quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Revolta da Páscoa

A Revolta da Páscoa foi uma rebelião na Irlanda durante a Semana Santa, em 1916. A revolta foi uma tentativa por parte de militantes republicanos irlandeses para ganhar a independência em relação ao Reino Unido. Foi a mais importante revolta na Irlanda desde a rebelião de 1798.

Organizada pela Irmandade Republicana Irlandesa, a Revolta decorreu entre a Segunda-feira de Páscoa, 24 de abril a 30 de abril de 1916. Os membros dos Voluntários Irlandeses, liderados pelo professor e advogado Patrick Pearse, juntou-os ao Exército Civil Irlandês de James Connolly, junto com 200 membros da Cumann na mBan, que ficaram em locais-chave de Dublin e proclamaram uma República da Irlanda independente da Grã-Bretanha. Houve algumas ações em outras partes da Irlanda, mas, exceto para o ataque ao quartel RIC em Ashbourne, no Condado de Meath, eram menores.

A Revolta foi suprimida após seis dias de combates, e os seus líderes foram condenados num tribunal marcial e executados, mas ele conseguiram trazer a força física do republicanismo de volta à vanguarda da política irlandesa. Nas Eleições Gerais de 1918, a última eleição realizada em toda a ilha da Irlanda para o Parlamento britânico, os republicanos ganharam 73 cadeiras das 105, numa política de abstenção a partir de Westminster e da independência irlandesa. Esta foi conseguida dois anos após a Revolta. Em janeiro de 1919, os membros eleitos do Sinn Féin que não tinham ido para a prisão na época, incluindo sobreviventes da Revolta, convocaram o Primeiro Dáil e criaram aRepública da Irlanda. O Governo britânico recusou-se a aceitar a legitimidade da recém-declarada nação, levando à Guerra de Independência da Irlanda.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

I Guerra Mundial - Part III

Depois de três miseráveis anos de guerra, as tropas francesas que se dirigiam para a batalha às vezes gemiam como carneiros quando passavam por um grupo de generais. Eles sabiam que estavam sendo enviados para o matadouro. Em maio de 1917, depois que outra destinada ofensiva matou e feriu 100 mil franceses, os soldados se recusaram a avançar. Dezenas de milhares de soldados desertaram, e metade do exército, isto é, 54 divisões recusou-se a receber quaisquer ordens posteriores vindas do alto escalão.

O motim francês foi resolvido por uma combinação de execuções e reformas. Os líderes comuns foram mandados de volta para casa durante algum tempo. Por fim, o alto-comando conseguiu restaurar a confiança do exército com ofensivas menores, que garantiram um sucesso limitado, em vez de lançar os avanços colossais, sangrentos com os quais haviam se acostumado.

Itália é Eliminada do Jogo

Durante anos a frente italiana presenciara nada mais do que uma inútil batalha após outra ao longo do rio Isonzo; foram quatro em 1915, cinco em 1916 e três em 1917. Na 12ª Batalha de Isonzo, que começou em outubro de 1917, as forças austro-germânicas finalmente conseguiram romper as linhas italianas, fazendo fugir os defensores em pânico e tomando um grande número de prisioneiros. No período de um mês, foram capturados 280 mil italianos; 350 mil desertaram. Mesmo que depois a frente se estabilizasse, os italianos perderam 96 quilômetros de seu território, e o exército italiano não representou mais nada no restante da guerra.

Rússia Também em Apuros

Entretanto a situação na Rússia era pior. Os russos já haviam perdido 1 milhão de soldados travando batalha após batalha, sempre derrotados, e haviam mandado de volta para a retaguarda muito mais feridos. As finanças do governo estavam arrasadas e o alimento não chegava às cidades. Uma série de motins e rebeliões derrubou o czar em março de 1917, e a nação desmoronou numa selvagem guerra civil. As tropas alemãs ocuparam grandes parcelas de país e começaram a despachar alimentos e suprimentos para a Alemanha.

Com a queda da Rússia, os alemães levaram suas divisões de combate para o oeste, aumentando seus efetivos o bastante para retomar a ofensiva, com o uso de táticas de infiltração recentemente desenvolvidas. Vagarosa, sangrenta, mas eficientemente, uma renovada ofensiva alemã empurrou as linhas aliadas na direção de Paris. Conforme decorriam as semanas, entretanto, os Aliados aprenderam a se defender das táticas inimigas, e a ofensiva alemã fracassou no momento em que tropas frescas dos Estados Unidos lançavam um contra-ataque

Estados Unidos Entra na Guerra

Durante anos os Estados Unidos vinham tentando se manter ao largo da insanidade europeia. Laços econômicos ligavam os Estados Unidos a ambos os lados. A ancestralidade histórica geral aproximava o país da Grã-Bretanha, mas um substancial fluxo de imigração alemã e irlandesa, de antes da guerra, fez diminuir aquele sentimento; entretanto, os repetidos ataques alemães contra navios mercantes civis enfureceram a opinião pública americana. 

Felizmente para a Alemanha, a guerra na Europa não era a única sendo travada no momento. A revolução Mexicana estava em plena efervescência, e as tropas americanas haviam acabado de voltar para casa depois de caçarem Pancho Villa até bem no interior do México. Os alemães ofereceram uma aliança secreta com o governo mexicano, esperando manter os americanos ocupados em seu próprio hemisfério, mas, quando a oferta veio a público, os americanos, enraivecidos, declararam guerra à Alemanha, em abril de 1917. 

Os americanos levaram quase um ano para mobilizar todo o seu potencial, não participando de uma ação bélica de importância senão em março de 1918, mas o influxo constante de 2 milhões de tropas frescas mostraram ser mais do que a Alemanha poderia aguentar. Os alemães foram recuando paulatinamente em face aos renovados ataques dos Aliados. Com as linhas alemãs empurradas inexoravelmente para trás, Berlim entrou em pânico. Assomava no horizonte a conquista da cidade. Esperar que o exército fosse totalmente destruído deixaria o país sem poder de barganha. Em outubro, o governo começou a explorar a possibilidade de um cessar-fogo. 

A Guerra dos Gigantes Termina

Enquanto os telegramas iam e vinham, os aliados dos alemães abandonavam a causa. Uma inesperada ofensiva aliada partindo da Grécia avançou avassaladoramente sobe os Balcãs. A Bulgária, a Turquia e o Império Austro-Húngaro jogaram a toalha em setembro, outubro e novembro, respectivamente. Os austríacos chegaram até mesmo a derrubar seu imperador, enquanto estavam com a mão na massa. Enquanto os alemães retardavam sua decisão, os Aliados tornaram claro que o imperador alemão tinha de abdicar antes de qualquer cessar-fogo entrasse em vigor. O kaiser Guilherme abdicou no dia 9 de novembro, e, dois dias mais tarde, cessaram os combates.

Mais ou menos. "A Guerra dos Gigantes terminou", declarou Churchill. "Começaram as brigas dos pigmeus". No rescaldo da guerra, as brasas continuavam a queimar. A Rússia estava sendo arruinada pela guerra civil. A Finlândia também tinha sua guerra interna. A Hungria e a Romênia travavam uma nova guerra, disputando por onde passaria sua fronteira comum, da mesma forma que a Rússia e a Polônia. A Grécia e a Turquia também brigavam por causa da fronteira comum, enquanto os dois regimes rivais, na Turquia, brigavam para ver se o país permanecia uma monarquia ou se tornava uma república. Em 1919, as potências beligerantes se reuniram nos tranquilos arredores de Paris para negociar os detalhes exatos dos tratados de paz, mas a paz duraria apenas o bastante para que as nações rivais produzissem uma nova geração de soldados. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Guerra Civil Russa - Prelúdio

A guerra civil russa foi um conflito armado que eclodiu em abril de 1918 e terminou em 1921. Durante este período, exércitos e milícias de diversos matizes políticos se enfrentaram com o objetivo de implantar o seu próprio sistema. As partes em conflito incluiram ex-generais czaristas, republicanos liberais (os Cadetes), o Exército Vermelho (bolchevique), milícias anarquistas (o Exército Insurgente Makhnovista) e tropas de ocupação estrangeiras. O Exército Vermelho foi o único vencedor do conflito, após o qual foi criado o Estado Soviético, sob liderança dos bolcheviques

A Queda da Dinastia Romanov

A Primeira Gerra Mundial foi uma confusão tão monumental para todo mundo que se envolveu nela que muitos participantes saíram do conflito com seus governos tão fragmentados a ponto de não poderem se reerguer. O primeiro grande país a desmoronar sob a violenta tensão foi a Rússia. A escassez de alimentos e as greves desintegraram a vida urbana. Falhas no suprimento e uma estratégia estúpida despedaçaram o exército. Conforme continuavam os anos de contínua carnificina, milhares de soldados russos simplesmente desistiram da luta e voltaram para casa, carregando suas armas para o caso de alguém tentar detê-los. 

A Revolução de Fevereiro, que realmente ocorreu em março de 1917, começou quando protestos na capital, Petrogrado, se tornaram violentos. Os soldados enviados para acabar com a greve, em vez de cumprir ordens, se juntaram ao movimento.

O Czar Nicolau estava num trem, viajando velozmente para Petrogrado, a fim de impor sua autoridade, quando ficou óbvio que os acontecimentos o haviam atropelado. Ainda fora da cidade, ele abdicou formalmente. A coroa foi oferecida a parentes, mas ninguém mais da família Romanov quis herdar aquele ninho de vespas em que a Rússia se transformara. No momento o Parlamento ficou no comando, embora o grupo de trabalhadores locais, os Soviete de Petrogrado, controlasse a maioria dos trabalhadores, tornando-se a facção mais vociferante da capital. 

Lênin e os Bolcheviques


Lênin
Em 1903, um cisma dividira os socialistas russos entre uma minoria moderada e uma maioria radical. Os radicais são, daí em diante, conhecidos para a história como bolcheviques, da palavra russa para "maioria", enquanto os moderados ficaram conhecidos como mencheviques, da palavra "minoria".

O líder dos bolcheviques era um intelectual veemente, destituído de humor, amante do trabalho, que nascera com o nome de Vladimir Ulanov, mas que há muito tinha o apelido de Lênin. Exilado da Rússia por atividades revolucionárias, ele vinha, há muitos anos, pulando de país em pais na Europa ocidental. Ao irromper a Primeira Guerra Mundial, os partidos socialistas por toda a Europa haviam se alinhado com diversos governos nacionais em apoio à guerra, em vez de se unirem independentemente das fronteiras nacionais para forçar um fim àquela loucura. Lênin criticou-os acerbamente por seu patriotismo vacilante, e logo tornou-se figura indispensável por todo o continente, até que encontrou um refúgio seguro na neutra Suíça.

Depois da Revolução de Fevereiro, os prisioneiros políticos e exilados do regime do czar viram-se bem recebidos em sua pátria. Os alemães permitiram que Lênin e seus seguidores atravessassem a Alemanha até o mar Báltico, de onde ele retornou a Petrogrado via a neutra Suécia. Lênin começou imediatamente a agitar o ambiente, em prol de uma agenda radical, e tirar a Rússia daquela guerra sem sentido era a primeira opção. Conforme a frente de batalha russa continuava a se deteriorar, os bolqueviques, sob a liderança de Lênin, ganhava mais seguidores e mais poder. Finalmente assumiram o controle do governo com a Revolução de Outubro, na realidade em novembro de 1917. Durante os meses que se seguiram, os bolcheviques consolidaram seu controle sobre o governo e depois deslocaram a capital para Moscou, muito mais no interior do país, a fim de evitar os exércitos alemães e as multidões descontroladas que punham o governo em perigo em Petrogrado. 

Em dezembro, Lênin acertou um cessar-fogo com a Alemanha e começou a negociar os termos do armistício. Finalmente, pelo tratado de Brest-Litovsk, assinado em março de 1918, a União Soviética aceitava a derrota e abria mão das províncias do Báltico, da Ucrânia e da Bielorrússia, para a ocupação alemã.

domingo, 11 de agosto de 2013

Guerra Civil Russa - Part I

A maioria dos livros de história para aqui, e segue aceleradamente pelos anos seguintes da história da Rússia. Por essa época, tudo que afetaria o restante do século XX já acontecera. A Rússia se tornara um país comunista e estava fora da guerra. Na visão maior da história, isso era tudo que interessava. O resto não tinha importância e era deprimente, de modo que vamos direto ao que interessa.

Nem todo mundo estava querendo seguir adiante e aceitar o jogo de poder dos bolcheviques. As outras facções do governo russo fugiram de Petrogrado depois da Revolução de Outubro e começaram a reunir tropas nas províncias. Os países capitalistas do Ocidente não estavam obviamente dispostos a acolher de bo grado na comunidade das nações o primeiro governo comunista da história. As minorias étnicas do Império Russo queriam tirar vantagem do caos, para se apresentar como novas nações. A coisa ia ferver.

* O desenrolar dos acontecimentos da guerra civil pode ser reduzido a uns poucos marcos simples, cada um espaçado de um ano, mais ou menos.

* De novembro de 1917 a novembro de 1918, os alemães dominaram e os bolcheviques ficaram subservientes.

* De novembro de 1918 a novembro de 1919, os alemães já estavam derrotados e os bolcheviques estavam na defensiva contra os anti-bolcheviques.

* De novembro de 1919 a novembro de 1920, os bolcheviques estavam na ofensiva contra os anti-bolcheviques.

* Depois de novembro de 1920, os anti-bolcheviques já haviam sido derrotados e os bolcheviques consolidaram o poder.

O mapa da Guerra Civil Russa é, ao mesmo tempo, simples e complexo. A parte simples é que os comunistas, isto é, os Vermelhos, tinham o controle do centro, e estavam sendo atacados de todos os lados por forças hostis, geralmente conhecidas como os Brancos. A parte complexa é que, quase de cada uma daquelas direções, eles eram atacados por uma força hostil completamente diferente. Não eram apenas os Brancos, russos propriamente ditos, mas também alemães, poloneses, cossacos, britânicos, americanos e japoneses. 

Um Pequeno Resumo


Aproveitando-se do verdadeiro caos em que o país se encontrava, as nações aliadas da Primeira Guerra Mundial resolveram intervir a favor dos Brancos (tzaristas e liberais). Tropas inglesas, francesas, americanas e japonesas desembarcaram tanto nas regiões ocidentais (Crimeia e Geórgia) como nas orientais (ocupação de Vladivostok e da Sibéria Oriental). Seus objetivos eram: derrubar o governo bolchevique (que era pela paz com a Alemanha) e instaurar um regime favorável à continuação da Rússia na guerra; mas talvez seu objetivo maior fosse evitar a propagação dos ideais comunistas pela Europa Ocidental - daí a expressão utilizada por Georges Clemenceau, primeiro-ministro da França - de "cordon sanitaire".

No terreno econômico, devido à situação de emergência e pelo próprio ímpeto revolucionário, o partido bolchevique instituiu o "comunismo de guerra". O dinheiro e as leis do mercado foram abolidas, sendo substituídos por uma economia dirigida baseada na tributação em gênero sobre cereais produzidos pelos camponeses. Uma das consequências negativas destas medidas foi desencorajarem o plantio, por levarem os camponeses a sentir que bastaria produzir para sustento de suas famílias, o que resultou em os centros urbanos ficarem sem alimentos, provocando um êxodo das cidades para o campo - Petrogrado (atual São Petersburgo) e Moscou viram sua população reduzir-se pela metade. Estes factores terão contribuído, na conjuntura da guerra civil e das intervenções estrangeiras, para a fome de 1921 - uma das maiores mortalidades na Rússia moderna, em que pereceram milhões.

Cossacos (Sudeste)

Quase desde o começo, os cossacos do Don recusaram-se a reconhecer a autoridade dos bolcheviques, e firmaram sua independência pela força das armas em julho de 1918, data essa que é geralmente considerada o início oficial da Guerra Civil Russa. Os vermelhos tentaram impor sua autoridade durante os primeiros meses de 1919, varrendo o território cossaco e sistematicamente executando cerca de 13 mil contra-revolucionários. Um novo levante cossaco contra esse terror ajudou a ofensiva do vizinho Exército Branco, sob o comando do general Anton Denikin.

Alemães (Sudoeste)

A ocupação alemã não atingiu o interior étnico profundo da Rússia, mas os alemães se apoderaram de quase todas as terras europeias habitadas por não russos, que se tornariam repúblicas independentes em 1991. A Alemanha começou a organizar esses territórios como Estados Vassalos, mas o armistício geral, em novembro de 1918, levou a uma apressada retirada. A maior parte dos territórios tentou, então, firmar sua existência independente. Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia conseguiram isso. Os ucranianos e os povos das montanhas do Cáucaso não conseguiram.

Brancos (Noroeste)

Depois que a Alemanha se retirou da Rússia, os general Nikolai Yudenich comandou um pequeno exército de Brancos, partindo da Estônia, na direção de Petrogrado, em outubro de 1919. Durante algumas semanas esse deslocamento significou uma ponta de lança mortal apontada para o regime vacilante dos bolcheviques, mas os invasores foram repelidos mais ou menos na mesma época em que as ofensivas dos Brancos em outros lugares entravam em colapso.

Aliados (Norte)

Em julho de 1918, uns poucos milhares de soldados britânicos e americanos começaram a chegar aos portos subárticos de Archangel e Murmansk para guardar os estoques de material de guerra Aliado e evitar que caíssem nas mãos dos alemães ou dos bolcheviques. Conforme a Rússia ficava mais caótica, essa força cresceu em efetivo. Como cada país do Ocidente queria ganhar um assento na eventual conferência de paz, e talvez conseguir valiosas concessões comerciais e colônias dentro da nova Rússia, todos os outros Aliados, australianos, franceses, canadenses, italianos, sérvios e assim por diante, enviaram perímetros defensivos em torno dos portos, os Aliados se viram travando combates esporádicos, mas às claras, com os bolcheviques, embora de maneira relutante. Ninguém esperava seriamente que essas forças Aliadas afetassem o resultado da guerra civil, de modo que quando, depois de alguns anos, ficou claro o caminho que a Rússia estava tomando, os Aliados abandonaram finalmente aqueles portos do norte da Russia.

A batalha contra os bolcheviques matou 304 americanos, mais do que o dobro do número de americanos mortos em combate durante a Guerra do Golfo, em 1991, mas os americanos não gostam de falar desse assunto, provavelmente porque perderam, mas também porque a intervenção pareceu justificar a paranoia russa durante a Guerra Civil. Você nunca vê a Guerra Civil Russa na relação oficial das guerras americanas. 

Brancos (Leste)

Provavelmente a legenda que mais nos confunde em qualquer mapa da Guera Civil Russa é o aparecimento de um exército tcheco sob o comando de um almirante russo no meio da Sibéria, a milhares de quilômetros, tanto de Praga quando dos oceanos navegáveis.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os Aliados haviam organizados 60 mil prisioneiros e desertores eslavos do exército austro-húngaro para lutar na frente russa no âmbito da Legião Tcheca, para ajudar a libertar a Boêmia do domínio do Império Austro-Húngaro. Mas, depois de caírem fora da guerra, os bolcheviques não precisavam mais deles e a Legião Tcheca foi enviada para fazer contato com os Aliados em algum outro lugar. O plano dos tchecos era retornar à guerra fazendo um rodeio, pela ferrovia transiberiana, a qual se estendia até o oceano Pacífico e era a única via de transporte que realmente os alemães não bloqueavam.

Numa determinada estação da ferrovia, os soviéticos locais tentaram desarmar os tchecos, mas isso só os tornou mais enraivecidos. Eles inverteram a marcha e foram abrindo caminho pelo interior do país, ao longo da ferrovia. Finalmente transformaram-se na espinha dorsal das forças dos Brancos do Leste.

O almirante nos mapas da Sibéria era Alexandre Kolchak, ex-comandante da frota russa no mar Negro, que se demitira em junho de 1917, antes que os bolcheviques assumissem o poder. Durante algum tempo ele perambulou pelas comunidades de emigrantes russos, e finalmente terminou organizando forças anti-bolcheviques na Manchúria. Deslocou-se então por terra para Omsk onde se tornou ministro da Guerra do governo conservador da Rússia.

Em novembro de 1918, o almirante Kolchak apoderou-se de Omsk por meio de um golpe de Estado. Durante o ano seguinte, ele foi considerado internacionalmente como o governante oficial do Estado; entretanto, depois que sua ofensiva contra os bolcheviques fracassou, em novembro de 1919, ele abandonou Omsk. Em janeiro de 1920, os Brancos retiraram-se para Irkutsk, pela ferrovia transiberiana, onde ficaram encurralados quando o governo mudou de mãos. A Legião Tcheca entregou o almirante às novas autoridades em troca de salvo-conduto para seu país de origem, e os Vermelhos o fuzilaram e jogaram o corpo no rio mais próximo.

sábado, 10 de agosto de 2013

Guerra Civil Russa - Part II

Aliados (Extremo Oriente)

Outra força expedicionária constituída de franceses, britânicos e americanos ocupou o porto de Vladivostok, no oceano Pacífico, e a zona do interior próxima, da Sibéria. As primeiras unidade de engenheiros haviam chegado durante a Primeira Guerra Mundial para ajudar na operação da ferrovia transiberiana, e mais técnicos chegaram depois. Setenta mil soldados japoneses também foram ajudar. O Japão vinha tentando conquistar o litoral do Pacífico durante a primeira metade do século XX. Já havia se apoderado da Coreia de de Taiwan, e logo invadiram a China. Nesse ínterim, eles se aproveitaram do caos para invadir a Sibéria. Finalmente tiveram de abandonar essa cabeça de ponte em 1922, um ano depois de os outros Aliados terem se retirado.

Komuch (Sudeste)

Durante algum tempo, a cidade de Samara foi sede de um governo socialista chamado Komuch, que é, de forma condensada, a palavra russa para "comitê de alguma coisa" que começa com uch. O Komuch reuniu um número apreciável de refugiados do Parlamento de Petrogrado e então se intitulou o governo legítimo de toda a Rússia. Embora dominasse quase toda a bacia do rio Volga, o órgão era moderado demais para incendiar o apoio das massas. Depois de os bolcheviques eliminaram esse governo em Samara, o Governo Provisório da Sibéria Autônoma, em Omsk, acolheu os remanescentes que se retiraram.

Turquestão (extremo sudeste)

As terras da Ásia central do Império Russo tiveram sua própria gerra civil durante alguns meses no final de 1917 e início de 1918, quando nacionalistas muçulmanos e comunistas disputaram que rumo a nação tomaria para fugir do passado imperial russo. Quando os Vermelhos surgiram vitoriosos da contenda, os Brancos e as forças aliadas atacaram a partir do Irã, sem sucesso. Um Estado comunista independente foi estabelecido em Bukhara, até que foi absolvido de volta pela Rússia.

Negros (sul)

Como se a metafórica anarquia que despedaçava a Rússia não fosse bastante, uma nova facção tentou estabelecer uma sociedade verdadeiramente anarquista, um Estado sem Estado, de absoluta igualdade entre os camponeses do centro-leste da Ucrânia. Entre o outono de 1918 e o verão de 1919, o chamado Exército Negro, dos anarquistas, sob o comando de Nestor Makhno, separou seu Território Livre do restante da Ucrânia.

Forçados a escolher o lado, os Negros por fim decidiram pelos Vermelhos, contra os Brancos, mas assim que estes foram postos de lado, os Vermelhos se voltaram contra os Negros. Felizmente, os agentes anarquistas interceptaram as ordens secretas vindas de Moscou, e avisado com antecedência, Makhno fugiu para o Ocidente.

Verde (Sul)

Os camponeses ucranianos, aborrecidos tanto com os Brancos, dos quais faziam parte inúmeros antigos proprietários de terras, como com os Vermelhos, que estavam fuzilando padres e confiscando propriedades, formaram o Exército Verde, sob o comando de um cossaco chamado Nikifor Grigoriev. Depois de terem passado cerca de um ano combatendo tanto os Vermelhos quanto os Brancos, os Verdes foram empurrados para o território dos Negros. Os anarquistas capturaram Grigoriev, que foi executado pessoalmente pela esposa de Makhno.

Brancos (Sul)

Os generais Lavr Kornilov e Anton Denikin, os dois principais comandantes da frente russa, foram presos em agosto de 197 por conspirarem para tomar o poder em Petrogrado. Entretanto, depois que os bolcheviques assumiram o governo, os generais escaparam e fugiram para o sul da Rússia, a fim de organizar o Exército Branco. Quando Kornilov foi morto, em abril de 1918, Denikin assumiu o comando.

De maio a outubro de 1919, Denikin esteve na ofensiva, mas a vitóriaVermelha em Orel o fez recuar, deixando desertores por todo o caminho. Em março de 1920, os remanescentes de seu exército foram encurralados na Crimeia, de modo que, em abril, Denikin passou o comando de seu exército para Oyotr Wrangel e fugiu para a França. Finalmente, admitindo a derrota, Wrangel e os últimos Brancos se retiraram atabalhoadamente da Crimeia, em novembro de 1920, a bordo de navios franceses e britânicos.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Gerra Civil Russa - Part III

Pogroms (Sul)

À parte a ideologia, a maioria dos russos na época odiava os judeus, de modo que os exércitos dos Brancos, Vermelhos, Verdes e Negros maltratavam os membros daquela etnia sempre que os encontravam. A perseguição era pior na Ucrânia. Circulavam boatos amplamente entre os Brancos de que a revolução bolchevista era, no cerne, um complô dos judeus, de modo que, durante todo o ano de 1919, Brancos, cossacos e nacionalistas ucranianos destruíram perto de quinhentas comunidades judaicas que encontraram em seu caminho. Entre 60 mil e 150 mil foram fuzilados, queimados vivos, afogados, espancados até a morte ou despedaçados em um massacre após outro, no mais letal surto de antissemitismo que ocorreu desde a revolução de Bar Kokhba (Guerras romano-judaicas) e o Holocausto (II Guerra Mundial).

Poloneses (Oeste)

Depois do colapso dos exércitos dos Brancos na Ucrânia, os poloneses avançaram para ocupar aquele território. Capturaram Kiev, em maio de 1920, mas a contraofensiva bolchevista rapidamente os fez recuar. Durante algum tempo parecia que a Polônia ia ser absorvida de nvo pelo Império Russo, mas a contraofensiva foi finalmente bloqueada nos arredores de Varsóvia em agosto de 1920. Os poloneses consideram esse confronto, essa batalha nos portões de Varsóvia, como um dos mais importantes marcos da história moderna. Se não fosse pelo valor do exército polonês, as hordas comunistas teriam entrado avassaladoramente por toda a Europa. Outro modo de descrever esses acontecimentos é considerar que o Exército Vermelho já estava tão desgastados que até mesmo os poloneses conseguiram derrotá-lo.

Seja como for, o contra-ataque polonês expulsou por completo os Vermelhos da Polônia, e avançou até meio caminho de Kiev, antes de serem barrados novamente pelos russos. Foi aí que ficou delineada a nova fronteira entre os dois países, colocando uns poucos milhões de ucranianos e bielorrussos na situação difícil de minorias num país estrangeiro, a Polônia. 

Vermelhos (Centro)

Defrontando com uma nação que desmoronava, a resposta de Lênin para todos os seus problemas era fuzilar alguém. Em janeiro de 1918 ele ordenou "o fuzilamento imediato de um em cada dez acusados de corpo mole no trabalho". Mais tarde decretou "a prisão e fuzilamento de todo mudo que aceitasse suborno, trapaceiros, etc."

Para nossos propósitos, o mais importante acontecimento desse capítulo. tomado individualmente, aconteceu em dezembro de 1917, logo depois que os bolcheviques assumiram o poder, quando Lênin organizou uma comissão dentro do Ministério do Interior para combater e as atividades contrarrevolucionárias. As nove palavras completas do nove oficial dessa comissão são muito difíceis de pronunciar, escrever e até mesmo lembrar, de modo que na maior parte do tempo o nome foi desbastado para o inócuo Comissão Extraordinária e mais comumente reduzido ainda mais para suas duas iniciais em russo: Che Ka.

O nome da organização mudaria ao longo dos anos, mas o terror que ela instaurou permaneceria constante. Registros que sobreviveram mostram que a Cheka executou quase 13 mil contrarrevolucionários do decurso da guerra civil, e essas são apenas mortes que podemos comprovar. Eles fuzilaram muito mais espontaneamente, sem deixar qualquer registro escrito. 

Revolução Russa

A Revolução Russa levou a uma das maiores redistribuição de riqueza jamais vista, mas, na maior parte, os comunistas não foram de porta em porta desapropriando casas, Eles simplesmente se recusaram a fazer cumprir as leis da propriedade, quando as pessoas se recuraram a fazer cumprir as leis da propriedade, quando as pessoas comuns roubavam dos ricos. Os camponeses lavravam a terra onde queriam, sabendo que o governo não os expulsaria. Os trabalhadores assumiram o controle das fábricas, e a política não os escorraçava de lá. As pessoas se apossavam do gado ou se mudavam para imóveis abandonados, e não havia nada que os proprietários pudessem fazer a respeito. Qualquer um que levantasse objeções era linchado pela multidão ou simplesmente executado pela Cheka.

Terminada a Primeira Guerra Mundial, as repúblicas soviéticas também se instalaram na Bavária e na Hungria, e por um breve momento Lênin teve a esperança, e o resto do mundo teve o temor, de que isso levaria a uma onda cataclísmica de revoluções por todo o mundo. Então o governo da Bavária desintegrou-se em maio de 1919 e o da Hungria em agosto do mesmo ano, e a epidemia do marxismo ficou confinada à Rússia.

Quando clareou a fumaça, cinco novos países em torno no litoral do mar Báltico haviam conseguido firmar independência às custas de uma Rússia enfraquecida. Em outros lugares, as tropas bolcheviques avançaram para absorver as outras pequenas repúblicas, que haviam se libertado do domínio anterior do czar. Em dezembro de 1922, todos os governos locais comunistas que tinham raízes  por todo o velho Império Russo foram oficialmente reunidos na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ou a URSS.

O Legado

Uma geração atrás a Revolução Russa se destacava como o mais importante acontecimento político do século XX. Todos os outros grandes ditadores haviam caído. As duas guerras mundiais tinham terminado e perdiam importância. As guerras mais recentes na história haviam sido longas e inúteis, mas a União Soviética ainda se alçava sobranceira e inexoravelmente sobre todo o século, ameaçando, lutando, crescendo e evoluindo. A convulsão que fizera nascer a URSS era o acontecimento central da história moderna.

Hoje, a Revolução Russa é um curso eletivo da história antiga. É um exemplo excelente de como as mudanças no presente ecoam para trás e mudam o passado. Com o desaparecimento da União Soviética, todo o vaivém de bolcheviques, mencheviques, Vermelhos e Brancos se tornou coisa insignificante.

Por outro lado, um acontecimento de menor importância que era grandemente ignorado nas aulas de história quando eu estava na escola tem assumido maior importância. A decisão de 1922 de organizar o ex-Império Russo em uma federação de repúblicas étnicas teoricamente autônomas costumava ser encarada como enfeite de vitrina. Ninguém acreditava seriamente que aquelas "repúblicas" eram mais do que meras províncias do Império Russo, de modo que seus nomes e fronteiras não interessavam. Nós sempre chamávamos os cidadãos da URSS de "russos", raramente de "soviéticos". Todo mundo sabia quem realmente comandava o show.

depois, em 1991, aquelas "repúblicas" declararam sua independência, e de repente ficou sendo importante se a Crimeia fazia parte da república da Rússia ou da Ucrânia, ou se a pátria dos chechenos, bielorrussos e tártaros tinha o status de uma república plena, ou como muitos armênios viviam dentro da fronteira do Azerbaijão. Quinze países surgiram da União Soviética, e o seu esfacelamento poderia ter sido muito mais complicado sem essas convenientes linhas pontilhadas ao longo das quais passavam as fonteiras. Mesmo assim, cinco pequenas guerras irromperam, porque alguém não gosto do modo como as fronteiras da ex-União Soviética foram traçadas. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Guerra Civil Chinesa

Guerra Civil Chinesa (1927–1937; 1946–1949) é o nome dado a uma série de conflitos entre forças chinesas nacionalistas e comunistas. Sua localização temporal é discutível, e de modo geral refere-se à Guerra Civil Chinesa apenas como a fase final ocorrida após o término da Segunda Guerra Mundial; no entanto o conflito remonta ao fim da dinastia Qing, em 1911.

As hostilidades irromperam em 1927, durante a expedição de Chiang Kai-shek ao norte, com o expurgo de anti-esquerdistas do Kuomintang ("Partido Nacional do Povo", nacionalista, fundado pelo médico Sun Yat-sen) e uma série de levantes comunistas urbanos fracassados. O poder comunista foi então melhor estabelecido na área rural, e seus defensores utilizavam táticas de guerrilha para neutralizar a força nacionalista, que era superior. Após uma campanha de três anos, Chiang finalmente conseguiu destruir os sovietes Jiangxi (bases rurais comunistas) criados por Mao Tsé-Tung, mas após a Grande Marcha (1934-1935), os comunistas conseguiram reinstalar-se em Yan'an, no norte do país.

A Grande Marcha

Em outubro de 1934, todos os comunistas fisicamente capazes, em número de 100 mil, iniciaram uma longa e lendária retirada para uma base de operações mais segura, bem para o norte e o oeste. Os comunistas abandonaram os fracos, os doentes e os feridos, entre eles o irmão mais moço de Mao, que estava com febre, e que subsequentemente foi morto pelo Kuomintang. Também foi abandonado o filho de Mao, ainda criança de sua terceira esposa, que se extraviou e simplesmente desapareceu na massa de crianças anônimas, desenraizadas, que a guerra jogava de cá para lá. Os Vermelhos conseguiram escapar do cerco do Kuomintang e foram recuando a duras penas, tendo por fim cruzado 18 cadeias de montanhas, 24 rios e 9.600 quilômetros num ano. Apenas 8 mil chegaram a seu novo santuário, numa alça poeirenta e montanhosa do rio Amarelo, em outubro de 1935.

A importância da Grande Marcha não é que ela tenha salvado o comunismo na China, pois havia muito mais Vermelhos no local de onde ela partiu. Mais importante é que ela filtrou as fileiras com uma forte seleção natural. Fracassos e erros nos primeiros meses deram origem a uma luta pelo poder entre os líderes dos vários ramos e facções. Quando a retirada começou, Mao Tsé-tung era um dos 12 líderes mais proeminentes, mas ele não era membro do comitê que governava a marcha. No final ele emergiu como o líder inquestionável do partido. Apenas os mais indestrutíveis, duros de coração e dedicados revolucionários sobreviveram à Grande Marcha, e esses homens formaram o núcleo em torno do qual o movimento cresceria novamente. Com essa gente no comando, não haveria meias medidas e concessões.

Pequena Trégua

Os confrontos entre os dois lados reduziram-se com a invasão japonesa de 1937, e, até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, uma difícil trégua foi mantida, enquanto se lutava contra um inimigo comum. A violência interna irrompeu logo após o final da guerra, ressurgindo em uma base muito maior em abril de 1946 - depois de o general norte-americano George Marshall ter fracassado em conseguir um acordo estável.

Durante o primeiro ano do conflito, as tropas nacionalistas obtiveram ganhos territoriais, incluindo a capital comunista de Yan'an. Entretanto, logo em seguida, o moral do Kuomitang começou a desmoronar face às bem-sucedidas operações militares dos comunistas, diminuindo a confiança em sua administração, e no final de 1947 uma vitoriosa contra-ofensiva comunista estava a caminho. Em novembro de 1948, Lin Piao completou a conquista da Manchúria, onde os nacionalistas perderam meio milhão de homens, muitos dos quais desertaram para o lado comunista. Na China Central, os nacionalistas perderam Xandong e em janeiro de 1949 foram derrotados na batalha de Huai-Huai (perto de Xuzhou). Pequim caiu em janeiro, e Nanjing e Xangai em abril. A República Popular da China foi proclamada (1 de outubro de 1949) e a vitória comunista completou-se quando o governo nacionalista fugiu de Chongqing para Taiwan, em dezembro daquele ano.