domingo, 20 de janeiro de 2013

Batalha de Áccio

A Batalha de Áccio (ou Ácio – em latim, Actium) teve lugar em 2 de setembro de 31 a.C., perto de Áccio na Grécia, durante a guerra civil romana entre Marco António e Otaviano (depois conhecido como imperador Augusto). A frota de Otaviano era comandada por Marco Vipsânio Agripa e a de António apoiada pelos barcos de guerra da rainha Cleópatra do Egito. O resultado foi uma vitória decisiva de Otaviano, que findou a oposição ao seu poderio crescente. Esta data é por isso usada para marcar o fim da República e início do Império Romano.

Prelúdio

O segundo triunvirato rompeu-se devido à séria ameaça que Otaviano via em Cesarião, o filho de Cleópatra e Júlio César. A base do poder de Otaviano era a sua ligação a César por adopão, que lhe garantia a sua muito necessitada popularidade e lealdade das legiões. Ao ver esta situação conveniente posta em causa após Marco António ter declarado que Cesarião era o legítimo herdeiro de Júlio César, começou uma guerra de propaganda entre os aliados que destruiu o segundo triunvirato no último dia de 33 a.C..

Finalmente o senado retirou Marco António do poder e declarou guerra contra Cleópatra. Um terço do senado e ambos os cônsules juntaram-se ao lado de Marco António, e em 31 a.C. a guerra começou quando o talentoso general Marco Vipsânio Agripa capturou a cidade grega e o porto naval de Methon que era leal a Marco António. Marco António era um excelente soldado, no entanto a sua falta de experiência em confrontos navais foi o seu calcanhar de Aquiles.

A batalha

As duas frotas eram constituídas por cerca de 400 navios cada uma. Este número é apenas uma estimativa, visto que as fontes históricas são contraditórias neste aspecto. A táctica usada por Marco António foi valer-se da maior tonelagem dos seus navios, carregá-los com artilharia e bombardear o inimigo. No entanto, os barcos comandados por Marco Vipsânio Agripa eram mais leves e manobráveis e conseguiram evitar estas investidas e eliminar o perigo. Durante a luta, Cleópatra decidiu fugir e António depressa a seguiu. A fuga do comandante não foi descoberta e a luta prosseguiu até Agripa conseguir incendiar e afundar a frota de António.

Cerca de um ano depois destes eventos, Otaviano invadiu o Egito e António e Cleópatra suicidaram-se. Uma referência à batalha é feita na Eneida de Virgílio.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Guerras Judaico-Romanas

Guerras judaico-romanas é o termo genérico que designa a série de revoltas movidas pelos judeus contra a dominação pelo Império Romano. Foram três guerras, mas alguns historiadores consideram que houve apenas duas, descartando a "Guerra de Kitos".

Primeira Guerra (132-135 d. C.)

Fortaleza de Massada,
situado no litoral sudoeste do Mar Morto.
Em seguida às conquistas de Alexandre, os gregos haviam se estabelecido em todo o Oriente Médio, onde geralmente formavam uma classe alta estrangeira, provocando o ressentimento dos nativos. Em Cesareia, a principal cidade da Palestina romana, os gregos e judeus estavam sempre trocando insultos, mas às vezes a discussão se transformava em distúrbios em larga escala. Depois de uma série desses distúrbios, o governador romano exigiu que a comunidade judaica pagasse por todos os danos feitos. Os judeus, entretanto, alegara que, em primeiro lugar, os culpados eram os gregos, por sacrificarem algumas aves nos degraus da sinagoga, de modo que se recusaram a pagar. Não havia problema: o governador romano simplesmente sequestrou o dinheiro do tesouro do templo em Jerusalém.

Judeus de todo o país se revoltaram, raivosos com a blasfêmia. Os nacionalistas radicais, chamados zelotes, expulsaram facilmente para a Síria a pequena guarnição romana. No primeiro entusiasmo da vitória, parecia que Deus restaurara a antiga glória da nação judaica, até que o imperador Nero enviou um grande exército sob o comando de Vespasiano para pôr fim à rebelião. Suas legiões romanas erradicaram sistematicamente os rebeldes na Galileia, com sítios, massacres e manobras políticas, e por fim cerraram fileiras contra Jerusalém.

A guerra foi interrompida em 68, quando os generais romanos, incomodados com as excentricidades de Nero, o derrubaram, e um após outro, todos os generais romanos do império marcharam com suas legiões para Roma, para reivindicar o trono para si mesmos. Vespasiano mostrou ser i último e o mais permanente dos quatro imperadores proclamados durante aquele ano em meio ao caos.

Vespasiano, já imperador, passou o encargo da rebelião judica para seu filho Tito, que sitiou Jerusalém. As máquinas de sítio eram difíceis de construir na Palestina porque as árvores eram escassas e tortas, mas a pura tenacidade romana manteve a cidade isolada durante dois ano e levou seus defensores à beira da inanição. Todo dia os romanos capturavam, fora das muralhas, grupos desesperados de zelotes à procura de comida, e os crucificavam à plena vista dos defensores. Quando a cidade finalmente caiu, em 70 d.C., os romanos massacraram a população e reduziram a ruínas o templo. O candelabro de ouro de um metro e meio de altura, com sete braços, que adornava o templo, foi levado para Roma e exibido triunfantemente numa parada para a população.

A maior parte das muralhas da cidade foi demolida, mas Tito mandou preservar um imponente trecho curto dela, no complexo do templo, como uma lição para os futuros rebeldes, de que até mesmo a mais grossa das muralhas não resistia ao exército romano. Esse fragmento da muralha (hoje em dia conhecida como Muralha Ocidental ou Muro das Lamentações) é o lugar mais sagrado do judaísmo, o que prova que a verdadeira lição para as futuras rebeliões é (a) ou que a fé pode na verdade resistir ao exército romano ou (b) se você começa a demolir um lugar, termine a tarefa. 

Os últimos 960 zelotes retiraram-se para a fortaleza de Massada, nas montanhas. Os defensores ficaram observando, sem poder impedir, os romanos começarem a construir metodicamente uma rampa que subia a montanha, a fim de poder levar suas máquinas de guerra até o alcance da cidadela. Sabendo que estavam perdidos, os zelotes encurralados tiraram a sorte. Os perdedores matavam os ganhadores e depois tiravam de novo a sorte. Os perdedores matavam os ganhadores e assim por diante, até que sobrou um defensor vivo para cometer o imperdoável pecado do suicídio.

Segunda Guerra

Também chamada de "Guerra de Kitos", ocorreu entre os anos 115 e 117, no governo do imperador Trajano. Consistiu em uma revolta das comunidades judaicas da Diáspora (judeus que viviam fora da Judeia), disseminando-se, principalmente, por Cirene (Cirenaica), Chipre, Mesopotâmia e Egito. Foi sufocada pelo comandante romano Lúcio Quieto.

Terceira guerra (132-135 d. C.)

Também chamada de "Revolta de Bar Kokhba".  

A destruição causada pela primeira revolta centrou-se principalmente em Jerusalém, e grande parte da Palestina não foi assolada pela guerra. A paz e a prosperidade foram retornando gradualmente. Então os romanos tentaram integrar a província num conjunto de nações maior, em torno do Mediterrâneo. Por volta de 132, o imperador Adriano baniu a mutilação genital em todo o império, o que soa como uma excelente ideia, até que nos lembremos de que o judaísmo exige a circuncisão. Adriano rapidamente revogou a ordem, fazendo uma exceção para os judeus. Infelizmente, o imperador escolheu também o momento para reconstruir Jerusalém como uma moderna cidade romana, com um templo dedicado a Júpiter onde se erguia o templo de Jeová.

Os judeus não aceitaram a ideia, e se levantaram revoltados sob a chefia de Simon bem Koziba, que ganhou o apelido messiânico de Bar Kokhba, "Filho da Estrela". Os rebeldes eram mais fortes no interior, onde haviam construído baluartes fortificados, interligados por túneis de acesso camuflado. Os romanos enviaram três legiões para sufocar a rebelião. Foi uma campanha dura, na qual uma das legiões desaparece dos livros de história depois disso, provavelmente destroçada pelos rebeldes. A refrega foi tão destrutiva que nós ainda não temos sua história completa, ou muitas relíquias a ela relacionadas, apenas umas poucas cavernas descobertas nos penhascos perto do Mar Morto. Essas cavernas abrigaram os últimos rebeldes, e os arqueólogos as nomearam por causa de seus importantes conteúdos, a Caverna do Manuscrito, a Caverna das Setas, a Caverna das Cartas (inclusiva algumas escritas por Bar Kokhba) e a Caverna dos Horrores (quarenta esqueletos, famílias inteiras mortas de inanição), entre outras. 

Quando terminou a luta, a maioria dos judeus na Palestina foi morta, exilada ou escravizada, e dessa vez os romanos tomaram providências para que não houvesse uma outra revolta. Esvaziaram de habitantes grande parte do território e levaram para lá etnias mais cooperadoras. Os judeus foram exilados da Palestina e começou a Diáspora, a dispersão dos judeus por todo o globo.

Outras revoltas 

Além dessas guerras, houve também uma rebelião dos judeus da Síria Palestina contra Constâncio Galo, césar do Império Romano, conhecida como "Guerra contra Galo", ocorrida entre 351 e 352, que foi sufocada pelo comandante romano Ursicínio.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Batalha de Adrianópolis

A segunda Batalha de Adrianópolis ou Batalha de Andrinopla (9 de agosto de 378) foi travada entre um exército romano comandado pelo imperador Valente, de um lado, e, de outro, tribos germânicas (principalmente ostrogodos e visigodos, com o apoio de alguns alanos, não germanos) comandadas por Fritigerno. A batalha ocorreu em Adrianópolis (atualmente Edirne, na Turquia) e resultou numa vitória decisiva para os godos.

Os Godos

Quando uma perigosa nova linhagem de bárbaros, os hunos, pareceu no horizonte nordeste do mundo civilizado, no final do século IV, todas as tribos germânicas no seu caminho fugiram ou se renderam. Os visigodos escaparam atravessando o rio Danúbio, a fronteira norte do Império Romano, e pediram ao imperador Valente que os salvasse. Ele permitiu que os bárbaros se estabelecessem ao longo da margem sul, como federados, um tipo de vassalos subordinados vivendo em um enclave autônomo. Os visigodos enfatizavam sua condição de autônomos, enquanto os funcionários romanos locais preferiam acentuar a parte subordinada da equação. Dentro em pouco, os desentendimentos se transformaram em revolta aberta.

Em 378, Valente marchou com o exército romano contra os visigodos, que se aproximavam da cidade romana de Adrianópolis, visando saqueá-la. Valente chegou com 40 mil soldados, acampou durante a noite, e depois avançou contra a infantaria dos bárbaros, que haviam se agrupado num círculo de carroças. O imperador atacou suando a ordem dos legionários apropriada, mas o círculo aguentou, até que chegou a cavalaria dos visigodos e envolveu o exército romano. Estes se viram apertados, esmagados e aniquilados, resultando na pior derrota romana de memória recente. O corpo do imperador nunca foi encontrado.

A partir daí, os bárbaros acumularam tanto poder que, em 410, saquearam a própria Roma.

Morte de Valente e Final da Batalha

Sobre o final de Valente circulam diferentes versões, sem que se possa afirmar com certeza qual é a correta. A primeira é que, simplesmente, Valente faleceu após receber o impacto de uma flecha inimiga, encurralado e combatendo junto aos homens que o acompanhavam, como um soldado mais. Outras dizem que pôde ser evacuado pelos seus generais (talvez ferido) e refugiou-se numa casa próxima ou, mais provavelmente, numa torre de guarda. Os visigodos ignoravam que Valente estava dentro, mas ao observar que se guarneciam soldados romanos no seu interior, acabaram com as últimas tropas que se opunham e acenderam fogo ao edifício, morrendo todos os que se encontravam dentro. Seja como for, ninguém pôde identificar o corpo de Valente entre todos os caídos na batalha, pelo que teria sido sepultado como um soldado anônimo mais.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Queda do Império Romano

Em geral, a expressão queda do Império Romano refere-se ao fim do Império Romano do Ocidente, ocorrido em 476 d.C., com a tomada de Roma pelos hérulos, uma vez que a parte oriental do Império, que posteriormente os historiadores denominariam Império Bizantino, continuou a existir por quase mil anos, até 1453, quando ocorreu a Queda de Constantinopla. A queda do Império Romano do Ocidente foi causada por uma série de fatores, entre os quais as invasões bárbaras que causaram a derrubada final do Estado.

O Império Romano é como os dinossauros. Ambos são mais famosos por terem desaparecidos do que por terem sobrevivido todos esses séculos; entretanto, a cidade de Roma permanecera sem ser saqueada por estrangeiros por oitocentos anos (390 a. C. – 410 d. C.)

Como aconteceu com os dinossauros, que se transformaram em pássaros, alguns alegam que Roma nunca realmente "caiu"; ela simplesmente se transformou em outra coisa. A metade oriental sobreviveu mais mil anos, como o Império Bizantino, e governantes que se intitulavam "Césares" existiram até o século XX, embora com o nome de "kaisers" e "tzares".

Por que Roma Caiu?

Há cem anos, estavam muito em voga as teorias raciais sobre o colapso de Roma, de que a mestiçagem enfraqueceu a raça e assim por diante, mas isso é simplesmente projetar as preocupações de uma época de volta para outra, no passado. Hoje em dia você pode ouvir explicações baseadas em mudanças climáticas, doenças tropicais ou esteroides assassinos, porque essas coisas são as coisas que nos preocupam.

Qualquer coisa tendo a ver com redução da fertilidade ou degradação geral da classe governante é duvidosa, porque o Império Romano não era uma monarquia no sentido estrito, que passava de pai para filho e deste para o neto. Era mais uma ditadura militar, na qual o poder era transmitido de um imperador morto para um parente com experiência ou um colega respeitado. 

A mais popular das explicações culpa o fracasso da liderança. Roma nunca desenvolveu um sistema suave de passar o império de um imperador para o seguinte, o que desencadeava uma pequena guerra civil quase toda vez que morria o governante. Os imperadores não tinham qualquer legitimidade, a não ser terem comandado o maior exército, e generais ambiciosos tinham pouca lealdade pessoal para com seu soberano. Assim, quando surgia a crise, Roma via sentado no trono uma série desafortunada de usurpadores, crianças e pesos leves, que tinham mais medo de seus próprios exércitos do que dos bárbaros. 

Segundo, a cavalaria tornou-se o principal meio de combater, mas Roma fora construída e mantida pela infantaria. Como Roma reagiu a essas novas táticas de cavalaria alistando mercenários, em vez de treinar os romanos nativos para lutar dessa maneira, o exército foi ficando cada vez menos comprometido com a sobrevivência do império. 

Terceiro, a transferência da capital principal para Constantinopla aumentou o controle romano no Oriente, mas também marginalizou o do Ocidente. Os exércitos colocados convenientemente para proteger ao nova capital não eram de muita utilidade para proteger o Ocidente. Quando o império foi dividido em duas partes, oriental e ocidental, o Oriente herdou a galinha dos ovos de ouro, e uma fronteira mais curta, enquanto o Ocidente ficou com as despesas de guarnecer uma extensa fronteira, com recursos provenientes de uma economia mais primitiva. No final, o Ocidente viu-se simplesmente sem meios de se defender. 

Quarto, a conversão ao cristianismo (depois de 313) criou divisões internas e alienou os tradicionalistas pagãos. Quando o cargo de sumo sacerdote foi separado do cargo de imperador, isso diluiu o apoio popular ao governo. O imperador perdeu metade de sua legitimidade. As pessoas ficaram menos inclinadas a cultuar César, uma vez que ele não era mais um deus vivo. Isso também ajuda a explicar por que a China, onde o imperador manteve seu status divino, foi por fim reconstituída como uma nação unificada.

Tempos Bons

Se um homem fosse chamado a fixar um período da história do mundo no qual a condição da raça humana foi mais feliz e próspera, ele indicaria, sem hesitação, o tempo decorrido da morte de Domiciano até a ascensão de Cômodo (96-180 d. C.) A vasta extensão do Império Romano era governada por um poder absoluto, sob a orientação da virtude e da sabedoria. Os exércitos foram contidos pela firme, mas suave mão de quatro imperadores sucessivos, cujo caráter e autoridade impunham respeito involuntário. As formas da administração civil foram cuidadosamente preservadas por Nerva, Trajano, Adriano e pelos Antonios, que apreciavam a imagem da liberdade, e ficavam contentes em se considerarem como pessoas responsáveis pela administração das leis. Esses príncipes mereceram a honra de restaurar a república, tendo os romanos de seus dias sido capazes de gozar de uma liberdade racional. (Edward Gibbon, Declínio e queda do Império Romano).

Finalizando

A queda de Roma é, indiscutivelmente, o acontecimento geopolítico mais importante da história ocidental. Sem os esfacelamento do império, as populações romanizadas da Europa ocidental não teriam evoluído como identidades separadas. Em vez de franceses, espanhóis, italianos e portugueses, haveria apenas romanos nessas terras (falando algo muito semelhante ao italiano). Essa pátria neorromana poderia também ter incluído a Inglaterra, o norte da África e a marge sul do Danúbio, cujas populações romanizadas foram mais tarde absorvidas, assimiladas e substituídas por invasores anglo-saxões, árabes e eslavos. Imagine um único grupo étnico preenchendo todas as terras, desde Liverpool até a Líbia, com 2 mil anos de história de unidade. Rivalizaria com a China como o país mais antigo e mais populoso da Terra.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Império Sassânida

Bandeira
O Império Sassânida foi o último Império Persa pré-islâmico, governado pela dinastia sassânida de 224 d.C. a 651. O Império Sassânida, que sucedeu o Império Parta, foi reconhecido como uma das principais potências da Ásia Ocidental e Central, juntamente com o Império Romano/Bizantino, por um período de mais de 400 anos.

Foi fundado por Artaxes I, após a queda do Império Arsácida e a derrota do último rei arsácida, Artabano IV. Durante sua existência, o Império Sassânida dominou os territórios dos atuais Irã, Iraque, Afeganistão, o leste da Síria, o Cáucaso (Armênia, Geórgia, Azerbaijão e Daguestão), o sudoeste da Ásia Central, parte da Turquia, certas áreas litorâneas da península Arábica, a região do golfo Pérsico, e algumas regiões do Baluquistão paquistanês.

De acordo com a lenda tradicional persa, o vexiloide do Império Sassânida era o Derafsh Kaviani. Hipóteses foram levantadas afirmando que a transição que resultou no Império Sassânida representa o fim da disputa entre os proto-persas e seus parentes próximos étnicos migrantes, os partas, cuja pátria original localizava-se na atual Ásia Central.

O período sassânida, durante a Antiguidade Tardia, é considerado um dos mais importantes e influentes períodos históricos da história da Pérsia e do Irã, e constituiu o último grande império iraniano antes da conquista muçulmana e a adoção do islamismo pela população local. O Império Sassânida testemunhou o auge da civilização persa, de diversas maneiras; a Pérsia da época influenciou a civilização romana consideravelmente durante o período. A influência cultural sassânida ultrapassou em muito as fronteiras territoriais do império, chegando até a Europa ocidental, a África, a China e a Índia. Teve um papel importante na formação da arte medieval europeia e asiática.
Império Sassânida.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Alexandre, o Grande

Alexandre III da Macedônia, dito o Grande ou Magno ( 20 de julho de 356 a.C. — Babilônia, 10 de junho de 323 a.C. ) foi um príncipe e rei da Macedônia, e um dos três filhos do rei Filipe II e de Olímpia do Épiro – uma fiel mística e ardente do deus grego Dionísio.

Alexandre foi o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em sua juventude, teve como preceptor o filósofo Aristóteles. Tornou-se o rei aos vinte anos, na sequência do assassinato do seu pai.

Vida

A sua carreira é sobejamente conhecida: conquistou um império que ia dos Bálcãs à Índia, incluindo também o Egito e a Báctria (aproximadamente o atual Afeganistão). Este império era o maior e mais rico que já tinha existido. Existem várias razões para esses grandes êxitos militares, um deles é que Alexandre era um general de extraordinária habilidade e sagacidade, talvez o melhor de todos os tempos, pois ele nunca perdeu nenhuma batalha e a expansão territorial que ele proporcionou é uma das maiores da história, a maior expansão territorial em um período bem curto de tempo. Além disso era um homem de muita coragem pessoal e de reconhecida sorte.

Ele herdou um reino que fora organizado com punho de ferro pelo pai, que tivera de lutar contra uma nobreza turbulenta que frequentemente reclamava por mais privilégios, as ligas lideradas por Atenas, e Tebas (a batalha de Queroneia representa o fim da democracia ateniense e por arrastamento das outras cidades gregas e de uma certa concepção de liberdade), revolucionando a arte da guerra.

A sua personalidade é considerada de formas diferentes segundo a percepção de quem o examina: por um lado, homem de visão, extremamente inteligente, tentando criar uma síntese entre o oriente e ocidente (encorajou o casamento entre oficiais seus e mulheres persas, além de utilizar persas ao seu serviço), respeitador dos derrotados (acolheu bem a família de Dario III e permitiu às cidades dominadas a manutenção de governantes, religião, língua e costumes) e admirador das ciências e das artes (fundou, entre algumas dezenas de cidades homónimas, Alexandria, que viria a se tornar o maior centro cultural, científico e econômico da Antiguidade por mais de trezentos anos, até ser substituída por Roma); por outro lado, profundamente instável e sanguinário (as destruições das cidades de Tebas e Persepólis, os assassinatos de Clito e de Parménio, dois de seus melhores generais, a sua ligação com um eunuco), limitando-se a usar o pessoal de valor que tinha à sua volta em proveito próprio.

De qualquer modo, fez o que pôde para expandir o helenismo: criou cidades com o seu nome com os seus veteranos feridos por todo o território e deu nome para cidade homenageando seu inseparável e famoso cavalo Bucéfalo. Abafou uma rebelião de cidades gregas sob o domínio macedônio e preparou-se para conquistar a Pérsia.

Em 334 a.C. empreendeu sua primeira campanha contra os persas na Batalha de Grânico que deu-lhe o controle da Ásia Menor (atual Turquia). No ano seguinte, derrotou o rei Dario III na Batalha de Isso. Mais um ano depois, conquistou o Egito e Tiro, em 331 a.C. Completou a conquista da Pérsia na Batalha de Gaugamela, onde derrotou definitivamente Dario III, o que lhe conferiu o estatuto de Imperador Persa.

A tendência de fusão da cultura dos macedônios com a grega provocou nestes temor quanto a um excessivo afastamento dos ideais helênicos por parte de seu monarca. Todavia, nada impediu Alexandre de continuar seu projeto imperialista em direção ao oriente. Durante cerca de dois anos Alexandre manteve-se ocupado em várias campanhas de curta duração para a consolidação do seu império. Mas, em 327 a.C., conduzindo as suas tropas por cima das montanhas Hindu Kush para o vale do rio Indo, para conquistar a Índia, país mítico para os gregos, foi forçado a regressar à Babilônia devido ao cansaço das suas tropas, e instalaria aí a capital do seu império. Deixou atrás de si novas colônias, como Niceia e Bucéfala, esta erigida em memória de seu cavalo, às margens do rio Hidaspes.

Ele tinha a intenção de fazer ainda mais conquistas. Sabe-se que planejava invadir a Arábia e, provavelmente, as regiões ao norte do Império Persa. Poderia também ter planejado outra invasão da Índia ou a conquista de Roma, Cartago e do Mediterrâneo ocidental.

Infelizmente nenhuma das fontes contemporâneas sobreviveu (Calístenes e Ptolomeu), nem sequer das gerações posteriores: apenas possuímos textos do século I que usaram fontes que copiaram os textos originais, de modo que muitos dos pormenores da sua vida são bastante discutíveis.

Alexandre morreu depois de doze anos de constante campanha militar, sem completar os trinta e três anos, possivelmente como resultado de malária, envenenamento, febre tifóide, encefalite virótica ou em consequência de alcoolismo. 

O legado de Alexandre 

Com a sua morte, os seus generais repartiram o seu império e a sua família acabou por ser exterminada. Os Epígonos iriam gastar gerações seguidas em conflitos. Apenas Seleuco esteve prestes a reunificar o império (faltando o Egito) por um curto espaço de tempo. Os seus sucessores fizeram o que puderam para manter o helenismo vivo: gregos e macedônios foram encorajados a emigrar para as novas cidades. Alexandria no Egito teve um destino brilhante devido aos cuidados dos ptolomaicos (o Egito, apesar da sua monumentalidade, nunca possuíra grandes metrópoles): tornou-se um porto internacional, um centro financeiro e um foco de cultura graças à biblioteca; mas outras cidades como Antioquia, Selêucia do Tigre e Éfeso também brilharam. Reinos no oriente, como os greco-bactrianos (Afeganistão) e greco-indianos, expandiram o helenismo geograficamente mais do que Alexandre o fizera. Quando os partas (um povo indo-europeu aparentado com os citas) ocuparam a Pérsia, esses reinos subsistiram até ao século I a.C., com as ligações cortadas ao ocidente.

Alexandre tem persistido na história e mitos tanto da cultura grega como das não-gregas. Depois de sua morte (e inclusive durante sua vida) suas conquistas inspiraram uma tradição literária na que aparece como um herói legendário, na tradição de Aquiles. Também é mencionado no livro zoroástrico de Arda Viraf como "Alexandre, o Maldito", em persa Guzastag, pela conquista do Império Persa e a destruição de sua capital, Persépolis.

Roma recuperou o legado helenístico, e a miragem do império de Alexandre: Crasso e Marco António tentaram conquistar a Pérsia com péssimos resultados. Trajano morreu a meio de uma expedição, Septímio Severo teve o bom senso de desistir a meio e só Heráclito, no período bizantino, teve uma campanha vitoriosa: debalde, pois os árabes acabaram com a Pérsia Sassânida, enfraquecida pelas longas guerras com o Império Bizantino.

O ocidente medieval viu nele o perfeito cavaleiro, incluindo no grupo dos nove bravos e estabeleceu lendas e o "Romance de Alexandre". Luís XIV apreciava vestir-se como Alexandre (à maneira do século XVII obviamente) e esse epíteto seria sempre apreciado por monarcas absolutos.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Qin Shi Huang Di

Qin Shi Huang Di (Novembro/Dezembro 260 a.C. - 10 de Setembro, 210 a.C.), foi rei do Estado chinês de Qin de 247 a.C. a 221 a.C., e posteriormente tornou-se o primeiro imperador de uma China unificada, de 221 a.C. a 210 a.C., reinando sob a alcunha de Primeiro Imperador.

Tendo unificado a China, ele e seu primeiro-ministro, Li Si, iniciaram uma série de reformas significativas com o intuito de fortificar e estabilizar a unidade política chinesa, ordenando projetos de construção gigantescos, como a própria Muralha da China - ainda não em suas dimensões máximas. Apesar de Qin Shi Huang ser considerado ainda hoje como um dos fundadores da China unificada, que assim permaneceria, com certas interrupções e diferenças territoriais, por mais de dois milênios, o imperador também é lembrado como um tirano autocrático.

Quando Qin Shi Huang Di Ainda era Zheng 

Em 247 a. C., com a idade de 13 anos, o príncipe Zheng foi alçado ao trono de Qin, quanto morreu o rei, seu pai. A maioria dos membros da corte esperava manipular facilmente o jovem, de modo que as conspirações brotavam por toda parte em torno dele. Sua mãe, a rainha viúva Zhao Ji, renomada por ser uma grande beldade e excelente dançarina, recebeu o controle do governo até que Zheng chegasse à maioridade. Ela compartilhava a regência com o primeiro ministro Lu Buwei, que, diziam os boatos, era o verdadeiro pai de Zheng. 

Para livrar-se de suas ligações com a rainha viúva, o primeiro-ministro “encontrou um homem chamado Lao Ai, que tinha o pênis inusitadamente grande, e empregou-o como serviçal em sua casa. Depois, quando se apresentou a ocasião, ele fez tocar uma música sugestiva e, instruindo Lao Ai para meter o pênis no centro de uma roda feita de uma madeira chamada paulownia, e o fez caminhar com aquilo, assegurando-se de que o feito chegaria aos ouvidos da rainha viúva, de modo a suscitar seu interesse. 

A rainha viúva logo se apaixonou por Lao, o que expôs o feliz casal a grandes riscos, de modo que eles imaginaram um plano para manter o romance secreto. 

Lao conseguiu ser acusado de um crime cuja punição era a castração, mas ele e a rainha subornaram o castrador para deixar intacta a poderosa genitália de Lao e, em vez disso, raspar sua barba. Agora que todos pensavam que ele era um eunuco, Lao podia aberta e legalmente agregar-se à corte da rainha. 

No fim, eles geraram dois filhos, mantidos cuidadosamente escondidos do filho dela, o rei. Sabendo do perigo que corriam, eles planejaram um golpe contra Zheng e tomaram pessoalmente o comando das tropas aquarteladas ali perto, usando documentos forjados. Infelizmente Zheng estava muito à frente deles. Quando os soldados de Lao chegaram à câmara real, o rei Zheng tinha seus homens prontos para uma emboscada. Lao escapou por pouco da tocaia e fugiu. Com a cabeça posta a prêmio por 1 milhão de moedas de cobre, porém, ele foi logo capturado e condenado à morte. A rainha viúva foi forçada a assistir, enquanto seu amante era despedaçado por carros de guerra. Seus dois filhos secretos foram amarrados, metidos em sacos e espancados até a morte. 

Havia mais a acontecer. Muitas histórias da juventude do rei Zheng o mostram sobrevivendo por pouco a complôs assassinos, ou então descobrindo espertamente essas conspirações. Um matador, o cortesão Jing Ke, foi pego quando uma adaga caiu de um mapa que ele desenrolava. Um alaudista cego, Gao Jianli, tentou golpear Zheng com o instrumento cheio de chumbo quando ele se aproximou o bastante, mas errou.

O Primeiro Imperador

Ao se tornar senhor de toda a China, Zheng inventou um título novo em folha, pelo qual é conhecido na história: Primeiro (shi) Augusto (Huang) Imperador (Di) da China (Quin)

460 Estudiosos Enterrados Vivos 

Sempre que Shi Huang Di tentava fazer mudanças, os acadêmicos reagiam e insistiam que não havia precedente; a lei proibia. Bom, a solução óbvia era remover todos esses incômodos precedentes e partir do zero. Ele ordenou que lhe trouxessem cada livro da China, e incinerou todos, com exceção de uns poucos manuais técnicos. Quando os estudiosos puseram a boca no mundo, ele enterrou 460 deles vivos, para não precisar mais ouvir suas reclamações. Muitos anos mais tarde, com Shi Huang Di havia muito desaparecido, os estudiosos se reuniram e tentaram reescrever tudo que pudessem lembrar da literatura perdida. 

Criando Muros 

O primeiro imperador necessitava proteger a fronteira norte contra as incursões de cavaleiros nômades, conhecidos como xiongnus (que já foram considerados precursores dos hunos, mas atualmente não são). Ele uniu as diversas muralhas locais que bloqueavam desfiladeiros em uma única grande muralha, dividindo o mundo conhecido em Nós e Eles. Para construir essa muralha, enviou um general para a fronteira com 300 mil soldados e 1 milhão de trabalhadores recrutados à força, a maioria dos quais teria morrido durante a construção. Um fluxo permanente de trabalhadores viajava para o norte a fim de substituir os mortos. Diz a lenda que cada pedra da muralha custou uma vida humana. 

O objetivo da grande muralha não era evitar que os xiongnus cruzassem a fronteira. Era muito fácil para eles apoiar uma escada sobre qualquer trecho desguarnecido da construção. Mas os pretensos invasores não podiam fazer seus cavalos ultrapassarem a barreira, de modo que tinham de avançar a pé, sem a vantagem militar que os tornava tão formidáveis. 

Embora Si Huang Di tenha sido o primeiro a construir uma grande muralha na China, não foi ele que construiu a Grande Muralha da China. A muralha já fora expandida, destruída, negligenciada e reconstruída tantas vezes nos 2 mil anos anteriores que a atual muralha, que se estende pelo norte da China, é mais nova, tendo meros quinhentos anos ou aproximadamente isso, e frequentemente segue um caminho diferente da muralha original. 

A Busca Pelo Segredo da Vida Eterna 

Quando deu a si mesmo o título de primeiro imperador, Shi Huang Di pretendia que todos os imperadores subsequentes continuassem a usar essa nomenclatura. Seu filho se tornaria Er Shi Huang Di (segundo imperador), seguido pelo terceiro, quarto e assim por diante. Entretanto, no fundo, Shi Huang Di realmente queria se tornar o imperador único, e fez grandes esforços procurando a imortalidade. 

O alquimista da corte disse ao imperador que o mercúrio era a chave para a vida eterna, e forneceu-lhe poções que a garantiriam para ele. Shi Huang Di também mandou o feiticeiro taoista XuFu viajar para o leste à procura do segredo da imortalidade. Acreditava-se que Oito Imortais, santos taoistas que haviam aprendido os segredos do universo, viviam na montanha Penglai, além dos mares orientais. Xu Fu recebeu uma frota de sessenta navios com 5 mil tripulantes, acompanhados de 3 mil meninos e meninas virgens, porque acreditava-se que sua pureza ajudaria na busca. Vários anos depois de ter desaparecido no horizonte, Xu Fu retornou e relatou que um grande e amedrontador monstro do mar bloqueava a passagem, de modo que Shi Huang Di enviou uma embarcação cheia de arqueiros para matar o monstro. Então Xu Fu tentou novamente, mas nunca mais chegaram notícias dele. 

Os historiadores modernos, tentando entender essa história, sugerem que Xu Fu simplesmente descobriu o Japão e lá se estabeleceu. A arqueologia mostra que a cultura chinesa começou a aparecer no Japão por volta dessa época. 

O Fracasso na Busca Pela Vida Eterna 

Quando Shi Huang Di morreou, em 210 a. C., numa viagem pelas províncias e possivelmente envenenado pelo mercúrio de seu elixir mágico, Li Si manteve a notícia em segredo durante dois meses, até poder voltar a capital e tomar algumas providências. Entre elas estava tirar do comando um general perigosamente conservador, e forçar o filho mais velho de falecido imperador a cometer suicídio. Para evitar que o império se desintegrasse no caos, Li Si fingia que o governante estava vivo, chegando à carruagem do imperador todo dia e colocando a cabeça para dentro da janela, atrás da cortina, a fim de consulta-lo. Uma carroça cheia de peixe ficava por perto a fim de disfarçar o cheiro do cadáver. 

Exércitos de Soldados Terracota 

O primeiro imperador começara a construir seu túmulo muitos anos antes, empregando 700 mil trabalhadores no projeto e levando muitos deles à morte. O complexo que encerrava a tumba media 4.800 metros de largura, e dizia-se que era protegido por armadilhas compostas por balistas. Para proteger a localização secreta, os homens que instalaram as armadilhas foram também trancados na tumba. Em 1974 as escavações revelaram um exército subterrâneo de 8 mil soldados de terracota guardando o túmulo, e isso pode ser apenas uma pequena parte dos tesouros enterrados ali. Diz-se que a tumba contém uma réplica do mundo flutuando num mar de mercúrio, e uma análise do solo, feita em 2006, sugere que uma quantidade substancial de mercúrio continua enterrada na seção inda não escavada. 

Quanta Maldade Ele Fez? 

Como acontece com muitos personagens da Antiguidade, há apenas um punhado de fontes originais, todas filtradas através de séculos de cópias, recopias, censuras, ficcionalização, moralização e sensacionalização, de modo que há grande probabilidade de que tudo que conhecemos sobre Shi Huang Di seja errado, ou ao menos mais complicado do que somos levado a crer. Quem sai por aí enterrando estudiosos vivos não se dará bem nos escritos dos acadêmicos que vieram depois.