terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Guerras Gálicas

Designa-se historiograficamente por Guerras da Gália (ou Gálicas) a série de campanhas de Júlio César iniciadas em abril de 58 a.C. e finalizadas durante a primavera de 52 a.C., quando, após um cerco de dois meses, César apoderou-se de Alésiae aprisionou Vercingetórix, líder dos Gauleses. Estas campanhas permitiram estabelecer o domínio romano sobre a Europa a oeste do rio Reno (Gália Transalpina).

Após atravessar a a Gália Transalpina, César expulsou as tribos germânicas fixadas ao sul e ao leste, as belgas ao norte e os vênetos a oeste. Atravessou o Reno para mostrar o poder de controle das fronteiras. Favorecido pela desunião intertribal, subjugou implacavelmente as costas norte e oeste. Invadiu duas vezes (55 a.C. e 54 a.C.) a Bretanha, que era vista como refúgio belga e ameaça para Roma. No inverno de 53 a.C.-52 a.C., Vercingetórix reuniu as tribos da Gália central numa unidade incomum, promovendo a insurreição dos povos da Gália iniciado com o massacre dos Romanos em Orléans. Em longa e amarga batalha, César derrotou Vercingetórix e os seus sucessores, culminando na rendição do chefe gaulês.

A Gália, que ocupava apenas uma parte do noroeste da península Itálica (Gália Cisalpina) e uma estreita faixa de terra ao sul da atual França (Gália Narbonense), passou a incluir o equivalente ao atual território da França e da Bélgica.

De Bello Gallico

Júlio César escreveu um livro relatando as diversas campanhas na então Gália, o De Bello Gallico ("Das Guerras na Gália"). A obra é de interesse inquestionável como relato das campanhas, já que foi escrita por um dos protagonistas, embora a interpretação do seu conteúdo seja largamente discutida, considerando muitas passagens como propaganda de César sobre o seu exército e sua capacidade de liderança. Existe até mesmo uma edição acrescida de comentários de Napoleão Bonaparte.

A conquista da Gália por Júlio César

Os Helvécios

A Gália nos tempos de
Júlio César (58 a. C.)
O meio mais certo de agradar os eleitores em Roma era trazer de volta grandes produtos de saques de conquistas estrangeiras, e distribuí-los liberalmente por toda a cidade. Na época do final da República Romana, entretanto, o império era grande demais para que os dois cônsules governantes ficassem guerreando por todo o mundo, reunindo riquezas e glória em guerras estrangeiras durante o único ano para o qual eram eleitos. Em vez disso, eles tinham sua oportunidade como procônsules, ex-cônsules, que eram nomeados pelo Senado como governadores de províncias em fronteiras problemáticas (mas potencialmente lucrativas). Um cônsul popular era recompensado com uma rica província que ele podia extorquir, enquanto outro, impopular, talvez recebesse um vasto território de deserto rochoso, habitado por nômades sujos e pobres. Depois de servir seu termo como cônsul, o extremamente popular Gaio Júlio Cesar recebeu quatro legiões e o carto de governante de diversas províncias romanas do norte, especialmente a Gália meridional (atualmente o sul da França).

César estava ansioso por uma desculpa, qualquer desculpa, para começar a conquista e o saque, de modo que ficou muito contente quando os helvécios pediram permissão para migrar através do protetorado romano para a Gália, em 58 a. C. Ele negou a permissão, mas os helvécios foram em frente de qualquer jeito. César colocou-se no caminho deles com seis legiões. Construiu uma longa muralha barrando o caminho dos invasores, perto do lago Genebra, e esperou. Os helvécios também ficaram esperando. 

Quando os helvécios tentaram desbordar as tropas romanas, César os surpreendeu cruzando um rio e esmagou a retaguarda deles. Depois os perseguiu de perto sem lhes dar descanso, matando os que se desgarravam, até que acidentalmente estendeu demais suas linhas de suprimento. Quando ele recuou, os helvécios deram meia-volta e o perseguiram, até que os romanos fincaram pé numa colina perto da importante cidade gálica de Bibracte, na França central. Ali conseguiram repelir os ataques dos adversários. Depois contra-atacaram e os destruíram.

Ariovisto

Ao norte, duas tribos gaulesas do vale do Reno, os éduos e os séquanos, estavam em guerra, de modo que estes últimos contrataram os suevos, uma tribo germânica chefiada por Ariovisto, para ajudá-los. Depois que os éduos foram derrotados, entretanto, Ariovisto não se retirou. Apossou-se de um terço o território dos séquanos, onde estabeleceu 120 mil membros de seu próprio povo. Posteriormente, mais um terço do território dos éduos foram conquistados por Ariovisto.

Entretanto César não queria deixar que os germânicos estabelecessem um poderoso território tão perto da fronteira romana, de modo que em resposta a pedidos de ajuda dos aeduis ele exigiu a retirada dos suevos. Quando Ariovisto zombou da exigência, César marchou com 30 mil homens para o norte, em setembro. Os dois lados parlamentaram e manobraram durante algum tempo, até que o acampamento romano em Vosgue viu-se cercado por 70 mil germânicos vociferantes. Os romanos calmamente formaram suas linhas e atacaram. Derrotaram os suevos e os perseguiram de perto por 24 quilômetros. Tendo perdido 25 mil homens, os inimigo escapou atravessando o rio Reno de volta, e logo correu o boato que Ariovisto morrera, provavelmente assassinado por seus próprios correligionários revoltados.

Avançando Mais

Durante o ano seguinte, César permaneceu no norte combatendo os belgas, uma coalisão importante de tribos gaulesas que se armavam para bloquear a expansão romana. Em junho de 56 a.C. César construiu uma ponte de madeira sobre o Reno, em dez dias, a primeira do mundo a cruzar o rio. Esse espantoso feito de engenharia intimidou a maior parte das tribos locais, que entregaram reféns ao general, como símbolo de sua rendição. César gastou apenas 18 dias cruzando o rio, incendiando a cidade de uma das tribos que resistiu à sua investida. Destruiu a ponte depois que se retirou, a fim de não deixar uma porta desguarnecida para o império.

Em 55 a. C., ele cruzou o canal da Mancha, invadindo a Bretanha, para ver se valia a pena conquistar aquele território. Levou apenas duas legiões, ou porque planejava não mais do que um reconhecimento ou porque, arrogantemente, supôs que aquela força seria bastante para subjugar a ilha. De qualquer modo, os britânicos mostraram ser mais fortes do que ele esperava. César ficou com suprimentos escassos, mas mesmo assim atacou a partir de sua base e destruiu alguns vilarejos, só para mostrar que não seria forçado a se retirar. Depois retornou ao continente.

SPQR: Senatus
Populusques
Romanus
A essa altura, Cesar já tinha conseguido mais duas novas legiões, somando um total de oito. No inverno de 54-53 a. C., o rei Ambiórix, dos eburões germânicos, enganou as forças romanas: aceitou que passassem em segurança por seu território, mas depois as emboscou. Uma legião quase inteira foi massacrada, perdendo sua Águia, que era o símbolo visível da legião e um poderoso talismã. Os sobreviventes fugiram de volta para seu acampamento e cometeram suicídio, pois não queriam cair prisioneiros dos germânicos.

César chegou e retaliou, destruindo cada aldeia e fazenda no território dos eburões. Embora houvesse fugido e se escondido da vingança direta dos romanos, a maioria da população ficou agora exposta à inanição durante o inverno. César também deu às tribos vizinhas a permissão para que fizessem o que quisessem com os eburões. Embora não saibamos exatamente o que essas tribos fizeram, com certeza foi algo terrível. A história nunca mais voltou a mencionar os eburões.

Em 53 a. C., César dispunha de dez legiões. Ele voltou do norte e varreu  a Gália novamente, certificando-se de que todas as tribos soubessem que as governava. Esmagou uma série de tribos gaulesas teimosas, uma por uma, vendendo as mulheres e crianças para mercadores de escravos que seguiam seu exército por onde este marchava.

Finda sua campanha, César pôde reivindicar toda aquela região como território romano. Embora todo exército gaulês que se levantara contra os romanos houvesse sido derrotado, o povo decidiu realizar um último esforço para expulsar os invasores. Uma grande coalizão de tribos já pacificada empreendeu uma revolta sob o comando de Vercingetórix, chefe da tribo dos arvernos. Para levar os romanos à inanição, os gauleses destruíam todo suprimento que não podiam remover ou defender, e o subsequente sítio da capital gaulesa de Avaricum foi quase uma punição para os romanos lá fora, e os gauleses lá dentro. Por 27 dias, debaixo de forte chuva, os romanos tentaram montar torres om rodas para tomar a cidade, enquanto os gauleses realizavam sortidas externas visando perturbar os trabalhos. Finalmente os engenhos de assédio ficaram prontos e um assalto romano ultrapassou as muralhas. Os conquistadores massacraram todos os inimigos dentro da cidadela. César relata que não houve sobreviventes: "Nem homens, nem mulheres, nem crianças. Da população de cerca de 40 mil, apenas oitocentas, que fugiram da cidade ao primeiro sinal do inimigo, conseguiram chegar com segurança a Vercingetórix.

Vercingetórix se rende a Júlio César, 
pintura no Museu Crozatier, 
em Le Puy-en-Velay.
Vercingetórix mantivera-se afastado durante o sítio de Avaricum, vencendo diversos pequenos confrontos, antes que César o encurralasse no bastião de Alésia. Mais uma vez os romanos estabeleceram seu acampamento em forma de anel, circundando toda a fortaleza inimiga, e começaram a construir as máquinas de assédio. Depois que eles repeliram um tentativa de gauleses fora do perímetro, visando quebrar o cerco, Vercingetórix desistiu. Entregou-se à mercê de César, e embora este tivesse uma reputação de perdoar os inimigos, dessa vez manteve-se firme. Vercingetórix ficou jogado numa cela por diversos anos, até o dia festivo da procissão triunfal de César. Então foi retirado de lá, conduzido pelas ruas de Roma e ritualmente estrangulado no final.

Legado 

O teimoso e incorruptível Marco Pórcio Catão, um dos últimos senadores de Roma a acreditar na república, opunha-se vigorosamente às guerras de César. Achava que César as empreendera sob falsos pretextos, e que ele deveria ser entregue aos germânicos para ser punido. Outros homens poderosos em Roma também se opunham a César, mas principalmente porque a ambição dele de tornar-se ditador conflitava com as próprias ambições deles de fazerem o mesmo.

A guerra não apenas cobrira César de glória e riquezas, mas também o deixara com um exército veterano de tamanho sem rival, inteiramente subordinada a seu favor pela distribuição dos saques efetuados na Gália. Embora ninguém em Roma pudesse evitar que ele se tornasse ditador, ainda decorreriam alguns anos de guerra civil antes que todos os que duvidavam fossem convencidos. Entretanto, exatamente quando se estabeleceu na cidade para gozar dos frutos de sua vitória, César foi assassinado. Seus imediatos no comando lutaram entre si durante mais alguns anos, mas por fim o último desses que restaram, seu sobrinho Otaviano, herdou o manto do poder sob o título de Augusto, e Roma tornou-se um verdadeiro império.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Invasão Romana da Britânia

Por volta de 43 d.C., momento da principal invasão romana da Britânia, a ilha já tinha sido frequente objetivo de invasões planeadas e realizadas por forças da República Romana e do Império Romano. Assim como outras regiões nos limites do império, Britânia estabelecera relações diplomáticas e comerciais com os romanos ao longo de um século desde as expedições de Júlio César em 55 e 54 a.C., e a influência econômica e cultural de Roma era uma parte significativa da tardia pré-romana Idade do Ferro britânica, especialmente no sul.

Introdução 

Entre 55 a.C. e 40 d.C., a política de pagamento de tributos, troca de reféns e vassalagem das tribos britânicas, iniciada com as invasões da Britânia por Júlio César durante a Guerra das Gálias, continuou sem sofrer apenas câmbios. César Augusto preparou a invasão da ilha em três ocasiões (34 a.C., 27 a.C. e 25 a.C.). A primeira e terceira foram abortadas por causa de revoltas produzidas em outras regiões do império, e a segunda por os líderes britânicos parecerem dispostos a chegar a um acordo e evitarem a guerra. Segundo a Res Gestae de Augusto, dois reis britânicos, Dunovelauno e Tincomaro, viajaram suplicantes a Roma durante o seu reinado, e a Geografia de Estrabão, escrita durante este período, afirma que a Britânia pagou mais em tributos e impostos do que poderia implicar se a ilha fosse conquistada.

Na década de 40 d.C., a situação política dentro da Britânia era instável. Os Catuvelaunos substituíram os Trinovantes como o reino mais poderoso a sudeste da Britânia, tomando a antiga capital Trinovantiana de Camuloduno (atual Colchester), e iniciaram uma política de pressões para os seus vizinhos os Atrébates, dirigidos pelos descendentes do antigo aliado e posterior inimigo de Júlio César, Cômio.

Calígula planejou uma campanha contra os britanos em 40, mas a sua execução foi realmente estranha: segundo o que escreve Suetônio em Vidas dos Doze Césares, o imperador dispôs as suas tropas em formação de batalha ao longo do canal da Mancha e ordenou que atacassem permanecendo na água. Posteriormente ordenou que os soldados deviam recolher conchas da água como "o tributo que o oceano devia ao monte Capitolino e ao monte Palatino". Os historiadores modernos não se mostram seguros a respeito de se essa ação foi um castigo a um possível motim dos soldados ou consequência de um dos desvarios de Calígula. O certo é que esta tentativa de invasão preparou as tropas e facilitou a invasão de Cláudio iniciada três anos depois (por exemplo, Calígula edificou um farol em Bolonha-sobre-o-Mar, que serviu como modelo para outro construído em 43 d.C., em Dubris).

Preparativos de Cláudio 

Três anos depois da frustrada invasão de Calígula, o seu sucessor no trono, o imperador Cláudio, provavelmente utilizando as tropas do seu predecessor, formou uma força invasora para reabilitar no trono a Verica, um rei exilado dos Atrébates. Aulo Pláucio, um importante senador, foi posto no comando de quatro legiões que somavam um total de 20 000 soldados sem contar os auxiliares, com os quais somariam por volta de 40 000. As legiões de Plaúcio foram as seguintes:

Legio II Augusta
Legio IX Hispana
Legio XIV Gemina
Legio XX Valeria Victrix

A II Augusta é famosa por ter sido comandada pelo futuro imperador Vespasiano. Segundo os escritos antigos, outros três homens de posição consular foram designados comandantes da força de invasão. Cneu Hosídio Geta, foi designado provavelmente como comandante da IX Hispanica. O irmão de Vespasiano Tito Flávio Sabino é mencionado com Geta pelo historiador Dião Cássio (Cássio afirma que Sabino era tenente de Vespasiano, mas como Sabino era o irmão maior e precedeu Vespasiano no cursus honorum, foi seguramente tribuno militar). Segundo Eutrópio, Cneu Séntio Saturnino foi na sua condição de antigo cônsul, mas ao ser idoso demais é provável que acompanhasse Cláudio quando este desembarcou na ilha.

Cruzamento e invasão 

A força principal de invasão de Pláucio partiu em três divisões. Geralmente, acredita-se que o porto do que partiu o exército romano foi Bolonha-sobre-o-Mar, e que o principal ponto de desembarque foi Rutúpias (Rutupiae; atual Richborough, na costa Leste de Kent). Contudo, não fica demonstrado que fossem estes dois locais. Dião Cássio não menciona o nome do porto de partida, e embora Suetônio afirme que a força secundária partiu sob o comando de Cláudio de Bolonha, isso não significa necessariamente que a força de invasão inteira partisse dali. Pela sua vez, Richborough conta com um grande porto natural, que seria adequado, e amostra restos arqueológicos romanos que indicam uma ocupação militar no momento adequado. Contudo, Dião Cássio alega que os romanos partiram de leste para oeste, e uma viagem de Bolonha a Richbourough suporia um deslocamento de sul a norte. Alguns historiadores sugestionam que a força invasora navegou de Bolonha para Solent, desembarcando nas cercanias de Noviômago Reginoro(Chichester) ou Southampton, em território governado oficialmente por Vérica. Uma explicação alternativa propõe uma viagem do rio Reno para Richborough, que suporia um deslocamento de leste a oeste.

Derrota da resistência sul 

A resistência dos britanos foi dirigida pelos líderes Togoduno e Carataco, filhos do rei dos catuvelaunos, Cunobelino. Uma importante força britânica enfrentou-se com os invasores romanos nas imediações de Rochester, no rio Medway. A batalha prolongou-se durante dois dias. O general romano Hosídio Geta foi capturado durante a contenda, mas foi resgatado e desequilibrou a contenda em favor dos romanos, sendo recompensado com um triunfo ao seu regresso a Roma.

Os britânicos retrocederam para o Tâmisa com o exército romano perseguindo-os ao longo do rio e causando numerosas baixas quando atravessavam o território de Essex. Desconhece-se se para este fim os romanos construíram uma ponte fixa ou se a edificaram temporariamente, embora seja confirmado que ao menos uma divisão de auxiliares batávios cruzou o rio e constituiu uma força independente.

Quando o líder britano Togoduno faleceu após a débâcle do Tâmisa, Pláucio deteve a sua ofensiva e enviou uma mensagem a Cláudio pedindo que se unisse para dirigir a ofensiva final. Dião Cássio escreve que Pláucio precisava do apoio de Cláudio para derrotar o ressurgimento dos britanos que estavam decididos a vingar a morte de Togoduno. Contudo, Cláudio não era militar. O Arco de Cláudio afirma que o imperador recebeu a rendição de onze líderes da resistência britana sem sofrer perda alguma. Suetônio afirma que Cláudio recebeu a rendição dos britanos sem estar presente numa só batalha. É provável que os catuvelaunos estivessem já à beira da derrota pela habilidade militar de Plaútio, o que permitiu Cláudio aparecer como o vencedor na marcha final sobre Camuloduno. Dião Cássio relata que Cláudio trouxe das afastadas regiões do império elefantes de guerra, (embora não se tenham descoberto restos deles), e armamento pesado que impediu um novo rebrote dos insurgentes nativos. Onze líderes a sudeste da Britânia renderam-se ao imperador, e este regressou para Roma junto a Camuloduno para celebrar a sua vitória. Carataco, pela sua vez, escapou e continuou resistindo os invasores desde o afastado oeste. Em comemoração da vitória de Cláudio, o filho do imperador, Cláudio Tibério Germânico foi recompensado com o título honorífico de Britânico.

44 - 60 

Em 44 d.C., o general Vespasiano assumiu o comando de uma pequena força e marchou para oeste subjugando as tribos e capturando uma série de ópidos ao longo do seu caminho. A marcha de Vespasiano chegou ao menos até Exeter e, provavelmente, alcançou a região de Bodmin. A Legio IX Hispânica foi enviada para norte, para Lincoln e, após quatro anos de invasão, é provável que a área em redor de Humberat é o rio Severn caísse sob controle romano. A situação da estrada romana conhecida como Fosse Way levou muitos historiadores a debater o papel da rota como uma fronteira durante a primeira ocupação. É mais provável que a fronteira entre os romanos e os britanos estivesse mudando durante este período.

No fim de 47 d.C., o novo governador da Britânia, Públio Ostório Escápula, iniciou uma campanha contra as tribos assentadas no atual Gales e Cheshire Gap. A tribo dos Siluros, assentada na região do sudeste de Gales, causou consideráveis problemas a Escápula e defendeu com firmeza a fronteira galesa situada nas proximidades do seu território. O próprio Carataco foi derrotado num encontro e fugiu para o território dos Brigantes, que ocuparam os Peninos. A rainha deste povo, Cartimándua, estava pouco disposta a batalhar com os romanos e decidiu assinar um tratado de paz com eles pelo qual lhes entregava Carataco e eles comprometiam-se a apoiá-la militarmente. Quando Ostório faleceu, foi substituído por Aulo Dídio Galo, que penetrou na fronteira galesa, tomando-a, mas sem continuar, provavelmente porque Cláudio queria evitar uma dura guerra de desgaste com o objetivo de se abrir caminho através do montanhoso território britânico.

Quando Nero ascendeu ao trono após a morte de Cláudio em 54 d.C., parecia decidido a continuar a invasão da ilha e nomeou Quinto Verânio como governador da província, um homem com experiência em tratar com as belicosas tribos da Ásia Menor. Verânio e o seu sucessor, Caio Suetônio Paulino dirigiram com sucesso uma campanha ao longo do território de Gales, famosa por destruir a resistência dos druidas ao capturar as suas capitais, Mona e Anglesey, em 60 d.C.. A ocupação final de Gales foi detida por causa da rebelião da rainha Boudica, cujas tropas obrigaram os romanos a retroceder para sudeste. Os siluros não foram conquistados por completo até 76 d.C., após uma longa e dura campanha dirigida pelo general romano Sexto Júlio Frontino.

60 - 96 

Após a derrota dos insurgentes britanos sob o comando da rainha Boudica na Batalha de Watling Street, os seguintes governadores enviados por Roma continuaram a sua conquista avançando para norte.

Cartimándua foi obrigada a pedir apoios os romanos para que a ajudassem a enfrentar-se com a rebelião do seu marido Venútio. Quinto Petílio Cerial tomou umas quantas legiões estacionadas em Lincoln e avançou até chegar a Iorque. As legiões enfrentaram-se com Venútio e derrotaram-no nas imediações de Stanwick, por volta de 70 d.C. Como resultado, a tribo dos Brigantes foi totalmente romanizada.

Sexto Júlio Frontino foi enviado a governar a província romana da Britânia em 74 d.C. em substituição de Quinto Petílio Cerial. O novo governador subjugou a tribo dos Siluros e os povos hostis a Roma que se assentavam no território de Gales, estabelecendo o seu acampamento base em Caerleon, guarnecendo-o com a Legio II Augusta e estabelecendo uma série de pequenas fortificações situadas a cerca de 15 – 20 km de distância entre elas. Durante o seu mandato foi construída uma fortificação em Pumsaint, a oeste de Gales, em parte com o objetivo de explorar os recursos auríferos de Dolaucothi. Frontino retirou-se da província em 78 d.C. e ao seu regresso à capital foi designado como comissionado de águas em Roma.

O general Cneu Júlio Agrícola foi designado em substituição de Frontino. O novo governador da ilha derrotou os Ordovicosem Gales e, posteriormente, tomou o comando de uma pequena força, marchando para norte, onde construiu uma série de estradas ao longo dos Peninos. Edificou uma fortificação em Chester e empregou táticas depreciáveis em algumas ocasiões com o objetivo de obter a rendição britana pelo medo. Em 80 d.C., Agrícola tinha chegado até o rio Tai, iniciando na zona a construção da grande fortaleza de Inchtuthil. Agrícola obteve uma decisiva vitória contra a Confederação de Caledônia liderada por Calgaco na Batalha do Monte Gráupio. Após a vitória, Agrícola ordenou à sua frota navegar para norte da Escócia com o fim de obter a rendição das Órcadas.

Apesar das suas vitórias, Júlio Agrícola foi chamado para Roma pelo imperador Domiciano e substituído por uma série de sucessores ineficazes que não foram capazes de subjugar os seus inimigos e continuar o avanço para norte.

A fortaleza de Inchtuthil foi desmantelada antes de finalizar a sua construção e, no seu lugar, foram erigidas outras fortificações em Gask Ridge, em Perthshire, construídas para consolidar a presença romana na zona da Escócia. Após a débâcle do monte Gráupio, é provável que os Britanos optassem por abandonar a zona devido aos altos custos da guerra, e era mais rentável ceder aos romanos o controle da zona apesar de deixar os Caledônios sem apoios.

Insucesso na conquista de Escócia 

Localização na Grã-Bretanha
da Muralha de Adriano, ao sul,
e da Muralha de Antônimo, mais ao Norte.
Após a saída de Cneu Júlio Agrícola, os romanos foram retirando-se de maneira progressiva atrás dos limes que construíram na parte central da ilha, conhecidos geralmente com o nome genérico de Muralha de Adriano.

Os romanos tentaram avançar as suas posições para norte, entre os rios Clyde e Forth em 142, quando a Muralha de Antonino foi construída. Contudo, após duas décadas de repetidos insucessos, as legiões abandonaram a sua ofensiva e retiraram-se atrás da seção da Muralha de Adriano, situada entre as regiões do rio Tyne e a área fronteiriça do fiorde de Solway. Apesar desta aparente retirada, as tropas romanas tentariam penetrar na Escócia várias vezes mais, de fato, a maior densidade de acampamentos romanos da Europa encontra-se na Escócia, como resultado das quatro ocasiões nas quais o Império Romano tentou submeter a belicosa região.

A mais importante destas invasões aconteceu em 209, quando o imperador Septímio Severo, alegando a intolerável beligerância da tribo Maeatae, iniciou uma campanha contra a Confederação da Caledônia. Para a sua campanha, o imperador tomou o comando de três legiões veteranas estacionadas na ilha e 9000 soldados imperiais apoiados por numerosa cavalaria e auxiliares subministrados por via marítima pela frota britânico-romana e as frotas do Danúbio e do Reno. O conflito foi extremamente sangrento, e ambos os bandos sofreram quantiosas baixas. Septímio Severo viu-se obrigado a retroceder atrás da sua muralha após perder 50 000 dos seus homens. Enquanto firmava o tratado de paz com os britanos, Severo reformou a Muralha de Adriano, tão profusamente que alguns historiadores lhe atribuíram a sua construção. Durante as negociações para assinar uma trégua, foi emitido o primeiro comentário do qual tem registro; atribuído a um nativo da Escócia (tal qual menciona Dião Cássio). Quando a esposa do imperador, Júlia Domna, criticou os costumes sexuais das mulheres caledônias, uma das esposas dos líderes britanos, Argentocoxos, replicou do seguinte modo: "Nós nos casamos com os melhores homens enquanto vós tendes de vos conformar com os piores". O imperador Severo faleceu em Iorque em 211, quando planeava retomar as hostilidades contra as tribos britanas. Os seus planos seriam abandonados pelo seu filho Caracala.

As últimas incursões dos romanos na Escócia limitaram-se a simples missões de exploração, ao estabelecimento de contratos comerciais, à assinatura de tratados e, finalmente, à propagação do cristianismo.

Os sucessos e insucessos dos romanos em submeter a Britânia ficam ainda presentes na geografia política das ilhas Britânicas, na qual a separação entre Escócia e Inglaterra coincide praticamente com a situação da Muralha de Adriano.
Muralha de Adriano.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Batalha de Áccio

A Batalha de Áccio (ou Ácio – em latim, Actium) teve lugar em 2 de setembro de 31 a.C., perto de Áccio na Grécia, durante a guerra civil romana entre Marco António e Otaviano (depois conhecido como imperador Augusto). A frota de Otaviano era comandada por Marco Vipsânio Agripa e a de António apoiada pelos barcos de guerra da rainha Cleópatra do Egito. O resultado foi uma vitória decisiva de Otaviano, que findou a oposição ao seu poderio crescente. Esta data é por isso usada para marcar o fim da República e início do Império Romano.

Prelúdio

O segundo triunvirato rompeu-se devido à séria ameaça que Otaviano via em Cesarião, o filho de Cleópatra e Júlio César. A base do poder de Otaviano era a sua ligação a César por adopão, que lhe garantia a sua muito necessitada popularidade e lealdade das legiões. Ao ver esta situação conveniente posta em causa após Marco António ter declarado que Cesarião era o legítimo herdeiro de Júlio César, começou uma guerra de propaganda entre os aliados que destruiu o segundo triunvirato no último dia de 33 a.C..

Finalmente o senado retirou Marco António do poder e declarou guerra contra Cleópatra. Um terço do senado e ambos os cônsules juntaram-se ao lado de Marco António, e em 31 a.C. a guerra começou quando o talentoso general Marco Vipsânio Agripa capturou a cidade grega e o porto naval de Methon que era leal a Marco António. Marco António era um excelente soldado, no entanto a sua falta de experiência em confrontos navais foi o seu calcanhar de Aquiles.

A batalha

As duas frotas eram constituídas por cerca de 400 navios cada uma. Este número é apenas uma estimativa, visto que as fontes históricas são contraditórias neste aspecto. A táctica usada por Marco António foi valer-se da maior tonelagem dos seus navios, carregá-los com artilharia e bombardear o inimigo. No entanto, os barcos comandados por Marco Vipsânio Agripa eram mais leves e manobráveis e conseguiram evitar estas investidas e eliminar o perigo. Durante a luta, Cleópatra decidiu fugir e António depressa a seguiu. A fuga do comandante não foi descoberta e a luta prosseguiu até Agripa conseguir incendiar e afundar a frota de António.

Cerca de um ano depois destes eventos, Otaviano invadiu o Egito e António e Cleópatra suicidaram-se. Uma referência à batalha é feita na Eneida de Virgílio.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Guerras Judaico-Romanas

Guerras judaico-romanas é o termo genérico que designa a série de revoltas movidas pelos judeus contra a dominação pelo Império Romano. Foram três guerras, mas alguns historiadores consideram que houve apenas duas, descartando a "Guerra de Kitos".

Primeira Guerra (132-135 d. C.)

Fortaleza de Massada,
situado no litoral sudoeste do Mar Morto.
Em seguida às conquistas de Alexandre, os gregos haviam se estabelecido em todo o Oriente Médio, onde geralmente formavam uma classe alta estrangeira, provocando o ressentimento dos nativos. Em Cesareia, a principal cidade da Palestina romana, os gregos e judeus estavam sempre trocando insultos, mas às vezes a discussão se transformava em distúrbios em larga escala. Depois de uma série desses distúrbios, o governador romano exigiu que a comunidade judaica pagasse por todos os danos feitos. Os judeus, entretanto, alegara que, em primeiro lugar, os culpados eram os gregos, por sacrificarem algumas aves nos degraus da sinagoga, de modo que se recusaram a pagar. Não havia problema: o governador romano simplesmente sequestrou o dinheiro do tesouro do templo em Jerusalém.

Judeus de todo o país se revoltaram, raivosos com a blasfêmia. Os nacionalistas radicais, chamados zelotes, expulsaram facilmente para a Síria a pequena guarnição romana. No primeiro entusiasmo da vitória, parecia que Deus restaurara a antiga glória da nação judaica, até que o imperador Nero enviou um grande exército sob o comando de Vespasiano para pôr fim à rebelião. Suas legiões romanas erradicaram sistematicamente os rebeldes na Galileia, com sítios, massacres e manobras políticas, e por fim cerraram fileiras contra Jerusalém.

A guerra foi interrompida em 68, quando os generais romanos, incomodados com as excentricidades de Nero, o derrubaram, e um após outro, todos os generais romanos do império marcharam com suas legiões para Roma, para reivindicar o trono para si mesmos. Vespasiano mostrou ser i último e o mais permanente dos quatro imperadores proclamados durante aquele ano em meio ao caos.

Vespasiano, já imperador, passou o encargo da rebelião judica para seu filho Tito, que sitiou Jerusalém. As máquinas de sítio eram difíceis de construir na Palestina porque as árvores eram escassas e tortas, mas a pura tenacidade romana manteve a cidade isolada durante dois ano e levou seus defensores à beira da inanição. Todo dia os romanos capturavam, fora das muralhas, grupos desesperados de zelotes à procura de comida, e os crucificavam à plena vista dos defensores. Quando a cidade finalmente caiu, em 70 d.C., os romanos massacraram a população e reduziram a ruínas o templo. O candelabro de ouro de um metro e meio de altura, com sete braços, que adornava o templo, foi levado para Roma e exibido triunfantemente numa parada para a população.

A maior parte das muralhas da cidade foi demolida, mas Tito mandou preservar um imponente trecho curto dela, no complexo do templo, como uma lição para os futuros rebeldes, de que até mesmo a mais grossa das muralhas não resistia ao exército romano. Esse fragmento da muralha (hoje em dia conhecida como Muralha Ocidental ou Muro das Lamentações) é o lugar mais sagrado do judaísmo, o que prova que a verdadeira lição para as futuras rebeliões é (a) ou que a fé pode na verdade resistir ao exército romano ou (b) se você começa a demolir um lugar, termine a tarefa. 

Os últimos 960 zelotes retiraram-se para a fortaleza de Massada, nas montanhas. Os defensores ficaram observando, sem poder impedir, os romanos começarem a construir metodicamente uma rampa que subia a montanha, a fim de poder levar suas máquinas de guerra até o alcance da cidadela. Sabendo que estavam perdidos, os zelotes encurralados tiraram a sorte. Os perdedores matavam os ganhadores e depois tiravam de novo a sorte. Os perdedores matavam os ganhadores e assim por diante, até que sobrou um defensor vivo para cometer o imperdoável pecado do suicídio.

Segunda Guerra

Também chamada de "Guerra de Kitos", ocorreu entre os anos 115 e 117, no governo do imperador Trajano. Consistiu em uma revolta das comunidades judaicas da Diáspora (judeus que viviam fora da Judeia), disseminando-se, principalmente, por Cirene (Cirenaica), Chipre, Mesopotâmia e Egito. Foi sufocada pelo comandante romano Lúcio Quieto.

Terceira guerra (132-135 d. C.)

Também chamada de "Revolta de Bar Kokhba".  

A destruição causada pela primeira revolta centrou-se principalmente em Jerusalém, e grande parte da Palestina não foi assolada pela guerra. A paz e a prosperidade foram retornando gradualmente. Então os romanos tentaram integrar a província num conjunto de nações maior, em torno do Mediterrâneo. Por volta de 132, o imperador Adriano baniu a mutilação genital em todo o império, o que soa como uma excelente ideia, até que nos lembremos de que o judaísmo exige a circuncisão. Adriano rapidamente revogou a ordem, fazendo uma exceção para os judeus. Infelizmente, o imperador escolheu também o momento para reconstruir Jerusalém como uma moderna cidade romana, com um templo dedicado a Júpiter onde se erguia o templo de Jeová.

Os judeus não aceitaram a ideia, e se levantaram revoltados sob a chefia de Simon bem Koziba, que ganhou o apelido messiânico de Bar Kokhba, "Filho da Estrela". Os rebeldes eram mais fortes no interior, onde haviam construído baluartes fortificados, interligados por túneis de acesso camuflado. Os romanos enviaram três legiões para sufocar a rebelião. Foi uma campanha dura, na qual uma das legiões desaparece dos livros de história depois disso, provavelmente destroçada pelos rebeldes. A refrega foi tão destrutiva que nós ainda não temos sua história completa, ou muitas relíquias a ela relacionadas, apenas umas poucas cavernas descobertas nos penhascos perto do Mar Morto. Essas cavernas abrigaram os últimos rebeldes, e os arqueólogos as nomearam por causa de seus importantes conteúdos, a Caverna do Manuscrito, a Caverna das Setas, a Caverna das Cartas (inclusiva algumas escritas por Bar Kokhba) e a Caverna dos Horrores (quarenta esqueletos, famílias inteiras mortas de inanição), entre outras. 

Quando terminou a luta, a maioria dos judeus na Palestina foi morta, exilada ou escravizada, e dessa vez os romanos tomaram providências para que não houvesse uma outra revolta. Esvaziaram de habitantes grande parte do território e levaram para lá etnias mais cooperadoras. Os judeus foram exilados da Palestina e começou a Diáspora, a dispersão dos judeus por todo o globo.

Outras revoltas 

Além dessas guerras, houve também uma rebelião dos judeus da Síria Palestina contra Constâncio Galo, césar do Império Romano, conhecida como "Guerra contra Galo", ocorrida entre 351 e 352, que foi sufocada pelo comandante romano Ursicínio.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Batalha de Adrianópolis

A segunda Batalha de Adrianópolis ou Batalha de Andrinopla (9 de agosto de 378) foi travada entre um exército romano comandado pelo imperador Valente, de um lado, e, de outro, tribos germânicas (principalmente ostrogodos e visigodos, com o apoio de alguns alanos, não germanos) comandadas por Fritigerno. A batalha ocorreu em Adrianópolis (atualmente Edirne, na Turquia) e resultou numa vitória decisiva para os godos.

Os Godos

Quando uma perigosa nova linhagem de bárbaros, os hunos, pareceu no horizonte nordeste do mundo civilizado, no final do século IV, todas as tribos germânicas no seu caminho fugiram ou se renderam. Os visigodos escaparam atravessando o rio Danúbio, a fronteira norte do Império Romano, e pediram ao imperador Valente que os salvasse. Ele permitiu que os bárbaros se estabelecessem ao longo da margem sul, como federados, um tipo de vassalos subordinados vivendo em um enclave autônomo. Os visigodos enfatizavam sua condição de autônomos, enquanto os funcionários romanos locais preferiam acentuar a parte subordinada da equação. Dentro em pouco, os desentendimentos se transformaram em revolta aberta.

Em 378, Valente marchou com o exército romano contra os visigodos, que se aproximavam da cidade romana de Adrianópolis, visando saqueá-la. Valente chegou com 40 mil soldados, acampou durante a noite, e depois avançou contra a infantaria dos bárbaros, que haviam se agrupado num círculo de carroças. O imperador atacou suando a ordem dos legionários apropriada, mas o círculo aguentou, até que chegou a cavalaria dos visigodos e envolveu o exército romano. Estes se viram apertados, esmagados e aniquilados, resultando na pior derrota romana de memória recente. O corpo do imperador nunca foi encontrado.

A partir daí, os bárbaros acumularam tanto poder que, em 410, saquearam a própria Roma.

Morte de Valente e Final da Batalha

Sobre o final de Valente circulam diferentes versões, sem que se possa afirmar com certeza qual é a correta. A primeira é que, simplesmente, Valente faleceu após receber o impacto de uma flecha inimiga, encurralado e combatendo junto aos homens que o acompanhavam, como um soldado mais. Outras dizem que pôde ser evacuado pelos seus generais (talvez ferido) e refugiou-se numa casa próxima ou, mais provavelmente, numa torre de guarda. Os visigodos ignoravam que Valente estava dentro, mas ao observar que se guarneciam soldados romanos no seu interior, acabaram com as últimas tropas que se opunham e acenderam fogo ao edifício, morrendo todos os que se encontravam dentro. Seja como for, ninguém pôde identificar o corpo de Valente entre todos os caídos na batalha, pelo que teria sido sepultado como um soldado anônimo mais.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Queda do Império Romano

Em geral, a expressão queda do Império Romano refere-se ao fim do Império Romano do Ocidente, ocorrido em 476 d.C., com a tomada de Roma pelos hérulos, uma vez que a parte oriental do Império, que posteriormente os historiadores denominariam Império Bizantino, continuou a existir por quase mil anos, até 1453, quando ocorreu a Queda de Constantinopla. A queda do Império Romano do Ocidente foi causada por uma série de fatores, entre os quais as invasões bárbaras que causaram a derrubada final do Estado.

O Império Romano é como os dinossauros. Ambos são mais famosos por terem desaparecidos do que por terem sobrevivido todos esses séculos; entretanto, a cidade de Roma permanecera sem ser saqueada por estrangeiros por oitocentos anos (390 a. C. – 410 d. C.)

Como aconteceu com os dinossauros, que se transformaram em pássaros, alguns alegam que Roma nunca realmente "caiu"; ela simplesmente se transformou em outra coisa. A metade oriental sobreviveu mais mil anos, como o Império Bizantino, e governantes que se intitulavam "Césares" existiram até o século XX, embora com o nome de "kaisers" e "tzares".

Por que Roma Caiu?

Há cem anos, estavam muito em voga as teorias raciais sobre o colapso de Roma, de que a mestiçagem enfraqueceu a raça e assim por diante, mas isso é simplesmente projetar as preocupações de uma época de volta para outra, no passado. Hoje em dia você pode ouvir explicações baseadas em mudanças climáticas, doenças tropicais ou esteroides assassinos, porque essas coisas são as coisas que nos preocupam.

Qualquer coisa tendo a ver com redução da fertilidade ou degradação geral da classe governante é duvidosa, porque o Império Romano não era uma monarquia no sentido estrito, que passava de pai para filho e deste para o neto. Era mais uma ditadura militar, na qual o poder era transmitido de um imperador morto para um parente com experiência ou um colega respeitado. 

A mais popular das explicações culpa o fracasso da liderança. Roma nunca desenvolveu um sistema suave de passar o império de um imperador para o seguinte, o que desencadeava uma pequena guerra civil quase toda vez que morria o governante. Os imperadores não tinham qualquer legitimidade, a não ser terem comandado o maior exército, e generais ambiciosos tinham pouca lealdade pessoal para com seu soberano. Assim, quando surgia a crise, Roma via sentado no trono uma série desafortunada de usurpadores, crianças e pesos leves, que tinham mais medo de seus próprios exércitos do que dos bárbaros. 

Segundo, a cavalaria tornou-se o principal meio de combater, mas Roma fora construída e mantida pela infantaria. Como Roma reagiu a essas novas táticas de cavalaria alistando mercenários, em vez de treinar os romanos nativos para lutar dessa maneira, o exército foi ficando cada vez menos comprometido com a sobrevivência do império. 

Terceiro, a transferência da capital principal para Constantinopla aumentou o controle romano no Oriente, mas também marginalizou o do Ocidente. Os exércitos colocados convenientemente para proteger ao nova capital não eram de muita utilidade para proteger o Ocidente. Quando o império foi dividido em duas partes, oriental e ocidental, o Oriente herdou a galinha dos ovos de ouro, e uma fronteira mais curta, enquanto o Ocidente ficou com as despesas de guarnecer uma extensa fronteira, com recursos provenientes de uma economia mais primitiva. No final, o Ocidente viu-se simplesmente sem meios de se defender. 

Quarto, a conversão ao cristianismo (depois de 313) criou divisões internas e alienou os tradicionalistas pagãos. Quando o cargo de sumo sacerdote foi separado do cargo de imperador, isso diluiu o apoio popular ao governo. O imperador perdeu metade de sua legitimidade. As pessoas ficaram menos inclinadas a cultuar César, uma vez que ele não era mais um deus vivo. Isso também ajuda a explicar por que a China, onde o imperador manteve seu status divino, foi por fim reconstituída como uma nação unificada.

Tempos Bons

Se um homem fosse chamado a fixar um período da história do mundo no qual a condição da raça humana foi mais feliz e próspera, ele indicaria, sem hesitação, o tempo decorrido da morte de Domiciano até a ascensão de Cômodo (96-180 d. C.) A vasta extensão do Império Romano era governada por um poder absoluto, sob a orientação da virtude e da sabedoria. Os exércitos foram contidos pela firme, mas suave mão de quatro imperadores sucessivos, cujo caráter e autoridade impunham respeito involuntário. As formas da administração civil foram cuidadosamente preservadas por Nerva, Trajano, Adriano e pelos Antonios, que apreciavam a imagem da liberdade, e ficavam contentes em se considerarem como pessoas responsáveis pela administração das leis. Esses príncipes mereceram a honra de restaurar a república, tendo os romanos de seus dias sido capazes de gozar de uma liberdade racional. (Edward Gibbon, Declínio e queda do Império Romano).

Finalizando

A queda de Roma é, indiscutivelmente, o acontecimento geopolítico mais importante da história ocidental. Sem os esfacelamento do império, as populações romanizadas da Europa ocidental não teriam evoluído como identidades separadas. Em vez de franceses, espanhóis, italianos e portugueses, haveria apenas romanos nessas terras (falando algo muito semelhante ao italiano). Essa pátria neorromana poderia também ter incluído a Inglaterra, o norte da África e a marge sul do Danúbio, cujas populações romanizadas foram mais tarde absorvidas, assimiladas e substituídas por invasores anglo-saxões, árabes e eslavos. Imagine um único grupo étnico preenchendo todas as terras, desde Liverpool até a Líbia, com 2 mil anos de história de unidade. Rivalizaria com a China como o país mais antigo e mais populoso da Terra.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Império Sassânida

Bandeira
O Império Sassânida foi o último Império Persa pré-islâmico, governado pela dinastia sassânida de 224 d.C. a 651. O Império Sassânida, que sucedeu o Império Parta, foi reconhecido como uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central, juntamente com o Império Romano/Bizantino, por um período de mais de 400 anos.

Foi fundado por Artaxes I, após a queda do Império Arsácida e a derrota do último rei arsácida, Artabano IV. Durante sua existência, o Império Sassânida dominou os territórios dos atuais Irã, Iraque, Afeganistão, o leste da Síria, o Cáucaso (Armênia, Geórgia, Azerbaijão e Daguestão), o sudoeste da Ásia Central, parte da Turquia, certas áreas litorâneas da península Arábica, a região do golfo Pérsico, e algumas regiões do Baluquistão paquistanês.

De acordo com a lenda tradicional persa, o vexiloide do Império Sassânida era o Derafsh Kaviani. Hipóteses foram levantadas afirmando que a transição que resultou no Império Sassânida representa o fim da disputa entre os proto-persas e seus parentes próximos étnicos migrantes, os partas, cuja pátria original localizava-se na atual Ásia Central.

O período sassânida, durante a Antiguidade Tardia, é considerado um dos mais importantes e influentes períodos históricos da história da Pérsia e do Irã, e constituiu o último grande império iraniano antes da conquista muçulmana e a adoção do islamismo pela população local. O Império Sassânida testemunhou o auge da civilização persa, de diversas maneiras; a Pérsia da época influenciou a civilização romana consideravelmente durante o período. A influência cultural sassânida ultrapassou em muito as fronteiras territoriais do império, chegando até a Europa ocidental, a África, a China e a Índia. Teve um papel importante na formação da arte medieval europeia e asiática.
Império Sassânida.