quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Diocleciano

Caio Aurélio Valério Diocleciano (Diocleia, c. 22 de dezembro de 2443 – Espalato, 3 de dezembro de 311), foi imperador romano de 284 a 305.

Nascido numa família ilíria de baixo status social, na província romana da Dalmácia, Diocleciano ascendeu socialmente pela via militar e se tornou comandante de cavalaria do imperador Caro. Após as mortes de Caro e de seu filho, Numeriano, durante uma campanha militar contra o Império Sassânida, Diocleciano foi aclamado imperador. O título também era disputado pelo outro filho de Caro, Carino, que foi derrotado por Diocleciano na Batalha do Margo. 

Com sua ascensão ao poder, Diocleciano pôs um fim à Crise do terceiro século. Indicou um oficial, seu colega militar, Maximiano, para o cargo de "augusto", na prática co-imperador, em 285, e em 1 de março de 293 indicou Galério e Constâncio como "césares", co-imperadores de menor estatura. Sob esta "Tetrarquia", ou "governo de quatro", cada imperador tinha autoridade sobre um quarto do império, embora fosse um governo conjunto. 

Durante campanhas contra os sármatas e tribos do Danúbio (285-290), os alamanos (288) e usurpadores na província do Egito (297-298), Diocleciano defendeu as fronteiras do império e expulsou delas quaisquer ameaças a seu poder. Em 299, conduziu negociações com os sassânidas, o tradicional inimigo do império no Oriente, obtendo uma paz duradoura e favorável aos romanos. 

Diocleciano separou e ampliou os serviços militar e civil do império e reorganizou as divisões provinciais, implementando o maior e mais burocrático governo na história do Império Romano. Fundou novos centros administrativos em Nicomédia (atual İzmit), Mediolano (atual Milão), Antioquia e Augusta Treveroro (atual Tréveris), mais próximos às fronteiras imperiais do que a tradicional capital, em Roma. 

A partir da tendência ao absolutismo comum aos governantes do século III, passou a se denominar um autocrata, elevando-se acima das massas do império com formas imponentes de cerimonial na sua corte e através da arquitetura. O crescimento burocrático e militar, suas constantes campanhas e projetos de construção aumentaram os gastos estatais, e levaram a uma necessária reforma tributária. A partir de 297, os impostos imperiais foram padronizados e tornados mais equitativos, e, de um modo geral, passaram a consistir de taxas mais altas.

Nem todos os planos de Diocleciano tiveram sucesso. O Édito sobre os Preços Máximos, de 301, sua tentativa de controlar a inflação através do controle de preços, foi malsucedido, contraproducente e rapidamente ignorado. Embora tenha sido bem-sucedido enquanto esteve em vigor, o sistema tetrárquico de Diocleciano ruiu logo após sua abdicação, diante das disputas dinásticas rivais de Magêncio e Constantino, filhos de Maximiano e Constâncio, respectivamente. 

A Perseguição de Diocleciano (303-311), a última, maior e mais sangrenta perseguição oficial do cristianismo a ser implementada pelo império, não só não conseguiu destruir a comunidade cristã como ainda a deixou mais fortalecida. Após 324, a religião tornou-se a predileta do império, especialmente depois de seu primeiro imperador cristão, Constantino. Apesar de seus insucessos, as reformas de Diocleciano alteraram fundamentalmente a estrutura do governo imperial romano, e ajudaram a estabilizar o império econômica e militarmente, permitindo que ele continuasse essencialmente intacto pelos próximos cem anos, apesar de ter chegado muito perto do colapso total durante a juventude de Diocleciano. 

Em 1 de maio de 305, enfraquecido pela doença, Diocleciano abandonou o palácio imperial e se tornou o primeiro imperador romano a abdicar voluntariamente de seu cargo. Viveu os últimos anos de sua vida em seu palácio na costa da Dalmácia, cuidando de suas hortas e jardins. Seu palácio posteriormente se tornou o centro da cidade moderna croata de Split.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Constantino

Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino, o Grande (em latim Flavius Valerius Constantinus; Naisso, 272 — 22 de maio de 337), foi um imperador romano, proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de julho de 306, que governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte.

Constantino derrotou os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Ele também lutou com sucesso contra os francos e alamanos, os visigodos e os sármatas durante boa parte de seu reinado, mesmo depois do reassentamento de Dácia (Romênia), que havia sido abandonada durante o século anterior. Constantino construiu uma nova residência imperial em lugar de Bizâncio, chamando-o de Nova Roma. No entanto, em honra de Constantino, as pessoas chamavam-na de Constantinopla, que viria a ser a capital do Império Romano do Oriente por mais de mil anos. Devido a isso, ele é considerado como um dos fundadores do Império Romano do Oriente.

Reformas Religosas, Militares e Administrativas

Cristograma de
Constantino.
Constantino legalizou e apoiou fortemente a cristandade por volta do tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão, mas também não tornou o paganismo ilegal ou fez do cristianismo a religião estatal única. Na sua posição de Pontifex maximus — cargo tradicionalmente ocupado por todos os imperadores romanos, e que tinha a ver com a regulação de toda e qualquer prática religiosa no império — estabeleceu as condições do seu exercício público e interferiu na organização da hierarquia quando convocado, seguindo uma prática, no que diz respeito aos cristãos, que já havia sido inaugurada por um imperador pagão, Aureliano, que fora chamado a arbitrar uma querela entre o bispado de Antioquia e o bispado de Roma, que excomungara Paulo de Samosata, bispo de Antioquia, por heresia. O Imperador reafirmara o que já era do direito circunscricional da Igreja Romana — ou seja, que as igrejas cristãs locais, no que diz respeito a sua organização administrativa — inclusive quanto a eleição dos bispos — deveriam reportar-se à igreja de Roma, a capital.

Apesar de a Igreja ter prosperado sob o auspício de Constantino, ela própria decaiu no primeiro de muitos cismas públicos. Constantino, após ter unificado o mundo romano, convocou o Primeiro Concílio de Niceia, em um grande centro urbano da parte oriental do império, em 325, um ano depois da queda de Licínio, a fim de unificar a Igreja cristã, pois com as divergências desta, o seu trono poderia estar ameaçado pela falta de unidade espiritual entre os romanos. Duas questões principais foram discutidas em Niceia (atual İznik): a questão da Heresia Ariana que dizia que Cristo não era divino, mas o mais perfeito das criaturas, e também a data da Páscoa, pois até então não havia um consenso sobre isto.

Constantino só foi batizado e cristianizado no final da vida. Ironicamente, Constantino poderá ter favorecido o lado perdedor da questão ariana, uma vez que ele foi batizado por um bispo ariano, Eusébio de Nicomédia (que não deve ser confundido com o biógrafo do imperador, Eusébio de Cesareia). A inclinação que Constantino e seu filho e sucessor na condição de augusto único, Constâncio II, demonstraram pelo arianismo, é bastante explicável, na medida em que ambos tentaram apresentar a figura do imperador como um análogo do Cristo ariano: uma emanação divina, reflexo terreno do Verbo. A tempestuosa relação de Constantino com a Igreja da época dá conta dos limites da sua atuação no estabelecimento da Ortodoxia: pouco antes de sua morte, em 335, ele mandou exilar, na capital imperial de Trier, o patriarca de Alexandria Atanásio, campeão da ortodoxia, por suas violentas atitudes antiarianas, e apesar do fato de que Atanásio continuou a ser perseguido pelos sucessores de Constantino, o abertamente ariano Constâncio II e o pagão Juliano, o Apóstata, foi a sua visão teológica que acabou por prevalecer.

Fundação de Constantinopla

Constantino: mosaico em
Hagia Sofia.
Para resolver definitivamente o problema logístico da distância entre a capital e as principais frentes militares da época, sem recorrer ao expediente de uma residência imperial "interina", Constantino reconstruiu a antiga cidade grega de Bizâncio, que dedicou em 11 de maio de 330 chamando-a de Nova Roma, dotando-a de um Senado e instituições cívicas (catorze regiões, um fórum, distribuições de trigo, um Prefeito do pretório) semelhantes aos da antiga Roma. Tratava-se, no entanto, de uma cidade puramente cristã, dominada pela Igreja dos Santos Apóstolos, junto a qual encontrava-se o mausoléu onde Constantino seria sepultado. Os templos pagãos de Bizâncio foram nela preservados, mas neles foram proibidos os sacrifícios e o culto das imagens dos deuses. Após a morte de Constantino, Bizâncio foi renomeada Constantinopla, tendo-se gradualmente tornado a capital permanente do império. A fundação de Constantinopla foi complementada pelo tratado (foedus) realizado entre Constantino e seus descendentes com os godos, que, a partir de 332, passaram a defender a fronteira do Danúbio e fornecer homens ao exército romano, em troca de abastecimentos. A mudança da capital imperial enfraqueceu a influência do papado de Roma e fortaleceu a influência do bispo de Constantinopla sobre o Oriente, um dos eventos notáveis que provocariam futuramente o Grande Cisma do Oriente.

A limes danubiana e oriental no tempo de Constantino,
com os territórios conquistados no curso das campanhas
germano-sarmáticas (de 306 a 337).
O mapa representa também o Império Romano pouco depois
da morte de Constantino (337), com os territórios "repartidos"
entre os seus três filhos (Constante I, Constantino II e Constâncio II).
Sucessão

Um ano depois do Primeiro Concílio de Niceia, em (326), portanto, durante uma viagem solene a Roma para a comemoração dos seus vinte anos de reinado, Constantino mandou matar seu próprio filho e sucessor designado Crispo, um general competente que provavelmente foi suspeito de intrigar para derrubar o pai. Pouco depois, sufocaria sua segunda mulher Fausta num banho sobreaquecido, provavelmente por suspeitar que ela tivesse intrigado contra seu enteado Crispo. Mandou também estrangular o cunhado Licínio, que havia se rendido a ele em troca da vida e chicotear até a morte o seu filho (e sobrinho do próprio Constantino). Foi sucedido por seus três filhos com Fausta: Constantino II, Constante I e Constâncio II, os quais dividiram entre si a administração do império até que, depois de uma série de lutas confusas, Constâncio II emergiu como augusto único.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Teodósio

Moeda de Teodósio.
Teodósio I, dito o Grande (nascido Flávio Teodósio, 11 de janeiro de 347 - Milão, 17 de janeiro de 395), foi um imperador romano. Filho do conde Teodósio, foi o último líder de um Império Romano unido - após a divisão entre os seus herdeiros, o império nunca mais seria governado por apenas um homem. Seu reinado é conhecido principalmente pelo Édito de Tessalônica que institui o cristianismo como religião oficial do império. 

O imperador Graciano nomeou Teodósio co-imperador do Império Romano do Oriente em 378, após a morte do imperador Valente, morto pelos godos na Batalha de Adrianópolis (378). Teodósio, após algumas campanhas inconclusivas, acabou por fazer um tratado pelo qual os godos preservavam sua independência política no interior do Império Romano em troca da obrigação de fornecerem tropas ao exército imperial. Este tratado seria uma das causas do enfraquecimento militar romano que levaria ao saque de Roma pelos mesmos godos em 410.

Após a morte do filho de Graciano, Valentiniano II em 392, a quem ele tinha apoiado contra várias usurpações, Teodósio acabou por tomar o Ocidente do império e governou como imperador único, após derrotar o usurpador Flávio Eugénio em 6 de setembro de 394, na batalha do rio Frígido.

Acontecimentos Religiosos

Seu reinado é mais notável por acontecimentos religiosos do que por acontecimentos políticos. Cristão fervoroso, ele colocou o paganismo fora da lei e transferiu o título de sumo pontífice (alto sacerdote) do imperador para o bispo de Roma, Pôs um termo aos rituais pagãos, como as Olimpíadas, e permitiu que multidões cristãs destruíssem os antigos santuários, tais como o Serapeu, que fazia parte do complexo da Biblioteca de Alexandria. 

Teodósio foi educado numa família cristã. Ele foi batizado em 380 d.C., durante uma doença severa, como era comum nos tempos dos primeiros cristãos. Em fevereiro desse mesmo ano, ele e Graciano fizeram publicar um édito deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos bispos de Roma e do patriarca de Alexandria. 

Historicamente, durante o período de Teodósio alguns eventos humilhantes evidenciaram a ascensão cada vez maior da Igreja Católica. Após vencer a guerra contra Máximo e ordenar o Massacre de Tessalônica, Teodósio pretendia, como era costume se sentar ao presbítero da igreja de Milão, mas foi proibido pelo bispo Ambrósio de entrar sem que antes fizesse uma confissão pública.

Ambrósio excluiu o imperador da comunhão e durante oito meses a tensão se manteve, até que Teodósio, durante o Natal, vestido com um saco de penitência, foi perdoado. Teodósio afirmaria mais tarde: "sem dúvida, Ambrósio me fez compreender pela primeira vez o que deve ser um bispo". Desde então o poder eclesiástico de julgar os poderes públicos, não só em questões dogmáticas mas também por seus erros públicos, prevaleceu até a Idade Moderna.

Em 388, a população cristã incendiou a sinagoga de Calínico, pequena cidade na Mesopotâmia. As autoridades civis informaram Teodósio, que instruiu o bispo a reconstruir a sinagoga com os próprios recursos e a punir os incendiários. Ambrósio, bispo de Milão, ouvindo disso, fez representação a Teodósio ao longo das linhas de que queimar sinagogas era agradar a Deus, e de que o príncipe cristão não teria direito de intervir. A história é complexa e, para a abreviar, basta dizer que Teodósio estava sendo forçado a submeter-se a Ambrósio e revogar as suas instruções para a restituição da sinagoga.

Esse episódio é significante, porque exemplifica a mudança do império pluralista para o Estado cristão. Teodósio começou a sua resposta à queima da sinagoga em Calínico se comportando como um imperador pagão o teria feito, ansioso de manter lei e ordem, respeitando os direitos aceitos dos judeus. Ambrósio desafiou o auto-entendimento da sua qualidade de imperador, encarregando-o a comportar-se como imperador cristão, que não deveria mostrar boa vontade aos judeus, ou até eqüidade simples. Isso era, segundo Ambrósio, inconsistente com a Cristandade. O dever do imperador cristão, segundo Ambrósio, era garantir o triunfo da verdade (na sua visão, o cristianismo) sobre o erro (na sua visão, o judaísmo). 

Teodósio capitulou, e a Igreja tinha a última palavra. A separação entre o cristianismo e o judaísmo, efetivada teologicamente em 325 no Primeiro Concílio de Niceia, era agora lei sob os imperadores romanos, que tomaram os seus conselhos da Igreja. O incidente de Calínico é o símbolo da conquista do antissemitismo eclesial. A Igreja podia agora manejar, e manejou, para influenciar a legislação imperial num modo danoso para os judeus.

Mas foi justamente em virtude do crescimento do poder do catolicismo que ocorreu a sobrevida ao Império Romano do Oriente, já que o do Ocidente passaria a ser dirigido a partir do ano de 476 por povos então chamados de bárbaros.

Santo Agostinho

Santo Agostinho, o teólogo que só perde para São Paulo em importância na criação do cristianismo como o conhecemos hoje em dia, ficou sendo um nome proeminente nessa época. Agostinho passara sua juventude gozando os prazeres da carne; quando cresceu, tornou-se religioso em 386 d.C., e superou a todos com essa nova paixão. Discorreu sobre o problema do livre arbítrio, desenvolveu o conceito de pecado original, de bebês não batizados condenados ao fogo eterno, considerou ilegal o sexo e transformou o cristianismo de um movimento popular em um curso de filosofia de pós-graduação. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Flávio Honório

Flávio Honório foi um imperador romano do ocidente já nos anos finais do império, além de ter sido uma peça chave no declínio de Roma. Seu reinado foi marcado pelo saque de Roma em 410, entre outros eventos trágicos.

Governo

Nomeado Augusto aos onze anos de idade, com a morte de seu pai Teodósio, seu irmão Arcádio assumiu o trono imperial do oriente e Honório assumiu o trono imperial do ocidente sob a tutela do mestre dos soldados (magister militum) Estilicão, um general de origem metade vândala e metade romana, casado com Serena, a sobrinha favorita de Teodósio I (pai de Honório). Estilicão governou de fato, devido à fraca personalidade do imperador, que fez casar com duas de suas filhas em sequência: Maria e Termância.

Durante o reinado de Flávio Honório foi baixado o édito que acabou com as lutas gladiatoriais (404), e a Gália foi ocupada pelos Vândalos, Suevos e Alamanos (406). Estilicão caiu em desgraça por demonstrar-se incapaz de conter as invasões bárbaras, e ainda por suspeitar-se de que conspirava com os Visigodos para colocar seu filho Euquério como herdeiro do imperador, e acabou executado (408).

Durante seu reinado ocorreu ainda o saque de Roma pelos visigodos, sob o comando de Alarico I (24 de agosto de 410), durante o qual o imperador refugiou-se em Ravena, um dos eventos mais desastrosos da história de Roma, e que repercutiu da Britânia até a Judeia. A fraqueza e timidez do imperador se combinaram às circunstâncias históricas dos ataques de vândalos e visigodos, para tornar seu governo um dos piores dos anais romanos, suas intervenções nas correntes de eventos foram invariavelmente negativas, contribuindo para o enfraquecimento e o declínio final do Império Romano do Ocidente.

Morreu de Hidropisia aos 38 anos. 

Invasão dos Godos e Visigodos

Com Teodósio morto, os godos se consideraram livres de seu acordo, que era de ficarem estabelecidos pacificamente. Eles se aventuraram e começaram a saquear os Balcãs para cima e para baixo, contra uma resistência romana fraca, ineficaz. Já em 402 os visigodos haviam invadido a Itália. Com um exército inimigo do lado civilizado dos Alpes pela primeira vez em seiscentos anos, Honório retirou a corte de Milão, que se via perigosamente exposta numa ampla planície, para Raneva, no litoral, atrás de intransponíveis pântanos. Estílico derrotou os visigodos, que recuaram para reconsiderar suas opções.

Com grande parte do exército romano na Itália caçando os visigodos, a fronteira norte enfraqueceu suas defesas, de modo que, em 406, uma grande horda bárbara, a maioria formada de vândalos germânicos e suevos, juntamente com alanos iranianos, cruzou o rio Reno congelado, em Mainz, sem encontrar oposição. Avançaram pela Gália, queimando, matando e estuprando, até que atravessaram os Pirineus, entrando na Espanha. 

Fazer para a invasão não era a maior prioridade na corte. Honório estava mais preocupado com o fato de Estílico estar se tornando poderoso demais, de modo que mandou assassiná-lo em 408.

Constantino, da Britânia

Vendo o caos se apossar do continente, Constantino, o comandante do exército romano na Britânia, declarou a si próprio imperador do Império do Ocidente. Cruzou o canal da Mancha para a Gália a fim de consolidar sua reivindicação, deixando os bretões para se defenderem sozinhos, com uma independência que não queriam.
Com as tropas leais tão escassas, Honório não estava em posição para se defrontar com Constantino. Assim, foi forçado a aceitá-lo como coimperador, mas, antes que o imperador Constantino III pudesse tomar posse e gozar das benesses do poder, um de seus próprios generais se revoltou e elevou ao trono um terceiro imperador. Depois disso, as coisas ficaram mais complicadas. Outras guarnições tomaram partido, e logo todos os romanos do noroeste da Europa estavam combatendo entre si. Por fim, entretanto, todos os usurpadores romanos e suas famílias foram assassinados. Diversas cabeças foram colocadas triunfalmente em lanças por toda a região, a de Constantino entre elas.

Os Francos e os Borgúndios

Nesse ínterim, duas outras tribos haviam se infiltrado em províncias romanas, na esteira dos vândalos. Os francos, que anteriormente se estabeleceram como federados no delta do Reno, agora se espalhavam mais para o interior da região, a qual, mais tarde receberia seu nome (França). Os Borgúndios fizeram o mesmo, terminando na Borgúndia. Os funcionários romanos locais oram forçados a pagar tributo a essas tribos até que alguém pudesse ir em socorro e expulsar os intrusos. Isso levou mais tempo do que qualquer um imaginava. 

Lenda do rei Artur

Embora o continente ainda continuasse sob o controle (nominal) de Roma, o imperador Honório enviou uma carta aos bretões declarando oficialmente que eles estavam entregues à própria sorte. Não havia nada que o Império pudesse fazer por eles. Durante as décadas que se seguiram, tribo após tribo de bárbaros - pictos, escoceses, anglos, saxões e jutos, vindo de diversas direções, Irlanda, Escócia e Dinamarca - aproveitara-se da oportunidade e mergulharam a Bretanha em uma era de violência, sem registros históricos. Sem um defensor verdadeiro que pudesse ir em seu socorro, os inermes bretões tiveram de sonhar que isso acontecia, e então surgiu a lenda do rei Arthur.

Saque de Roma

Nesse ínterim, Alarico voltou com seus visigodos em 409, e extorquiu um enorme resgate da cidade de Roma. Quando ele apresentou suas exigências nos portões da cidade, os romanos ficaram chocados. O que sobraria? "Suas vidas", respondeu ele.

Isso manteve Alarico financiado por cerca de um ano, mas então ele retornou em 410, apoderou-se da cidade e a saqueou durante vários dias. Embora Roma não fosse mais a capital, e o saque fosse mais um roubo do que a destruição indiscriminada, a queda da cidade chocou o mundo civilizado. Era claro que o que estava acontecendo era mais do que apenas outras disputa dinástica.

A fraqueza e timidez do imperador se combinaram às circunstâncias históricas dos ataques de vândalos e visigodos, para tornar seu governo um dos piores dos anais romanos, suas intervenções nas correntes de eventos foram invariavelmente negativas, contribuindo para o enfraquecimento e o declínio final do Império Romano do Ocidente.

Morreu de Hidropisia aos 38 anos.

O Império Romano é como os dinossauros. Ambos são mais famosos por terem desaparecido do que por terem sobrevividos todos esses séculos; entretanto, a cidade de Roma permanecera sem ser saqueada por estrangeiros por oitocentos anos (390 a.C. - 410 d.C.).

sábado, 17 de novembro de 2012

Valentiniano III

Valentiniano, Justa Grata Honória (sua irmã)
e Gala Placídia em miniatura na coroa do rei Desidério,
 no Museu de Santa Júlia.
Valentiniano III foi um imperador romano do Ocidente que reinou entre 425 e 455), já na fase da decadência do império. Permaneceu na dependência de Teodósio II, imperador do Oriente. No seu reinado, perdeu a Bretanha e deixou os Vândalos instalaram-se no império, tal como os Hunos, pouco tendo feito de relevante, apesar de ter estado muitos anos no trono.

Ascensão ao trono 

Valentiniano deve o seu trono ao primo Teodósio II. Ascendeu ao trono imperial em 23 de outubro de 425, quando tinha apenas seis anos. Inicialmente, sua mãe, Gala Placídia, exerceu as funções de regente, mas a partir de 433 o poder passou para as mãos do comandante-em-chefe Flávio Aécio.

As invasões bárbaras 

O imperador do Oriente, Teodósio II, cedeu a margem sul do Danúbio ao controle huno, e pagou uma enorme soma para que esses bárbaros não chegassem mais perto, mas o imperador do Ocidente, Valentiniano, tinha muitas outras prioridades, e não tinha dinheiro bastante para proteger sua metade do império. Os hunos atravessaram o Danúbio e assolaram a Panônia romana (Hungria ocidental), fazendo rápidas pilhagens, de vez em quando, para manter a prática.

Enquanto isso, o imperador romano estava com a sua atenção desviada por um dos mais destrutivos episódios de rivalidade entre parentes na história. A irmã de Valenciano, Honória, viu-se envolvida romanticamente com o administrador de suas terras, coisa politicamente perigosa, de modo que eles conspiraram para derrubar o irmão dela antes que ele descobrisse o romance.

Infelizmente chegaram atrasados; o imperador já sabia. Ele mandou decapitar o amante da irmã e teria feito o mesmo com ela não fosse a intervenção de Placidia. A família imperial tentou, então forçar Honória a casar com um senador idoso e seguro, mas ela foi inflexível na sua recusa. Finalmente todo mundo concordou que Honória deveria ser despachada para Constantinopla, onde ficaria confinada.

Tendo perdido o primeiro embate, Honória escreveu secretamente para Átila, o rei dos hunos, propondo uma aliança conjugal, confiando a seu eunuco a entrega da carta ao chefe bárbaro, juntamente com seu anel, para garantir a autenticidade da proposta. Quando a nova conspiração foi descoberta, o imperador do Oriente Teodósio II, rapidamente devolveu o problema para Ravena, despachando Honória de volta para casa, com o conselho de que seu primo, Valenciano, deveria concordar com o casamento por motivos políticos. Placidia concordou, mas Valenciano ficou furioso. Foi necessário toda a influencia de Placidia para dissuadi-lo de mandar matar sua irmã por toda a confusão que ela causara; entretanto, tanto Placidia quanto Teodósio II morreram por essa época, o que deixou a decisão final para Valenciano, que não tinha nada a ver com aquela união. Honória, foi forçada a casar com um romano sem importância e foi exilada, desaparecendo da história depois disso.

Átila Contra o Império Romano

Infelizmente não foi fácil demover Átila da ideia. A ele fora prometida uma noiva imperial, e dane-se, era melhor que pagassem. Ele avançou contra o império para reivindicar Honória, além de um esperado dote de metade do império. Atacando pelo rio Reno, ele varreu o norte da Gália, deixando atrás de si uma reputação de destruição que perduraria por mil anos. 

Conforme os hunos penetravam cada vez mais no fundo do pais, outro saque de Roma parecia provável, mas Átila mudou de ideia depois de encontrar-se com algumas pessoas notáveis locais, tais como o papa Leão. Ninguém sabe por que Átila fez meia-volta e voltou para sua terra, mas possíveis explicações incluem tudo, desde a milagrosa aparição dos apóstolos Paulo e Pedro, passando por um surto de peste, a percepção por parte de Átila de que seus recursos estavam no limite até um simples pagamento. 

Assassinato e vingança 

Destes acontecimentos catastróficos aproveitaram-se os adversários de Flávio Aécio, que persuadiram Valentiniano III a desembaraçar-se dele. Aécio acabou pois assassinado por ordem do próprio imperador, em 454. Mas pouco depois, em 16 de março de 455, subitamente, dois soldados do corpo da guarda pretoriana às ordens de Aécio vingaram-se de Valentiniano III, assassinando-o.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Petrónio Máximo

Petrónio Máximo foi imperador do Ocidente que governou nos meses de março e abril de 455, ano da sua morte. Antigo magistrado, chegou a imperador, já no período da capitulação de Roma, através de intrigas e esquemas palacianos, de que acabou por ser vítima também.

Depois de ter abraçado muitas magistraturas importantes na Itália, Petrónio Máximo coroou a sua carreira com a proclamação de imperador, embora o seu reinado tenha durado apenas onze semanas. Nomeado duas vezes perfeito urbano (420-421 e ainda antes de 433), duas vezes também prefeito pretoriano da Itália (435 e 439-441) e duas vezes cônsul (a primeira vez a par de Teodósio II), Petrónio Máximo participou provavelmente no assassínio do imperador Valentiniano III em 455.

A sua pretensão ao trono como sucessor deste tinha como fundamento as várias magistraturas que detivera na sua carreira, bem como a sua riqueza e o seu casamento com Eudósia, viúva do imperador. Esta, que suspeitava de Petrónio Máximo como mandante da morte de seu marido, Valentiniano III, pediu a ajuda a Genserico, o vândalo, então rei de Cartago.

Perante a notícia da aproximação dos exércitos de Genserico, Petrónio Máximo tratou de fugir de Roma, mas logo foi feito prisioneiro e acabou linchado pelo povo de Roma.

O Segundo Saque de Roma

Genserico saqueia Roma.
Em 455, o rei vândalo Genserico navegou com sua poderosa frota da sua capital em Cartago, até o Tibre e finalmente saqueou Roma. O assassinato e e usurpação do trono do imperador anterior (Valentiniano III) por Petrónio Máximo no mesmo ano foi visto por Genserico como uma invalidação de seu tratado de paz de 442 com Valentiniano. 

Com a chegada dos vândalos, de acordo com Próspero, o Papa Leão I implorou a Genserico para não destruir a antiga cidade ou assassinar seus habitantes. Genserico concordou e as portas de Roma então foram abertas para ele e seus homens. Maximus, que fugiu em vez de lutar com vândalos foi morto por um romano fora da cidade. 

É aceito que Genserico saqueou grandes tesouros da cidade, incluindo o candelabro de ouro saqueado do Jerusalém, e também que tomou a viúva de Valentiniano, imperatriz Licínia Eudóxia, e suas filhas como reféns. Uma dessas filhas foi Eudócia, que mais tarde casou-se com Hunerico, filho de Genserico. A outra era Placídia, esposa de Olíbrio. 

Há, porém, algum debate sobre a severidade do saque vândalo. O saque de 455 é geralmente visto pelos historiadores como sendo mais destruidor que o saque de 410 pelos visigodos, porque os vândalos permaneceram em Roma por catorze dias, enquanto que os visigodos permaneceram apenas três. 

A causa de maior controvérsia, porém, é a alegação de que o saque foi relativamente "limpo"', e que não houve muitos assassinatos e violência, e os vândalos não queimaram edifícios na cidade. Esta interpretação parece vir da alegação de Próspero, de que o Papa Leão conseguiu persuadir Genserico a refrear a violência. 

Porém, Vítor de Vita registrou quantos carregamentos de cativos chegaram à Africa vindos de Roma, com o propósito de ser vendidos como escravos. Similarmente, o historiador bizantino Procópio relata que ao menos uma igreja foi destruída.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Rômulo Augusto

Flávio Rômulo Augusto foi, em 31 de outubro de 475, com idade entre 15 e 18 anos, empossado na função de imperador por seu pai, o general romano Flávio Orestes (que havia anteriormente servido a Átila, o Huno). Imposto por seu pai que depôs o imperador legítimo, Júlio Nepos, viu-se impotente frente a um império em crise. Devido à pouca idade e à inexperiência, é conhecido pelo depreciativo de "Rómulo Augústulo" ("pequeno Augusto).

Em todo o século V, Roma e a península Itálica viram-se várias vezes assolados por incursões de visigodos, hunos e vândalos. O império, embora vacilante, conseguia reagir e sobreviver.

A data de deposição de Rômulo Augústulo pelo bárbaro Odoacro (4 de setembro de 476), na cidade de Ravenna, é tradicionalmente conhecida como o fim do Império Romano do Ocidente, o fim da Idade Antiga e o começo da Idade Média. Segundo Jordanes, Rómulo Augusto terminou sua vida no exílio, na Campânia. Seu substituto, Odoacro, nunca chegou a ser considerado imperador do Ocidente, mas apenas rei da Itália, sob o comando do Imperador Romano do Oriente.

Coincidentemente, o último imperador de Roma tem o mesmo nome de seu suposto primeiro rei.

O último imperador: Rômulo Augusto ou Júlio Nepos?

Como Rômulo Augusto era um usurpador, Júlio Nepos legalmente manteve o título de imperador quando Odoacro tomou o poder. Alguns têm argumentado que Nepos, que reinou na Dalmácia até seu assassinato em 480, deveria ser reconhecido como último imperador romano do ocidente, observando que Odoacro cunhou moedas em nome de Nepos e não usou o título imperial para si. Mas poucos dos contemporâneos de Nepos na Itália (Dalmácia e Gália sempre foram leais a Nepos) desejavam apoiá-lo após ele ter fugido àquela província.

Deposição 

Rômulo Augusto abdica à coroa.
Odoacro, à frente de um exército de esciros, matou Orestes em Placência e seu irmão Paulo no arboredo de Classis, próximo de Ravena. Odoacro entrou em Ravena, depôs o imperador Rômulo Augusto, mas, com pena por ele ser jovem, poupou a sua vida, e, por causa de sua beleza, deu-lhe uma pensão de seis mil peças de ouro, enviando-o para a Campânia, para viver como um homem livre com seus parentes.

A queda de Roma ocorreu no oitavo ano do pontificado do Papa Simplício.

Depois do golpe de Odoacro, o senado romano enviou uma carta a Zenão I, dizendo que "a majestade de um só monarca é suficiente para prover e proteger, ao mesmo tempo, ambos o Leste e o Oeste". Com a demanda de Odoacro para tornar-se patrício, o imperador oriental respondeu que Odoacro havia sido nomeado patrício por Nepos e que isso ainda era válido. Quando Odoacro enviou a insígnia imperial a Constantinopla, Zenão aceitou-a, agradecido.