sábado, 1 de março de 2014

Catedral de Sevilha

A Catedral de Sevilha, também conhecida como Catedral de Santa Maria da Sede, é a maior da Espanha, e o terceiro templo maior do mundo atrás do San Pedro do Vaticano no Vaticano e São Paulo em Londres.

A catedral foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO, no ano de 1987, integrado no sítio Catedral, Alcazar e Arquivo das Índias em Sevilha.

Segundo a tradição, a construção começou em 1401, embora não haja constância documental do começo dos trabalhos até 1433. Foi edificada no solar que ficou após a demolição da antiga Mesquita Alfama de Sevilha.

Em 2008, foi encontrado o plano mais antigo que se conhece da Catedral de Sevilha no Mosteiro de Bidaurreta de Oñate (Guipúscoa), o qual foi realizado cerca de 1490. Este plano, uma vez estudado, contribuíu com importantes dados sobre a construção do edifício.

Um dos seus primeiros mestres-de-obras foi Maese Carlin (Charles Galter), procedente da Normandia (França), que trabalhara previamente em outras grandes catedrais góticas europeias e poderia ter chegado à Espanha fugindo da Guerra dos Cem Anos. Em 10 de outubro de 1506 foi colocada a pedra postreira na parte mais alta do zimbório, com o que simbolicamente a catedral ficava finalizada, embora na realidade continuassem os trabalhos ininterrompidamente por séculos, tanto para a decoração interior, como para acrescentar novas dependências ou consolidar e restaurar os estragos do passar do tempo, ou circunstâncias extraordinárias, como o terremoto de Lisboa de 1755 que apenas produziu danos menores apesar da sua intensidade. Nestas obras intervieram os arquitetos Diego de Riaño, Martín de Gainza e Assénsio de Maeda. Também nesta etapa Hernán Ruiz edificou o último corpo da Giralda. A catedral e as suas dependências ficaram terminadas em 1593.

Túmulo de
Cristóvão Colombo
O Cabido Metropolitano mantém a liturgia diária e a celebração das festividades do Corpus Christi, a Imaculada e a Virgem dos Reis. Neste templo encontra-se o corpo do famoso navegante Cristóvão Colombo e o do rei Fernando III de Castela (1199-1252), canonizado em 1671 como São Fernando, sendo papa Clemente X.

A última obra de importância realizada aconteceu em 2008 e consistiu na substituição de 576 silhares que moldavam um dos grandiosos pilares que sustentam o templo, por novos blocos de pedra de características similares mas com maior resistência. Este trabalho foi possível graças ao emprego de novos sistemas tecnológicos que demonstraram que o edifício sofria diariamente umas oscilações de 2 cm como consequência da dilatação dos seus materiais. 

Sepultados na Catedral

Cristóvão Colombo
Fernando Colombo
Fernando III de Leão e Castela
Beatriz da Suábia
Afonso X de Leão e Castela
Pedro I de Castela


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Mahatma Gandhi

Mohandas Karamchand Gandhi (Porbandar, 2 de outubro de 1869 — Nova Déli, 30 de janeiro de 1948), mais conhecido popularmente por Mahatma Gandhi (do sânscrito "Mahatma", "A Grande Alma") foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.

O princípio do satyagraha, frequentemente traduzido como "o caminho da verdade" ou "a busca da verdade", também inspirou gerações de ativistas democráticos e anti-racismo, incluindo Martin Luther King Jr. e Nelson Mandela. Freqüentemente Gandhi afirmava a simplicidade de seus valores, derivados da crença tradicional hindu: verdade (satya) e não-violência (ahimsa).

Juventude

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade de Porbandar, na Índia ocidental, hoje estado de Gujarat. Seu pai era o primeiro-ministro local, do mínusculo principado, e a mãe era uma devota vaisnava.

Como era costume em sua cultura nesta época, em maio de 1883 com a idade de 13 anos, a família de Gandhi realizou seu casamento arranjado adulto com a mulher Kasturba Gandhi, de 14 anos, através de um acordo entre as respectivas famílias.

Formação na Inglaterra 

Depois de um pouco de educação indistinta foi decidido que ele deveria ir para a Inglaterra para estudar Direito na University College. Ele ganhou a permissão da mãe, prometendo se abster de vinho, mulheres e carne, mas ele desafiou os regulamentos de sua casta, que proibiam a viagem para a Inglaterra. Cursou a faculdade de Direito em Londres.

Procurando um restaurante vegetariano, havia descoberto na filosofia de Henry Salt um argumento para o vegetarianismo e convenceu-se dessa prática. Ele organizou um clube vegetariano onde se encontravam teósofos e pessoas com interesses altruísticos.

Sua primeira leitura do Bhagavad-Gita foi através de parábolas em língua britânica com tradução poética de Edwin Arnold: A Canção Celestial. Esta escritura hindu e o "Sermão da Montanha", do Evangelho, se tornaram, mais tarde, suas "bíblias" e guias de viagens espirituais. Ele memorizou o Gita em suas meditações diárias, e frequentemente recitou no original sânscrito, em suas orações.

A Vida na África do Sul

Quando Gandhi voltou à Índia, em 1891, sua mãe havia falecido, e ele, devido a timidez não obteve êxito a exercer sua profissão legal de advogado. Assim, aproveitou a oportunidade que surgiu de ir para África do Sul, durante um ano, representando uma firma hindu em KwaZulu-Natal, em um processo judicial.

Sua estadia na África do Sul, notório local de discriminação racial, despertaram em Gandhi a consciência social. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ter notoriedade por sua atuação. Ele mesmo relata: "eu aprendi a descobrir o lado bom da natureza humana e entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir partes separadas".

Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar incriminar o inocente. Ao término do ano, durante uma festa de despedida, de retorno à Índia, Gandhi tomou conhecimento que uma lei estava sendo proposta para privar os hindus do voto. Os amigos dele insistiram: "fique e conduza a briga para os direitos de nossos compatriotas na África do Sul." Gandhi fundou em KwaZulu-Natal o Congresso hindu em 1894, e seus esforços foram uma vigorosa advertência para a imprensa.

Quando Gandhi retornou à África, após buscar a esposa e filhos na Índia em janeiro de 1897, os sul-africanos tentaram interromper suas atividades de maneiras sórdidas. Uma delas foi a tentativa de subornar e ameaçar o agropecuário Dada Abdulla Sheth; mas Dada Abdulla era cliente de Gandhi, e finalmente depois de um período de quarentena, Gandhi recebeu permissão para aterrissar. A turba de espera reconheceu Gandhi, e alguns brancos começaram a espancá-lo até que a esposa do Superintendente Policial veio ao salvamento dele. A turba ameaçou linchá-lo, mas Gandhi escapou usando um disfarce.

Depois ele se recusou processar os que o haviam espancado, permanecendo firme ao princípio de ego-restrição com respeito a uma pessoa infratora; além de que, tinha sido os líderes da comunidade e do governo de Natal que haviam causado o problema.

Em 1906, o governo britânico declarou guerra contra o Reino Zulu em Natal, Gandhi incentivou os britânicos a recrutar índianos. Ele argumentou que estes deveriam apoiar os esforços de guerra, a fim de legitimar suas reivindicações à cidadania plena. Os britânicos aceitaram a oferta de Gandhi para liderar um destacamento de 20 voluntários índianos como um corpo padioleiro para tratar dos soldados feridos. Esse corpo foi comandado por Gandhi e operou por aproximadamente dois meses. A experiência ensinou-lhe que era impossível desafiar diretamente o poder militar do exército britânico, ele decidiu que este só poderia ser resistido de uma forma não-violenta.

Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul defendendo a minoria hindu, liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. Ele experimentou o celibato durante trinta anos de sua vida, e em 1906 levou o juramento de Brahmacharya para o resto da vida dele.

Separou-se em 1908, quando já tinha quatro filhos, para viver com Hermann Kallenbach, um fisiculturista alemão de origem judaica que emigrara para a África do Sul e viria a tornar-se um de seus discípulos mais próximos. Viveram sob o mesmo teto por dois anos, separando-se quando Gandhi retornou à Índia em 1914. Mantiveram contato por correspondência e Gandhi prometeu não olhar mais para uma mulher com intenções impuras.

Movimento Pela Independência Indiana

Após a guerra, Gandhi se envolveu com o Congresso Nacional Indiano e com o movimento pela independência. Ganhou notoriedade internacional pela sua política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto.

Por esses motivos sua prisão foi decretada diversas vezes pelas autoridades britânicas, prisões às quais sempre se seguiram protestos pela sua libertação (por exemplo, em 18 de março de 1922, quando foi sentenciado a seis anos de prisão por desobediência civil, mas cumpriu apenas dois anos).

Outra estratégia eficiente de Gandhi pela independência foi a política do swadeshi - o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra. Aliada a esta estratégia estava sua proposta de que todos os indianos deveriam vestir o khadi - vestimentas caseiras - ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos.

Gandhi declarava que toda mulher indiana, rica ou pobre, deveria gastar parte do seu dia fabricando o khadi em apoio ao movimento de independência. Esta era uma estratégia para incluir as mulheres no movimento, em um período em que pensava-se que tais atividades não eram apropriadas às mulheres.

Sua posição pró-independência endureceu após o Massacre de Amritsar em 1920, quando soldados britânicos abriram fogo matando centenas de indianos que protestavam pacificamente contra medidas autoritárias do governo britânico e contra a prisão de líderes nacionalistas indianos.

Uma de suas mais eficientes ações foi a marcha do sal, conhecida como Marcha Dândi, que começou em 12 de março de 1930 e terminou em 5 de abril, quando Gandhi levou milhares de pessoas ao mar a fim de coletarem seu próprio sal ao invés de pagar a taxa prevista sobre o sal comprado.

Em 8 de Maio de 1933, Gandhi começou um jejum que duraria 21 dias em protesto à opressão britânica contra a Índia. Em Bombaim, no dia 3 de março de 1939, Gandhi jejuou novamente em protesto às regras autoritárias e autocráticas para a Índia.

Segunda Guerra Mundial

Gandhi passou cada vez mais a pregar a independência durante a II Guerra Mundial, através de uma campanha clamando pela saída dos britânicos da Índia, que em pouco tempo se tornou o maior movimento pela independência indiana, ocasionando prisões em massa e violência em uma escala inédita.

Gandhi e seus partidários deixaram claro que não apoiariam a causa britânica na guerra a não ser que fosse garantida à Índia independência imediata.

Durante este tempo, ele até mesmo cogitou um fim do seu apelo à não-violência, de outra forma um princípio intocável, alegando que a "anarquia ordenada" ao redor dele era "pior do que a anarquia real". Foi então preso em Bombaim pelas forças britânicas em 9 de agosto de 1942 e mantido em cárcere por dois anos.

A Divisão da Índia Entre Hindus e Muçulmanos

Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana da Índia. Costuma-se dizer que ele terminava rixas comunais apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados, o que efetivamente aconteceu, criando a Índia - predominantemente hindu - e o Paquistão - predominantemente muçulmano.

No dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência com o resto da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho a partilha do país em Calcutá.

Gandhi tinha iniciado um jejum no dia 13 de janeiro de 1948 em protesto contra as violências cometidas por indianos e paquistaneses. No dia 20 daquele mês, sofreu um atentado: uma bomba foi lançada na sua direção, mas ninguém ficou ferido.

Entretanto, no dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por Nathuram Godse, um hindu radical que responsabilizava Gandhi pelo enfraquecimento do novo governo ao insistir no pagamento de certas dívidas ao Paquistão. Godse foi depois julgado, condenado e enforcado, a desrespeito do último pedido de Gandhi que foi justamente a não-punição do seu assassino. O corpo do Mahatma foi cremado e suas cinzas foram jogadas no rio Ganges.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Programa Espacial Soviético

Algumas das realizações do Programa Espacial Soviético
no Museu Estatal Tsilkovsky de História da
Cosmonáutica.
Programa espacial soviético é a designação dada para o conjunto de projetos e missões executados pela antiga União Soviética (URSS) para exploração do espaço, tanto por meio de sondas e vôos não tripulados, quanto com espaçonaves tripuladas, desde a década de 30 até a sua dissolução em 1991.

Sumário 

Ao longo dos seus sessenta anos de história, esse programa originalmente militar e secreto, foi responsável por um grande número de metas pioneiras alcançadas na conquista do espaço, incluindo: o primeiro míssil balístico intercontinental, o primeiro satélite artificial (1957), o primeiro animal no espaço (1957), o primeiro homem no espaço (1961), a primeira mulher no espaço, a primeira caminhada no espaço, o primeiro veículo a entrar em órbita solar (1959), o primeiro impacto na Lua (1959), a primeira imagem do lado escuro da Lua (1959), o primeiro pouso suave na Lua (1966), o primeiro satélite artificial da Lua (1966), o primeiro rover na Lua (1970), a primeira estação espacial e a primeira sonda interplanetária a atingir a superfície de outro planeta. Estas iniciativas pioneiras acabaram comprovando que era possível enviar artefatos humanos para o espaço exterior e, mais importante, enviar homens ao espaço.

Laika, o primeiro animal a ir
para o Espaço em 1957.
O programa espacial e de foguetes da União Soviética, que teve no seu início a ajuda de cientistas alemães capturados que trabalharam no avançado programa alemão de foguetes, foi conduzido em sua maior parte por cientistas e engenheiros soviéticos depois de 1955, e era baseado em teorias únicas e exclusivas desenvolvidas desde o Império Russo, muitas delas derivadas do trabalho de Konstantin Tsiolkovsky, muitas vezes chamado de "pai da teoria aeroespacial". Sergei Korolev (também traduzido como Sergey Korolyov) foi o líder do principal grupo de projetistas. Seu título oficial era "desenhista chefe" (um título padrão para posições similares na URSS). Foi ele quem concebeu todo o programa e trabalhou para torna-lo realidade, convencendo a alta cúpula soviética, particularmente o líder Nikita Khrushchov, da importância da conquista do espaço. Diferente do seu competidor Norte americano na "corrida espacial", que tinha a NASA como única agência de coodenação, o programa da URSS era dividido entre vários grupos de projetistas liderados por Korolev, Mikhail Yangel, Valentin Glushko, and Vladimir Chelomei.

Devido ao fato do programa ser secreto, e por seu valor estratégico como propaganda, os anúncios dos resultados das missões eram adiados até que o sucesso fosse certo, e as falhas eram em geral mantidas em segredo. Devido à política de glasnost de Mikhail Gorbachev na década de 80, muitos fatos até então desconhecidos sobre o programa espacial foram divulgados. Entre os principais segredos que finalmente foram revelados, constam: as mortes de Korolev, Vladimir Komarov (na queda da Soyuz 1), e Yuri Gagarin(em treinamento de rotina num avião de caça) entre 1966 e 1968, além de falhas desastrosas com o enorme foguete foguete N1 que deveria ser usado na missão de pouso tripulado na Lua, que explodiram logo após o lançamento em cada um dos quatro testes não tripulados.

O programa espacial soviético foi descontinuado com a queda da União Soviética, com a Rússia e a Ucrânia se tornando os seus principais herdeiros. A Rússia criou a "Agência de Aviação e Espaço Russa", hoje conhecida como Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), enquanto a Ucrânia criou a Agência Espacial do Estado da Ucrânia (NSAU).

A Rússia continua a desenvolver um consistente programa espacial, que inclui experimentos de longa permanência no espaço, para determinar os efeitos da falta de gravidade sobre o organismo humano. Estas experiências tornaram-se a base do conhecimento que está sendo aplicado hoje na Estação Espacial Internacional.

Origens : O pré-guerra

Konstantin Tsiolkovsky,
um pioneiro da ciência de
exploração do espaço.
A teoria da exploração espacial foi bem estabelecida no Império Russo antes da Primeira Guerra Mundial a partir dos escritos de Konstantin Tsiolkovsky, que publicou estudos pioneiros ao final do século 19, início do século 20 e em 1929 introduziu o conceito do foguete multi estágios. Os aspectos práticos de toda essa teoria foram estabelecidos pelos experimentos pioneiros conduzidos pelo Grupo de Estudo do Movimento à Reação (GIRD) nos anos 20 e 30, onde muitos pioneiros como Sergei Korolev e Friedrich Zander trabalharam.

Em 18 de Agosto de 1933, o GIRD lançou o primeiro foguete soviético movido a combustível líquido, o GIRD-9,7 e em 25 de Novembro de 1933, o primeiro foguete híbrido, o GIRD-X. Entre 1940 e 1941, um outro avanço no campo da propulsão reativa foi conquistado: o desenvolvimento e produção em série do lançador de foguetes Katyusha.

Os alemães

Sergei Korolev,
desenhista chefe.
Durante os anos 30, a tecnologia de foguetes soviética era comparável à alemã, mas o "Grande Expurgo" de Stalin comprometeu seriamente esse progresso. Muitos dos principais engenheiros foram mortos, e Korolev e outros foram presos no Gulag. Apesar da efetividade dos mísseis Katyusha na Frente Oriental da Segunda Guerra, os avanços do programa de foguetes alemão impressionou muito os engenheiros soviéticos, que inspecionaram os seus restos em Peenemünde e Mittelwerk depois do fim da guerra. Apesar dos Norte americanos terem levado secretamente os mais importantes cientistas alemães e matrial para construir cerca de 100 foguetes V-2 para os Estados Unidos na Operação Paperclip, o programa soviético se beneficiou muito dos registros, centros de produção e cientistas remanescentes.

Após a Segunda Guerra Mundial, a URSS capturou diversos engenheiros alemães que trabalharam na V-2. Pouco tempo depois a URSS já estava lançando os seus próprios foguetões. Este desenvolvimento inicial acabou resultando no desenvolvimento dos foguetes espaciais (e de misseis balísticos intercontinentais).

Sob a direção de Dimitri Ustinov, Korolev e outros inspecionaram os documentos alemães. Ajudados pelo engenheiro Helmut Gröttrup e outros técnicos alemães capturados até o início dos anos 50, eles construíram uma réplica do V-2 chamado R-1, apesar do peso das bombas nucleares soviéticas da época, exigirem foguetes mais potentes. Devido a isso, o escritório de projetos Korolev, o OKB-1 se dedicou ao desenvolvimento de um foguete que atendesse a esse requisito, o que levou ao projeto do ICBM R-7 Semyorka, que foi testado com sucesso em Agosto de 1957.

O programa espacial soviético começou com uma grande vantagem sobre o dos EUA. Devido a problemas técnicos para fabricar ogivas nucleares mais leves, os mísseis lançadores intercontinentais da URSS eram imensos e potentes se comparados com seus similares estadunidenses. Logo, os foguetes para seu programa espacial já estavam prontos como resultado do esforço militar soviético resultante da guerra fria. Assim, na época em que a Sputnik 1 foi lançada, a capacidade de lançamento da URSS era de 500 kg, enquanto que a dos EUA era de 5 kg.

A base dos lançadores soviéticos (e a base para o desenvolvimento do lançador Proton usado até hoje pela Rússia) foi o missil balístico intercontinental R.7 (ou "Sputnik"), desenvolvido pela equipe chefiada por Sergei Korolev. Foi usando um R.7 que a URSS realizou a façanha de enviar o satélite artificial Sputnik 1 para a orbita da Terra.

O treinamento dos cosmonautas soviéticos era rígido e bem planejado. Os soviéticos supunham que as condições de um voo espacial eram severas e que só "super-homens" poderiam suporta-la.

O Sputnik e a Vostok 

Yuri Gagarin, o primeiro
homem no espaço.
O programa espacial soviético, estava ligado aos seus planos quinquenais e desde o início recebia apoio dos militares. Apesar de Korolev ser motivado "por um sonho único de viagens espaciais", ele geralmente mantinha isso em segredo quando tratava de projetos militares. Depois do primeiro teste de bomba atômica na URSS em 1949, um míssil capaz de carregar uma ogiva daquele tamanho aos Estados Unidos se torna necessário, e com ele a disposição, Korolev e outros insistiam na ideia de satélites e naves tripuladas. Apesar disso, o primeiro foguete com animais a bordo foi lançado em 1951; os dois caes foram recuperados vivos depois de chegar a 101 km de altitude. Dois meses antes de os Estados Unidos efetuar um experimento semelhante. Esse e outros voos subsequentes, deram aos soviéticos uma valiosa experiência em medicina espacial. 

Devido ao seu alcance global e grande capacidade de carga (cerca de 5 toneladas), o míssil R-7 Semyorka não era apenas efetivo como arma nuclear, mas também uma base excelente para um veículo lançador espacial. O anúncio dos Estados Unidos em Julho de 1955 dos seus planos de lançar um satélite durante o Ano Internacional da Geofísica ajudou muito Korolev a persuadir o líder soviético Nikita Khrushchev a patrocinar seus planos a partir de Janeiro de 1956, com o objetivo de suplantar os Estados Unidos. Foram aprovados planos para um satélite artificial de observação da Terra (o Sputnik I) para adquirir conhecimento sobre o espaço além de quatro satélites de reconhecimento (da série Zenit). Foram planejados mais tarde, novos desenvolvimentos, como: missões não tripuladas à Lua e missões tripuladas em órbita da Terra.

Depois que o primeiro Sputnik provou ser um ótimo elemento de propaganda, Korolev, então apenas conhecido como o misterioso "Desenhista chefe de foguetes espaciais", foi encarregado de acelerar o programa de missões tripuladas, cujo projeto foi combinado com o programa Zenit para criar a espaçonave Vostok. Influenciado pelas ideis de Tsiolkovsky, que escolheu Marte como o objetivo mais importante das viagens espaciais no início dos anos 60, o programa espacial soviético sob a liderança de Korolev criou grandes planos para viagens à Marte para o período entre 1968 e 1970. Com um sistema de suporte de vida em circuito fechado e motores de foguete elétricos e lançados a partir de grandes estações espaciais orbitando a Terra, esses planos eram muito mais ambiciosos que os do Projeto Apollo.

Orçamento e Apoio

O orçamento militar soviético estava focado nos ICBMs da Força Estratégica de Mísseis, e o programa espacial "pegava uma carona". Enquanto no ocidente se acreditava que Khrushchev em pessoa encomendava cada nova missão espacial com objetivo de propaganda, e que o líder soviético tinha um relacionamento próximo a Korolev e outros projetistas, ele "estava mais preocupado com dinheiro e mísseis do que astronautas e o espaço... Ele nunca esteve particularmente interessado em competir com o projeto Apollo".

Enquanto o governo e o partido comunista usavam os sucessos do programa espacial como ferramenta de propaganda depois que eles aconteciam, planos sistemáticos para missões baseados em rasões políticas eram raros, uma excessão foi a missão da primeira mulher no espaço, Valentina Tereshkova na Vostok 6 in 1963. As missões eram planejadas de acordo com a disponibilidade dos foguetes e razões evetuais, e não por objetivos científicos. Por exemplo, em Fevereiro de 1962 o governo repentinamente ordenou uma missão ambiciosa envolvendo duas espaçonaves Vostok simultâneamente, lançadas num intervalo de 10 dias para ofuscar o feito de John Glenn com o Mercury-Atlas 6 naquele mês; o programa no entanto, só conseguiu realizar o feito com a Vostok 3 e a Vostok 4 em Agosto.

Competição interna

Diferente do programa espacial dos Estados Unidos, que tinha a NASA como única instituição coordenadora dirigida pelo seu administrador, James Webb durante a década de 60, o programa soviético estava dividido entre vários escritórios de projeto competindo entre si. Apesar do enorme sucesso dos Sputniks entre 1957 e 1961 e as Vostok entre 1961 e 1964, depois de 1958, o escritório de projetos de Korolev, o OKB-1 enfrentou uma concorrência crescente dos seus rivais, os projetistas chefes: Mikhail Yangel, Valentin Glushko, e Vladimir Chelomei. Korolev planejou seguir adiante com o desenvolvimento da espaçonave Soyuz e do foguete pesado N-1 que deveria ser a base para uma estação espacial tripulada permanente e exploração tripulada da Lua. No entanto, Ustinov o orientou a se concentrar em missões próximas da Terra com a espaçonave Voskod, uma versão melhorada da Vostok, e também missões não tripuladas à outros planetas, como Venus e Marte.

Yangel foi assistente de Korolev mas com o apoio dos militares ele conseguiu seu próprio escritório de projetos em 1954 para trabalhar primordialmente dedicado ao programa espacial militar. Ele contava com a equipe mais forte no projeto de motores, incluindo o uso decombustíveis hipergólicos, mas depois da "Catástrofe de Nedelin" em 1960, Yangel foi orientado a concentrar seus esforços no desenvolvimento de mísseis intercontinentais. Ele continuou a desenvolver seus próprios desenhos de grandes veículos lançadores, similares ao N-1 de Korolev, tanto para fins militares quanto para o transporte de cargas pesadas ao espaço para a construção de futuras estações espaciais.

Glushko era o desenhista chefe dos motores de foguete, mas ele tinha um atrito pessoal com Korolev e se recusou a desenvolver motores criogênicos maiores com uma única câmara de combustão que Korolev precisava para desenvolver lançadores maiores.

Chelomei se beneficiou do apadrinhamento de Khrushchev e em 1960 lhe foi dada a incumbência de desenvolver um grande foguete capaz de enviar uma espaçonave tripulada ao redor da Lua e uma estação espacial tripulada para os militares. Com sua limitada experiência na área espacial esse desenvolvimento foi demasiado lento.

O progresso do Projeto Apollo estava preocupando os desenhistas chefes soviéticos, que no entanto tentavam cada um levar adiante o seu próprio projeto como resposta aos Norte americanos. Com isso, vários projetos redundantes foram aprovados, o que acabou compromentendo ainda mais os projetos já aprovados. Apesar disso, e devido à "persistência incomum" de Korolev, em Agosto de 1964, mais de três anos depois que os Estados Unidos declarou sua intenção de levar um homem à Lua, a União Soviética finalmente decidiu entrar na competição. Ele determinou a meta de um pouso lunar em 1967 (ano do 50º aniversário da Revolução de Outubro), ou 1968. Num determinado momento dos anos 60, o programa espacial soviético estava desenvolvendo cerca de trinta projetos diferentes para foguetes lançadores e espaçonaves. Com a queda de Krushchev em 1964, Korolev recebeu o controle completo do programa espacial tripulado.

Depois de Korolev

Korolev morreu em Janeiro de 1966 depois de uma operação de rotina (que acabou revelando um cancer de colo), devido a uma doença cardíaca e hemorragia grave. Kerim Kerimov, que anteriormente foi um dos criadores da Vostok 1, foi nomeado presidente da Comissão Nacional de Voos Tripulados e a liderou pelos próximos 25 anos (1966–1991). Ele supervisionou cada estágio do desenvolvimento e operação tanto dos complexos voltados ao desenvolvimento de missões tripuladas quanto aos voltados a estações interplanetárias não tripuladas. Uma das maiores realizações de Kerimov foi o lançamento da Mir em 1986.

A chefia do escritório de projetos OKB-1 foi entregue a Vasili Mishin, que decebeu a terefa de executar as missões lunares soviéticas(colocar um homem na órbita da Lua em 1967 e pousar um homem na Lua em 1968). Mishin não tinha a influência política de Korolev e ainda enfrentava competição de outros desenhistas chefes. Sob pressão, Mishin aprovou o lançamento da Soyuz 1 em 1967, apesar de a espaçonave nunca ter passado por um teste em voo não tripulado. A missão ocorreu com conhecidos problemas de desenho e terminou com a queda do veículo matando o cosmonauta Vladimir Komarov. Esta foi a primeira fatalidade em voo do programa.

Depois desse desastre e sob ainda mais pressão, Mishin acabou se tornando alcolatra. Os soviéticos foram batidos no objetivo de orbitar um homem na Lua em 1968 pela Apollo 8, como reação, Mishin apressou ainda mais o desenvolvimento do problemático foguete super pesado N1 na esperança de que os Norte americanos tivessem algum problema, deixando algum tempo para que o N-1 se tornasse operacional e pudessem fazer um homem pousar na Lua primeiro. Houve um sucesso no voo conjunto entre a Soyuz 4 e a Soyuz 5 em Janeiro de 1969, que testou as manobras de aproximação, o acoplamento e técnicas de transferência de tripulação que seriam usadas no pouso na Lua e o módulo lunar foi testado com sucesso em órbita da Terra. Mas depois que quatro lançamentos não tripulados do N-1 terminaram em falha, o projeto do lançador pesado foi abandonado, acabando com qualquer chance de os soviéticos pousarem um homem na Lua usando um único lançamento.

Além do projeto de pousar um homem na Lua, outros projetos soviéticos abandonados incluíam: a construção de uma base lunar multifunção, a Zvezda, projetos detalhados e modelos de veículos para esse complexo foram produzidos. Outros programas de expedições tripuladas à Lua foram propostos, como o "Vulkan-LEK" mas não foram implementados por razões econômicas.

Depois desse revés, Chelomei convenceu Ustinov a aprovar um programa em 1970 para avançar com o projeto da sua estação espacial militar Almaz como meio de bater os Estados Unidos na sua já anunciada Skylab. Mishin permaneceu no controle do projeto que se tornou a Salyut, mas a opção escolhida por Mishin, que poderia ter sido a de uma tripulação de dois com trajes pressurizados, acabou sendo por uma tripulação de três sem trajes pressurizados para a Salyut 1 in 1971, o que se mostrou mais uma vez fatal, quando a capsula de reentrada despressurizou matando a tripulação no seu retorno à Terra. Mishin foi retirado de vários projetos e Chelomei retomou o controle da Salyut. Depois de trabalhar com a NASA na missão Apollo-Soyuz, a liderança soviética decidiu que uma nova abordagem de gerenciamento era necessária e em 1974, o N-1 foi cancelado e Mishin dispensado. Um único escritório de projetos, o NPO Energia foi criado para conduzir o programa a partir de então, liderado por Glushko.

Apesar da falha no programa de missões tripuladas à Lua, a URSS conseguiu sucesso significativo em duas importantes primazias: o Programa Lunokhod que colocou os priemiros rovers na Lua e o Programa Luna, que entre outras coisas, retornaram com amostras do solo lunar. Também o Programa Marte teve continuidade com pequenos sucessos, enquanto a exploração de Venus e a Missão Vega para o cometa Halley foram mais efetivas.

Um programa secreto

Imagem obtida pelos astronautas do ônibus
espacial Atlantis quando ele se aproximou
da Estação Espacial Russa antes do
acoplamento durante a missão STS-76.
Os cidadãos da União Soviética acreditavam que o programa espacial soviético era capaz de suplantar qualquer desafio. Essa sua crença vinha, entre outras razões, do fato de que o programa era secreto. Sabendo menos, principalmente em relação às falhas, o futuro parecia sem limites. O programa espacial soviético não liberou nehuma informação a respeito dos seus projetos antes do bem sucedido Sputnik I. De fato, quando o projeto Sputnik foi aprovado, uma das primeiras ações do Politburo foi considerar o que deveria ser anunciado ao Mundo em relação a ele. A TASS estabeleceu padrões para todos os comunicados oficiais do programa espacial soviético. As informações eventualmente liberadas não forneciam qualquer detalhe sobre quem construiu ou de onde foi lançado ou o motivo do satélite ter sido lançado. Mesmo quando houve a liberação de informações elas esclareciam como não revelavam nada significativo: "existe uma quantidade abundante de informações científicas exóticas...como se para mergulhar o leitor nas altas matemáticas sem nenhuma foto do objeto".

O que permanecia dos noticiários era o orgulho da astronáutica soviética e pistas muito vagas sobre futuras possibilidades depois do sucesso do Sputnik.
O que precisa ser compreendido no entanto, é que a demanda por segredo em torno do programa espacial, foi muito influenciada por exigência dos militares soviéticos.

Incidentes, falhas, e reveses 

O programa espacial soviético passou por um número de acidentes fatais e falhas. A chamada catástrofe de Nedelin em 1960 foi uma explosão catastrófica de um foguete abastecido sendo testado na plataforma de lançamento, matando muitos técnicos e engenheiros que trabalhavam no moento da explosão. 

A primeira fatalidade oficial com cosmonautas em treinamento ocorreu em 23 de Março de 1961, quando Valentin Bondarenko morreu num incêndio num ambiente de simulação atmosférica de baixa pressão e alta concentração de oxigênio. 

O programa Voskhod foi cancelado depois de apenas dois voos tripulados, comprometendo a liderança soviética e um evento quase fatal durante a segunda missão. Se os voos planejados tivessem sido executados, eles trariam ainda mais primazias (ou as anteciparia), incluindo um voo de longa duração de 20 dias, uma mulher executando atividade extra veicular e também uma atividade extraveicular autônoma e usando propulsores a jato. 

As mortes de Korolev e Komarov na queda da Soyuz 1 e de Gagarin, o primeiro homem no espaço num voo de caça de treinamento, com dois anos de diferença entre elas tiveram um impacto negativo significativo no programa espacial soviético. 

Os soviéticos continuaram lutando pela primeira missão lunar tripulada com o enorme foguete N1, que explodiu em cada uma das quatro tentativas de teste não tripulados. Os Estados Unidos ganharam a corrida para colocar um homem na Lua com a Apollo 11 em 20 de Julho de 1969. 

Em 5 de Abril de 1975, um mal funcionamento no segundo estágio do foguete Soyuz carregando dois cosmonautas para a estação espacial Salyut 4 resultou no primeiro uso prático do sistema de escape no lançamento. Os cosmonautas foram lançados a vários quilômetros de distância, e ficaram preocupados com a possibillidade de pousarem na China, com a qual a União Soviética vinha tendo problemas diplomáticos. A capsula atingiu uma montanha, escorregou por um declive e quase caiu de um penhasco; felizmente as cordas do paraquedas engancharam em árvores impedindo que isso acontecesse. Mesmo assim, os dois cosmonautas sofreram graves ferimentos e o comandante Lazerev, nunca mais voou. 

Em 18 de Março de 1980 um foguete Vostok explodiu na plataforma de lançamento durante a operação de abastecimento, matando 48 pessoas.

Em Agosto de 1981, a Kosmos 434, que havia sido lançada em 1971, estava prestes a reentrar. Para acalmar os temores de que houvesse material nuclear a bordo, um porta-voz do Ministério de relações exteriores soviético assegurou ao governo Australiano em 26 de Agosto de 1981, que a espaçonave era uma "cabine lunar experimental". Essa foi uma das primeiras vezes em que a União Soviética admitiu estar engajada num programa lunar tripulado.6 

Em Setembro de 1983, um foguete Soyuz sendo lançado para enviar cosmonautas para a estação espacial Salyut 7 explodiu na plataforma de lançamento, acionando o sistema de escape no lançamento, salvando os dois cosmonautas a bordo. 

Alem desses, existem vários relatos não confirmados de "cosmonautas fantasmas" cujas mortes foram supostamente encobertas pela União Soviética. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Guerra da Indochina

A Guerra da Indochina foi uma guerra entre a França e a Indochina Francesa. A guerra aconteceu entre 1946 a 1954, com a vitória da Indochina Francesa.

A Indochina francesa era constituída pelos atuais países Camboja, Vietnam do Norte, Laos e Vietnam do Sul. O resultado da guerra foi a derrota da França e seus aliados vietnamitas, a independência dos três países que constituem a Indochina e a divisão do Vietnam em norte e sul. Antes a Indochina era colonizada pela França e o Japão (durante a Segunda Guerra Mundial). Depois da derrota da França, houve a descolonização.

A Guerra da Indochina teve lugar após a Segunda Guerra Mundial quando as forças do Partido Comunista, que haviam combatido contra a ocupação japonesa, iniciaram a luta pela independência do Vietname da França.

sábado, 12 de outubro de 2013

Cortina de Ferro

Cortina de Ferro foi uma expressão usada para designar a divisão da Europa em duas partes, a Europa Oriental e a Europa Ocidental como áreas de influência político-econômica distintas, no pós-Segunda Guerra Mundial conhecido como Guerra Fria. Durante este período, a Europa Oriental esteve sob o controle político e/ou influência da União Soviética, enquanto a Europa Ocidental esteve sob o controle político e/ou influência dos Estados Unidos.

Esta "expressão" célebre é utilizada para designar o domínio da extinta União Soviética(URSS), bem como a chamada Cortina de bambu sobre os países do leste da Europa e Ásia que tinham o chamado MERCADO CATIVO E/OU suas "ECONOMIAS FECHADAS", como o foram nos primórdios os chamados "países Colonialistas e suas Colônias", onde só poder-se-ia comercializar através de suas chamadas Metrópoles, de forma Legal, nas épocas provocaram os chamados "Ciclos da Corrupção - e - Contrabando", no interior dessas chamadas "ECONOMIAS FECHADAS", o que não é saudável para as Economias que esperam a chamada "SUSTENTABILIDADE", DO "SISTEMA ECONÔMICO", defendida por Mario Henrique Simonsen em sua obra, na chamada "Inflação de Custo", que inviabiliza qualquer sistema produtivo, segundo Simonsen.

Tal nome "Político sob aspecto restrito - Militar" e/ou sim/não "Econômico(Colonialista, segundo Mario Henrique Simonsen)". Surgiu de um discurso do primeiro-ministro britânico Winston Churchill, proferido a 5 de março de 1946 no Westminster College, na cidade de Fulton, Missouri, nos Estados Unidos. No entanto, já havia sido usada antes no mesmo contexto por Joseph Goebbels, Lutz Schwerin von Krosigk e pelo próprio Churchill em Maio de 1945.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Winston Churchill

Sir Winston Leonard Spencer Churchill (Oxfordshire, 30 de novembro de 18741 — Londres, 24 de janeiro de 19651 ) foi um político conservador e estadista britânico, famoso principalmente por sua atuação como primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi primeiro-ministro britânico por duas vezes (1940-45 e 1951-55). Orador e estadista notável, ele também foi oficial no Exército Britânico, historiador, escritor e artista. Ele é o único primeiro-ministro britânico a ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura e a cidadania honorária dos Estados Unidos.

Durante sua carreira no exército, Churchill pôde assistir à ação militar na Índia britânica, no Sudão e na Segunda Guerra dos Bôeres (1899-1902). Ganhou fama e notoriedade como correspondente de guerra através dos livros que escreveu descrevendo as campanhas militares. Ele serviu brevemente no Exército britânico no Fronte Ocidental, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), comandando o 6º Batalhão dos Fuzileiros Reais Escoceses.

Churchill nasceu em uma família da nobreza britânica, da família do duque de Marlborough. Seu pai, Lorde Randolph Churchill, foi um carismático político, tendo servido como ministro da Fazenda do Reino Unido. Antes de alcançar o cargo de primeiro-ministro britânico, Churchill esteve em cargos proeminentes na política do Reino Unido por quatro décadas. Notavelmente sua eleição para o parlamento em 1900; sua ascensão a secretário para os Assuntos Internos em 1910; e sua estadia no Ministério da Fazenda do Reino Unido entre 1924 e 1929. Em 2002 foi eleito pela BBC o maior britânico de todos os tempos.

sábado, 31 de agosto de 2013

Idade Contemporânea

A Idade Contemporânea, também chamada de Contemporaneidade, é o período específico atual da história do mundo ocidental, iniciado a partir da Revolução Francesa (1789 d.C.).

O seu início foi bastante marcado pela corrente filosófica iluminista, que elevava a importância da razão. Havia um sentimento de que as ciências iriam sempre descobrindo novas soluções para os problemas humanos e que a civilização humana progredia a cada ano com os novos conhecimentos adquiridos.

A Contemporaneidade está marcada de maneira geral, pelo desenvolvimento e consolidação do regime capitalista no ocidente e, consequentemente pelas disputas das grandes potências europeias por territórios, matérias-primas e mercados consumidores.

Com o evento das duas grandes guerras mundiais o ceticismo imperou no mundo, com a percepção que nações consideradas tão avançadas e instruídas eram capazes de cometer atrocidades dignas de bárbaros. Decorre daí o conceito de que a classificação de nações mais desenvolvidas e nações menos desenvolvidas tem limitações de aplicação.

Atualmente está havendo uma especulação a respeito de quando essa era irá acabar, e por tabela, a respeito da eficiência atual do modelo europeu da divisão histórica.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Revolução Francesa

A Revolução Francesa (1789-1799) foi um período de intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos evaporaram-se sob um ataque sustentado de grupos políticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país. 

Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português: liberdade, igualdade e fraternidade). As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento contrário que até 1814 tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas importantes tornaram-se permanentes. O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os partidários e inimigos da revolução, que lutaram politicamente ao longo dos próximos dois séculos.

Em meio a uma crise fiscal, o povo francês estava cada vez mais irritado com a incompetência do rei Luís XVI e com a indiferença contínua e a decadência da aristocracia do país. Esse ressentimento, aliado aos cada vez mais populares ideais iluministas, alimentaram sentimentos radicais e a revolução começou em 1789, com a convocação dos Estados Gerais em maio. O primeiro ano da revolução foi marcado pela proclamação, por membros do Terceiro Estado, do Juramento do Jogo da Péla em junho, pela Tomada da Bastilha em julho, pela aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em agosto e por uma épica marcha sobre Versalhes, que obrigou a corte real a voltar para Paris em outubro. Os anos seguintes foram dominados por lutas entre várias assembleias liberais e de direita feitas por apoiantes da monarquia no sentido de travar grandes reformas no país.

A Primeira República Francesa foi proclamada em setembro de 1792 e o rei Luís XVI foi decapitado no ano seguinte. Sua mulher, Maria Antonieta, logo  o seguiu na guilhotina, enquanto o Delfim, seu filho e herdeiro, desapareceu misteriosamente nas masmorras da nova república. Depois que o tabu sagrado contra matar o rei foi quebrado, a França entrou em erupção. Os nobres foram arrancados de suas casas e assassinados de diversas maneiras terríveis e imaginativas. O Reino do Terror viu a decapitação de uns 40 mil inimigos do Estado, a maioria sem qualquer julgamento incômodo.

Embora todas as nações da Europa fossem envolvidas pelas guerras que acompanhavam a Revolução Francesa, só precisamos saber das cinco grandes potências: França, numa ponta da Europa; Rússia, na outra ponta; Prússia e Áustria haviam recuado do ataque à Rússia, depois de dividirem a Polônia entre si. A Inglaterra rondava o litoral. Nenhuma outra nação preocupava, porque nenhuma podia armar um exército capaz de enfrentar sozinha uma dessas grandes potências. As nações menores da Europa eram, na melhor das hipóteses, peões de xadrez, e na pior, o próprio tabuleiro.

Causas

As causas da revolução francesa são remotas e imediatas. Entre as do primeiro grupo, há de considerar que a França passava por um período de crise financeira. A participação francesa na Guerra da Independência dos Estados Unidos da América, a participação (e derrota) na Guerra dos Sete Anos, os elevados custos da Corte de Luís XVI, tinham deixado as finanças do país em mau estado.

Os votos eram atribuídos por ordem (1- clero, 2- nobreza, 3- Terceiro Estado) e não por cabeça, e só era aceito um voto para cada estado. E como clero e nobreza estavam sempre unidos, isso sempre somava dois votos contra um do povo.  

Os chamados Privilegiados estavam isentos de impostos, e apenas uma ordem sustentava o país, deixando obviamente a balança comercial negativa ante os elevados custos das sucessivas guerras, altos encargos públicos e os supérfluos gastos da corte do rei Luís XVI.

O rei Luís XVI acaba por convidar o Conde Turgot para gerir os destinos do país como ministro e implementar profundas reformas sociais e econômicas.

Assembléia Constituinte

Em maio de 1789, após a reunião da Assembléia no palácio de Versalhes, surgiu o conflito entre os privilegiados (clero e nobreza) e o povo. 

A nobreza e o clero, perceberam que o povo tinha mais deputados que os dois primeiros estados juntos, então, queria de qualquer jeito fazer valer o voto por ordem social. O povo (que levava vantagem) queria que o voto fosse individual. 

Para que isso acontecesse, seria necessário uma alteração na constituição, mas a nobreza e o clero não concordavam com tal atitude. Esse impasse fez com que o 3º estado se revoltasse e saísse dos Estados Gerais. 

Fora dos Estados Gerais, eles se reuniram e formaram a Assembléia Nacional Constituinte

O rei Luís XVI tentou reagir, mas o povo permanecia unido, tomando conta das ruas. O slogan dos revolucionários era “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. 

Em 14 de julho de 1789 os parisienses invadiram e tomaram a Bastilha (prisão) que representava o poder absoluto do rei, já que era lá que ficavam os inimigos políticos dele. Esse episódio ficou conhecido como "A queda da Bastilha". 

O rei já não tinha mais como controlar a fúria popular e tomou algumas precauções para acalmar o povo que invadia, matava e tomava os bens da nobreza: o regime feudal sobre os camponeses foi abolido e os privilégios tributários do clero e da nobreza acabaram. 

No dia 26 de agosto de 1789 a Assembléia Nacional Constituinte proclamou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, cujos principais pontos eram: 

- O respeito pela dignidade das pessoas 
- Liberdade e igualdade dos cidadãos perante a lei 
- Direito à propriedade individual 
- Direito de resistência à opressão política 
- Liberdade de pensamento e opinião 

Em 1790, a Assembléia Constituinte reduziu o poder do clero confiscando diversas terras da Igreja e pôs o clero sob a autoridade do Estado. Essa medida foi feita através de um documento chamado “Constituição Civil do Clero”. Porém, o Papa não aceitou essa determinação. 

Sobraram duas alternativas aos sacerdotes fiéis ao rei. 

- Sair da França 
- Lutar contra a revolução 

Muitos concordaram com essa lei para poder permanecer no país, mas os insatisfeitos fugiram da França e no exterior decidiram se unir e formar um exército para reagir à revolução. 

Em 1791, foi concluída a constituição feita pelos membros da Assembléia Constituinte. 

Principais tópicos dessa constituição 

- Igualdade jurídica entre os indivíduos 
- Fim dos privilégios do clero e nobreza 
- Liberdade de produção e de comércio (sem a interferência do estado) 
- Proibição de greves 
- Liberdade de crença 
- Separação do estado da Igreja 
- Nacionalização dos bens do clero 
- Três poderes criados (Legislativo, Executivo e Judiciário) 

O rei Luís XVI não aceitou a perda do poder e passou a conspirar contra a revolução, para isso contatava nobres emigrados e monarcas da Áustria e Prússia (que também se sentiam ameaçados). O objetivo dos contra-revolucionários era organizar um exército que invadisse a França e restabelecesse a monarquia absoluta. 

Em 1791, Luís XVI quis se unir aos contra-revolucionários e fugiu da França, mas foi reconhecido, capturado, preso e mantido sob vigilância. 

Em 1792, o exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi derrotado pelas tropas francesas na Batalha de Valmy. Essa vitória deu nova força aos revolucionários franceses e tal fato levou os líderes da burguesia decidir proclamar a República (22 de setembro de 1792). 

Com a proclamação, a Assembléia Constituinte foi substituída pela Convenção Nacional que tinha como uma das missões elaborar uma nova constituição para a França. 

Nessa época, as forças políticas que mais se destacavam eram as seguintes: 

Girondinos: alta burguesia 

Jacobinos: burguesia (pequena e média) e o proletariado de Paris. Eram radicais e defendiam os interesses do povo. Liderados por Robespierre e Saint-Just, pregavam a condenação à morte do rei. 

Grupo da Planície: Apoiavam sempre quem estava no poder. 

Mesmo com o apoio dos girondinos, Luís XVI foi julgado e guilhotinado em janeiro de 1793. A morte do rei trouxe uma série de problemas como revoltas internas e uma reorganização das forças absolutistas estrangeiras. 

Foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário (responsável pela morte na guilhotina de muitas pessoas que eram consideradas traidoras da causa revolucionária). 

Esse período ficou conhecido como “Terror”, ou "Grande Medo", pois os não-jacobinos tinham medo de perder suas cabeças. 

Começa uma ditadura jacobina, liderada por Robespierre. Durante seu governo, ele procurava equilibrar-se entre várias tendências políticas, umas mais identificadas com a alta burguesia e outras mais próximas das aspirações das camadas populares. 

Robespierre conseguiu algumas realizações significativas, principalmente no setor militar: o exército francês conseguiu repelir o ataque de forças estrangeiras. 

Durante o governo dele vigorou a nova Constituição da República (1793) que assegurava ao povo: 

- Direito ao voto 
- Direito de rebelião 
- Direito ao trabalho e a subsistência 

Continha uma declaração de que o objetivo do governo era o bem comum e a felicidade de todos. 

Quando as tensões decorrentes da ameaça estrangeira diminuíram, os girondinos e o grupo da planície uniram-se contra Robespierre que sem o apoio popular foi preso e guilhotinado em 1794. 

Após a sua morte, a Convenção Nacional foi controlada por políticos que representavam os interesses da alta burguesia. Com nova orientação política, essa convenção decidiu elaborar outra constituição para a França. 

A nova constituição estabelecia a continuidade do regime republicano que seria controlado pelo Diretório (1795 - 1799). Neste período houve várias tentativas para controlar o descontentamento popular e afirmar o controle político da burguesia sobre o país. 

Durante este período, a França voltou a receber ameaças das nações absolutistas vizinhas agravando a situação. 

Nessa época, Napoleão Bonaparte ganhou prestígio como militar e com o apoio da burguesia e do exército, provocou um golpe. 

Em 10/11/1799, Napoleão dissolveu o diretório e estabeleceu um novo governo chamado Consulado. Esse episódio ficou conhecido como 18 Brumário

Com isso ele consolidava as conquistas da burguesia dando um fim para a revolução. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Guerras Napoleônicas - As Quatro Coligações

Guerras Napoleônicas é a designação do conflito armado que se estendeu de 1803 a 1815, opondo a quase totalidade das nações da Europa a Napoleão Bonaparte, herdeiro da Revolução Francesa e ditador militar.

Napoleão chegou ao poder como 1 °Cônsul (1799) vindo a ser coroado imperador da França, em 1804, sob o título de Napoleão I. A partir de 1807 conduziu o governo sem atender aos corpos legislativos e com características autoritárias, imperiais e expansionistas.

As guerras, a princípio localizadas como conflitos entre soberanos, tornaram-se guerras nacionais a partir da resistência popular de Espanha e Portugal (Guerra Peninsular) aos invasores napoleónicos. Com o apoio da Grã-Bretanha, as nações europeias, derrotadas em sucessivas coligações, acabaram por se impor a Napoleão na Batalha de Waterloo (1815) e forçaram o imperador francês ao exílio.

Primeira Coligação

A Primeira Coligação (1792–1797), foi um esforço conjunto de diversas monarquias europeias contra a França revolucionária. A República Francesa formalmente declarou guerra contra a monarquia de Habsburgo da Áustria em 20 de abril de 1792. O Reino da Prússia aliou-se aos austríacos algumas semanas mais tarde. 

Estas potências lançaram uma série de campanhas militares de invasão ao território francês por terra e mar, com os prussianos e a Áustria atacando pelos Países Baixos Austríacos e pelo rio Reno, enquanto o Reino Unido apoiava as revoltas na França provincial e também lançava um cerco contra a cidade de Toulon. 

A França sofreu diversos revéses nos campos de batalha inicialmente, enquanto lidava com problemas internos com os contra-revolucionários (Guerra da Vendeia) e respondeu então com medidas extremas: o Comitê de Salvação Pública foi formado em 6 de abril de 1793 e o levée en masse foi invocado (agosto de 1793), convocando assim todos os homens entre idade de 18 e 25 anos para a luta. O novo exército francês então contra-atacou, repeliu os invasores e lançou ofensivas além de seus territórios. Na então fronteira austríaca, na região central da Alemanha, a França estabeleceu diversos estados satélites, como a República Batava. 

Em 1796, ao norte dos Alpes, Carlos da Áustria-Teschen tentou corrigir a situação na Itália e mudar a guerra em seu favor, mas o general francês Napoleão Bonaparte conseguiu forçar os austríacos a uma retirada da região, o que culminaria com o tratado de Leoben e o acordo de Campo Formio (outubro de 1797). A primeira coligação entrou em colapso, deixando assim apenas a Inglaterra em estado formal de guerra contra a França.

Segunda Coligação

A Segunda Coligação foi um conjunto de alianças e compromissos estabelecidos entre várias potências europeias (incluindo o Império Otomano) que se confrontaram com a França na fase final da Revolução Francesa. O conjunto dos confrontos entre a França e a coligação ficou conhecido como Guerra da Segunda Coligação, teve início em 1799 e prolongou-se até 1801. Formalmente, a guerra só terminou em 1802 com a assinatura do Tratado de Amiens. 

Contra a França uniram-se a Áustria, a Rússia, a Grã-Bretanha, o Império Otomano, o Reino de Nápoles e outras pequenas entidades políticas da península Itálica e da região da Alemanha, estas últimas integradas no Sacro Império Romano-Germânico. A invasão de Portugal por um exército espanhol, em 1801, no conflito que ficou conhecido como Guerra das Laranjas, está também associada a estes acontecimentos e trata-se de uma campanha que não pode deixar de ser referida no âmbito da Guerra da Segunda Coligação. 

Esta guerra, iniciada quando a França era governada pelo Diretório, terminou quando Napoleão Bonaparte era já Primeiro Cônsul. Assim, foi durante esta guerra que se realizou a transição da França Revolucionária para a França Napoleónica. As operações relativas a esta guerra decorreram em três teatros de operações: Alemanha e Países Baixos, Suíça e norte de Itália. Foi neste último teatro de operações que se realizou a Segunda Campanha de Napoleão em Itália. Quando se iniciou a Guerra da Segunda Coligação, tanto os Estados Pontifícios como o Reino de Nápoles estavam já em guerra com a França por causa da expansão desta República para sul, na península italiana. O Império Otomano encontrava-se em confronto com os franceses desde setembro de 1798, após o início da Campanha do Egito.

Terceira Coligação

Após a dissolução da Segunda Coligação (1802), a negativa da Grã-Bretanha em entregar a ilha de Malta aos Cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém iniciou novo conflito com os franceses. Em 1805, com a adesão da Áustria, do Nápoles, da Rússia e da Suécia ao conflito em apoio aos ingleses, originava-se a Terceira Coligação. A Espanha era então aliada da França. A ideia desta coligação era tentar deter as crescentes ambições do governante francês, Napoleão Bonaparte, que em Maio de 1804 recebera o título de imperador.

Napoleão enfrentou os austríacos, que haviam invadido a Baviera, tendo vários Estados alemães apoiado a França na ocasião. As tropas francesas derrotaram as forças austríacas na batalha de Ulm, onde fizeram vinte e três mil prisioneiros, e iniciaram o avanço, ao longo do rio Danúbio, sobre Viena. As tropas russas, lideradas pelo general Mikhail Kutuzov e pelo czar Alexandre I da Rússia, levaram reforços aos austríacos, mas foram vencidas na batalha de Austerlitz. A Áustria rendeu-se novamente, e assinou o Tratado de Presburgo (26 de dezembro de 1805).

Em consequência, foi formada a Confederação do Reno, tendo Napoleão aproveitado a situação para nomear os seus irmãos, José I, rei de Nápoles (1806), e Luís I, rei dos Países Baixos.

Enquanto isso, no mar, o almirante britânico Horatio Nelson derrotava as armadas francesa e espanhola na batalha de Trafalgar (21 de outubro de 1805). Como consequência, no ano seguinte (1806), Napoleão decretou o Bloqueio Continental, pelo qual os portos de toda a Europa seriam fechados ao comércio britânico. A superioridade naval da Grã-Bretanha e a retirada da Família Real Portuguesa para o Brasil dificultaram, na prática, a aplicação desta medida, conduzindo ao fracasso dessa política econômica europeia francesa.

Quarta Coligação

A Quarta Coligação ou Quarta Coalizão foi a aliança formada pela Grã-Bretanha e pela Rússia e Suécia - nações absolutistas -, contra a França de Napoleão Bonaparte, em 1806. A Prússia aderiu à Coligação, sendo as suas tropas derrotadas na batalha de Jena (14 de Outubro), tendo as tropas francesas ocupado Berlim. Em seguida, Napoleão derrotou as tropas russas na batalha de Friedlândia, obrigando o czar Alexandre I da Rússia a assinar o Tratado de Tilsit.