quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Gorgonas

Medusa: uma das três
górgonas
A Górgona é uma criatura da mitologia grega, representada como um monstro feroz, de aspecto feminino, e com grandes presas. Tinha o poder de transformar todos que olhassem para ela em pedra, o que fazia que, muitas vezes, imagens suas fossem utilizadas como uma forma de amuleto. A górgona também vestia um cinto de serpentes entrelaçadas.

Na mitologia grega tardia, diziam-se que existiam três górgonas: as três filhas de Fórcis e Ceto. Seus nomes eram Medusa, "a impetuosa", Esteno, "a que oprime" e Euríale, "a que está ao largo". Como a mãe, as górgonas eram extremamente belas e seus cabelos eram invejáveis; todavia, eram desregradas e sem escrúpulos. Isso causou a irritação dos demais deuses, principalmente de Atena, a deusa da sabedoria, que admirou-se de ver que a beleza das górgonas as fazia exatamente idênticas a ela.

Atena então, para não permitir que deusas iguais a ela mostrassem um comportamento maligno, tão diferente do seu, deformou-lhes a aparência, determinada a diferenciar-se. Atena transformou os belos cachos das irmãs em ninhos de serpentes letais e violentas, que picavam suas faces. Transformou seus belos dentes em presas de javalis, e fez com que seus pés e mãos macias se tornassem em bronze frio e pesado. Cobrindo suas peles com escamas douradas e para terminar, Atena condenou-as a transformar em pedra tudo aquilo que pudesse contemplar seus olhos. Assim, o belo olhar das górgonas se transformou em algo perigoso.

Envergonhadas e desesperadas por seu infortúnio, as górgonas fugiram para o Ocidente, e se esconderem na Ciméria, conhecido como "o país da noite eterna".

Medusa e Poseidon

Mesmo monstruosa, Medusa foi assediada por Poseidon, que amava Atena. Para vingar-se, Medusa cedeu e Poseidon desposou-a. Após isso, Poseidon fez com que Atena soubesse que ele tivera aquela que era sua semelhante. Atena sentiu-se tão ultrajada que tomou de Medusa sua imortalidade, fazendo-a a única mortal entre as górgonas. Em outras versões, Atena amaldiçoou as górgonas justamente porque quando Medusa ainda era bela, ela e Poseidon se uniram em um templo de Atena, a deusa ficou ultrajada e as amaldiçoou.

Perseu com a cabeça de Medusa
Mais tarde, Perseu, filho de Zeus e da princesa Dânae, contou com a ajuda de Atena para encontrar Medusa e cortar a sua cabeça, com a qual realizou prodígios. Pois mesmo depois de morta, a cabeça continuava viva e aquele que a olhasse nos olhos se tornava pedra. Medusa deu à luz dois filhos de Poseidon, Pégaso e Crisaor, ao qual nasceram logo após Perseu decapitar sua cabeça. 

Perseu voou então para Sérifo, onde sua mãe estava prestes a ser forçada a se casar com o rei Polidetes, que foi transformado em pedra ao olhar para a cabeça da Medusa. Perseu deu então a cabeça da Górgona para Atena, que a colocou em seu escudo, o Aegis.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Hera - ou Juno

Escultura de Hera no Louvre,
uma cópia romana do original
helenístico.
Na mitologia grega Hera é a deusa do casamento, da maternidade e das mulheres equivalente a Juno, na Mitologia romana. Irmã e esposa de Zeus, rainha dos deuses, que rege a fidelidade conjugal. Retratada como majestosa e solene, muitas vezes coroada com os polos (uma coroa alta cilíndrica usada por várias deusas), Hera pode ostentar na sua mão uma romã, símbolo da fertilidade, sangue e morte, e um substituto para as cápsulas da papoula de ópio. A vaca, e mais tarde, o pavão eram animais relacionados com ela.

Retratada como ciumenta e agressiva contra qualquer relação extra-conjugal, odiava e perseguia as amantes de Zeus e os filhos de tais relacionamentos, tanto que tentou matar Hércules quando este era apenas um bebê, e depois o enlouqueceu fazendo induzindo-o a matar sua própria família. O único filho de Zeus que ela não odiava, antes gostava, era Hermes e sua mãe Maia, porque ficou surpresa com a sua inteligência e beleza.

Sendo uma filha de Cronos, ela, assim como seus outros filhos, foi engolido por seu pai, mas depois liberado, e ela foi criada pelas Hespérides, três filhas do rio Asterion. 

Sua personalidade, como descrita por Homero, não é do tipo muito amável, e suas principais características são a inveja, obstinação, e uma disposição a brigas, que às vezes fazia com que o seu próprio marido tremesse. Daí surgem conflitos frequentes entre Hera e Zeus; e em uma ocasião Hera, em conjunto com Poseidon e Atena, colocam Zeus preso. Zeus, em casos como esse, não só a ameaça, mas bate nela; quando depois de preso, ele foi capaz de sair das nuvens, com as mãos acorrentadas, e com duas bigornas suspenso de seus pés. Ela está assustada com suas ameaças, e cede quando ele está com raiva; e quando ela é incapaz de obter os seus fins de qualquer outra forma, ela recorre à astúcia e intrigas. Assim, ela pede emprestado o cinto de Afrodite, que tem o poder de encanto e fascínio, para excitar o amor de Zeus. Com Zeus, ela era a mãe de Ares, Hebe e Hefesto. 

O Nascimento de Hefesto 

A despeito de ser a deusa da família, Hera arremessou Hefesto do alto dos céus, desgostosa por ele ser coxo; em outra versão, ele teria ficado coxo justamente devido à queda. No relato homérico, ele despencou durante nove dias e noites até cair no oceano, onde foi criado pela oceânides Tétis (mãe de Aquiles) e Eurínome.

Depois disso, conta-se que Hefesto se vingou da sua mãe por tê-lo rejeitado, fazendo-lhe um trono mágico que, quando ela se sentou não permitiu que se levanta-se. Os outros deuses imploraram a Hefesto para voltar ao Olimpo para deixá-la sair, mas ele se recusava. Dionísio o embebedou e levou-o de volta para o Olimpo no lombo de uma mula. Hefesto tirou Hera do trono após ter sido dado Afrodite como sua esposa.

Leto - Mãe de Apolo e Ártemis

Quando Hera descobriu que Leto estava grávida e que Zeus era o pai, ela proibiu Leto de dar à luz em terra firme, ou em continente, ou qualquer ilha no mar. Poseidon, com pena de Leto guiou-a para uma ilha flutuante em Delos, que não era nem continente, nem uma verdadeira ilha e Leto foi capaz de dar à luz seus filhos na ilha. Como um gesto de gratidão, Delos foi presa com quatro pilares. A ilha mais tarde se tornou sagrada para Apolo. Alternativamente, Hera impediu que sua filha Ilitia, a deusa do parto, fosse ajudar Leto a dar a luz. Os outros deuses subornaram Hera com um belo colar que ninguém podia resistir, e ela finalmente cedeu. Ártemis teria nascido primeiro e depois assistiu o nascimento de Apolo. Algumas versões dizem que Ártemis ajudou a mãe a dar à luz a Apolo durante nove dias.  

Eco

De acordo com a releitura do mito urbano de Ovídio em Metamorfoses, por um longo tempo, uma ninfa chamada Eco tinha a função de distrair Hera enquanto Zeus namorava outras ninfas. Quando Hera descobriu o engano, ela amaldiçoou Eco para apenas repetir as palavras dos outros.

Sêmele - Mãe de Dioníso

Quando Hera descobriu que Sêmele, filha de Cadmo, o rei de Tebas, estava grávida de Zeus, ela se disfarçou de enfermeira de Semele e convenceu a princesa a insistir que Zeus mostrar-se a ela sua verdadeira forma. Quando ele foi obrigado a fazê-lo, tendo jurado por Estige, seus trovões e relâmpagos destruíram Sêmele. Zeus então, tirou do ventre de Sêmele Dionísio, e o colocou em sua coxa terminando a gestação.

Io

Hera quase pegou Zeus com uma amante chamada Io, um destino evitado por Zeus que transformou Io em uma bela novilha branca. No entanto, Hera não estava completamente enganada e exigiu que Zeus lhe desse a novilha de presente.

Uma vez que Io foi dada a Hera, esta colocou o titã Argos Panoptes para manter Io separada de Zeus. Zeus então ordenou Hermes matar Argos, o que ele fez. Hera, revoltada, enviou um inseto para infestar Io, que vagou da Grécia até o Egito, onde, à beira do Rio Nilo, retornou à forma de mulher, dando à luz Épafo.

Lâmia

Lâmia foi uma rainha da Líbia, amante de Zeus. Hera transformou-a em um monstro e matou seus filhos. Ou, em alternativa, ela matou os filhos de Lâmia e a tristeza transformou-a em um monstro. Por fim, para torturá-la ainda mais, Lâmia foi condenada por Hera a não poder cerrar os olhos, para que ficasse para sempre obcecada com a imagem dos filhos mortos. Zeus, apiedado, deu-lhe o dom de poder extrair os olhos de vez em quando para descansar. Lâmia estava com inveja das outras mães e comeu seus filhos.

Hércules

Hera foi a madrasta e inimiga de Hércules, que foi batizado de "Glória de Hera" em sua honra. Quando Hércules ainda era um bebê, Hera enviou duas serpentes para matá-lo enquanto ele estava deitado em sua cama. Hércules estrangulou uma única serpente em cada mão e foi encontrado por sua ama brincando com seus corpos flácidos como se fossem brinquedos de uma criança. Mais tarde, ela o enlouqueceu e o induziu a matar toda a sua família. Também despertou as amazonas contra ele quando Hercules estava em uma de suas missões. 

Assistência aos Argonautas

Hera odiava Pélias, porque ele tinha matado Sidero, em um dos templos da deusa. Mais tarde, ela convenceu Jasão e Medea matarem Pélias. Jasão se tornou um dos protegidos de Hera, assim como os Argonautas, que foram ajudados por ela em sua busca pelo Velocino de Ouro. 

Durante a Guerra de Troia, Hera junto com Atena, Poseidon, Hefesto, e Tétis, protegeram os gregos. Na guerra, Hera chegou a ferir Ártemis que protegia os troianos, e pegou o cinto mágico de Afrodite para favorecer os gregos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Deméter - ou Ceres

Deméter - ou Ceres, como é conhecida pelos romanos - é uma deusa grega, filha de Cronos e Reia, deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. É propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização. Na qualidade de deusa da agricultura, fez várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações.

Filhos 

Com Zeus, seu irmão, ela teve uma filha, Perséfone ("a de braços brancos"). Teve um casal de gêmeos chamado Despina ("a deusa das sombras invernais") e Árion, com seu irmão Poseidon. Abandonou a menina sem nome ao nascimento para procurar Perséfone quando raptada. Despina, que representa o inverno, é o oposto de sua irmã, Perséfone, que representa a primavera e de sua mãe, Deméter, deusa da agricultura. O filho chamado Árion, era um cavalo de crinas azuis, tinha o poder da fala e de ver o futuro. Foi o cavalo mais rápido de todos os tempos e ajudou muitos heróis bravamente em suas conquistas. Ela também é uma das deusas que tiveram filhos com mortais, e teve com o herói cretense Iásio o deus Pluto. Um fragmento do Catálogo de Mulheres, de Hesíodo, sugere que Deméter teve um outro amante mortal, Eetion, que foi fulminado por um raio de Zeus. Alguns críticos consideram que Iásio e Eetion são a mesma pessoa.

O Rapto de Perséfone

Quando Hades raptou Perséfone e a levou para seu reino subterrâneo, Deméter ficou desesperada, saiu como louca terra afora sem comer e nem descansar. Decidiu não voltar para o Olimpo enquanto sua filha não lhe fosse devolvida, e culpando a terra por ter aberto a passagem para Hades levar sua amada filha, ela disse:

– Ingrato solo, que tornei fértil e cobri de ervas e grãos nutritivos, não mais gozará de meus favores!

Durante o tempo em que Deméter ficou fora do Olimpo a terra tornou-se estéril, o gado morreu, o arado quebrou, os grãos não germinaram. Sem comida a população sofria de fome e doenças. A fonte Aretusa (em outras versões, a ninfa Ciana, metarmofoseada em um rio) então contou que a terra abriu-se de má vontade, obedecendo às ordens de Hades e que Perséfone estava no Érebo, triste mas com pose de rainha, como esposa do monarca do mundo dos mortos.

Com a situação caótica em que estava a terra estéril, Zeus pediu a Hades que devolvesse Perséfone. Ele concordou, porém antes, fê-la comer um bago de romã e assim a prendeu para sempre aos infernos, pois quem comesse qualquer alimento nessa região ficava obrigado a retornar.

Com isso, ficou estabelecido que Perséfone passaria um período do ano com a mãe, e outro com Hades, quando é chamada Proserpina. O primeiro período corresponde à primavera, em que os grãos brotam, saindo da terra assim como Proserpina. Neste período Perséfone é chamada Core, a moça. O segundo é o da semeadura de outono, quando os grãos são enterrados, da mesma forma que Perséfone volta a ser Proserpina no reino do seu marido. Durante o inverno, Despina mostra sua ira contra seus pais e sua irmã, congelando lagos e destruindo plantações e flores.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hestia - ou Vesta

Héstia - ou Vesta, na mitologia romana - é a deusa grega do lar e dos laços familiares, simbolizada pelo fogo doméstico.

Filha de Cronos e Reia, era uma das doze divindades olímpicas. Cortejada por Poseidon e Apolo, jurou virgindade perante Zeus, e dele recebeu a honra de ser venerada em todos os lares, ser incluída em todos os sacrifícios e permanecer em paz, em seu palácio cercada do respeito de deuses e mortais.

Embora não apareça com frequência nas histórias mitológicas, era admirada por todos os deuses. Era a personificação da moradia estável, onde as pessoas se reuniam para orar e oferecer sacrifícios aos deuses. Era adorada como protetora das cidades, das famílias e das colônias.

Sua chama sagrada brilhava continuamente nos lares e templos. Todas as cidades possuíam o fogo de Héstia, colocado no palácio onde se reuniam as tribos. Esse fogo deveria ser conseguido direto do sol. Quando os gregos fundavam cidades fora da Grécia, levavam parte do fogo da lareira como símbolo da ligação com a terra materna e com ele, acendiam a lareira onde seria o núcleo político da nova cidade.

Versão Rick Riordan

Em alguns aspectos, Héstia era muito parecida com a mãe, Reia. Tinha um sorriso sincero, olhos castanhos amorosos e cabelos pretos cujos cachos emolduravam o rosto. Era gentil e boa. Nunca falava mal de ninguém. Em uma festa no Monte Olimpo, Héstia não seria a primeira garota a chamar sua atenção; não era extravagante, exagerada nem maluca. Era mais como uma deusa qualquer, meiga e bonita de uma forma nada pretensiosa. Normalmente ela prendia o cabelo debaixo de um xale de linho. Usava vestidos simples e sem estampa e nunca passava maquiagem. 

Eu falei que ninguém a levava a sério, e é verdade: os outros deuses não eram de ouvir seus conselhos. Tendo sido a primeira a ser engolida pelo pai, Héstia foi a última a ser vomitada. Por causa disso, os irmãos pensavam nela como a mais nova, e não a mais velha; afinal, tinha sido a última a aparecer. 

Ela era mais calada e mais tranquila do que os irmãos, mas isso não quer dizer que eles não a amassem. Assim como Reia, Héstia era aquele tipo de pessoa que é impossível não amar. Mas havia um aspecto importante em que Héstia não era como Reia. A mãe dela era conhecida por ser... bem, mãe. A Grande Mãe. A Maior Mamãe. La Madre Grande. Já Héstia não queria saber de ser mãe. 

Ela não tinha problema nenhum com a família dos outros. Amava os irmãos e, quando eles começaram a ter filhos, amou os sobrinhos também. Seu maior desejo era que toda a família olimpiana se desse bem e passasse bons momentos reunida ao redor da lareira, conversando, jantando, jogando Twister ou qualquer outra atividade envolvente. Héstia só não queria se casar. Se vocês pensarem um pouco, vão entender o motivo. 

Héstia passara anos dentro da barriga de Cronos. Ela tinha uma memória muito boa, conseguia se lembrar até de Cronos engolindo-a, recém-nascida. Lembrava-se de ter ouvido a mãe chorando de desespero. Héstia tinha pesadelos em que o mesmo acontecia com ela. Ela não queria se casar e acabar descobrindo que o marido era um canibal engolidor de bebês. E não era paranoia sua. Ela tinha provas de que Zeus podia ser tão mau quanto Cronos. 

domingo, 28 de agosto de 2011

Hades - ou Plutão

Hades, na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos. Equivalente ao deus romano PlutãoÉ considerado um deus da "segunda geração" pelos estudiosos. Oriundo que fora de Cronos e de Reia, formava com seus cinco irmãos, os Crônidas: Hera, Deméter, Hestia, Poseidon e Zeus.

Hades costuma apresentar um papel secundário na mitologia, pois o fato de ser o governante do Mundo dos Mortos faz com que seu trabalho seja "dividido" entre outras divindades, tais como Tanatos, deus da morte, ou as Queres (Ker) - estas últimas retratadas na Ilíada recolhendo avidamente as almas dos guerreiros, enquanto Tanatos surge nos mitos da bondosa Alceste ou do astuto Sísifo.

Guerra dos Titãs

Temendo uma profecia que dizia que seria derrotado por um dos filhos, Cronos passou a devorar os filhos tão logo sua mulher, Reia, os tinha. Assim ocorrera a todos os filhos que teve, à exceção de Zeus que, para ser poupado, foi num ardil materno trocado pela mãe por uma pedra.

Crescendo, o jovem deus teve novamente a ajuda materna para auxiliá-lo: Reia fez com que o marido engolisse uma beberagem que o forçou a vomitar os filhos presos dentro de si. Uma vez libertos, os irmãos ficaram solidários a Zeus, no combate contra o pai. Postaram-se, então, no monte Olimpo e, com ajuda dos titãs hecatônquiros, combateram os outros titãs, que se posicionaram no monte Ótris, numa batalha que durou dez anos.

Os titãs solidários aos olímpicos — Briareu, Coto e Giges — deram aos três irmãos suas armas: a Zeus os raios, a Poseidon o tridente; a Hades coube um capacete, que o tornava invisível. A derrota de Cronos deu-se com o uso das três armas: Hades, invisível com seu elmo, roubou ao pai suas armas e, enquanto Poseidon o distraía com o tridente, Zeus o fulminou com seus raios.

Sendo o mundo dividido em três partes, Zeus procedeu à divisão por sorteio dos reinos entre si e os dois irmãos: para si ficou a Terra e o Céu, a Poseidon coube os mares e rios, ao passo que para Hades ficou o domínio sobre o mundo subterrâneo e os seres das sombras.

Mundo dos Mortos

Não são acordes os autores antigos acerca da localização do mundo inferior; enquanto uns o situam abaixo da superfície terrestre, outros colocam-no ao oeste, em meio ao Oceano. Também sua entrada era controversa, situando-a em algum ponto sombrio e assustador, tal como havia em Cumas — mas uma das passagens estava sempre aberta de modo a permitir a entrada, sem retrocesso. Sua guarda cabia ao cão Cérbero, que era dócil a quem chegava, mas feroz a quem pretendesse sair.

A entrada era separada do interior por vários rios, de águas turbulentas, dos quais o mais famoso era o Estige, tão fiável que os próprios deuses o evocavam como testemunha dos juramentos. Sua passagem era feita pelo barqueiro Caronte, para cujo pagamento colocavam os gregos uma moeda (danake) na boca do falecido. Outros rios eram o Aqueronte (rio da eterna aflição), Lete (o rio do esquecimento), Piriflegetonte (rio de fogo), Cócito (rio do pranto e lamento).

Além do próprio reino dos mortos, duas outras regiões se apresentavam: os Campos Elísios, onde uma ilha de bem-aventurança recebia as almas felizes e o Tártaro — tão profundo que distava da terra tanto quanto esta dos céus. Na ilha de Erítia, onde Gerião mantinha seu rebanho sob os cuidados do pastor Eurítion e do cão Ortro — alvo de um dos trabalhos hercúleos — o pastor Menetes cuidava dos rebanhos de Hades.

Campos Asfodelos - Pessoas medianas
Campos Elísios - Pessoas Especiais
Campos de Punição - Pessoas ruins

O Rapto de Perséfone

Após os titãs terem sido aprisionados no Etna, os cataclismos provocados por suas lutas pela liberdade fizeram com que Hades temesse que seu mundo fosse exposto ao Sol.

Então, a fim de verificar o que estava se passando, finalmente Hades decide sair de seu reino, montado em seu carro de negros corceis. Estava Afrodite, naquele momento, sentada no monte Érix junto a seu filho Eros (então personificado como Cupido) e desafiou-o a lançar suas flechas no deus solitário quando, por ali, a filha de Deméter transitava no vale de Ena (uma pradaria siciliana), igualmente solteira.

Flechado pelo Amor, Hades rapta a bela sobrinha que, apavorada, clama por socorro à mãe e suas amigas mas, sem ter como reagir, acaba resignando-se. Hades excita os cavalos a fugirem o mais depressa possível até que chegaram ao rio Cíano, que se recusou a dar-lhe passagem. O deus então feriu-lhe a margem, abrindo a terra e criando uma entrada para o Tártaro.

Deméter parte numa busca inútil à filha, indo de Eos (a Aurora) até as Hespérides (no poente). Em sua peregrinação salva um menino, a quem incumbe de ensinar a agricultura aos homens. Desesperançada, pára à margem do mesmo rio Cíano onde a filha fora levada. A ninfa que ali habitava fica oculta, temendo represálias do deus dos Infernos, mas deixa fluir sobre as águas a guirlanda que Perséfone derrubara ao ser levada. Ao vê-la a deusa se revolta, culpando a terra por seu sofrimento: a maldição que lança provoca a infertilidade do solo e a morte do gado.

Vendo a desolação provocada pela vingança da deusa, a fonte Aretusa resolveu interceder. Procurando Deméter, conta sua história - de como fora perseguida por Alfeu, no curso do rio de mesmo nome e, ajudada por Artêmis, que lhe abrira um caminho subterrâneo para a fuga até a Sicília, viu então Perséfone sendo levada por Hades — ainda triste, mas já ostentando o semblante de Rainha do Mundo Inferior.

A deusa de imediato vai ao Olimpo, onde pleiteia a Zeus fosse a filha restituída. O Senhor dos deuses consente, impondo contudo a condição de que Perséfone não tivesse, no mundo inferior, ingerido alimento algum — uma condição que faria com que as Parcas vedassem-lhe a saída. Hermes, guia das almas, é enviado como mensageiro junto a Primavera. Hades concorda com o pedido mas, num ardil, oferece a Perséfone uma romã, da qual a jovem chupa alguns grãos, selando assim o seu destino, pois jamais poderia se libertar dos Infernos.

Apesar de ter a esposa para sempre presa ao Submundo, o deus das sombras faz um acordo com a sogra, anuindo que Perséfone passasse uma parte do tempo ao seu lado e outra, com a mãe. Deméter concorda com o ajuste, e devolve à terra sua fertilidade.

Os monarcas Hades e Perséfone não apenas governavam as almas dos mortos, mas tinham o papel de juízes da humanidade depois da vida. Nisto eram auxiliados por três heróis que foram, em vida, reconhecidos por seu senso de justiça e sabedoria: Minos, seu irmão Radamanto e Éaco que, numa versão mais tardia, era o responsável pelas portas do mundo inferior.

sábado, 27 de agosto de 2011

Poseidon - Netuno

Poseidon, também conhecido como Netuno para os romanos, era o grande rei dos mares, um homem muito forte, com barbas e sempre representado com seu tridente na mão e as vezes com um golfinho. Era filho de Cronos, deus do tempo, e da deusa da fertilidade Réia. Sua casa era no fundo do mar e com seu tridente causava maremotos, tremores, além de fazer brotar água do solo.

Anfitrite e Tritão

Poseidon era casado com Anfitrite. Quando se conheceram Poseidon se apaixonou por ela, mas Anfitrite o recusou e assustada pela forma rude com que fora pedida em casamento, se escondeu nas profundezas de uma gruta, e só sua mãe sabia da sua localização. 

Tritão
Poseidon, sem sabe do paradeiro de sua amada, resolveu pedir a Zeus que o ajudasse a encontrá-la. Ao descobrir sua localização, Poseidon foi ao seu encontro e mais uma vez a pediu em casamento - agora usando um pouco mais de humildade. E ela, tentada com a ideia de ser a rainha do oceano, acabou aceitando o pedido. Os dois tiveram um filho chamado Tritão, geralmente representado com cabeça e tronco humano e cauda de peixe. Aterrorizava os marinheiros com um barulho espantoso que ele fazia quando soprava o búzio, um instrumento, mas também com ele fazia sons maravilhosos. 

Entretanto, na sua vida Poseidon teve muitos outros amores e fora de seu casamento teve mais filhos que ficaram muito conhecidos por sua crueldade, os dois que mais conhecidos foram o Ciclope e o gigante Orion

Pégaso e Arion

Poseidon é também o pai de Pégaso, um cavalo alado símbolo da imortalidade gerado por Medusa, quando esta foi decapitada por Perseu. Ela estava grávida de Poseidon naquela época. Por esse motivo, Poseidon sempre esteve muito ligado aos cavalos e foi o primeiro a colocar cavalos na região. 

Outro caso de amor muito conhecido de Poseidon foi com sua irmã Demeter, ele a perseguiu e ela para evitá-lo se transformou em égua, porém ele se transformou em um garanhão e com ela teve um encantador cavalo, Arion

Guerra de Tróia

Na história da Guerra de Tróia, Poseidon e Apolo ajudaram o rei na construção dos muros daquela cidade e a eles foi prometida uma recompensa, porém tinham sidos enganados, pois o rei não os recompensou. Foi então que Poseidon muito enfurecido se vingou de Tróia e enviou um monstro do mar que saqueou toda a terra de Tróia e durante a guerra ele ajudou os gregos.

Poseidon disputou com Atena, a deusa da sabedoria, para ser a deidade da cidade hoje conhecida como Atenas, porém Atena ganhou a competição e a cidade ficou conhecida com o seu nome.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Atena - Minerva

Atena é, na mitologia grega, a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia em batalha, das artes, da justiça e da habilidade. Os romanos a chamavam de Minerva. Foi concebida da união de Zeus e da deusa Métis. A versão mais corrente de seu mito a dá como filha partenogênica de Zeus, nascendo de sua cabeça plenamente armada. Jamais se casou ou tomou amantes, mantendo uma virgindade perpétua. Era imbatível na guerra, nem mesmo Ares lhe fazia páreo. Foi padroeira de várias cidades, mas se tornou mais conhecida como a protetora de Atenas e de toda a Ática. Também protegeu vários heróis e outras figuras míticas, aparecendo em uma grande quantidade de episódios da mitologia. 

Nascimento

Atena era a filha predileta de Zeus, porém quando Métis ficou grávida, Zeus engoliu a esposa com medo de sua filha nascer mais poderosa que ele e lhe tirar o trono, mas para que isso acontecesse convenceu Métis a participar de uma brincadeira divina, onde cada um se transformava em um animal diferente e Métis pouco prudente acabou se transformando em uma mosca, e Zeus a engoliu. Métis foi para a cabeça de Zeus. Mas com o passar dos anos, Zeus sentiu uma forte dor de cabeça e pediu para que Hefesto lhe desse uma machadada, foi então que Atena já adulta saltou de dentro do cérebro de seu pai, já com armadura, elmo e escudo.

Atena leva uma lança em sua mão, mas que não significa guerra e sim uma estratégia de vencer, também foi a inventora do freio, sendo a primeira que amansou os cavalos para que os homens conseguissem domá-los. A cidade Atenas era sua preferida já que levou seu nome e onde também se fazia cultos em sua homenagem.

Disputa Entre Atena e Poseidon

Atena e Poseidon, seu tio, chegaram a disputar o padroado de uma cidade importante, para isso estabeleceram um concurso: quem desse o melhor presente à cidade ganharia a disputa. Poseidon bateu com seu tridente e fez jorrar água do mar e também fez aparecer um cavalo. Já Atena além de domar o cavalo e torna-lo um animal doméstico, também deu como presente uma Oliveira que produzia alimento, óleo e madeira, foi então que ganhou e assim a cidade levou seu nome, Atenas.

O Julgamento de Oreste

Atena também ficou conhecida como Minerva pelo voto de desempate que deu quando julgou Orestes juntamente com o povo de Atenas. Orestes matou a mãe para se vingar da morte do pai. Atena deu o voto de Minerva como é conhecido hoje, e declarou Orestes inocente.

Atena e Hefesto

Certa vez, Atena foi encomendar armas a Hefesto, mas este, tomado de paixão pela deusa, tentou seduzi-la. Ela repeliu seu avanço, mas não obstante Hefesto ejaculou sobre a sua coxa. Atena limpou o sêmen e enojada arrojou o pano que usara sobre a terra. Gaia, a terra, em segredo gerou um filho da semente de Hefesto, Erictônio, planejando torná-lo imortal. Colocou-o dentro de um cesto, que confiou aos cuidados de uma filha de Cécrops, Pandroso, mas proibindo-a de olhar seu conteúdo. As irmãs de Pandroso, vencidas pela curiosidade, abriram o cesto mas se horrorizaram ante a visão de uma serpente envolvendo o bebê. O Pseudo-Apolorodo continuou a história dizendo que algumas versões do mito mostram em seguida as irmãs morrendo pela picada da serpente, ou tornadas loucas pela ira de Atena, que por fim as arremessou do alto da Acrópole. Atena então tomou a criança e a criou numa gruta sagrada. Ao chegar à idade adulta, Erictônio expulsou Anfictião e tornou-se rei de Atenas, quando introduziu o festival das Panatenaias, o mais importante dentre os festivais religiosos dedicados a Atena. 

Punições Feitas Por Atena

Vários personagens míticos foram punidos por Atena em consequência de profanações, húbris ou ultrajes à sua divindade, como as irmãs de Pandroso, há pouco citadas. Ájax, filho de Oileu, príncipe da Lócrida, por ter estuprado Cassandra dentro do santuário de Atena, foi punido com o naufrágio do seu barco, que a deusa atingiu com um raio. Seu povo também teve de pagar pela ofensa, sendo assolado por uma praga e sendo obrigado a expiá-la por mil anos enviando duas donzelas anualmente para serem sacrificadas pelos troianos. 

Para castigar Auge, sua sacerdotisa, que tivera relações sexuais dentro do seu santuário na Arcádia, tornou a região infértil até que o rei a expulsasse, vendendo-a como escrava. Pelo mesmo motivo mandou que Tideu matasse Ismene, princesa da Beócia. Ilus foi cego pela deusa por ter desvelado a estátua do Paládio, cuja contemplação era vedada aos mortais. Transformou Aracne em aranha por ela ter desafiado Atena em uma competição de bordado; transformou Mérope em uma coruja por ela ter ridicularizado os olhos cinzentos da deusa e zombado dos outros deuses; enlouqueceu Aias Telamanios porque ele ameaçara matar os líderes gregos durante a Guerra de Troia; matou Laocoonte e seus filhos mandando duas serpentes marinhas estrangulá-los, para impedir que ele revelasse aos troianos o segredo do Cavalo de Troia, e fez a peste desolar a Arcádia porque seu príncipe Teutis a ferira acidentalmente. Transformou Medusa em um monstro por ela ter gabado sua beleza como superior à de Atena, depois ajudou Perseu a matá-la e fixou sua cabeça em seu escudo (ou sua aegis, conforme outras versões), com o que aterrorizava seus inimigos.