quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Guerra Franco-prussiana

A guerra franco-prussiana ou guerra franco-germânica (19 de julho de 1870 - 10 de maio de 1871) foi um conflito ocorrido entre Império Francês e o Reino da Prússia no final do século XIX. Durante o conflito, a Prússia recebeu apoio da Confederação da Alemanha do Norte, da qual fazia parte, e dos estados do Baden, Württemberg e Baviera. A vitória incontestável dos alemães marcou o último capítulo da unificação alemã sob o comando de Guilherme I da Prússia. Também marcou a queda de Napoleão III e do sistema monárquico na França, com o fim do Segundo Império e sua substituição pela Terceira República Francesa. Também como resultado da guerra ocorreu a anexação da maior parte do território da Alsácia-Lorena pela Prússia, território que ficou em união com o Império Alemão até o fim da Primeira Guerra Mundial.

O Trono Vago da Espanha

A Espanha nunca se recuperou inteiramente da ocupação napoleônica. Durante o meio século que se seguiu à restauração do antigo regime, o país foi dilacerado por uma série de guerras civis, intercaladas com frágeis períodos de cessar-fogo. Por fim, em 1868 a rainha foi expulsa, e os espanhóis começaram a procurar outro monarca.

Ironicamente, a Espanha não chegou a participar ativamente do multicídio desta guerra, mas as encrencas espanholas tendem a se irradiar e perturbar o restante do mundo. O trono vago foi oferecido a um príncipe prussiano, mas a França proibiu isso terminantemente, de modo que a Prússia resmungou, mas recuou. A França então insistiu que o rei Guilherme I da Prússia prometesse jamais considerar tal oferta novamente, uma exigência que Guilherme achou ridícula. A crise estava quase resolvida diplomaticamente, mas o chanceler prussiano Otto von Bismarck notou que o ódio pelos franceses era a única coisa que toas as pequenas nações na Alemanha tinham em comum. Uma crises suficientemente grande poderia ser usadas para unir os príncipes alemães menores sob um governo prussiano, caso todos ficassem bastante raivosos, de modo que Bismarck ficou provocado a França sobre o trono espanhol até Napoleão II, o imperador francês, declarar guerra. 

A Batalha de Sedan

Na batalha de abertura, os alemães concentraram sua ala esquerda e atacaram a ala direita dos franceses, impedindo-a em debandada para o sul. Enquanto os alemães aumentavam a cunha e rumavam para Paris, a ala esquerda dos franceses também recuou, mas na direção oposta, para o norte. Então a principal força alemã impeliu essa metade do exército francês para Metz, onde foi isolada e cercada. A antiga ala direita da França então se recompôs e se reagrupou entre os alemães e Paris. Em termos militares esse meio exército não tinha chance de derrotar os alemães, mas politicamente os franceses precisavam ao menos fazer uma tentativa. Quando eles avançaram para libertar seus compatriotas cercados em Metz, foram envolvidos e capturados pelos alemães em Sedan. Até Napoleão III caiu prisioneiro.

O Cerco de Paris 

Com seu imperador nas mãos dos alemães, o povo francês proclamou a volta da república e foi dançar nas ruas, até lembrar que os alemães continuavam avançando. Eles queriam negociar, mas o preço alemão era alto demais. O governo francês retirou-se para a cidade, mais segura, de Tours, no vale do Loire, e tentou atabalhoadamente arregimentar um exército novo nas províncias. Os parisienses criaram milícias, arrebanharam o gado dentro da cidade e se fortificaram para a chegada do exército alemão.

Os alemães cercaram Paris tão completamente que o governo foi forçado a enviar mensagens por pombos, e funcionários por balões. O cerco a Paris se arrastou por meses a fio, enquanto os habitantes acabavam com os suprimentos estocados. Depois começaram a comer ratos, insetos e vermes, animais do zoológico ou bichos de estimação. A artilharia alemã bombardeava a cidade.

Enquanto a capital morria à míngua, o governo francês vasculhava o interior em busca de homens suficientes para arregimentar outro exército. Chegaram a alinhavar dois exércitos novos para enfrentar os alemães, um no rio Loire e outro perto da fronteira suíça. Nenhum causou qualquer dano, de modo que a França finalmente desistiu.

Comuna de Paris

A Europa pode ter perdido um imperador com a queda de Napoleão III, mas ganhou um novo quando o rei Guilherme da Prússia foi promovido a imperador de todos os alemães. Enquanto isso, o caos político na França viu o primeiro governo socialista europeu, a Comuna de Paris, tomar o poder na cidade. Quando o governo nacional tentou desarmar a milícia parisiense, os membros da Comuna se recusaram, de modo que o exército francês avançou e foi erradicando a Comuna quarteirão por quarteirão. À medida que cada bolsão de resistência se rendia, os rebeldes eram enfileirados e fuzilados. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Gerra Civil Americana

A Guerra de Secessão ou Civil Americana foi uma guerra civil ocorrida nos Estados Unidos entre 1861 e 1865. Foi o conflito que causou mais mortes de norte-americanos, num total estimado em 970 mil pessoas - dos quais 618 mil eram soldados - cerca de 3% da população americana à época. As causas da guerra civil, seu desfecho, e mesmo os próprios nomes da guerra, são motivos de controvérsia e debate até os dias de hoje.

A Guerra de Secessão consistiu na luta entre 11 Estados Confederados do Sul latifundiário, aristocrata e defensor da escravidão, contra os Estados do Norte industrializado, onde a escravidão tinha um peso econômico bem menor do que no Sul. Estas diferenças estão entre as principais causas da guerra e têm origem ainda no período colonial: enquanto o desenvolvimento do Norte estava ligado à necessidade de crescimento do mercado interno e do estabelecimento de barreiras proteccionistas, o crescimento Sulista era baseado precisamente no oposto, ou seja: o liberalismo económico que abria todo o Mundo às agro-exportações e com mão-de-obra escrava (de origem africana) como base da produção.

Ao longo das primeiras décadas do século XIX, a imigração em massa e intensa industrialização fizeram com que o poderio do Norte crescesse economicamente e ampliasse politicamente sua participação no governo. Grandes tensões políticas e sociais desenvolveram-se entre o Norte e o Sul. Em 1860, Abraham Lincoln, um republicano contra a escravidão, venceu as eleições presidenciais americanas. Lincoln, ao assumir o posto de presidente, cognominou os Estados Unidos de "Casa Dividida".

Bandeira dos
Estados Confederados da América
Em 1861, ano do início da guerra, o país consistia em 19 estados livres, onde a escravidão era proibida, e 15 estados onde a escravidão era permitida. Em 4 de Março, antes que Lincoln assumisse o posto de presidente, 11 Estados escravagistas declararam secessão da União, e criaram um novo país, os Estados Confederados da América. 

A guerra começou quando forças confederadas atacaram o Fort Sumter, um posto militar americano na Carolina do Sul, em 12 de Abril de 1861, e terminaria somente em 28 de Junho de 1865, com a rendição das últimas tropas remanescentes da Confederação.

Representação da
Batalha de Fort Sumter
A guerra civil foi uma batalha entre duas visões conflitantes da América – uma definida pela nacionalidade (protestantes anglo-saxões brancos), contra outra definida pela ideologia (todos os homens são criados iguais). Esse é provavelmente o conflito central da história americana e, se você entender essa guerra, estará muito perto de entender os Estados Unidos. 

Obviamente, a principal consequência da guerra foi a libertação dos escravos, mas isso aconteceria de qualquer maneira. Algum tipo de guerra era provavelmente inevitável, porque poucos países escravagistas evitaram isso; e apesar de toda a sua resistência, os Estados Unidos não manteriam a escravidão por mais tempo do que Cuba (1886) ou Brasil (1888). 

Mais importantes foram as Emendas 14 e 15 à Constituição, garantindo cidadania plena e proteção igual, perante a lei, para os antigos escravos. Ninguém teria ousado sugerir isso antes da guerra, mas com a derrota da definição nacionalista da América e o triunfo da definição ideológica, a maioria absoluta necessária para transformar isso em lei foi facilmente obtida.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança, na Argentina e Uruguai, e de Guerra Grande, no Paraguai.

O conflito iniciou-se com a invasão da província brasileira de Mato Grosso pelo exército do Paraguai, sob ordens do presidente Francisco Solano López¹. O ataque paraguaio ocorreu após uma intervenção armada do Brasil no Uruguai, em 1863, que pôs fim à guerra civil uruguaia ao depor o presidente constitucional Atanasio Aguirre, do Partido Blanco, e empossar seu rival colorado, Venancio Flores, aliado de Bartolomé Mitre e do Império do Brasil. Solano López temia que o Império brasileiro e a República Argentina viessem a desmantelar os países menores do Cone Sul. 

Para confrontar essa ameaça, Solano López esperava contar com o apoio dos blancos, no Uruguai, e dos federalistas do Argentina. O temor do presidente paraguaio levou-o a aprisionar, em 11 de novembro de 1864, o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a Cuiabá, morrendo em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, o Paraguai invadiu o sul do Mato Grosso. Antes da intervenção brasileira no Uruguai, Solano López já vinha produzindo material bélico moderno, em preparação para um futuro conflito com a Argentina mitrista, e não com o Império.

Durante uma disputa fronteiriça entre Brasil e Uruguai, o partido da oposição uruguaia, os Colorados (vermelhos), uniram-se ao Brasil em um golpe bem-sucedido contra os Blancos (brancos), que estavam no governo. Isso transformou o Uruguai em um satélite brasileiro, pondo em perigo o acesso do Paraguai ao mar. Lopez decidiu atacar e expulsar tanto os brasileiros quanto os Colorados. 

Argentina Entra na Guerra

A princípio, uma guerra realmente satisfatória parecia fora de alcance, porque o Paraguai não podia atingir o Uruguai. A única estrada entre os lados litigantes era uma estreita faixa de terra na Argentina. Quando os argentinos negaram a Lopez o direito de passar por essa estrada, ele atacou assim mesmo, em dezembro de 1864, levando a Argentina a fazer parte do que se tornou a Trípice Aliança contra o Paraguai – 11 milhões de pessoas em três países contra uma única nação de meio milhão. 

A ofensiva paraguaia penetrou no Brasil, mas o Brasil é um país vasto que mastigou e cuspiu o exército paraguaio numa dura campanha. Os aliados rechaçaram os sobreviventes para o Paraguai em 1866. Nesse meio-tempo, eles já haviam começado em outro lugar a contraofensiva. Em 1865, o Brasil comprara tantos navios encouraçados da Europa e da América do Norte que tinha, na época, a maior e mais moderna marinha do mundo. Os brasileiros destruíram a frota de madeira de Lopez no rio da Prata, abrindo o estuário e os rios para o ataque.

O Império do Brasil, Argentina mitrista e Uruguai florista, aliados, derrotaram o Paraguai após mais de cinco anos de lutas durante os quais o Império enviou em torno de 150 mil homens à guerra. Cerca de 50 mil não voltaram — alguns autores asseveram que as mortes no caso do Brasil podem ter alcançado 60 mil se forem incluídos civis, principalmente nas então províncias do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. Argentina e Uruguai sofreram perdas proporcionalmente pesadas — mais de 50% de suas tropas faleceram durante a guerra — apesar de, em números absolutos, serem menos significativas. Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300 mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrência dos combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome.

A derrota marcou uma reviravolta decisiva na história do Paraguai, tornando-o um dos países mais atrasados da América do Sul, devido ao seu decréscimo populacional, ocupação militar por quase dez anos, pagamento de pesada indenização de guerra, no caso do Brasil até a Segunda Guerra Mundial, e perda de praticamente 40% do território em litígio para o Brasil e Argentina. Após a Guerra, por décadas, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia brasileira.

Foi o último de quatro conflitos armados internacionais, na chamada Questão do Prata, em que o Império do Brasil lutou, no século XIX, pela supremacia sul-americana, tendo o primeiro sido a Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata, e o terceiro a Guerra do Uruguai.

1. Francisco Solano López (Assunção, 24 de Julho de 1827 — Cerro Corá, 1 de Março de 1870) foi um militar paraguaio, presidente vitalício de seu país de 1862 à data de sua morte. 

Filho do presidente também vitalício Carlos Antonio López, foi nomeado general-de-brigada aos dezoito anos de idade. Comandou por duas vezes (1846 e 1849) as forças de seu país enviadas à província de Corrientes para combater o governo argentino de Juan Manuel de Rosas. 

Genioso filho do ditador anterior, Lopez herdara o maior exército da América do Sul, assim como o país mais pobre. Infelizmente, algumas das melhores histórias que ouvimos sobre a insanidade autodestrutiva de Lopez era mera propaganda espalhada por seus inimigos brasileiros e argentinos. Quanto mais se estuda a sua vida, menos interessante ela fica.

domingo, 18 de agosto de 2013

Guerra Russo-Turca

A guerra russo-turca de 1877–1878 foi originada pelo desejo da Rússia de obter acesso ao mar Mediterrâneo e de capturar a península dos Bálcãs, controlada pelo Império Otomano. A guerra trouxe como resultado a declaração formal de independência dos principados de Sérvia, Montenegro e Romênia, que já haviam possuído soberania de fato por algum tempo. Apesar da Bulgária ter permanecido formalmente sob controle otomano até 1908, procurou recuperar sua condição de Estado soberano.

História

Em 1876 irrompeu na Bósnia uma revolta contra o governo da Turquia que rapidamente se espalhou por todos os súditos cristãos do sultão nos Balcãs – macedônios, sérvios e búlgaros. Os rebeldes mais distantes, os bósnios, receberam a proteção da Áustria. Infelizmente, os mais próximos, os búlgaros, eram os mais fáceis de serem alvo do castigo otomano: quando as tropas turcas chegaram para abafar a revolta dominaram rapidamente as cidades rebeldes e assassinaram 30 mil búlgaros de todas as idades e gêneros. 

Os massacres horrorizaram a Europa, e todo o mundo insistiu que alguém fizesse algo. A princípio, o governo russo hesitou. Era um problema interno, afinal de contas, e ninguém queria começar uma guerra geral europeia por causa de uma maldita tolice nos Balcãs. Tratados impediam a Rússia de interferir na Turquia, mas muitos oficiais idealistas do exército russo renunciaram e se juntaram aos rebeldes para lutar em prol dos seus amigos eslavos. 

Com a opinião europeia a seu favor, os russos finalmente lançaram um ataque de surpresa em abril de 1877 ao sul da costa do mar Negro e libertaram a Bulgária do governo turco. Isso logo se transformou na única guerra popular da história da Rússia e, durante uns poucos anos, os voluntários excederam os convocados no recrutamento anual. Os russos pressionaram e frustraram várias tentativas otomanas para detê-los. 

Quando, em julho, os russos se aproximaram de Constantinopla, ficaram atolados frente às trincheiras externas da cidade turca de Plevna. Meses de assaltos infrutíferos desgastaram o exército russo e, quando Plevna se rendeu, em novembro, a guerra já durara tempo suficiente para o pragmatismo substituir o idealismo nas capitais da Europa. A opinião pública no Ocidente já passara da intenção de deter os turcos para a de salvá-los. Quando a armada britânica rumou para a zona de guerra, uma reprise da guerra da Crimeia parecia inevitável, até que todos se afastaram da beira do abismo. 

Por fim, o Império Otomano foi um pouco reduzido em favor das nacionalidades locais. O primeiro tratado imposto pelos russos tentava criar uma grande nação búlgara, que incluía quase tudo que os turcos ainda ocupavam na Europa, mas as outras potências não permitiram. Outro tratado negociado em Berlim reduzia a Bulgária à margem sul do baixo Danúbio, e ainda dividia isso em dois países. Os estados da Sérvia e da Romênia, que eram vassalos da Turquia, receberam plena independência, e à Áustria foi permitido ocupar – não possuir – a Bósnia. 

Os turcos também deram a ilha de Chipre aos britânicos como agradecimento por terem sido amigos quando preciso. Para purificar suas terras de todos os traços do inimigo, os búlgaros expulsaram, com considerável brutalidade, mais de meio milhão de habitantes muçulmanos, e incontáveis milhares de pessoas morreram no êxodo. 

Cruz Vermelha 

Na maioria das batalhas contadas até essa época, os exércitos geralmente deixavam os soldados feridos sem atendimento, gemendo onde caíssem, até o exército tirar uma boa noite de sono. Lutar nas batalhas era exaustivo. Juntar e tratar feridos tomava muito tempo e recursos para que os exércitos fizessem mais do que um esforço simbólico, enquanto o inimigo ainda estava na vizinhança, ameaçando recomeçar o ataque. Na verdade, ajudar a evacuar os feridos para a retaguarda era visto como uma artimanha covarde para escapar do perigo, e os exércitos geralmente tinham regras contra isso. 

Durante a década e meia que precedeu a guerra russo-turca, os humanitários do Ocidente trataram de organizar uma instituição neutra dedicada a tirar os soldados feridos dos campos de batalha e leva-los para os hospitais, sem depender das decisões dos generais. Desde que não tomasse partido, a Cruz Vermelha teria permissão para movimentar-se livremente em territória hostil no cumprimento da sua missão. 

Bandeira da Cruz Vermelha
em Terras Muçulmanas
Depois de um começo promissor numa pequena guerra entre a Prússia e Dinamarca, em 1864, o movimento ganhou grande aceitação em 1870, na guerra franco-prussiana, mas teve seu primeiro empecilho na guerra russo-turca. Numa guerra entre muçulmanos e cristãos, os soldados turcos tinham dificuldade para aceitar que estrangeiros marcados com uma grande cruz vermelha não eram inimigos. Para acalmar suas suspeitas, dessa ocasião em diante a Cruz Vermelha passou a ser o Crescente Vermelho em terras muçulmanas.

sábado, 17 de agosto de 2013

Guerra de Independência Cubana

A Guerra de Independência Cubana ou Guerra de 95 (1895–1898), é o nome pelo qual se conhece a última das três guerras pela independência dos cubanos contra o domínio espanhol, sendo as outras duas, a Guerra dos Dez Anos, de 1868 a 1878, e a chamada Guerra Chiquita ('Guerra Pequena'), entre 1879 e 1880. 

Depois de três meses, o conflito se agravou, evoluindo para a Guerra Hispano-Americana e foi uma das últimas guerras americanas contra o Reino da Espanha. 

O conflito teve início com o "Grito de Baire", em 24 de fevereiro de 1895, e terminou em 1898, com a rendição das tropas realistas antes a armada estadunidense. 

Estima-se que mais de 300 mil pessoas morreram nesta guerra.

Sobre a Segunda Guerra da Independência

A primeira tentativa do povo de derrubar o governo espanhol fracassara na Guerra dos Dez Anos (1868-78), com a perda de 200 mil vidas. A geração seguinte resolveu tentar novamente. A industrialização do processamento do açúcar concentrara a moagem em poucas mãos, causando desemprego e bancarrota em larga escala, o que, por seu turno, radicalizou a pobreza.

Exilado em Nova York, o poeta e jornalista José Martí declarou a independência de Cuba em 1895 e voltou para casa a fim de liderar a luta, mas foi emboscado e morto no fim de poucos meses. Seus seguidores continuaram avançando e conseguiram estrondoso sucesso em 1896. Os camponeses simpatizantes espionavam as forças espanholas, que os rebeldes incomodavam com sortidas e emboscadas. Os rebeldes tentavam fazer Cuba inútil para a Espanha, reprimindo a produção do açúcar. Destruíam plantações isoladas e evitavam confrontos em campo aberto com as bem-armadas tropas regulares. 

Em janeiro de 1897, o governo espanhol passou a rebelião para o general Valeriano Weyler, que estava prestes a inventar uma nova espécie de horror a ser implantada no mundo – os campos de concentração. No mês de sua chegada a Cuba, Weyler cercou quase 300 mil camponeses na zona de guerra e os confinou em campos fortificados, depois do que qualquer cubano capturado fora dali seria considerado rebelde e executado. 

A Guerra Hispano-Americana

Um dos poucos pontos de concordância entre ambos os lados era a necessidade de manter os Estados Unidos fora da guerra. Tanto a Espanha quanto os rebeldes sabiam que, uma vez provocados, os americanos iriam simplesmente descer e ocupar Cuba. Os investidores americanos dominavam a economia cubana, e os Estados Unidos vinham discutindo a anexação de Cuba desde que a expansão americana alcançara o golfo do México, uns oito anos antes. Era de importância vital não lhes dar uma desculpa para concretizar isso. O único segmento mais importante da população de Cuba que via os Estados Unidos como a salvação eram os proprietários de terras cubanos. Eles só queriam que a guerra terminasse e a estabilidade voltasse.

O povo americano simpatizava, em geral, com os rebeldes. Os jornais americanos atiçavam o ódio aos espanhóis expondo, avidamente, cada nova atrocidade nas primeiras páginas. Os Estados Unidos estavam à beira da intervenção e enviaram o USS Maine para o porto de Havana, a fim de manter um olho nos interesses americanos durante os tumultos na cidade. Então, de repente, na noite de 15 de fevereiro de 1898, uma explosão partiu em dois o navio americano, destruindo a parte da frente e matando dois terços da tripulação. A explosão provavelmente começou como um incêndio acidental no depósito de carvão do navio, mas na época ninguém duvidou de que aqueles malditos espanhóis haviam atacado o Maine. A febre da guerra ferveu, e a América deu um ultimato, exigindo que a Espanha saísse de Cuba. Os espanhóis se recusaram.

A guerra foi rápida e objetiva. Tanto nas Filipinas quanto em Cuba, os navios de guerra americanos destruíram facilmente as antiquadas e desguarnecidas frotas espanholas, de uma distância segura, mal sofrendo um arranhão. Uma força americana expedicionária rapidamente reunida tomou Cuba em dez semanas, e o custo da guerra para os Estados Unidos foi de apenas 385 mortes em combate.

Os americanos haviam feito tamanho escarcéu sobre a independência cubana que não podiam anexar sua nova conquista imediatamente. Eles tiveram de dar à Cuba a aparência de soberania, mas estabeleceram cláusulas nos tratados que garantiam o controle americano no governo de Cuba por muitos anos futuros.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

I Guerra Mundial - Part I

A Primeira Guerra Mundial foi uma guerra global centrada na Europa, que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918. O conflito envolveu as grandes potências de todo o mundo, que organizaram-se em duas alianças opostas: os Aliados (com base na Tríplice Entente entre Reino Unido, França e Império Russo) e os Impérios Centrais (originalmente Tríplice Aliança entre Império Alemão, Áustria-Hungria e Itália; mas como a Áustria-Hungria tinha tomado a ofensiva contra o acordo, a Itália não entrou em guerra). Estas alianças reorganizaram-se (a Itália lutou pelos Aliados) e expandiram-se em mais nações que entraram na guerra. 

Disputa por Fronteiras

Por anos, fronteiras disputadas vinham dividindo as nações por toda a Europa. A Alemanha e a França discutiam sobre a posse da Alsácia-Lorena. Tanto a Áustria quanto a Sérvia se achavam com direito à Bósnia; Itália e Áustria faziam o mesmo quanto ao Tirol, assim como a Bulgária e a Grécia sobre a Trácia, e a Alemanha e a Dinamarca sobre Schleswig-Holstein. Na Europa, as fronteiras étnicas estavam tão intricadas que toda nação tinha pequenos enclaves estrangeiros que prefeririam pertencer a um país vizinho. Tudo isso parece terrivelmente complicado, mas criava uma política exterior bem simples; seu vizinho era seu inimigo, o vizinho de seu vizinho era o inimigo de seu vizinho, e, portanto, seu amigo.

Na escala maior, as nações também competiam pelo domínio da chamada “ordem de bicagem”. Derrotando a França em 1871, a Alemanha tornara-se o chefe da matilha na Europa, e os alemães haviam recentemente deslanchado um maciço programa de construção de navios, para desafiar o domínio da Inglaterra nos mares. A Áustria e a Rússia competiam para substituir o poder decrescente da Turquia como senhora dos Bálcãs. Para estimular essas rivalidades, cada nação buscava aliados para apoiá-la em tempo de crise. A França, por exemplo, precisava de alguém do outro lado da Alemanha, para fazer com que os alemães pensassem duas vezes antes de invadi-la de novo. Os franceses podiam se aliar ou à Rússia ou à Áustria, não importa, mas, qualquer uma que ela escolhesse, a outra se ligaria à Alemanha, por princípio. 

Depois de uma geração de mudanças, implicâncias e tomadas de posição, a Europa se dividira em dois blocos de poder: a Tríplice Aliança, com a Alemanha, Áustria e Itália, versus a Tríplice Entende, com a França, Grã-Bretanha e a Rússia. (A Itália, ou melhor, os homens que tomavam decisões pela Itália, decidiram que seu país não precisava realmente se envolver na disputa inicial, de modo que ignoraram as declarações de guerra iniciais, a despeito das obrigações do país em ajudar a Alemanha e a Áustria

A Centelha

Gavrilo Princip criou o século XX no dia 28 de junho de 1914. Quase toda tendência política que se desdobrou pelo planeta durante as oito décadas seguintes pode ser rastreada até o dia em que esse terrorista sérvio assassinou o herdeiro dos Hasburgo ao trono austro-húngaro, na capital provincial da Bósnia-Herzegovina. Depois de ser preso pela polícia, os interrogadores austríacos souberam que o assassinato fora planejado em Belgrado. Eles enviaram um ultimato à Sérvia: deixei que sigamos nossas pistas, ou então...

A Sérvia recusou e o Império Austo-Húngaro declarou guerra àquele país. A Rússia não podia deixar a Áustria destruir aquela nação eslávica, ortodoxa oriental, e ganhar outro quinhão nos Bálcãs, de modo que os russos declararam guerra à Áustria. A Alemanha não podia deixar que uma nação aparentada com ela e que compartilhava sua mais longa fronteira fosse esmagada pela Rússia, de modo que os alemães entraram também na briga. 

Em seguida, os alemães exigiram uma garantia da França de que este país não invadiria a Alemanha, enquanto a Alemanha estivesse ocupada invadindo a Rússia. Queria até mesmo que a França permitisse que as tropas alemãs ocupassem as fortificações-chave francesa na fronteira, de modo que a França não pudesse lhes trazer nenhum problema. A França, é claro, recusou, então a Alemanha declarou guerra a ela também.

Alemanha Versus... França ou Rússia?

Há muito os alemães tinham percebido que a aliança entre a França e a Rússia os colocaria num torno, de modo que o estado-maior geral alemão já elaborara um plano com todos os detalhes, e que ficara arquivado esperando a ocasião de ser posto em prática. Defrontados com uma guerra em duas frentes, os alemães precisavam pôr a nocaute um desses inimigos, de maneira rápida e decisiva. 

Mas qual? A Rússia era grande demais e extensa demais para uma invasão relâmpago, o que tornava a França um alvo mais tentador. Sua capital estava mais perto, pois a distância entre a fronteira alemã e São Petersburgo era duas vezes a distância entre a Alemanha e Paris. Além disso, os exércitos franceses seriam mobilizados muito mais cedo, de modo que a Alemanha precisava agir rápido. Felizmente o grande e lerdo Império Russo levaria algum tempo para se mobilizar, permitindo que a Alemanha fosse para cima da França primeiro. Infelizmente a fronteira da Alemanha com a França era curta, e os alemães nunca encontrariam uma brecha para avançar. Teriam de desbordar as defesas francesas. Isso significava passar pela neutra Bélgica, o que quase certamente enraiveceria os ingleses, mas, se tudo corresse bem, Paris seria conquistada antes que os ingleses conseguissem se mobilizar e cruzar o Canal da Mancha.

Avançando Através da Bélgica

Os alemães avançaram rapidamente através da Bélgica. Para assegurar velocidade às suas tropas, eles eliminaram sem piedade todo foco de resistência que descobriam entre a população belga. Tendo penetrado fundo na Bélgica, o exército alemão virou para a esquerda e entrou avassaladoramente na França, ao longo de uma frente ampla, mas então descobriu que as armas modernas favoreciam a defesa, ainda mais do que os planejadores pré-guerra haviam suspeitado. Metralhadoras abatiam sem piedade os atacantes, e daí essa fase da abertura das campanhas ficou lembrada na história da Alemanha como Kindermord, isto é, o "Massacre dos Inocentes". O exército alemão precisava preencher toda posição cada vez com mais soldados, apenas para compensar os soldados que eram trucidados quando carregavam contra as posições inimigas em campo aberto. Isso significava que os alemães tinham de compactar e encurtar suas linhas ofensivas.

Os franceses estavam descobrindo o lado agradável da contenda. Como as metralhadoras eram tão eficientes em empilhar cadáveres alemães, as linhas defensivas podiam ser esticadas, fincando mais finas e compridas. Quando os elementos da vanguarda alemã atingiram o rio Marne, a pouca distância de Paris, os franceses ká os haviam flanqueado e um contra-ataque os fez parar. 

Enquanto as principais forças dos dois exércitos cavavam trincheiras fora de Paris, os flancos avançaram, procurando contornar os flancos do inimigo, ao mesmo tempo que evitavam que isso acontecesse com eles. Essa corrida para o mar terminou quando não havia mais flanco para ser desbordado. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

I Guerra Mundial - Part II

É mais fácil pensar na Primeira Guerra Mundial como um braco negro ou uma fogueira: uma linha de trincheiras estática cortando a Europa ocidental, devorando, faminta, os recursos de um mundo inteiro. Não foram apenas as nações na linha de frente, isto é, Alemanha, França e Inglaterra, que lançaram seus filhos na fogueira. Jovens foram importados de todo o mundo, da America do Norte, Austrália, Índia, Senegal, par alimentar o monstro.

É claro que essa não é toda a história, e a guerra mundial certamente fez jus a seu nome. A Turquia otomana, que controlava a maior parte do Oriente Médio, entrou na briga para evitar que sua velha inimiga, a Rússia, ganhasse alguma vantagem nos Bálcãs. isso atraiu pequenos exércitos coloniais britânicos que passaram a fustigar as bordas do Império Otomano, tentando romper as linhas de frente e fazer contato com a Rússia. Os britânicos entraram na Palestina vindos do Egito, capturando Jerusalém e, incidentalmente, travando uma batalha em Armagedom, que, se você não sabe, é um lugar real. Um exército da Índia britânica invadiu a Mesopotâmia, mas foi encurralado e sitiado em Kut. Depois de vários meses se alimentando de cavalos, ratos e seus próprios cintos, a guarnição se rendeu aos turcos. 

Campanha de Gallipoli 
(de 25 de abril de 1915 a 9 de janeiro de 1916)

Os esforços mais ambiciosos contra a Turquia começou com um ataque naval britânico entrando diretamente no estreito de Dardanelos para capturar Constantinopla e abrir o acesso aos portos russos do mar negro, em fevereiro de 1915. O plano foi um fracasso desde o início, principalmente porque os britânicos não haviam considerado a possibilidade de que essa via de transporte crucial, penetrando no coração do território inimigo, poderia estar bem guarnecida. Os Aliados então decidiram que precisavam desembarcar um exército completo na península de Gallipoli, e dominar a artilharia costeira turca, mas foram chacinados quanto tentavam ampliar sua cabeça na praia, e mais uma vez chacinados quando subiam as colinas, avançando contra os defensores. Depois de se confrontarem inutilmente com os turcos durante diversos meses, os Aliados desistiram e embarcaram de volta. 

Itália Entra na Guerra

Depois de cerca de um ano de neutralidade, a Itália correu o pires para ver quem oferecia mais, e ficou com os Aliados quanto eles ofereceram aos italianos os Alpes e o litoral do Adriático, que pertencia ao Império Austo- Húngaro. Como grande parte da curta fronteira entre a Itália e a Áustria é formada de montanhas escarpadas, essa frente de combate logo se transformou em outra linha estática que desgastou os exércitos em uma frouxa ofensiva após outras.

A maior parte dos Balcãs foi por fim conquistada pelas Potências Centrais. Séria, Montenegro, Albânia e Romênia foram surradas, saqueadas e ficaram à beira da inanição enquanto os exércitos passavam por cima delas, seguidas pelas forças de ocupação. A Grécia quase se juntou às Potências Centrais, mas um golpe de Estado patrocinado pelos Aliados destronou o rei do país, pró-Alemanha.

Armênia Sobre a Ira da Turquia

Em 1915, uma ofensiva turca contra os russos nas montanhas do Cáucaso fracassou por completo, e eles tinham de pôr a culpa em alguém pela derrota. Quando olharam em volta procurando um bode expiatório conveniente, os generais turcos iram os armênios cristãos vivendo bem ao lado da zona de guerra. Obviamente fora a traição dos armênios que minara o esforço de guerra turco. Mas provas surgiram quando esses súditos cristãos do sultão saudaram o contra-ataque russo como se fosse uma liberação.

Conforme o Império Otomano enfraquecia, os turcos foram ficando cada vez mais paranoicos sobre o nacionalismo entre suas minorias subjugadas, e qualquer atividade suspeita podia ocasionar um avassalador massacre prevenido. Eles haviam matado 200 mil armênios sem qualquer razão em 1894, e depois mataram outros 30 mil em 1905, mas agora decidiram que permitir uma minoria cristã insatisfeita tão perto das linhas de frente era muito perigoso. Tinham de se livrar dos armênios inteiramente, de uma vez por todas, de modo que avançaram e sistematicamente apagaram a presença armênia do Império Otomano. Também erradicaram a comunidade dos assírios, isto é, cristãos siríacos, já que estavam com a mão na massa. 

Armênios que haviam sido convocados para o exército turco foram desarmados e designados para batalhões de trabalho forçado, onde labutavam até a morte. Em abril de 1915, os armênios foram expulsos de Constantinopla. Em junho, 15 mil armênios na cidade de Bitlis foram cercados, levados para o campo e mortos; outros 17 mil foram retirados da cidade de Trebizonda e massacrados em julho. Depois os soldados turcos começaram a esvaziar os vilarejos armênios nas províncias do nordeste e os vilarejos assírios no sul. Os homens eram cercados e fuzilados. As mulheres, crianças e velhos foram levados para o sudoeste e reassentados, embora crianças e moças bonitas fossem às vezes conduzidas para residências turcas, para serem criadas como muçulmanas ou mantidas como empregadas ou esposas. 

Alemanha Versus Grã-Bretanha 

Para quebrar o impasse militar, as potências em guerra puseram pressão sobre as populações civis. Por puro despeito, os alemães fabricaram um gigantesco canhão para despejar granadas aleatoriamente sobre Paris, a 120 quilômetros de distância, matando um total de 259 inermes cidadãos. Também enviaram zepelins para despejar bombas na Inglaterra, matando 550 civis. Nenhuma dessas duas armas chegou nem perto de afetar o resultado da guerra; entretanto, o bloqueio naval alemão conseguiu isso. 

Esperando dobrar os ingleses pela inanição, os submarinos alemães afundavam qualquer navio que surpreendiam aproximando-se das ilhas britânicas. Durante algum tempo, a estratégia quase funcionou devido às novas tecnologias desenvolvidas durante as décadas anteriores. Os submarinos tornaram possível se esgueirar, sem serem percebidos, até uma distância em que pudessem atacar, e os torpedos tornaram possível afundar navios com um único disparo bem colocado. 

Assim como a guerra aérea na Segunda Guerra Mundial, a guerra marítima na Primeira Guerra Mundial existiu em uma zona cinzenta, sombria, de ambiguidade moral. A lei internacional desenvolvera regras complexa de engajamento entre vasos de guerra e embarcações civis. Por exemplo, navios mercantes desarmados tinham de ser parados e revistados, as tripulações, evacuadas, mas colocar armas de defesa em um navio civil o tornava presa de ataque imediato. Tudo isso soava bem na teoria, mas era grandemente impossível de pôr em prática. Os submarinos eram muito inferiores aos navios de superfície no que tange à velocidade, a armamento e a alcance das armas; eram inferiores em tudo, a não ser no fator surpresa. Se fosse à superfície, desafiassem e demorassem a atacar a fim de revistar o navio suspeito de contrabando, eles perderiam sua única vantagem. Portanto, eles precisavam afundar qualquer navio suspeito imediatamente, sempre que surgisse a oportunidade.

Naturalmente, o afundamento indiscriminado de qualquer navio que estivesse se aproximando de águas britânicas mandou muitos passageiros inofensivos para o fundo do oceano. No dia 7 de maio de 1915, o transatlântico Lusitânia, chegando de Nova York, foi afundado perto da irlanda, matando 1.200 passageiros e a tripulação. A revolta entre os americanos neutros foi tão grande que o programa dos submarinos foi interrompido durante algum tempo.

Por fim, os britânicos começaram a organizar comboios, tornando mais difícil para os submarinos inimigos encontrar alvos, porque os navios ficavam reunidos em poucos grupos, em vez de dispersos por todo o Atlântico. Mesmo que um submarino encontrasse um comboio vulnerável, ele não poderia disparar senão uns poucos torpedos antes que os navios de superfície, mais rápidos, se pusessem fora do alcance. O que é mais importante, os alemães superestimaram até onde os britânicos dependiam das importações. Conforme o comércio oceânico ficou mais arriscado, os britânicos acrescentaram mais terras para cultivo em seu próprio território, para compensar o déficit.

O bloqueio britânico aos portos alemães foi feito principalmente com campos de minas e navios de patrulha de superfície. Como essa medida geralmente obedecia às leis marítimas, houve menos reclamações internacionais, mas, no plano mais geral, ela foi muito eficaz. A posição da Alemanha em relação ao mar do Norte oferecia alguns pontos de estrangulamento favoráveis aos britânicos, que foram mais eficazes em produzir uma escassez de alimentos. 

As potências beligerantes fizeram tudo que foi possível para minar a estabilidade de seus oponentes. Quando o governo russo começou a balançar em 1917, os alemães despacharam o líder comunista Lênin, então exilado na Suíça, de volta à Rússia, apenas para que ele causasse perturbação. Como disse Churchill: "Eles levaram Lênin num trem lacrado, como se fosse um bacili da peste, da Suíça à Rússia." Os alemães também apoiaram os rebeldes irlandeses, desencadeando a Rebelião da Páscoa, em 1916. Entre os súditos britânicos surpreendidos cooperando com os alemães em prol da causa da liberdade da Irlanda, estava Roger Casement, herói do Congo, que foi enforcado por traição.