponto mais baixo da sorte britânica, quando se pensava que muito menos soldados escapariam da França do que de fato ocorreu, Churchill discutira com seus colegas qual deveria ser a posição da Inglaterra, depois orquestrou uma decisão de lutar contra a Alemanha. A lógica persuasiva de Churchill havia sido que sob qualquer tratado de paz assinado imediatamente após a derrota da França, Hitler exigiria o desarmamento da Inglaterra e, como resultado, o país estaria “completamente à sua mercê”. Consequentemente, disse Churchill, “nós não devemos ter condições piores do que temos agora, se continuarmos lutando, mesmo se formos derrotados”.

"Por que agora os britânicos não admitiam a derrota?". Hitler passaria o restante da guerra imaginando por que os britânicos não fizeram as pazes nesse momento. Ele não conseguia entender que havia gente na Inglaterra que verdadeiramente acreditava que “as coisas que estavam defendendo eram dignas de qualquer sacrifício”. Sua postura é ainda mais surpreendente já que ele próprio abraçava a abordagem do “tudo ou nada” que os britânicos estavam adotando. Era como se ele atribuísse a si mesmo os motivos de princípios e honra e esperasse dos outros um comportamento de pragmatismo. 

O que Fazer a Seguir?

Uma opção era invadir a Inglaterra. Mas tal ação não era apenas considerada extremamente arriscada, e Hitler estava incerto quanto a destruir o Império Britânico, que ele via como um contrapeso útil ao domínio americano e asiático dos mares, ou ocupar a Inglaterra, que – assim como a Alemanha – era uma nação de excesso populacional relativo incapaz de se alimentar sozinha, sem importar alimentos. Outra opção era engajar as forças britânicas no Mediterrâneo capturando Gibraltar e o Canal de Suez, ao mesmo tempo em que os ataques de submarinos do Atlântico, em comboios da América, fossem aumentados, na tentativa de deixar os britânicos famintos e forçá-los à mesa de negociação. 

E havia uma última opção, à primeira vista, a mais bizarra de todas: romper o pacto de não agressão e se voltar contra Stalin. “Hitler tinha essa noção”, diz o professor Sir Ian Kershaw, “que parece muito estranha hoje, mas a ideia era a seguinte: nós derrotamos Londres através de Moscou, derrubamos a União Soviética numa rápida guerra Blitzkrieg, levamos quatro ou cinco meses, até o fim do ano, destruímos a União Soviética, a Inglaterra então ficará privada de seu único aliado potencial na Europa, e os americanos ficarão em seu próprio hemisfério. Portanto, através de outra rota, nós teremos vencido a guerra”. Claro que foi essa a opção finalmente adotada pelos alemães, quando eles entraram marchando na União Soviética, na maior invasão da história, em 22 de junho de 1941. 

A Ideia de Hitler Invadir a União Soviética

A ideia de invasão à União Soviética fazia sentido prático para muitos dos que trabalharam para Hitler. No mínimo, porque havia provas da fraca atuação do Exército Vermelho durante a invasão à Finlândia, no inverno anterior, quando estavam enfraquecidos expurgos dos anos de 1930. E também porque Hitler achava que a Rússia era o fator sobre o qual a Inglaterra mais se apoiava. Mas essa análise simplesmente não era verdade. Figuras chave do governo britânico sempre tiveram desconfianças da União Soviética e quase que certamente não confiavam em Stalin. Não era com a Rússia que a Inglaterra contava para prosseguir lutando na guerra, mas a América.

Desculpa de Hitler Para Estar Invadindo a União Soviética


Numa proclamação ao povo alemão, em 22 de junho de 1941, Hitler alegou que tinha sido forçado a ordenar um ataque à União Soviética, porque os Aliados ocidentais vinham secretamente tramando a destruição da Alemanha com Stalin e a liderança soviética: “Tornou-se necessário uma oposição a essa conspiração dos judeus anglo-saxões, esses fomentadores de guerra, e igualmente aos poderes governantes judeus, na estação de controle bolchevista, em Moscou”. Mas foi uma desculpa esfarrapada – uma parte óbvia do que Churchill chamava de “formalidades habituais de deslealdade”. 

A verdade era que Hitler havia iniciado o que ele chamou de “maior luta na história do mundo”, porque ele queria que isso acontecesse. E especificamente essa decisão, mais do que qualquer outra coisa, apressaria a derrota da Alemanha e a destruição de sua liderança carismática.

domingo, 4 de agosto de 2013

II Guerra Mundial - Aliados versus Eixo

Depois que ficaram inteiramente escorraçados da Europa continental, os ingleses não tinham um meio fácil de manter um papel ativo na guerra, e foram forçados a ficar na defensiva. Hitler tentou quebrar a teimosia britânica com um bloqueio submarino e incansáveis reides aéreos. Na Batalha da Grã-Bretanha, a a aviação alemã tacou a Inglaterra diretamente por diversos meses, em 1940, chegando a matar 60 mil civis sem ganhar o controle inconteste do céu ou mudar o equilíbrio militar, de qualquer modo que fosse. Os submarinos alemães patrulhavam as rotas marítimas em torno da ilha para evitar que chegassem suprimentos vitais àquela. Como acontecera na Primeira Guerra Mundial, o bloqueio alemão causou uma fricção com os teoricamente neutros americanos, levando a uma guerra aberta, mas não declarada, entre as duas potencias. 

Declarando Guerra Contra os Estados Unidos

Finalmente em dezembro de 1941, poucos dias depois de Pearl Harbor, Hitler declarou guerra formalmente aos Estados Unidos. Por fim, os especialistas britânicos conseguiram desvendar os códigos alemães, permitindo que os submarinos fossem detectados, e a partir daí a força aérea britânica e americana, baseadas nas ilhas do Atlântico Norte, começaram a fornecer uma cobertura eficaz para os comboios ao longo de grande parte das viagens.

Durante uns poucos anos, os britânicos puderam apenas fazer operações tímidas nas bordas da Europa fascista. Bloquearam facilmente as tentativas italianas de se apoderar do Egito e da Grécia, mas as forças alemãs chegaram para reforçar os italianos e fazer os britânicos recuarem de novo. Na Grécia, a coisa terminou a favor do Eixo, mas no Egito, a defesa britânica finalmente se firmou e fez estancar a ofensiva inimiga. Depois começaram os contra-ataques. Por fim, os americanos e britânicos limparam o norte da África e atacaram o território italiano. Isso tirou os italianos da guerra, mas as forças alemãs cavaram trincheiras no meio da península e se mostraram difíceis de desalojar.

Japão Conquista a Birmânia

Nesse ínterim, a fim de cortara rota de suprimentos entre as forças nacionalistas na China e o mundo exterior, os japoneses conquistaram a Birmânia, mas logo descobriram que as linhas de transportes por terra naquela parte do mundo correm inutilmente do norte para o sul, do interior para o litoral, enquanto as rotas marítimas correm perigosamente em torno da península malaia, onde espreitavam os submarinos Aliados. Com seu exército agora abrindo caminho para o oeste, na direção da Índia, os japoneses precisavam ligar seu palco de operações na Tailândia diretamente com a frente birmanesa. Eles recrutaram mão de obra nativa para construir uma ferrovia através do país, passando por cima de montanhas e atravessando vales de rios profundos, contra o sentido geológico natural da região. Cinquenta a cem mil civis birmaneses e 16 mil prisioneiros de guerra Aliados trabalharam até a morte nesse projeto.

O Povo Indiano Passa Fome Novamente

Ao mesmo tempo, o exército britânico na Índia enviava desordenadamente tropas e suprimentos para o leste, no caminho do exército japonês que se aproximava. Infelizmente, quando conquistaram a Birmânia, o celeiro de arroz do Sudeste Asiático, os japoneses cortaram as exportações de alimentos que sustentavam grande parte da população da Índia. O exército britânico requisitou todos os meios de transportes locais para fins militares, e enviou apenas tropas e munição para o leste da Índia. Sem transporte, as importações civis cessaram, enquanto os comerciantes de cereais guardavam as colheitas locais para auferirem mais lucros com a revenda. Mostrando sua costumeira falta de preocupação para com o povo indiano, os britânicos se recusaram a interferir no preço dos alimentos, que subiu astronomicamente, estabelecido pelo livre-mercado, e deixaram o povo de Bengali morrer de inanição. Pelo menos 1,5 milhão de indianos, possivelmente 3 a 4 milhões, morreram de fome antes que alguém se importasse com eles. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha deu de ombros quando soube do caso, dizendo ser culpa dos nativos que "procriam como coelhos".

As Maldades dos Japoneses

Nesse ínterim, os japoneses se preparavam para explorar os povos asiáticos capturados. Milhões de nativos morreram de fome na Indochina e na Indonésia depois que suas colheitas foram confiscadas para alimentar o Japão. Escravas sexuais chinesas e coreanas, "mulheres para conforto", como eram chamadas, foram arrebanhadas e despachadas para divertir as guarnições japonesas.

Na Manchúria, os japoneses estabeleceram um laboratório secreto de guerra biológica, a Unidade 731. Prisioneiros eram feridos deliberadamente, a fim de que os médicos pudessem testar procedimentos cirúrgicos arriscados. Outros eram amarrados e vivissectados sem anestesia, para revelar o misteriosos funcionamento interno do corpo. Foram desenvolvidos germes experimentais usando-se prisioneiros de guerra como cobaias. Em 1940, os aviões japoneses propagaram moscas infectadas com uma praga na cidade de Ningbo, no litoral central da China. Em 1942, os aviões de combate japoneses deixaram cair vírus do cólera nas aldeias chinesas ao longo da linha de suprimento dos Aliados na província da Yunnan, na fronteira com a Birmânia, matando cerca de 200 mil civis na epidemia resultante.

O Encolhimento do Reich

Foram necessários alguns poucos anos para que os americanos mobilizassem inteiramente seu enorme potencial industrial e de mão de obra, mas por volta ade 1944 eles estavam prontos para tentar um assalto em grande escala contra o continente europeu. Reuniram uma força de combate na Inglaterra e lançaram um maciço ataque anfíbio contra as fortificações alemãs no litoral francês da Normandia, no dia 6 de junho de 1944. Ao final do primeiro dia, o Dia D, os Aliados anglo-americanos haviam desembarcado com sucesso 133 mil soldados e 20 mil veículos na praia, lançando outros 23. 500 por via aérea atrás das linhas inimigas, e foram avançando terra adentro para se apossar de encruzilhadas-chave, ao custo de 3 mil baixas.

Depois de aproximadamente um mês, os Aliados haviam reforçado suas tropas o bastante para romper as defesas inimigas na península da Normandia. As divisões blindadas americanas e britânicas avançaram avassaladoramente pelo interior da França na direção da fronteira com a Alemanha e o rio Reno. Um contra-ataque alemão em dezembro, chamada de "A Ofensiva das Ardenas" por historiadores negativistas e de "A Batalha do Bolsão", na lembrança americana, retardou a travessia do Reno por alguns meses, mas o esforço consumiu as últimas reservas alemãs. Na primavera, as forças americanas já tinham cabeças de ponte estabelecidas na outra margem do rio, derramando-se pelo interior da Alemanha.

Operação Bagradion - Invadindo a Polônia

No leste, os soviéticos lançaram sua própria ofensiva em junho de 1944, chamada de Operação Bagradion. Quatro gigantescas colunas de tanques e infantaria romperam a linha alemã em Belarus, e rapidamente convergiram para o interior da velha Polônia. Foi provavelmente a maior vitória soviética na frente oriental. Dezenas de divisões alemãs foram encurraladas e aniquiladas. Depois de três anos de guerra, a qualidade combativa do Exército Vermelho havia finalmente superado a Wehrmacht.

Ao recuarem para a Polônia, os alemães estabeleceram uma nova linha defensiva ao longo do rio Vístula, com apoio em Varsóvia. Depois, com o Exército Vermelho realizando uma parada forçada quando a ofensiva ultrapassou o limite das linhas de suprimento, o Exército Polonês da Resistência, agindo clandestinamente, lançou um levante de guerrilheiros contra os alemães, visando estabelecer um governo independente em Varsóvia antes que os soviéticos chegassem, rebocando seus governantes fantoches. Como nem os alemães nem os russo queriam ver os nacionalistas poloneses no governo do país, os soviéticos estancaram sua ofensiva e ficaram observando da outra margem do rio Vístula enquanto os alemães se encarregavam da rebelião. Os nazistas reduziram sistematicamente Varsóvia a escombros, e massacraram a população, no que tem sido chamado de a maior atrocidade individual da guerra. Cerca de 225 mil poloneses morreram no levante de Varsóvia.

Para compreender a diferença entre as duas frentes, contraste o destino de Varsóvia com o de Paris. O plano original dos americanos era desbordar a cidade completamente e se concentrar na destruição dos exércitos germânicos no campo de batalha, em vez de desviar seus preciosos recursos para alimentar e cuidar de diversos milhões de civis pelos quais ficariam responsáveis se conquistassem a cidade. O plano original de Hitler era destruir Paris, em vez de entregá-la. Assim como em Varsóvia, os guerrilheiros franceses se levantaram contra a guarnição alemã, mas a frente ocidental era tão mais civilizada do que a oriental que o resultado foi muito diferente. O comandante alemão se recusou a destruir uma magnífica cidade, ao mesmo tempo que os Aliados permitiam que as tropas francesas avançassem e tomassem a cidade sob proteção Aliadas o mais rapidamente possível.

Encurralando os Alemães

As duas frentes que se aproximavam, os anglo-americanos do oeste e os soviéticos do leste, já havia decidido encontrar-se no rio Elba, na Alemanha Oriental, deixando a sangrenta batalha final por Berlim para Stálin. Enquanto o Exército Vermelho avançava pelo território da Prússia oriental, o pagamento por parte da Alemanha dos prejuízos por ela causados na sua invasão da Rússia tornou-se a política oficial soviética. Não apenas todos os bens portáteis foram sequestrados e despachados para a Rússia, mas quase toda mulher no caminho do avanço avassalador foi estuprada, depois jogada para o lado, e então estuprada de novo, assim que chegava uma nova unidade do Exército Vermelho. 

A Vingança dos Soviéticos 

Os civis alemães se dispersaram em pânico com o avanço das linhas de frente de batalha, e centenas de milhares de refugiados morreram na confusão para escapar à brutalidade soviética. Os navios alemães ficaram atulhados de civis e soldados feridos, e partiram de portos no mar Báltico na direção oeste, frequentemente sendo torpedeados, pelos submarinos soviéticos. 

Os soldados alemães resistiam sem expectativas de vitória, apenas com uma esperança desesperada de que poderiam retardar os soviéticos tempo bastante para escapar e se render aos britânicos e americanos mais misericordiosos. Mas Hitler tinha outros planos. Comandando agora de sua casamata subterrânea debaixo do prédio de Chancelaria em Berlim, ele não tinha a intenção de ter o mesmo destino de Mussolini, que fora recentemente capturado por partidários, fuzilado e pendurado na praça da cidade como um porco abatido. Hitler pretendia morrer num clarão de glória e levar sua pouca meritória nação com ele. 

Os soviético estava dispostos a ajudá-lo nessa empreitada. O Exército Vermelho atravessou o rio Oder, a última barreira antes de Berlim, e abriu um maciço bombardeio sobre as colinas Seelow, que davam para o rio. Apontando fortes holofotes anti-aéreos sobre as posições alemãs para cegar os defensores, os soviéticos lançaram um assalto sobre as escarpas e, depois de um curto dia de sangrentos combates, o caminho para Berlim estava desimpedido.

Morte de Hitler

Uma semana de luta selvagem nas ruas da capital matou 100 mil civis, e apertou o cerdo ao bunker de Hitler. Os avanços soviéticos eram medidos por quarteirões e prédios. O exército alemão, nesse ponto, preenchia seus claros com velhos e adolescentes, que não constituíam páreo para os veteranos do Exército Vermelho. Finalmente, a guerra ficou reduzida a apenas alguns quarteirões em torno da Chancelaria. Incapaz de retardar a derrota por mais tempo, Hitler cometeu suicídio com um tiro na cabeça, depois de envenenar seu cão e sua nova esposa. Seus seguidores atearam fogo a seu corpo e se dispersaram antes da chegada dos russos.

II Guerra Mundial - Invadindo a União Soviética

Chegou então o momento do espetáculo que Hitler vinha planejando todo esse tempo, a cruzada contra o bastião judaico-eslavo-bolchevista da Rússia soviética. Embora invadir a Russia seja considerada um erro, quando olhada em retrospectiva, a Primeira Guerra Mundial vira a França sobreviver enquanto a Rússia entrava em colapso, de modo que, se a Alemanha pôde vencer a França agora, então a conquista da Rússia seria um passeio. 

Pegos de Surpresa

O ataque inicial, em maio de 1941, provou isso, pois os soviéticos foram apanhados completamente de surpresa. Os alemães bombardearam os aviões soviéticos ainda no solo, e facilmente romperam e flanquearam as unidades de frente do inimigo. Por fim, a batalha chegara a um ponto que exércitos soviéticos inteiros eram cercados e destruídos. 

Enquanto avançava na Rússia, a Wehrmacht era acompanhada dos Einsatzgruppen, unidades especiais designadas para matar judeus, comunistas e outros indesejáveis. A queda de cada grande cidade soviética era logo seguida de um massacre. Dos 5,7 milhões de soviéticos feitos prisioneiros durante todo o curso da guerra, 3,3 milhões morreram por negligência e brutalidade, em uma política deliberada por parte dos nazistas para erradicar os eslavos subumanos. Prisioneiros de nações de mesma ancestralidade, como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos foram tratados de maneira muito melhor, e a maioria sobreviveu.

Devido à enorme extensão do território soviético, derrotar os russos levaria mais tempo do que as poucas semanas que foram necessárias para esmagar os franceses, mas por volta de dezembro os exércitos alemães já haviam cercado Moscou quase completamente. Entretanto, os meses de batalhas contínuas haviam desgastado a eficiência de combate do exército alemão, de modo que ele não conseguiu fechar o círculo antes da chegada do inverno. A iniciativa passou para o Exército Vermelho, e eles empurraram os alemães de volta, mas não conseguiram causar muito dano à capacidade de combate do exército germânico. Com a chegada da primavera, os alemães retomaram a ofensiva, agora avançando para o sul, na direção dos campos de petróleo das montanhas do Cáucaso.

Batalha de Stalingrado

A fim de cobrir seu avanço para o Cáucaso, os alemães precisavam consolidar sua linha de frente em Stalingrado, atualmente Volvogrado. Não apenas isso evitaria que os exércitos soviéticos dos sul recebessem reforços, mas também daria aos alemães uma cabeça de ponte do outro lado do rio Volga, a última barreira natural antes dos montes Urais, na borda leste da Europa.

Em agosto de 1942, depois de avançar célere pelos arredores da cidade, os alemães foram bloqueados a poucos quarterões do rio por uma desesperada defesa soviética. Os russos transformaram os destroços dos prédios em fortalezas, e a luta ficou atolada em tiroteios intensos, a curta distância, rua por rua, quarteirão por quarteirão, e, nas grandes fábricas e lojas de departamentos, seção por seção. Durante o dia, atiradores de tocaia esperavam pacientemente nas ruínas para colocar uma bala em qualquer parte do corpo visível de um alemão. À noite, siberianos e tártaros se infiltravam nas posições inimigas isoladas, com facas e baionetas, para retalhar um inimigo despreparado para a luta corpo a corpo.

A guerra urbana corroeu os efetivos alemães com tal ferocidade que os flancos rurais da sua linha em Stalingrado eram guarnecidos por tropas dos aliados italianos e romenos. Os russos lançaram dois grandes movimentos de torquês contra os francos germânicos em novembro, esmagando-os e fazendo um bolsão que deixou encurralados 275 mil homens na cidade devastada. Os homens encurralados nesse bolsão foram deixados sem alimentos, e bombardeados e atacados durantes os meses seguintes, até que finalmente, em fevereiro de 1943, os remanescentes, em estado deplorável, se renderam. A maioria estava tão abatida, com ulcerações causadas pelo frio e malnutridos que nem mesmo sobreviveram à jornada para os campos de prisioneiros de guerra soviético. Menos ainda sobreviveram depois de chegarem lá.

Subestimando os Soviéticos

Hitler tinha tinha subestimado grosseiramente a capacidade de resistência dos soviéticos. Especificamente, havia ignorado sua capacidade de aprender as táticas do Exército alemão com inteligência. Porque as forças soviéticas se portaram de um jeito particular no passado – por exemplo, adentrando uma armadilha deixada pelos alemães, na Batalha de Cracóvia, na última primavera –, ele achou que eles se comportariam de forma parecida no futuro. Mas desde o nível mais alto do governo soviético – Joseph Stalin – até o soldado mais comum, a máquina militar soviética havia mudado. 

Nos últimos meses, Stalin tinha se tornado menos ditador em relação aos seus generais seniores – ele tinha, por exemplo, permitido que Zhukov e Vasilevskii começassem e desenvolvessem a Operação Uranus desimpedidos –, enquanto avanços também eram feitos no treinamento e coordenação das unidades individuais. Mais importante, os soviéticos tinham desenvolvido técnicas de maskirovka (ilusão) para ocultar sua formação militar dos alemães. 

Possivelmente 750 mil soldados e 140 mil civis morreram na Batalha de Stalingrado, tornando-a a segunda mais sangrenta batalha da história da humanidade. Sim, essa foi a segunda. A batalha mais sangrenta de toda a história foi a que se travou simultaneamente em Leningrado, na qual morreram 1,5 milhões de soldados e civis.  

Batalha de Leningrado

Em setembro de 1941, depois que os alemães haviam avançado até os subúrbios de Leningrado, hoje São Petersburgo, seus aliados finlandeses fecharam o círculo por detrás e isolaram a segunda maior cidade da União Soviética. Como o alto-comando soviético envidara poucos esforços para evacuar a população, 3 milhões de civis se viram encurralados, sem esperança de receber suprimentos. Sem poder contar com a ajudar de fora, a população de Leningrado esticou suas rações o mais que pôde, depois comeram os animais, depois comeram relva, cintos e cascas de árvores, depois comeram uns aos outros, e finalmente morreram de fome às centenas de milhares. 

Durante o inverno, os soviéticos construíram uma estrada que atravessava a superfície gelada do lago Lagoda para levar suprimentos para a cidade, e evacuar os civis, mas a obra ficou vulnerável aos ataques aéreos, e afundou na água ao primeiro delego. Por fim, o Exército Vermelho conseguiu abrir um estreito corredor para a cidade, mas essa estrada ainda ficava a fácil alcance da artilharia e das aviações alemãs. Não foi senão em janeiro de 1944, quando as batalhas em outros lugares já empurravam as linhas de frente na direção da Alemanha, que o sítio terminou sem que a cidade fosse conquistada.

Operação Cidadela

Por volta de 1943, a frente russa se desenvolvera dentro de um padrão previsível. Os russos atacavam no inverno, e os alemães faziam o mesmo no verão. Durante o verão de 1943, o alto-comando alemão planejou a Operação Cidadela, para esmagar o saliente Kursk, duas poderosas ofensivas com tanques, uma de cada lado, e eliminar por completo o grupo de exércitos local dos soviéticos. A batalha de julho foi a maior batalha de blindados já ocorrida na história, mas os avanços alemães diminuíram de intensidade, depois pararam, e por fim recuaram face a uma contra-ofensiva. Pela primeira vez em dois anos de guerra, os russos haviam vencido uma batalha sem neve. 

O consenso em meio aos alemães - somente aos alemães - era que a União soviética seria rapidamente derrotada. Na época, Hitler achou que cinco meses seriam o suficiente. Percebendo agora, sabendo, como sabemos, dos imensos recursos industriais e humanos que a União Soviética conseguiu mobilizar para essa guerra, parece quase incompreensível que houvesse uma visão tão difundida - em meio aos Aliados, assim como dentre os alemães - que o regime Stalin iria ruir. 

sábado, 3 de agosto de 2013

II Guerra Mundial - Holocausto

Como todos os construtores de impérios, os alemães exploraram a mão de obra barata dos inimigos conquistados. Por volta de 1944, 8 milhões de estrangeiros, a maioria civis, haviam sido levados para a Alemanha para o trabalho escravo. Outros 2 milhões trabalhavam sob a supervisão alemã em territórios conquistados. Exerciam tarefas de fazendeiros, trabalhadores nas fábricas e empregados domésticos. Os trabalhadores supriam um quarto da mão de obra na indústria química, e um terço na de armamentos.

Entretanto, Hitler tinha planos maiores para o Terceiro Reich. Para purificar seu novo império europeu, ele classificou quem não se enquadrava na sociedade convencional como sub-humano, e programou o seu extermínio. Homossexuais, testemunhas de Jeová, maçons e doentes mentais foram aprisionados, mortos por gás, fuzilados e castrados às dezenas de milhares.

Judeus no Topo da Lista

Os judeus estavam no topo da lista dos alvos de Hitler. Além da tradicional desconfiança europeia em relação àquela etnia, com sua religião diferente, e a suspeita paranoica de que eles controlavam a sociedade com seus bancos e impérios jornalísticos, os nazistas acrescentaram um pseudocientífico medo da poluição genética por parte dos judeus que viviam entre eles. Ao assumir o controle da Alemanha, Hitler restringiu a liberdade dos judeus. Foram sendo proibidos de exercer uma profissão após outra, e banidos da companhia de gente decente. Na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, batizada de Kristallnacht, ou "Noite dos Cristais", multidões saíram às ruas para espancar judeus e saquear seus bens. Quando a guerra começou, dois terços de judeus na Alemanha e na Áustria já haviam visto para onde a história se encaminhava e fugido para outros países.

Entretanto a conquista da Europa trouxe milhões mais de judeus sob o controle de Hitler. Não apenas mais judeus do que ele podia simplesmente expulsar, mas também estava sendo provado que eles eram em maior número do que se podia massacrar com facilidade. Em janeiro de 1942, grande parte da classe gerencial nazista se reuniu numa villa em Wannsee, nos arredores de Berlim, para planejar a Solução Final para o problema judeu.

Onde conquistavam um novo território, os alemães imediatamente registravam todos os judeus. Alguns eram fuzilados no ato, mas a maioria foi reunida em guetos locais. Guetos menores foram depois eliminados ou consolidados em guetos maiores, e o maior de todos na Europa foi o gueto de Varsóvia. Separados por um muro do restante da cidade, os judeus podiam sair de lá para trabalhar, mas, a não ser por isso, eram mantidos em quarentena. As doenças e a desnutrição reduziram drasticamente a população, mas mesmo isso não era bastante rápido, de modo que os alemães começaram a despachá-los para os campos de concentração para serem usados como mão de obra escrava.

Os nazistas perceberam que simplesmente fuzilar os judeus era ineficaz. Imobilizava tropas e caminhões, e era um desperdício de munição. Uma rajada de metralhadoras sobre uma linha de judeus deixava inúmeros feridos que precisavam ser mortos com tiros de pistola na cabeça. O enterro dos corpos acrescentava mais trabalho ao processo, e o barulho alertava a vizinhança para o que estava acontecendo.

 Zyclon-B - Gás de Cianeto

O gás de cianeto foi a resposta. Levou algum tempo para que os nazistas aplainassem as dificuldades, mas por fim surgiu a solução nos campos de morte espalhados pela Polônia. Com histórias mentirosas sobre reassentamento no leste, os judeus eram reunidos nas estações de trem junto aos guetos, e despachados em vagões de carga. Chegando aos campos de morte, eles eram rapidamente separados por idade, sexo e potencial para servir de mão de obra.

Judeus que não eram necessários para o trabalho forçado eram aliviados de seus pertences e enviados para o chuveiro. No lugar de água, cristais de Zyklon-B, o nome comercial do cianeto de hidrogênio, eram deixados cair de aberturas no telhado, vaporizando-se em gás venenoso. Depois de uns frenéticos minutos de gritar e se debater, as vítimas silenciavam. O gás era extraído da câmara, e os cadáveres, levados para fornos crematórios de alta capacidade.

Os Campos de Concentração

De meados de 1942 a meados de 1943, em pouco mais de um ano, 600 mil pessoas foram mortas no campo de Belzec, que era apenas o terceiro, em capacidade. O maior dos campos, o de Auschwitz, ficou aberto por três anos, durante os quais 1,1 milhão de pessoas foram mortas. Num único ano em que o campo de Treblinka esteve em operação, 800 mil judeus foram executados. Um terço de milhão foi morto em Chelmno e um quarto de milhão em Sobibor. O sistema era tão eficiente que Treblinka operava com menos de 150 guardas e auxiliares, suplementados por mão de obra prisioneira que podia ser liquidada depois de realizada a tarefa. Ao término de 1943, a maioria dos judeus sob controle alemão estava morta, e todos os campos de morte, com exceção de Auschwitz, foram fechados.

Alguns países aliados dos alemães, como a Croácia e a Romênia, se sentiram bem à vontade para cooperar com a Solução Final, e estabeleceram seus próprios campos de concentração, enquanto outros, como a Bulgária, Finlândia, Hungria e Itália, tentaram ficar fora do processo. Não obstante, a maioria dos países do Eixo registrou os judeus nativos, limitaram sua participação na vida pública e prazerosamente deportaram judeus estrangeiros de volta para seus países sob o controle de Hitler. Para os judeus-italianos e húngaros, a relutância de seus governos em assassiná-los foi apenas uma suspensão temporária da pena. Quando a maré da guerra se voltou contra a Alemanha, aqueles dois países tentaram cair fora do Eixo, mas as tropas alemãs avançaram rapidamente e depuseram os governos periclitantes. Centenas de milhares de judeus locais foram então arrebanhados, despachados e mortos nas câmaras de gás com espantosa eficiência.

O povo Roma, ou cigano, foi outra minoria desenraizada a ser vilipendiada e visada pelos nazistas. Há muito caluniados como ladrões e dados à feitiçaria, os ciganos foram caçados e exterminados, tanto quanto os judeus. A estimativa mais comum é que 250 mil cigano tenham morrido, mas ninguém sabe realmente ao certo. Pode ter sido mais do que 1 milhão.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

II Guerra Mundial no Pacífico

Depois da queda da França, os japoneses tentaram se apoderar das colônias francesas da Indochina, que haviam ficado órfãs. Os americanos tentaram ficar de fora da guerra, mas foram apertando os parafusos econômicos para fazer o Japão recuar. Primeiro os americanos proibiram os navios japoneses de trafegarem pelo Canal do Panamá, essa medida seguida por um embago do petróleo e do aço, que ameaçou paralisar a máquina japonesa. A única solução que os planejadores em Tóquio puderam enxergar foi arrebatar as Índias Orientais, ricas em petróleo, das mãos da Grã-Bretanha e da Holanda, dois países que estavam ocupados combatendo os nazistas. Em 1941, o Japão deslocou tropas, aviões e navios e guerra para a Indochina francesa. 

Ataque à Pearl Harbor

Naquele momento estava óbvio para todo mundo que o Japão estava se preparando para avançar pelos arquipélagos do Sudeste Asiático, mas, quando o ataque finalmente veio, em dezembro, o Sapão surpreendeu todo mundo e lançou seus aviões por sobre metade do oceano Pacífico para esmagar a frota americana com um ataque avassalador sobre a base de Pearl Harbor, no Havaí. Nos diversos meses que se seguiram, as esquadras e as tropas japonesas conquistaram os arquipélagos, ricos em recursos, originalmente possuídos pelos holandeses, britânicos e americanos. 

Rendição dos Britânicos (Hong Kong) e dos Americanos (Filipinas) 

Para surpresa geral, a guarnição britânica de 85 mi homens sediada em Hong Kong rendeu-se quase imediatamente, a maior derrota britânica de toda a história. A tropa era formada principalmente de indianos sob o comando de oficiais britânicos. A conquista foi seguida de vários meses de ausência de governo, em que os japoneses massacraram talvez 25 mil chineses habitantes da cidade.

Também foi uma surpresa que os 125 mil americanos que guarneciam as Filipinas, a maioria da tropa formada de filipinos, aguentou mais tempo do que se esperava. No final, eles também se renderam, a maior derrota da história americana. Enraivecidos pela demora da conquista, os japoneses forçaram os prisioneiros a marchar para a península de Bataan, sem água ou descanso, fuzilando, baionetando ou espancando com paus até a morte qualquer um que cambaleasse. Milhares morreram.

Controle das Índias Orientais

Tendo estabelecido o controle das Índias Orientais, os japoneses precisavam instalar um perímetro defensivo entre as pequenas ilhas do Pacífico central, e expulsar os últimos americanos de lá; entretanto, interceptando e decodificando as transmissões radiofônicas inimigas, os americanos souberam dos alvos e das datas da ofensiva japonesa contra a ilha de Midway. Aviões de reconhecimento e radares confirmaram a aproximação da frota japonesa, que foi então atacada pelos americanos em pleno mar aberto, com onda após onda de aviões baseados em porta-aviões. Os japoneses retaliaram da mesma forma, mas a sorte e o planejamento estavam do lado dos americanos, que afundaram quatro porta-aviões inimigos, mais do que os japoneses podiam substituir com facilidade. A iniciativa da guerra no Pacífico passou para os Estados Unidos.

O Contra-Ataque dos Estados Unidos

Com as ações ofensivas japonesas no Pacífico bloqueadas pela derrota naval de Midway, os Estados Unidos se defrontaram com o problema de contra-atacar através do maior oceano do mundo. Uma etapa de cada vez era a única possibilidade. Em vez de conquistar cada ilha no oceano, os Estados Unidos desbordaram as grandes bases inimigas, cortaram suas rotas de suprimento e deixaram as guarnições passando fome. Então eles foram para cima das ilhas secundárias, que eram grandes o bastante para abrigar bases avançadas, mas pequenas demais para grandes concentrações de tropas japonesas. 

Isso tornou a guerra mais intermitente do que aquela que se desenvolvia em outras partes, sobre áreas continentais. Primeiro os submarinos e os porta-aviões americanos isolavam uma ilha-alvo destruindo a frota japonesa local. Depois os porta-aviões e outros navios de guerra enfraqueciam a guarnição com reides aéreos e barragens de artilharia. Finalmente as forças terrestres assaltavam as praias e abriam caminho para o interior da ilha através das defesas japonesas. Depois de algumas semanas, antes mesmo que o último japonês na ilha tivesse sido caçado e morto, os americanos tinham construído bases aéreas no local e enviavam pesados bombardeiros para enfraquecer a próxima ilha-alvo na lista. Reuniam tropas frescas e suprimentos na ilha, e faziam tudo de novo, cada vez um passo mais próximo do Japão.

Os Kamikases

Até mesmo as guarnições menores inimigas constituíam alvos duros de conquistar, e cada assalto anfíbio custava milhares de vidas americanas e dezenas de milhares de vidas japonesas. O código de honra do Japão não permitia a rendição, de modo que, quando a situação ficava desesperadora, em vez de solicitar os termos da rendição, os soldados lançavam ataques suicidas contra as posições americanas, a fim de morrer gloriosamente na batalha. Essa recusa em se render estava tão profundamente enraizada na psique nacional que até mesmo os civis se suicidavam aos milhares, em vez de sofrerem a humilhação de serem capturados vivos. Até mesmo na década de 1970, foram encontrados alguns soldados japoneses teimosos, que haviam fugido para as florestas e se recusavam a se recusavam a se render.

Batalha em Manila

A única grande cidade destruída por combates de rua na guerra do Pacífico foi Manila, nas Filipinas. O general americano Douglas MacArthur queria que os japoneses a declarassem uma cidade aberta, o que significava que todas as defesas e ataques teriam lugar fora da cidade. Em vez de aceitarem esse acordo, os japoneses se entrincheiraram no centro da cidade. Enquanto MacArthur retardava as operações de erradicar o inimigo, a frustração japonesa se voltou contra os habitantes civis. Milhares de prisioneiros e civis foram mortos a golpes de baionetas, espancados, fuzilados ou amarrados dentro de prédios que eram então incendiados. Durante os meses de janeiro e fevereiro de 1945 quase 100 mil residentes de Manila foram massacrados. Quando os americanos atacaram, os japoneses lutaram até o último homem, levando com eles a cidade destruída.

Batalha de Okinawa

Na primavera de 1945, a batalha pela ilha de Okinawa, a última etapa antes do próprio território do Japão, ficou sendo a mais sangrenta batalha da Segunda Guerra Mundial fora da frente soviética. Quando tudo terminou, os americanos haviam perdido 12 mil de seus próprios soldados, e contaram os corpos de 110 mil japoneses. Os últimos 20 mil soldados japoneses retirara-se para cavernas, apenas para ficarem encurralados ali pelos explosivos americanos. Tem se calculado que cerca de 160 mil civis, um terço da população da ilha, morreu no fogo cruzado, cometeu suicídio em massa ou, no caso nos menos fanáticos, foi forçado ao suicídio. Okinawa tornou-se lendária pelo grande número e variedade de suicídios de japoneses.

A guerra vinha eliminando pilotos japoneses tão rápido que suas substituições não podia incluir o treinamento em sutis habilidades do combate aéreo e bombardeios com precisão, de modo que eles se voltaram para os ataques suicidas diretos contra navios americanos. Pilotos kamikases lançavam seus aviões carregados de explosivos contra as naves dos Estados Unidos. A ferocidade da defesa japonesa levou os planejadores de guerra americanos a reconsiderar a hipótese de invadir as ilhas propriamente ditas do país, em vez de tentar bombardeá-las até a rendição.

Bomba Atômica

Desde o início da guerra, físicos de todo o mundo vinham comunicando para seus governos que a fissão de átomos radioativos libertaria uma gigantesca descarga de energia, que poderia ser usada para obliterar exércitos inteiros simplesmente ligando um comutador, de modo que Deus nos ajude se o inimigo chegar lá primeiro. Programas de pesquisa secretos foram organizados na Alemanha, nos Estados Unidos, na Rússia e no Japão para explorar esse potencial. Como a mais importante potência industrial do mundo, os Estados Unidos foram os primeiros a resolver os problemas técnicos do empreendimento. No dia 6 de agosto de 1945, um único avião deixou cair uma bomba atômica sobre o Japão, e a cidade de Hiroshima foi obliterada, levando consigo 120 mil de seus habitantes. Três dias mais tarde, um outro ataque nuclear destruiu Nagasaki e 49 mil de seus habitantes. 

De qualquer maneira, como a guerra estava quase terminando, e as bombas foram usadas contra cidades, e não contra exércitos ou frotas de navios, surgiu uma discussão acalorada se esses ataques teriam sido necessários; entretanto, dois outros fatos se destaca. Os japoneses pararam de hesitar e se renderam incondicionalmente poucos dias depois do bombardeio de Nagasaki; desde então, as nações com armas nucleares têm evitado se engajar em grandes guerras umas contra outras. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

II Guerra Mundial - A Guerra das Máquinas (editar)

A grande inovação das táticas de combate terrestre durante a Segunda Guerra Mundial foi o desenvolvimento de divisões blindadas. De acordo com a doutrina da blitzkrieg, a guerra relâmpago, tanques apoiados pela aviação abriam brechas na linha inimiga, seguidos por peças de artilharias móveis e pela infantaria motorizada, transportada em veículos, a fim de explorar o rompimento da linha de frente. Frequentemente paraquedistas eram lançados para se apoderarem de importantes pontos estratégicos, à frente das colunas que avançavam. Em campo aberto, como na Rússia, França no norte da África, um rompimento das linhas inimigas podia dispersar dezenas de milhares de soldados de infantaria a quase cem quilômetros e meio atrás das linhas de frente, extremamente voláteis, onde tinham poucas alternativas, a não ser se entrincheirar e esperar que mudassem os ventos da sorte. A destruição desses bolsões produziu uma terrível quantidade de mortos na Segunda Guerra Mundial. Como os transportes mecanizados podiam facilmente avançar mais rápido do que soldados de infantaria a pé que se retiravam, as batalhas de aniquilamento tornaram-se uma coisa comum na guerra, pela primeira vez em séculos.

O aumento do uso das máquinas teve seu preço. Durante a Guerra Civil Americana, os soldados americanos tiveram uma morte acidental para cada 11 mortes na batalha. Na Segunda Guerra Mundial, esse número subiu para uma morte acidental para quatro mortes na batalha. Agora os soldados eram esmagados em jipes destroçados em aviões, queimados em caminhões, escaldados e envenenados por novos produtos químicos, mutilados e eletrocutados por equipamentos pesados, e feitos em pedaços pelo manuseio errado de munições pesadas que explodiam.

A Segunda Guerra Mundial produziu as primeiras batalhas navais da história nas quais as frotas inimigas nunca puseram os olhos uma na outra. Em vez canhões, eram os aviões de caça orientados pelo radar que despachavam os golpes mortais entre navios separados por quilômetros de oceano vazio.

As Criações que Surgiram com a Segunda Guerra 

A experiência da Segunda Guerra Mundial reforçou o truísmo de que a guerra estimula a inovação tecnológica. O radar, a aviação a jato, os computadores, o sonar, os antibióticos e os mísseis teleguiados foram algumas das novas tecnologias desenvolvidas pela Segunda Guerra Mundial. Laboratórios secretos por todo o mundo, físicos nucleares americanos em Los Alamos, decifradores de código britânicos em Bletchley Park, cientistas de foguetes alemães em Peenemunde ajudaram a determinar o resultado da guerra.

Por outro lado, nós podemos ir longe demais exaltando a tecnologia. Apenas o exército americano chegou perto de travar uma guerra inteiramente mecanizada. à parte as especializadas divisões Panzer, a Wehrmacht ainda derrapava na lama, com cavalos puxando as peças de artilharia e os suprimentos. Até mesmo a fria eficiência industrial de morte pode ser superestimada. A maioria das vítimas do Holocausto morreu de maneiras que vinham funcionando há séculos: doença, trabalho excessivo, fome e massacres corpo a corpo.

Além dos ocasionais rompimentos das linhas de frente conseguidos por avanços de blindados, a maioria dos exércitos lutou de maneira muito semelhante ao que haviam feito na primeira Guerra Mundial, isto é, com soldados armados de fuzis se entrincheirando ou atacando, e guarnições de metralhadoras se defendendo sob a cobertura da artilharia. Na frente russa, onde a maior parte da luta aconteceu, a artilharia de campanha realizando seus bombardeios baseada em coordenadas dos mapas sobre alvos fora de sua visão ocasionou mais mortes do que outras armas.

O Poderio Aéreo

Os aviões tornaram-se agentes de destruição durante a Segunda Guerra Mundial. O bombardeio de precisão de alvos militares e industriais foi o uso mais eficaz dessa arma, e foi completamente legal de acordo com as normas internacionais de guerra. Mas a aviação requer uma mistura acima da média dos serviços de inteligência e reconhecimento e de projeto dos bombardeiros. Também exige que os bombardeiros se aproximem por uma rota reta, em plena luz do dia, diretamente dentro de uma cortina de fogo anti-aéreo e enxames de aviões de caça de defesa.