domingo, 30 de dezembro de 2012

Qin Shi Huang Di

Qin Shi Huang Di (Novembro/Dezembro 260 a.C. - 10 de Setembro, 210 a.C.), foi rei do Estado chinês de Qin de 247 a.C. a 221 a.C., e posteriormente tornou-se o primeiro imperador de uma China unificada, de 221 a.C. a 210 a.C., reinando sob a alcunha de Primeiro Imperador.

Tendo unificado a China, ele e seu primeiro-ministro, Li Si, iniciaram uma série de reformas significativas com o intuito de fortificar e estabilizar a unidade política chinesa, ordenando projetos de construção gigantescos, como a própria Muralha da China - ainda não em suas dimensões máximas. Apesar de Qin Shi Huang ser considerado ainda hoje como um dos fundadores da China unificada, que assim permaneceria, com certas interrupções e diferenças territoriais, por mais de dois milênios, o imperador também é lembrado como um tirano autocrático.

Quando Qin Shi Huang Di Ainda era Zheng 

Em 247 a. C., com a idade de 13 anos, o príncipe Zheng foi alçado ao trono de Qin, quanto morreu o rei, seu pai. A maioria dos membros da corte esperava manipular facilmente o jovem, de modo que as conspirações brotavam por toda parte em torno dele. Sua mãe, a rainha viúva Zhao Ji, renomada por ser uma grande beldade e excelente dançarina, recebeu o controle do governo até que Zheng chegasse à maioridade. Ela compartilhava a regência com o primeiro ministro Lu Buwei, que, diziam os boatos, era o verdadeiro pai de Zheng. 

Para livrar-se de suas ligações com a rainha viúva, o primeiro-ministro “encontrou um homem chamado Lao Ai, que tinha o pênis inusitadamente grande, e empregou-o como serviçal em sua casa. Depois, quando se apresentou a ocasião, ele fez tocar uma música sugestiva e, instruindo Lao Ai para meter o pênis no centro de uma roda feita de uma madeira chamada paulownia, e o fez caminhar com aquilo, assegurando-se de que o feito chegaria aos ouvidos da rainha viúva, de modo a suscitar seu interesse. 

A rainha viúva logo se apaixonou por Lao, o que expôs o feliz casal a grandes riscos, de modo que eles imaginaram um plano para manter o romance secreto. 

Lao conseguiu ser acusado de um crime cuja punição era a castração, mas ele e a rainha subornaram o castrador para deixar intacta a poderosa genitália de Lao e, em vez disso, raspar sua barba. Agora que todos pensavam que ele era um eunuco, Lao podia aberta e legalmente agregar-se à corte da rainha. 

No fim, eles geraram dois filhos, mantidos cuidadosamente escondidos do filho dela, o rei. Sabendo do perigo que corriam, eles planejaram um golpe contra Zheng e tomaram pessoalmente o comando das tropas aquarteladas ali perto, usando documentos forjados. Infelizmente Zheng estava muito à frente deles. Quando os soldados de Lao chegaram à câmara real, o rei Zheng tinha seus homens prontos para uma emboscada. Lao escapou por pouco da tocaia e fugiu. Com a cabeça posta a prêmio por 1 milhão de moedas de cobre, porém, ele foi logo capturado e condenado à morte. A rainha viúva foi forçada a assistir, enquanto seu amante era despedaçado por carros de guerra. Seus dois filhos secretos foram amarrados, metidos em sacos e espancados até a morte. 

Havia mais a acontecer. Muitas histórias da juventude do rei Zheng o mostram sobrevivendo por pouco a complôs assassinos, ou então descobrindo espertamente essas conspirações. Um matador, o cortesão Jing Ke, foi pego quando uma adaga caiu de um mapa que ele desenrolava. Um alaudista cego, Gao Jianli, tentou golpear Zheng com o instrumento cheio de chumbo quando ele se aproximou o bastante, mas errou.

O Primeiro Imperador

Ao se tornar senhor de toda a China, Zheng inventou um título novo em folha, pelo qual é conhecido na história: Primeiro (shi) Augusto (Huang) Imperador (Di) da China (Quin)

460 Estudiosos Enterrados Vivos 

Sempre que Shi Huang Di tentava fazer mudanças, os acadêmicos reagiam e insistiam que não havia precedente; a lei proibia. Bom, a solução óbvia era remover todos esses incômodos precedentes e partir do zero. Ele ordenou que lhe trouxessem cada livro da China, e incinerou todos, com exceção de uns poucos manuais técnicos. Quando os estudiosos puseram a boca no mundo, ele enterrou 460 deles vivos, para não precisar mais ouvir suas reclamações. Muitos anos mais tarde, com Shi Huang Di havia muito desaparecido, os estudiosos se reuniram e tentaram reescrever tudo que pudessem lembrar da literatura perdida. 

Criando Muros 

O primeiro imperador necessitava proteger a fronteira norte contra as incursões de cavaleiros nômades, conhecidos como xiongnus (que já foram considerados precursores dos hunos, mas atualmente não são). Ele uniu as diversas muralhas locais que bloqueavam desfiladeiros em uma única grande muralha, dividindo o mundo conhecido em Nós e Eles. Para construir essa muralha, enviou um general para a fronteira com 300 mil soldados e 1 milhão de trabalhadores recrutados à força, a maioria dos quais teria morrido durante a construção. Um fluxo permanente de trabalhadores viajava para o norte a fim de substituir os mortos. Diz a lenda que cada pedra da muralha custou uma vida humana. 

O objetivo da grande muralha não era evitar que os xiongnus cruzassem a fronteira. Era muito fácil para eles apoiar uma escada sobre qualquer trecho desguarnecido da construção. Mas os pretensos invasores não podiam fazer seus cavalos ultrapassarem a barreira, de modo que tinham de avançar a pé, sem a vantagem militar que os tornava tão formidáveis. 

Embora Si Huang Di tenha sido o primeiro a construir uma grande muralha na China, não foi ele que construiu a Grande Muralha da China. A muralha já fora expandida, destruída, negligenciada e reconstruída tantas vezes nos 2 mil anos anteriores que a atual muralha, que se estende pelo norte da China, é mais nova, tendo meros quinhentos anos ou aproximadamente isso, e frequentemente segue um caminho diferente da muralha original. 

A Busca Pelo Segredo da Vida Eterna 

Quando deu a si mesmo o título de primeiro imperador, Shi Huang Di pretendia que todos os imperadores subsequentes continuassem a usar essa nomenclatura. Seu filho se tornaria Er Shi Huang Di (segundo imperador), seguido pelo terceiro, quarto e assim por diante. Entretanto, no fundo, Shi Huang Di realmente queria se tornar o imperador único, e fez grandes esforços procurando a imortalidade. 

O alquimista da corte disse ao imperador que o mercúrio era a chave para a vida eterna, e forneceu-lhe poções que a garantiriam para ele. Shi Huang Di também mandou o feiticeiro taoista XuFu viajar para o leste à procura do segredo da imortalidade. Acreditava-se que Oito Imortais, santos taoistas que haviam aprendido os segredos do universo, viviam na montanha Penglai, além dos mares orientais. Xu Fu recebeu uma frota de sessenta navios com 5 mil tripulantes, acompanhados de 3 mil meninos e meninas virgens, porque acreditava-se que sua pureza ajudaria na busca. Vários anos depois de ter desaparecido no horizonte, Xu Fu retornou e relatou que um grande e amedrontador monstro do mar bloqueava a passagem, de modo que Shi Huang Di enviou uma embarcação cheia de arqueiros para matar o monstro. Então Xu Fu tentou novamente, mas nunca mais chegaram notícias dele. 

Os historiadores modernos, tentando entender essa história, sugerem que Xu Fu simplesmente descobriu o Japão e lá se estabeleceu. A arqueologia mostra que a cultura chinesa começou a aparecer no Japão por volta dessa época. 

O Fracasso na Busca Pela Vida Eterna 

Quando Shi Huang Di morreou, em 210 a. C., numa viagem pelas províncias e possivelmente envenenado pelo mercúrio de seu elixir mágico, Li Si manteve a notícia em segredo durante dois meses, até poder voltar a capital e tomar algumas providências. Entre elas estava tirar do comando um general perigosamente conservador, e forçar o filho mais velho de falecido imperador a cometer suicídio. Para evitar que o império se desintegrasse no caos, Li Si fingia que o governante estava vivo, chegando à carruagem do imperador todo dia e colocando a cabeça para dentro da janela, atrás da cortina, a fim de consulta-lo. Uma carroça cheia de peixe ficava por perto a fim de disfarçar o cheiro do cadáver. 

Exércitos de Soldados Terracota 

O primeiro imperador começara a construir seu túmulo muitos anos antes, empregando 700 mil trabalhadores no projeto e levando muitos deles à morte. O complexo que encerrava a tumba media 4.800 metros de largura, e dizia-se que era protegido por armadilhas compostas por balistas. Para proteger a localização secreta, os homens que instalaram as armadilhas foram também trancados na tumba. Em 1974 as escavações revelaram um exército subterrâneo de 8 mil soldados de terracota guardando o túmulo, e isso pode ser apenas uma pequena parte dos tesouros enterrados ali. Diz-se que a tumba contém uma réplica do mundo flutuando num mar de mercúrio, e uma análise do solo, feita em 2006, sugere que uma quantidade substancial de mercúrio continua enterrada na seção inda não escavada. 

Quanta Maldade Ele Fez? 

Como acontece com muitos personagens da Antiguidade, há apenas um punhado de fontes originais, todas filtradas através de séculos de cópias, recopias, censuras, ficcionalização, moralização e sensacionalização, de modo que há grande probabilidade de que tudo que conhecemos sobre Shi Huang Di seja errado, ou ao menos mais complicado do que somos levado a crer. Quem sai por aí enterrando estudiosos vivos não se dará bem nos escritos dos acadêmicos que vieram depois.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Aníbal

Aníbal, filho de Amílcar Barca; Cartago, 248 a.C. - Bitínia, 183 ou 182 a.C., conhecido comumente apenas como Aníbal foi um general e estadista cartaginês considerado por muitos como um dos maiores táticos militares da história. Seu pai, Amílcar Barca, foi o principal comandante cartaginês durante a Primeira Guerra Púnica, travada contra Roma; seus irmãos mais novos foram os célebres Magão e Asdrúbal, e seu cunhado foi Asdrúbal, o Belo.

Sua vida decorreu no período de conflitos em que a República Romana estabeleceu supremacia na bacia mediterrânea, em detrimento de outras potências como a própria Cartago, Macedônia, Siracusa e o Império Selêucida. 

Foi um dos generais mais ativos da Segunda Guerra Púnica, quando levou a cabo uma das façanhas militares mais audazes da Antiguidade: Aníbal e seu exército, onde se incluíam elefantes de guerra, partiram da Hispânia e atravessaram os Pirenéus e os Alpes com o objetivo de conquistar o norte da península Itálica. Ali derrotou os romanos em grandes batalhas campais como a do lago Trasimeno ou a de Canas, que ainda se estuda em academias militares na atualidade. 

Apesar de seu brilhante movimento, Aníbal não chegou a capturar Roma. Existem diversas opiniões entre os historiadores, que vão desde carências materiais de Aníbal em máquinas de combate a considerações políticas que defendem que a intenção de Aníbal não era tomar Roma, senão obrigá-la a render-se. Não obstante, Aníbal conseguiu manter um exército na Itália durante mais de uma década, recebendo escassos reforços. Por causa da invasão da África por parte de Cipião, o Senado púnico lhe chamou de volta a Cartago, onde foi finalmente derrotado por Públio Cornélio Cipião Africano na Batalha de Zama.

Vitórias de Aníbal

Durante os poucos anos que se seguiram, um série de exércitos romanos tentou barrar a marcha de Aníbal, mas todos foram derrotados. Mais do que simplesmente derrotados, as forças romanas foram aniquiladas. Em Trebia, no norte da Itália, Aníbal fingiu que se retirava, o que fez os romanos saírem de uma forte posição defensiva para serem emboscados num rio raso. No lago Trasimeno, três legiões romanas foram atraídas para a estrada à margem do espelho d'água e emboscadas no nevoeiro matinal. Àquela altura os romanos já estavam alertados para os truques do inimigo e recusaram-se a enfrentá-lo em batalha durante todo um ano.

Finalmente, os romanos reuniam seu maior exército até então, oito legiões romanas mais aliados e cavalaria, 80 mil homens no total, e enfrentaram Aníbal em campo aberto, à luz plena do dia, em Cannae, no sul da Itália. Com um exército que era metade do efetivo de Roma, Aníbal fincou pé para enfrentar o inimigo. Colocou dois pesados blocos de infantaria em pequenas elevações do campo e ligou-os com uma linha flexível de infantaria ligeira no centro. Quando os romanos atacaram, os flancos cartagineses aguentaram firme, enquanto o centro era empurrado para trás. Isso criou um túnel que atraiu os romanos para o centro. A vanguarda romana empurrava os cartagineses, enquanto a retaguarda empurrava a própria vanguarda, e logo os romanos viram-se aglomerados de tal maneira que não podiam usar suas armas com eficácia. Nesse ínterim, a cavalaria de Aníbal repeliu os cavaleiros romanos e fechou a retaguarda aberta do funil, prendendo todo o exército romano em um campo mortífero apinhado de gente. Os romanos foram sistematicamente trucidados durante o resto do dia, até não restar um soldado de pé.

Legado Militar 

O historiador militar Theodore Ayrault Dodge o chamou "pai da estratégia". Foi admirado inclusive por seus inimigos — Cornélio Nepos o batizou como «o maior dos generais» —, assim sendo, seu maior inimigo, Roma, adaptou certos elementos de suas táticas militares a seu próprio arsenal estratégico. Seu legado militar o conferiu uma sólida reputação no mundo moderno, e tem sido considerado como um grande estrategista por grandes militares como Napoleão ou Arthur Wellesley, o duque de Wellington. Sua vida tem sido objeto de muitos filmes e documentários. Bernard Werber lhe rende homenagem através do personagem do «Libertador», e de um artigo em L’Encyclopédie du savoir relatif et absolu mencionada em sua obra Le Souffle des dieux.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Arquimedes

Arquimedes de Siracusa (Siracusa, 287 a.C. – 212 a.C.) foi um matemático, físico, engenheiro, inventor, eastrônomo grego. Embora poucos detalhes de sua vida sejam conhecidos, são suficientes para que seja considerado um dos principais cientistas da Antiguidade Clássica.

Entre suas contribuições à Física, estão as fundações da hidrostática e da estática, tendo descoberto a lei do empuxo e a lei da alavanca, além de muitas outras. Ele inventou ainda vários tipos de máquinas para usos militar e civil, incluindo armas de cerco, e abomba de parafuso que leva seu nome. Experimentos modernos testaram alegações de que, para defender sua cidade, Arquimedes projetou máquinas capazes de levantar navios inimigos para fora da água e colocar navios em chamas usando um conjunto de espelhos.

Arquimedes é frequentemente considerado o maior matemático da antiguidade, e um dos maiores de todos os tempos (ao lado de Newton, Euler e Gauss). Ele usou o método da exaustão para calcular a área sob o arco de uma parábola utilizando a soma de uma série infinita, e também encontrou uma aproximação bastante acurada do número π.8 Também descobriu a espiral que leva seu nome, fórmulas para os volumes de sólidos de revolução e um engenhoso sistema para expressar números muito grandes.

Durante o Cerco a Siracusa, Arquimedes foi morto por um soldado romano, mesmo após os soldados terem recebido ordens para que não o ferissem, devido à admiração que os líderes romanos tinham por ele. Anos depois, Cícero descreveu sua visita ao túmulo de Arquimedes, que era encimado por uma esfera inscrita em um cilindro. Arquimedes tinha descoberto e provado que a esfera tem exatamente dois terços do volume e da área da superfície do cilindro a ela circunscrito (incluindo as bases do último), e considerou essa como a maior de suas realizações matemáticas.

Arquimedes teve uma importância decisiva no surgimento da ciência moderna, tendo influenciado, entre outros, Galileu Galilei,Christiaan Huygens e Isaac Newton.

O Siracusia e o parafuso de Arquimedes 

Parafuso de Arquimedes
modernos..
Grande parte do trabalho de Arquimedes em engenharia surgiu para satisfazer as necessidades de sua cidade natal, Siracusa. O escritor grego Ateneu de Náucratis descreveu como o Rei Hierão II encarregou Arquimedes de projetar um grande barco, o Siracusia, que poderia ser utilizado para viagens de luxo, transporte de suprimentos, e como um navio de guerra. É dito que o Siracusia foi o maior barco construído na Antiguidade Clássica.

De acordo com Ateneu, ele era capaz de carregar 600 pessoas e nele havia jardins decorativos, um gymnasion e um templo dedicado à deusa Afrodite, dentre outras instalações. Uma vez que um navio desse tamanho deixaria passar uma quantidade considerável de água através do casco, o parafuso de Arquimedes foi supostamente inventado para remover água da sentina. A máquina de Arquimedes consistia em um parafuso giratório dentro de um cilindro. Era girada a mão, e também podia ser usada para transportar água de um corpo de água baixo até canais de irrigação. O parafuso de Arquimedes é ainda usado hoje para bombear líquidos e sólidos granulados como carvão e cereais. O parafuso de Arquimedes tal como descrito por Vitrúvio nos tempos romanos pode ter sido uma melhoria em uma bomba de parafuso que foi usada para irrigar os Jardins Suspensos da Babilônia.

A garra de Arquimedes

A garra de Arquimedes é uma arma supostamente projetada por Arquimedes a fim de defender a cidade de Siracusa. Também conhecida como "sacudidora de navios", a garra consistia em um braço de guindaste a partir do qual pendia um grande gancho de metal. Quando a garra caia sobre um navio inimigo, o braço era usado para balançar e levantar o navio para fora da água. Experimentos modernos foram realizados para testar a viabilidade da garra, e em 2005 um documentário de televisão intitulado Super-armas do Mundo Antigo (Superweapons of the Ancient World) construiu uma versão da garra e concluiu que era um dispositivo viável.

Morte

Estátua de Bronze de Arquimedes
em Berlim.
Arquimedes morreu em circa. 212 a.C. durante a Segunda Guerra Púnica, quando forças romanas sob o comando do General Marco Cláudio Marcelo capturaram a cidade de Siracusa após um cerco de dois anos. Existem diversas versões sobre sua morte. De acordo com o relato dado por Plutarco, Arquimedes estava contemplando um diagrama matemático quando a cidade foi capturada. 

Um soldado romano ordenou que ele fosse conhecer General Marcelo, mas ele se recusou, dizendo que ele tinha que terminar de trabalhar no problema. O soldado ficou furioso com isso, e matou Arquimedes com sua espada. Plutarco também oferece um relato menos conhecido da morte de Arquimedes, que sugere que ele pode ter sido morto enquanto tentava se render a um soldado romano. De acordo com essa história, Arquimedes estava carregando instrumentos matemáticos, e foi morto porque o soldado pensou que fossem itens valiosos. O General Marcelo teria ficado irritado com a morte de Arquimedes, visto que o considerava uma posse científica valiosa, e tinha ordenado que ele não fosse ferido.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Espártaco

Espártaco, Museu do Louvre.
Espártaco nasceu na Trácia (atual Bulgária) e serviu no exército romano até desertar e virar bandido. Depois de ser capturado, foi vendido para a escola de gladiadores em Cápua. Ali foi submetido ao costumeiro treinamento brutal, até que junto com cerca de setenta colegas gladiadores, escapou para o interior do país.

Seu bando cresceu rapidamente, chegando a mil escravos fugidos, e derrotou a primeira legião romana enviada para puni-los. Depois eles acamparam na fortaleza natural formada pela cratera do Vesúvio, o vulcão adormecido. Quando uma nova legão romana encurralou Espártaco no seu refúgio, os rebeldes escaparam descendo por um penhasco íngreme com cordas feitas de cipós. Então Espártaco deslocou-se furtivamente e atacou os sitiantes, que imprudentemente haviam acampado num desfiladeiro estreito. Sem tempo ou espaço para distribuir suas tropas de modo adequado, foram terrivelmente massacrados por Espártaco e seu exército.

Já convencido da gravidade da rebelião, o Senado romano enviou quatro legiões para esmagar os rebeldes. Espártaco marchou para o norte, na esperança de fugir da Itália pelos Alpes, onde seus seguidores se dividiram e coltariam para casa separadamente; entretanto, seu exército preferia ficar e saquear a Itália, de modo que Espártaco voltou novamente pela península, e derrotando todos os contingentes romanos enviados contra ele. Com cada vitória Espártaco reunia mais armas para seus seguidores, que já somavam dezenas de milhares.

Por fim Espártaco chegou à ponta mais meridional da Itália, onde planejava cruzar o estreito para a Sicília, e libertar a ilha do domínio romano. Ele negociara com piratas o transporte de seu exército em troca da permissão para eles usarem os portos sicilianos, mas no último minuto os piratas renegam o acordo, e os gladiadores ficaram perdidos no continente. Nesse ínterim, o esforço de guerra caiu sob o comando de Marco Licínio Crasso, o homem mais rico de Roma, que financiou um novo exército. Crasso construiu na ponta da bota italiana uma enorme muralha, que seus 32 mil soldados ocuparam, para mantes os 100 mil rebeldes o sul e fazê-los morrer de fome no inverno.

Espártaco crucificou um prisioneiro romano escolhido aleatoriamente diante de seus homens, para lembrá-los do horrível destino que os esperava se perdessem, e então eles tentaram romper a muralha. Não conseguiram. Tentaram de novo, mas apenas um terço dos rebeldes escapou com seu chefe. O restante foi deixado ali, para ser vagarosamente trucidado pelos romanos quando eles quisessem.

Já com suas forças seriamente enfraquecidas, Espártaco foi sendo acossado por todo o sul da Itália, enquanto seu exército se reduzia gradualmente. Um segundo general romano, Pompeu, chegou para roubar a glória de seu inimigo político, Crasso. Indo para sua última batalha com pouca esperança de sucesso, Espártaco cortou a garganta de seu cavalo, declarando que se perdesse não necessitaria de uma montaria, e que se ganhasse escolheria o melhor cavalo de Roma.

O exército do gladiador travou a última batalha e foi varrido do terreno por Crasso, mas Pompeu levou todo o crédito por colocar-se no caminho da retirada dos rebeldes e massacrá-los quando fugiam. 

Seis mil prisioneiros foram pregados em cruzes ao longo da via Ápia, a estrada que ligava Roma ao sul da Itália, para que morressem vagarosamente, com os corpos apodrecendo, até só restarem ossos espalhados, como um aviso para outros escravos descontentes. Espártaco provavelmente não estava entre eles. Nunca mais se ouviu falar dele mas seu corpo provavelmente estava entre as dezenas de milhares empilhadas no campo de batalha.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Átila

Átila, o Huno (406 – 453), também conhecido como Praga de Deus ou Flagelo de Deus, foi o último e mais poderoso rei dos hunos. Governou o maior império europeu de seu tempo desde 434 até sua morte. Suas possessões se estendiam da Europa Central até o mar Negro, e desde o Danúbio até o Báltico. Durante seu reinado foi um dos maiores inimigos dos impérios romanos Oriental e Ocidental: invadiu duas vezes os Bálcãs, esteve a ponto de tomar a cidade de Roma e chegou a sitiar Constantinopla na segunda ocasião. Marchou através da França até chegar a Orleães, antes que o obrigassem a retroceder na batalha dos Campos Cataláunicos (Châlons-sur-Marne) e, em 452, conseguiu fazer o imperador Valentiniano III fugir de sua capital, Ravena.

Átila morreu em 453, bêbado, na cama, na noite de seu casamento, depois de um violento sangramento pelo nariz

Ainda que seu império tenha morrido com ele e não tenha deixado nenhuma herança notável, tornou-se uma figura lendária da história da Europa. Em grande parte da Europa Ocidental é lembrado como o paradigma da crueldade e da rapina. Alguns historiadores, por outro lado, retrataram-no como um rei grande e nobre, e três sagas escandinavas o incluem entre seus personagens principais.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Julio Cesar

Caio Julio César (13 de julho, 100 a.C. – 15 de março de 44 a.C.), foi um patrício, líder militar e político romano. Desempenhou um papel crítico na transformação da República Romana no Império Romano. 

As suas conquistas na Gália estenderam o domínio romano até o oceano Atlântico: um feito de consequências dramáticas na história da Europa. No fim da vida, lutou numa guerra civil com a facção conservadora do senado romano, cujo líder era Pompeu. Depois da derrota dos optimates, tornou-se ditador (no conceito romano do termo) vitalício e iniciou uma série de reformas administrativas e econômicas em Roma. 

A guerra não apenas cobrira César de glória e riquezas, mas também o deixara com um exército veterano de tamanho sem rival, inteiramente subordinado a seu favor pela distribuição dos saques efetuados na Gália. Embora ninguém em Roma pudesse evitar que ele se tornasse ditador, ainda decorreriam alguns anos de guerra civil antes que todos os que duvidavam fossem convencidos. Entretanto, exatamente quando se estabeleceu na cidade para gozar dos frutos de sua vitória, César foi assassinado. Seus imediatos no comando lutaram entre si durante mais alguns anos, mas por fim o último desses que restaram, seu sobrinho otaviano, herdou o manto do poder sob o título de Augusto, e Roma tornou-se um verdadeiro império. 

Assassinato

Nos idos de março (15 de março no Calendário romano) de 44 a.C., César foi comparecer a uma sessão do Senado. Marco Antônio, tendo ouvido falar sobre o complô de um libertador assustado chamado Servilius Casca, e temendo o pior, foi avisar César. Os conspiradores, contudo, anteciparam isso, e enviaram Trebônio para intercepta-lo enquanto ele se aproximava do Teatro de Pompeu, onde a sessão aconteceria, para para-lo. Ao ver a agitação no senado (no momento do assassinato), Antônio fugiu.

Um grupo de senadores
cercam Júlio César, em uma pintura feita por
Karl von Piloty.
De acordo com Plutarco, quando César chegou, o senador Tílio Cimber lhe apresentou uma petição para revogar o exílio imposto ao seu irmão. Os outros conspiradores se aproximaram sob o pretexto de oferecer apoio e cercaram César. Segundo Plutarco e Suetônio, César dispensou o pedido mas Cimber o agarrou pelo ombro e puxou ele pela túnica. César então berrou para Cimber: "Por que, isso é violência!" ("Ista quidem vis est!"). Ao mesmo tempo, Casca pegou sua adaga e partiu para o pescoço de César. Este, contudo, se virou rapidamente e pegou Casca pelo braço. De acordo com Plutarco, César teria dito, em latim, "Casca, seu vilão, o que você está fazendo?" Casca, assustado, gritou em grego "Ajuda, irmão!". Poucos momentos depois, todos do grupo, incluindo Bruto, atacaram o ditador. César tentou se afastar mas, cego pelo sangue que escorria da cabeça, tropeçou e caiu. Mesmo no chão, no pórtico, ele continuou a ser esfaqueado. De acordo com Eutrópio, cerca de 60 homens participaram do assassinato. César teria sido esfaqueado 23 vezes.

O historiador Suetônio afirmou que um médico que examinou o corpo teria dito que apenas um ferimento, o infligido no peito, teria sido letal. Não se sabe quais foram as últimas palavras de César e isso ainda é assunto de debate entre historiadores e acadêmicos até os dias atuais. Suetônio disse que pessoas da época afirmaram que as últimas palavras de César, proferidas em grego, foram "Até você, criança?". Contudo, até Suetônio tem dúvidas e ele crê que César disse nada.

Plutarco também afirma que César não pronunciou algo antes de morrer, mas puxou sua toga sobre a cabeça quando ele viu Bruto entre os conspiradores. A versão mais famosa sobre o que Júlio César teria dito antes da morte é a célebre frase em latim "Et tu, Brute?" ("E você, Bruto?", comumente referida como "Até tu, Bruto?"); esta fala na verdade vem da peça Julius Caesar, pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. Esta frase não tem qualquer base histórica e o uso do latim por Shakespeare aqui vai de encontro a maioria das versões, que afirmam que César teria pronunciado palavras em grego. Mas de fato, a frase Et tu, Brute? já era popular antes mesmo da peça.

De acordo com Plutarco, após o assassinato, Bruto deu um passo adiante como se ele fosse falar algo para os colegas senadores. Eles, contudo, fugiram as pressas do prédio. Brutos e seus companheiros próximos foram então pelas ruas gritando pela cidade: "Povo de Roma, nós somos novamente livres!" Contudo, com a história do que havia ocorrido se espalhando rapidamente, a maioria da população resolveu se trancar dentro de casa. O corpo de César permaneceu no chão do senado por mais três horas antes que fosse removido.

O cadáver de César foi posteriormente cremado. No local onde a pira funerária ocorreu, foi erguido o Templo de César alguns anos mais tarde (a leste da praça principal do Fórum romano). Apenas o altar do templo está preservado até os dias atuais. Uma estátua de cera foi mais tarde erguida no Fórum, exibindo as 23 feridas. Ao contrário do que os conspiradores acreditavam, a morte de César não ressuscitou a República Romana, com a nação se tornando um Império menos de duas décadas depois. Muitos dos conspiradores morreriam nos eventos posteriores, incluindo Bruto e Cássio. Assim, o legado político de César perduraria.

Eventos Após Sua Morte

A série de eventos que aconteceu após a morte de César pegou os seus assassinos de surpresa. A morte do ditador não reergueu a República. Pelo contrário, ela acabaria sedimentando o caminho para a transição para o Império. As classes média e baixa da sociedade romana, com o qual César era tremendamente popular, ficaram enfurecida pelo fato de que um pequeno grupo de aristocratas mataram o seu amado líder. Marco Antônio, que na verdade vinha se afastando de César, capitalizou na dor da plebe e ameaçou soltá-las em cima dos Optimates, talvez com o intuito de tentar tomar o poder total em Roma para si. Porém, para seu espanto, César havia nomeado um sucessor em testamento, seu sobrinho-neto Otaviano, dando a ele o posto de chefe da família (herdeiro do nome de César) e além disso lhe dava acesso a sua gigantesca fortuna.

Após sua morte, Antônio foi um dos que tentaram se aproveitar do legado político de César e tentou usa-lo, sem sucesso, para conseguir o poder máximo em Roma.

Durante o funeral de César, as coisas literalmente esquentaram. Na enorme pira funerária feita para ele, o povo compareceu em massa, jogando madeira no fogo, móveis e até roupas para alimentar as chamas. O fogo acabou ficando muito alto, danificando o fórum e causando danos. A multidão então atacou as casas de Bruto e Cássio, que são obrigados a fugir para a Macedônia. Os aristocratas acusaram Antônio de jogar o povo contra eles, levando a uma nova ruptura na liderança política romana, o que precipitaria em uma nova guerra civil. Contudo, os rumos deste conflito não terminaria bem para nenhum desses dois, com a figura do sobrinho-neto e herdeiro vindo a proeminência. Otaviano, que tinha apenas 18 anos quando César morreu, mostrou-se um político habilidoso, e enquanto Antônio se preparava para enfrentar Décimo Bruto na primeira fase da guerra civil, ele igualmente se preparava para sua ascensão na vida pública.

Bruto e Cássio, líderes da facção aristocrática anti-César, estavam reunindo um exército na Grécia para recuperar o poder em Roma. Para combate-los, Antônio precisa de sua própria tropa, além de dinheiro e de legitimidade, algo que ele pretendia conquistar no legado de César. Com inimigos em comum, Antônio e Otaviano, junto com o comandante Lépido, se aliam, confrontam os assassinos de César e seus simpatizantes no senado e se saem vitoriosos. 

Em 27 de novembro de 43 a.C., é formalizada a lex Titia que cria o Segundo Triunvirato ("Governo de Três"). Então eles oficialmente deificaram César como Divus Iulius, em 42 a.C., o que fez de César Otaviano o Divi filius ("Filho de um deus").

Já que a clemência de César para perdoar ex inimigos acabou custando sua vida, o Segundo Triunvirato traz de volta a proscrição, abandonada no governo de Sula. Isso levou a uma série de assassinatos políticos para assim poderem pagar por suas legiões e vencer a guerra contra Bruto e Cássio. Em seguida, Otaviano, Antônio e Lépido se tornam os governantes de Roma, sem qualquer rival.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Augusto César

Augusto (Roma, 23 de setembro de 63 a.C. - Nuvlana (atual Nola) 19 de agosto de 14) foi o fundador do Império Romano e seu primeiro imperador, governando de 27 a.C. até sua morte em 14 d.C. Nascido Caio Otaviano, pertenceu a um rico e antigo ramo equestre da família plebeia dos Otávios. Depois do assassinato de seu tio-avô Júlio César em 44 a.C., o testamento de César nomeou Otaviano como seu filho adotivo e herdeiro. Junto com Marco Antônio e Lépido, formou o Segundo Triunvirato e derrotou os assassinos de César. Após a vitória deles em Filipos, o triunvirato dividiu a República Romana entre eles, que passaram a governar como ditadores militares. O triunvirato foi posteriormente posto de lado sob as ambições conflitantes de seus membros: Lépido foi enviado em exílio e despojado de sua posição, e Antônio cometeu suicídio a seguir a sua derrota na batalha de Áccio por Augusto em 31 a.C.

Após o fim do Segundo Triunvirato, Augusto restaurou a fachada externa da república livre, com o poder governamental investido no senado romano, os magistrados executivos, e as assembleias legislativas. Porém, na realidade, manteve seu poder autocrático sobre a república como um ditador militar. Por lei, Augusto reteve um conjunto de poderes garantidos a ele em vida pelo senado, incluindo o comando militar supremo, e aqueles do tribuno e censor. Levou vários anos para Augusto desenvolver o quadro em que um estado formalmente republicado poderia ser liderado sob seu governo único. Rejeitou os títulos monárquicos, e em vez disso chamou-se "primeiro cidadão do Estado" (Princeps Civitatis). O quadro constitucional resultante tornou-se conhecido como principado, a primeira fase do Império Romano.

O reinado de Augusto iniciou uma era de relativa paz conhecida como Pax Romana ("Paz Romana"). Apesar de contínuas guerras de expansão nas fronteiras imperiais e uma guerra civil de um ano sobre a sucessão imperial, o mundo romano esteve amplamente livre de conflitos em larga escala por mais de dois séculos. Augusto dramaticamente aumentou o império, anexando Egito, Dalmácia,Panônia, Nórica e Récia, expandindo as possessões da África e Germânia e completando a conquista da Hispânia. Além das fronteiras, protegeu o império com uma região tampão composta por Estados clientes, e fez paz com o Império Parta via diplomacia. Reformou o sistema romano de tributação, desenvolveu redes de estradas com um sistema de correio oficial, estabeleceu um exército permanente, bem como a guarda pretoriana, criou serviços oficiais de policiais e bombeiros, e reconstruiu muito da cidade de Roma durante seu reinado.

Augusto morreu em 14 d.C., com 75 anos. Ele pode ter morrido de causas naturais, embora haja rumores não confirmados que sua esposa Lívia Drusa o teria envenenado. Foi sucedido como imperador por seu filho adotivo (também enteado e antigo cunhado),Tibério. Foi o soberano com maior tempo de mandato de Roma, com 41 anos.